DO QUE SÃO FEITO
OS DIREITOS
“Sabem do que são feitos os direitos, meus jovens?
Sentem o seu cheiro?
Os direitos são feitos de suor, de sangue, de carne humana apodrecida nos campos de batalha, queimada em fogueiras!
Quando abro a Constituição no artigo quinto, além dos signos, dos enunciados vertidos em linguagem jurídica, sinto cheiro de sangue velho!
Vejo cabeças rolando de guilhotinas, jovens mutilados, mulheres ardendo nas chamas das fogueiras! Ouço o grito enlouquecido dos empalados.
Deparo-me com crianças famintas, enrijecidas por invernos rigorosos, falecidas às portas das fábricas com os estômagos vazios!
Sufoco-me nas chaminés dos campos de concentração, expelindo cinzas humanas!
Vejo africanos convulsionando nos porões dos navios negreiros.
Ouço o gemido das mulheres indígenas violentadas.
Os direitos são feitos de fluido vital! Pra se fazer o direito mais elementar, a liberdade, gastou-se séculos e milhares de vidas foram tragadas, foram moídas na máquina de se fazer direitos, a revolução!
Tu achavas que os direitos foram feitos pelos janotas que têm assento nos parlamentos e tribunais? Engana-te!
O direito é feito com a carne do povo! Quando se revoga um direito, desperdiça-se milhares de vidas ...
Os governantes que usurpam direitos, como abutres, alimentam-se dos restos mortais de todos aqueles que morreram para se converterem em direitos!
Quando se concretiza um direito, meus jovens, eternizam-se essas milhares vidas!
Quando concretizamos direitos, damos um sentido à tragédia humana e à nossa própria existência!
O direito e a arte são as únicas evidências de que a odisseia terrena teve algum significado!”
Raquel Domingues do Amaral
Juíza Federal
Bibliografia
https://www.google.com.br/amp/s/www.geledes.org.br/texto-exemplar-da-juiza-federal-raquel-domingues-do-amaral/%3famp=1
UMA LONGA HISTÓRIA, DE SENTIDO DUVIDOSO.
Cilindro de Ciro. Feito em terracota, contém o embrião de leis que são homólogas ao que chamamos hoje de “Direitos Universais do Homem”.
Você sabia que em 539 a.C., os exércitos de Ciro, O Grande, o primeiro rei da antiga Pérsia, (atual Irã) conquistaram a cidade da Babilónia?
Ciro II o grande (Kuruš em persa antigo), mais conhecido como Ciro, o Grande, foi rei e fundador do Império Aquemênida, reinou entre 559 e 530 a.C., ano em que morreu em batalha com os Masságetas. Pertencente à dinastia dos Aquemênidas, foi sucedido pelo filho, Cambises II.
Império persa com as conquistas
de Ciro, o grande.
Ciro, o Grande foi exímio estadista e grande conquistador que expandiu seu império, conquistando enormes porções de território no Antigo Oriente Próximo, no Sudoeste Asiático e na Ásia Central. Ele anexou os impérios de Medos, Lídia e da Babilônia aos seus domínios.
Pérsia (latim: Persia; grego clássico: Περσίς; Persís) é o nome metonímico pelo qual os gregos da Antiguidade designavam o território governado pelos reis aquemênidas, cuja dinastia (c. 550–330 a.C.) marcou o apogeu do império, que, graças às conquistas territoriais empreendidas por Dario I e Xerxes I, tornara-se o maior império do mundo conhecido.
No século III, sob o Império Sassânida, aparece a palavra Ērān (Irã) ou Ērānšahr ("País dos Arianos" ou "País dos Iranianos").
No século VII, após a queda dos Sassânidas, o país volta a ser chamado de "Pérsia", pelos estrangeiros. Essa denominação seria usada até 1934, quando Mohammad Rezā Shāh Pahlavi tornou-se o xá do Irã (de 16 de Setembro de 1941 até sua derrubada pela Revolução Iraniana, em 11 de fevereiro de 1979). Por um decreto firmado em 31 de dezembro daquele ano, substitui-se o nome "Pérsia" por Irã. De fato, o país sempre fora chamado "Irã”, pelo seu povo, embora, durante séculos, tivesse sido referido pelos europeus como "Pérsia" (de Pars ou Fars, província no sul do Irã), por influência dos escritos dos historiadores gregos.
Mais tarde, em 1959, ambos os nomes passaram a ser admitidos oficialmente pelo governo iraniano, embora a denominação "Irã" tenha se tornado a mais usual no Ocidente a partir de 1935.
Com isso acabou criando o maior império que o mundo já tinha visto até aquele ponto da história. O império persa ia do Mar Mediterrâneo e do Helesponto até o Rio Indo.
Ciro o Grande respeitava os costumes, as raças e religiões dos povos conquistados. Seu império se tornou um modelo de administração e centralização governamental, que levou a um período de prosperidade para todos povos que integravam o império.
Ele também notabilizou-se por suas conquistas no campo dos direitos humanos, política e estratégia militar, bem como por sua influência nas civilizações oriental e ocidental.
Ciro é visto como uma figura de culto entre os iranianos modernos, com sua tumba servindo de local de reverência para milhões de pessoas.
