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13 fevereiro 2022

CORPO OLÍMPICO

CORPO OLÍMPICO

Desde a Grécia Antiga, os homens correm atrás de um corpo ágil, capaz de alcançar cada vez mais velocidade, força e destreza. Mas a história do esporte, escrita pelos Jogos Olímpicos, mostra diferentes motivações para essa conquista. 



Modificado de 
Ricardo Falzetta, 
Nova Escola, 
Paola Gentile, 
Carlos Eduardo Matos. 
(01 de Agosto / 2004)

Atletas nus e mulheres proibidas

Na Grécia Antiga, os homens, só eles tinham esse direito. Os homens malhavam por um físico ideal de inspiração divina Atleta. Ginástica, estádio, pentatlo, ginásio, todas essas palavras são de origem grega e ligadas ao esporte. 

Na Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, surgiu a idéia do corpo perfeito conquistado por meio da atividade física. Os homens helênicos não se envergonhavam de exibir-se despidos em jogos e danças. E competição sem roupa era uma maneira de saber se entre os atletas não haviam mulheres. 

Atletas competindo sem roupas se entenderam  até o século IV depois de Cristo, quando o Imperador Teodósio I proibiu todas as festas pagãs da época. Inclusive os Jogos Olímpicos, que eram celebrados em honra a Zeus (Júpiter) o pai dos deuses.  

A celebrada competição dos Jogos Olímpicos voltaria apenas 24 séculos depois quando em 1896, na mesma Grécia, Pierre de Frédy (Paris, 1 de janeiro de 1863 - Genebra, 2 de setembro de 1937), pedagogo e historiador francês, mais conhecido pelo seu título nobiliárquico de Barão de Coubertin, entra para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, retomando mais de 30 séculos de história desde a primeira olimpíada.

Para dar visibilidade aos seus planos de reorganizar os Jogos Olímpicos, organizou um congresso internacional em 23 de Junho de 1894 na Universidade de Sorbonne em Paris. 
Nesse encontro propôs que fosse reinstituída a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga. 
Este congresso levou à constituição do Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual o barão de Coubertin seria secretário geral entre 1896-1925. 

Ficou também decidido que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna teriam lugar em Atenas, na Grécia e que a partir daí, tal como na antiguidade clássica, seriam realizados a cada quatro anos uma Olimpíada. Dois anos depois realizaram-se os Jogos Olímpicos de Verão de 1896, que foram um sucesso.


Os Helenos e o corpo

O culto ao corpo era uma das principais características dos Jogos Olímpicos da Grécia antiga, onde o aspecto físico do homem era glorificado e exaltado.

Longe das mulheres, que não participavam da vida pública e que não frequentavam os ginásios, nem as palestras muito menos os Jogos Olímpicos, nem mesmo para assistir, os homens gregos se habituaram a celebrar a beleza e a perfeição do corpo masculino.



Este tipo de esculturas masculinas desnudas eram chamadas de Kouros, que significa “homem jovem”. Os olhos ainda lembram bastante os egípcios, não são nada naturais. Assim como os músculos e ossos, observe os joelhos. Existe uma simetria perfeita e equilibrada entre os dois lados do corpo. E a forma de construir o cabelo também é característica deste período, e parece ser uma influência da Mesopotâmia.

Estas duas esculturas são conhecidas como “Cléobis e Bitón”. Conta a lenda narrada por Heródoto que os dois jovens se ofereceram para levar sua mãe até o templo de Hera, onde ela exercia de sacerdotisa, até aí tudo bem. Acontece que os bois que levavam o carro não se encontravam à disposiçao, então eles se colocaram no lugar dos tais bois! Depois de dias de dura jornada, por fim chegaram ao templo. A mãe cheia de alegria suplicou à deusa que concedesse a seus filhos o maior dos presentes. Neste momento, os dois jovens se recostaram e nunca mais se levantaram! Para uma linha da filosofia grega, o maior dos presentes seria uma morte tranquila e prematura após haver demonstrado sua virtude diante dos homens!!!

Kouros de Samos, Museu Arqueológico Nacional de Atenas (WP





No começo das Olimpíadas, os gregos competiam vestindo uma pesada túnica de linho. Mas nos Jogos de 720 a.C. Orsippos de Megara, ao se ver perdendo a competição de velocidade, arrancou sua túnica na metade da prova e, livrando-se do peso e do incômodo, cruzou a chegada com folga.

A partir daquele dia, por decisão dos sábios gregos, a nudez se tornou obrigatória para os atletas.

A idéia era que o ideal olímpico da "superação da força do corpo humano" ficaria mais puro se os atletas estivessem totalmente nus durante as competições. O que também tornaria evidente se alguma mulher quisesse se passar por homem e tentar competir nos Jogos. (folha)

Para os gregos, a nudez não tinha conotação erótica, exaltando apenas a perfeição das formas do ser humano. A ênfase não era o aspecto sexual, mas muscular e funcional. 


Citius, Altius, Fortius

A admiração pelo corpo masculino nu, presente nas esculturas e cerâmicas gregas, é muito anterior e mais frequente do que a do corpo feminino, principalmente na cidade-estado de Esparta, com seu ideal militarista. Como se sabe pelos registros históricos os treinamentos enfatizavam e buscavam a excelência na guerra, onde os jovens eram preparados para defender sua cidade em caso de conflito. 

