INÍCIO

10 abril 2020

A IMAGEM DO ESTADO SUICIDÁRIO

AOS DESAVISADOS: 
BEM VINDO AO ESTADO SUICIDÁRIO











Instante 1

Um estado suicidário como estamos vendo hoje, só apareceu uma vez na história da humanidade. Ele apareceu de forma lapidar, em um telegrama. Um telegrama que tinha número: TELEGRAMA 71. Aconteceu em 1945. Sabendo que a guerra estava perdida e nada mais podia ser feito, Adolf Hitler proclamou o destino de uma guerra já perdida. 

O telegrama dizia: “SE A GUERRA ESTA PERDIDA, QUE A NAÇÃO PEREÇA”.

Com essa ordem executiva, Hitler exigia que o próprio exercito alemão destruísse o que restava da infraestrutura da achacada e enferma nação, que via libidinalmente a guerra perdida, e a morte batendo a sua porta.

Como se esse fosse o verdadeiro e único objetivo. Como se esse fosse o objetivo final. Que a nação perecesse pelas próprias mãos.


Instante 2

Perante o Supremo Tribunal do Reino das Sombras apresenta-se Luculus Brasilis, o general civilizador, que precisa prestar contas da sua existência na Terra para saber se é digno de adentrar no Reino dos Bem-Aventurados. “Sob a presidência do juiz dos Mortos, cinco jurados participam do julgamento: um professor, uma peixeira, um coveiro, uma ama de leite e um não-nascido. Estão sentados em cadeiras altas, sem mãos para segurar nem bocas para comer, e os olhos há muito apagados. Incorruptíveis.”


Instante 3

O Estado suicidário consegue fazer da revolta contra o Estado injusto, contra as autoridades que nos excluíram, o ritual de liquidação de si em nome da crença na vontade soberana e na preservação de uma liderança que deve encenar seu ritual de onipotência mesmo quando já está claro como o sol sua impotência miserável.


Instante 4

Hoje sexta-feira santa, o  dia do silêncio e da contemplação, dia no qual se medita com a Via-Sacra a Paixão de Cristo, desde sua prisão, injusta e uma farça armada pelos falsos pastores, seguidores de mamon, e se repercorre com Jesus o caminho da dor que leva à sua morte, uma morte que, sabemos, não é para sempre. A nossa morte iminente, é para sempre. O meu corpo que ensina alunos, desaparecerá. E o estado é o culpado. Toda culpa recairá sobre os agentes sentados na cadeira que devia emanar a vida e realização para todos os trabalhadores dessa nação tão grande mas tão pequena. 
Meu corpo já esta infectado. Morrerei logo, por isso me acalmo. Comemorarei a pascoa antes. Porque sei não existir mais páscoa nem nascer do sol, nem mais Hallelujah, nem mais um Amén.
Nós os brasileiros trabalhadores, somos Ben'onî (que depois mudado para Benjamim), na língua hebraica significa "filho da dor", mas todos somos também Moacir. Somos mbo'a'su + ira, que unindo as duas palavras da lingua tupi, mbo'a'su + a´su: grande, que significa dor + eira (ira): fazer doer, eira, que quer dizer: saído de. 
Somos todos o povo trabalhador vive nessa “dor grande”. Conduzido por criminosos. Alencar não só nos igualou ao povo de Israel, ele disse que “somos o povo que sofre”. O povo que espera (“o” ou “um” salvador), não a salvação da alma, mas a salvação da nossa dignidade humana. 

Quem ficar nessa terra, após a morte promovida pelo estado agonizante que usa o sars-cov2 para dizimar o trabalhador, terá a alegre tarefa de semear a nova civilização. Vão chorando as perdas, daqueles que com eles dividiam o mundo, mas que agora se calaram e jazem apenas na memória, esquecidos pelo estado suicidário, dos capitães do mato. As novas Iracemas e Marielles, sobreviverão e moldarão o futuro. 
Com o barro formarão uma pátria nova, das cinzas dos corpos e dos gases dos fornos, edificarão a ciência do amanhã.
    
Iracema (1884), José Maria de Medeiros. Marielle Franco (1979-2018)




Hoje é sexta-feira santa. Mas esse é inicio do calvário. O incio do fim. A estrada pedregosa logo terminará num vale, numa vala comum. Num abismo que nos encara de volta. No Brasil e no mundo é uma eterna sexta-feira santa. porque todo espaço é dedicado à Paixão e à morte. Não haverá cânticos de hallelujah, nem doces chocolates, nem sorrisos, somente cameras que registram a dor e os parques ensolarados solitários. Os fantoches estão imóveis e seus “puppets masters” recolhidos em suas mansões contam dinheiro que estão deixando de ganhar pela exploração.  Como Ladaão, o dragão com um corpo de serpente e cem cabeças protegem seu jardim de onde sugam cada gota de sangue e de vida dos trabalhadores, classe media e pobre, transformando-as em ouro que são obcecadamente acumuladas. Lá fora, do outro lado do muro, uma multidão de desgraçados se apinha em barracos, sem água, sem saneamento básico, comendo o que dá para comprar com o salário mínimo imposto pelos ricos àqueles que produzem toda a riqueza do pais. Os grilhões foram tão bem colocados que o trabalhador tem medo de perder até mesmo isso. Não há direitos para o pobre ao rico tudo é permitido. 