Ciro foi um príncipe persa com ascendência na casa real dos medos, até então o povo dominante do Planalto Iraniano.
Em seu nascimento, segundo nos conta Heródoto, o rei medo Astíages, seu avô, teve um sonho no qual via uma videira crescendo das costas de sua filha Mandane, mãe de Ciro, à medida que crescia lançava gavinhas que envolviam toda a Ásia.
Sacerdotes lhe advertiram que a videira era seu neto Ciro, e que ele tomaria o lugar do velho reino da Média no mundo.
Então o rei medo mandou seu um serviçal de sua confiança que o matasse nas montanhas.
O serviçal, chamado Hárpago, se comoveu com a beleza da criança e o entregou aos cuidados de um pastor.
Ao descobrir a traição, Astíages esquartejou o filho de Hárpago, e o serviu em um jantar para o mordomo, que apenas soube o que estava comendo quando levaram a última travessa à mesa: a cabeça de seu filho.
Ciro finalmente se tornaria rei dos persas, até então um povo tributário dos medos.
Em uma rebelião liderada por Hárpago derrotou Astíages, que foi levado a Ciro para julgamento.
O rei persa poupou a vida de seu avô, mas marchou para a capital da Média, Ecbátana, e tomou o controle do vasto território medo.
Assim que tomou o controle político de toda a região do atual Irã, conquistou a Lídia e os territórios a leste da Pérsia até o Turquestão, na Ásia Central. Conquistou a Babilônia em 539 a.C.
Segundo o relato bíblico em Isaías 45, Ciro teria recebido uma mensagem de Deus hebreu que o ordenava a enviar de volta à Judeia todos os judeus cativos naquela cidade (Babilônia) e que ele próprio o Deus de Israel iria ajudá-lo.
Ciro se tornou o autor de famosa declaração que em 537 a.C. autorizava os judeus a regressarem à Judeia, pondo fim ao período do Cativeiro Babilônico.
Em uma noite de 5/6 de outubro de 539 a.C., acampou em volta de Babilônia com seu exército. Enquanto os babilônicos festejavam, engenhosamente Ciro desviava as águas do Rio Eufrates para um lago artificial. Eles puderam atravessar o rio com a água na altura da cintura e entraram sem lutar, visto que os portões estavam abertos.
A Judeia, com posição estratégica nas rotas comerciais do Egito, torna-se então agradecida aos Persas. Os persas por sua vez ficaram guarnecidos ao sul, ao xá aquemênida e pronta para defendê-lo.
A queda da Babilônia ainda lhe rendeu a lealdade dos fenícios, cuja habilidade naval era admirada pelo mundo conhecido, e que consistiria na base da marinha persa anos depois, sendo responsável pelas conquistas na Trácia e pelas guerras contra os gregos.
Em todas as conquistas, Ciro destacou-se por uma generosidade incomum no seu tempo, ao poupar seus inimigos vencidos, ou até empregá-los em cargos administrativos de seu império.
Ciro também demonstrou tolerância religiosa ao manter intactas as instituições locais (e até cultuar os deuses das regiões conquistadas, como quando entrou na Babilônia e consagrou-se rei no templo de Marduque).
Também procurou manter todos os povos do império sob a administração de líderes locais, de forma que, sob a soberania de um governo forte, muitos daqueles povos se viram em melhor situação sob os persas do que independentes.
A habilidade política de Ciro, seguida pelos seus sucessores imediatos, assegurou a força e a unidade de uma vasta região, que ia da Anatólia ao Afeganistão, e do Cáucaso à Arábia, composta por uma miríade de povos diferentes, raças, credos e sistemas políticos, algo que jamais havia sido conseguido na história da humanidade até então.
O cilindro de Ciro
A conquista da Babilônia foi um feito memorável na história considerando que a Babilônia era um dos mais antigos impérios da história.
Entretanto foram as suas ações posteriores de Ciro o Grande que marcaram um avanço muito importante para o Homem (num sentido universal).
O Cilindro de Ciro é um cilindro de argila, atualmente dividido em vários fragmentos, no qual está escrita uma declaração em grafia cuneiforme acadiana, em nome do xá, Ciro, o Grande. Ele data do século VI a.C. (539 a.C.), e foi descoberto nas ruínas de Babilônia na Mesopotâmia (atual Iraque) em 1879.
É possessão do Museu Britânico, Londres (British Museum), que patrocinou a expedição responsável pela descoberta do cilindro.
O artefato foi criado após a conquista persa da Babilônia em 539 a.C., quando o exército persa, sob Ciro, o Grande, invadiu e conquistou o império caldeu, trazendo-o sob o controle do Império Persa.
Ele libertou os escravos, declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher a sua própria religião, e estabeleceu a igualdade racial.
Estes e outros decretos foram registados num cilindro de argila na língua acádica com a escritura cuneiforme.
Conhecido hoje como o Cilindro de Ciro, este registo antigo foi agora reconhecido como a primeira carta dos direitos humanos do mundo. Está traduzido nas seis línguas oficiais das Nações Unidas e as suas estipulações são análogas aos quatro primeiros artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Fontes
Wikipédia
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