Gymnasium

Segundo o historiador Tulcídides (século V a.C.), os espartanos adotaram o costume olímpico também na vida cotidiana. "Eles passaram a se despir para aparecer em público e, com o corpo untado de óleo, praticar exercícios atléticos", escreveu.

E é dessa prática que surgiu a palavra ginástica, que significa "exercitar-se nu". E os gymnasium eram os locais para esse fim, além de serem escolas onde os alunos aprendiam todos os esportes além de música, poesia, ética e retórica. 

O próprio lema em latim dos Jogos, "Citius, altius, fortius", que significa mais rápido, mais alto e mais forte, projeta um ideal de corpo humano.

Mais do que manter o corpo em forma, os gostavam de se admirar. Eles perceberam que a nudez, além de bela, melhorava o desempenho do atleta, sobretudo nas competições periodicamente disputadas na península grega, os Jogos Olímpicos.

Entretanto haviam modalidades na qual era obrigatório o uso de um vestuário específico como algumas corridas na qual o atleta deveria correr usando um escudo, lança e trajado para guerra, o que certamente acrescentava um enorme peso ao corpo. 


Deuses e homens

A celebração das divindades por meio de provas físicas expressava as concepções politeístas dos gregos. Eles consideravam os deuses semelhantes aos homens em virtudes e defeitos, sujeitos às mesmas paixões e impulsos, embora dotados de imortalidade e de força, velocidade e beleza superiores. Assim, desejar um corpo belo, forte e rápido era um meio de se aproximar dos deuses e, com isso, da perfeição.

Não era somente essa busca divina que fazia os gregos dedicar especial atenção ao corpo. Para a Grécia, ter bons atletas entre os cidadãos significava contar com soldados fortes e resistentes, preparados fisicamente para combater os exércitos das cidades-estado vizinhas. Não por acaso, provas como a corrida e o lançamento de dardo tiveram origem no treinamento militar, que era feito dentro do “gymnasyum”, a academia da época.


Cidade de Elis

Os mais famosos e importantes jogos esportivos eram os que ocorriam a cada quatro anos em Olímpia, na cidade-estado de Elis, para homenagear Zeus, o deus supremo do Olimpo. 

Os primeiros registros dos vencedores datam de 776 a.C., mas há indícios de que as competições já eram realizadas 500 anos antes, no fina da idade do Bronze. 

Os Jogos Olímpicos assumiram tamanha importância que os antigos gregos os utilizaram como medida de tempo: a palavra olimpíada designava o intervalo de quatro anos entre dois períodos de competição, e até hoje é assim, i.e., a periodicidade dos jogos olímpicos da era moderna de é. Além disso, durante as provas, realizadas em agosto e setembro, qualquer guerra em curso na região era suspensa para que os cidadãos pudessem se deslocar até Olímpia a fim de aplaudir seus campeões. Se as guerras eram precedidas de sentimentos de tristeza, inquietação e medo, a disputa dos jogos gerava disciplina, método, respeito e uma alegre expectativa. Toda essa movimentação amargava um detalhe: as mulheres não participavam das competições nem podiam assistir a elas. 


Força e velocidade

As primeiras competições olímpicas se limitavam a corridas. Ao longo do tempo, foram introduzidos o pentatlo - no qual um atleta disputava em um mesmo dia provas de salto, lançamento de dardo e de disco, corrida e luta - e as corridas de biga. Também surgiu uma forma primitiva de boxe, em que tudo era válido a não ser mordidas e dedos nos olhos. Inicialmente, os vencedores recebiam apenas a coroa de louros. Com o tempo, viraram profissionais disfarçados, com direito a prêmios e privilégios.

O surgimento da filosofia, no final do século VII a.C., colocou as crenças religiosas tradicionais em segundo plano e enfatizou a importância da construção de um corpo perfeito. Dessa vez, o modelo não eram os deuses mas o próprio homem, qualificado como "medida de todas as coisas". 
Platão sustentava que "ginástica e música, uma intercalada com a outra", eram a fórmula do equilíbrio entre corpo e espírito. Ele próprio foi um lutador, e o nome pelo qual ficou conhecido se originou da palavra platys (largo). 
Tudo por causa de seus ombros largos e fortes 

Conquistadores da Grécia e herdeiros da cultura helênica, os romanos não mantiveram o ideal olímpico dos gregos. A qualidade física e a técnica apurada perderam importância, abrindo espaço para disputas quase circenses e cada vez mais violentas. O objetivo dos governantes era distrair o povo com espetáculos grandiosos. Buscando a liberdade, escravos confinados e submetidos a rígido treinamento tornaram-se astros - os gladiadores. 
Provas puramente atléticas, como as corridas rasas e o arremesso de dardo e disco, chegaram a ser alvo de zombaria dos espectadores.

Nesse cenário, que atingiu seu ápice no século 2, o poeta satírico Juvenal mencionou a máxima mens sana in corpore sano. Dada a personalidade irônica atribuída ao autor, nunca se soube exatamente qual sentido ele pretendeu dar a essas palavras.





































Bibliografia















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