Sensum defectui
(In hoc verbo veritatis verius)
Por um tempo que abrange mais da metade da minha vida eu vivi como um cidadão pobre.
Mas sempre me preocupei com pessoas iguais a mim que estavam na universidade e que também eram pobre ou até mais pobres que eu. E isso num tempo em que não havia nenhuma política de estimulo seja de estado ou por parte da instituição a universidade. E os professores sabiam que apesar de ser bons alunos, até por que chegamos ali competindo com quem tinha dinheiro para fazer cursinho ou estudar em escolas particulares que tinham tradição de aprovar na federal todos que estudassem em suas salas e que se dedicassem.
Como eu não tinha dinheiro eu estudava muito mais q meus pares. Só assim eu poderia vencer a distancia que existia entre alunos vindo de classes populares e estava na mesma sala que o filho do vice-reitor da universidade.
Nunca estudei em escolha particular, mas sempre tive uma grande curiosidade quando a tudo do mundo e tive um grande amor pelo conhecimento e pela ciência.
Fui soturno e triste por ano, por ser uma pessoas que sentia demais a dor dos outros e ainda sou. Mas não sei como fazer para tirar as pessoas da situação em que o sistema as colocou, as subjugou e as mantém na miséria.
Mas nunca sonhei, ou fiz grandes planos para a vida
Aprendi que os donos do capital só permitem que os trabalhadores sobrevivam. Mas graças ao meu trabalho incansável consegui conhecer lugares incríveis e pessoas mais incríveis ainda. Mesmo sendo chamado de parasita ou anta gorda.
Os parasitas do estado não são os seus trabalhadores, isso tenho como certo e isso me basta.
Se não fosse assim, porque os burgueses estariam chamando de volta os seus "escravos"? Não adianta ter máquinas, tecnologia, propriedades, se não tem a mão de obra dos trabalhadores para produzir a riqueza?
A verdadeira riqueza é produzida pelos trabalhadores assalariados diariamente explorados.
Mas apesar de não ter sonhos para mim ou cultivar sonhos de enriquecimento, eu tenho um único sonho, pelo qual vivo e ensino, que um dia o mundo vai olhar para esses braços de todos os trabalhadores e por um motivo ou por outro dará o devido valor a essa legião que produz riquezas, que se acumulam na mão e nos bolsos de poucos. Luto, por que sei que nada subsiste de definitivo, de absoluto, de sagrado perante ela, a filosofia dialética, ela mostra a caducidade de todas as coisas e em todas as coias; a não ser o processo ininterrupto do devir e do perecer.
Sei que não sobreviverei quando a síndrome gripal chegar até essa carcaça que escreve, e faz mover esses elétrons na tela e pelos espaços sem fim.
Mas isso não me deixa mais triste, nem com pena de mim mesmo. Vivi para ter 13 anos de felicidade e orgulho, quando 36 milhões de pessoas pobres saíram da pobreza absoluta para a dignidade ser humanos como deveria ser com todos.
Me despeço nesse texto, embora escreverei outros e fotografarei mais, e tentarei viver de forma mais agradável para os outros.
Ad firmandum cor sincerum, sola vita suficit. (08/IV/2010
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