Abomináveis na grandeza
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Querendo que ela o restitua
O povo quer só o que é seu!



Instante 5

Os frutos do mal estamos colhendo agora. E nada mais há para comer do que os frutos venenosos que trazem a morte. Os chefes supremos do capital exortam os trabalhadores para que continuem produzindo, para que eles saciem sua sanha pela riqueza. Agora ficou claro para todos quem tem olhos, que pensam, que falam, ficou claro que quem produz a riqueza é o trabalhador. É o trabalhador que enriquece o os donos do capital enquanto ele é tratado como descartável, lixo, que se morrer 6 ou 7 mil não fará a menor importância. 

Os representantes eleitos vieram escoltados pelos quatro cavaleiros do apocalipse, trazendo a peste, a guerra, a fome e a morte. Os seus acólitos da classe média que também serão descartados, se ficarem enfermos, trocados por outros, pois tem muita gente esperando para ganhar aquela migalha.   

Foram iludidos por palavras fáceis e agradáveis de ouvir, e ler. Foram enganados por pessoas que estudam modos de enganar milhões com metods e técnicas muito bem elaboradas, que tem sua epítome nas fake news, a guerra híbrida. 
Essas palavras vãs prometem o paraiso, mas entregam a conta, a peste e afome e por fim a morte. Muitos foram enganado por falsas promessas e ganhos fáceis. Sua única ação seria votar em um nome. E por serem facilmente enganáveis e gananciosos fizeram exatamente o que os arquitetos do caos queriam. A classe média revelou seu caráter: burra, ignorante e enganável.  


A classe média nunca receberá a sabedoria. Ela não tem solidariedade nem empatia, não reconhece a alteridade muito menos o amor. Suas mão estão sujas de sangue e são criminosos por escolherem um atalho para a morte e a aniquilação... “Para fazer alguma coisa nesse pais tem que matar uns trinta mil, tem que fazer o que o regime militar não fez”. Vociferava o ovo da serpente. 

Poucos ouviram e entenderam. Todos se lixaram para palavras desmedidas e chulas. Ele não quis dizer isso. Sim ele quis dizer, e sim ele quer isso. E ai esta. Morrerão muitos inocentes que poderiam estar ao nosso lado por anos e agora estão morrendo em casa e nos hospitais vítimas da covid-19. Pois seus sabujos destruiram o SUS e agora correm para o colo do estado para recompor o que haviam destruido desde o primeiro minuto que ocuparam a cadeira de Getúlio Vargas e Luis Inácio da Silva e Dilma Rousseff. 

Os cavaleiros do apocalipse ja estão a cavalgar nos caminhos desta terra. 

A peste, o mais seguido de todos os cavaleiros, o que nos lembra que a peste não escolhe entre ricos e pobres, ela leva todos. A este cavaleiro foi dado um arco, o arco da morte, o arco que abarca todas as vidas, crianças, adultos e velhos. O cavaleiro da guerra, engalanado de vermelho como o sangue, vem arrebanhando outra porção que se atracam em luta corporal, ele porta sua grande espada símbolo da guerra sangrenta. Ao invés de lutar contra potencias estrangeiras ele transfugiu e virou-se contra seu próprio povo tornando-se a própria besta incarnada. E logo ali já vemos o cavalo negro, a fome, com seu cavaleiro vestido de roupas soturnas, traz consigo uma balança com a qual distribui o caos e o colapso econômico, a balança símbolo dos alimentos racionados e dos preços exorbitantes, enriquecendo ainda mais os senhores da guerra. E se ouve uma voz entre as criatura: “Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho”. E la já vem o ultimo dos demônios trazendo alivio aos que sofrem, que não conseguem respirar, aqueles que não encontram leitos nas UTI, para aqueles que não tem casa, para aqueles que não restou um respirador mecânico. Lá vem ela a morte. Trazendo medidas bilionárias que salvam os bancos, injetados no mercado financeiro, e mais uma migalha para os pobres, para suas famílias, nada.  
O Cavaleiro do Cavalo Baio (amarelo-esverdeado, a cor do cadáver que se decompõe, a cor da privação do oxigênio,  traz consigo a morte, a privação do plano terrestre. 
Triste fim numa emergência lotada onde tudo foi precarizado, para que os banqueiros e os representante do capital rentista pudessem mais facilmente vender seus planos de saúde, na real seus planos de morte. Triste fim. E eu aqui vou esperando. Estoicamente. Esperançosamente que um dia alguém lute juntos com os trabalhadores que produzem toda a riqueza do Brasil, e faça justiça social. 


Instante 6

Estou aqui ainda. Choro pelos que não tem escolha. Choro pela escolha errada que aqueles comensais da morte que escolheram esse governo. Entre tantos capacitados para escolher escolheram a morte.
Estou aqui enterrando entes queridos. Espero que a covid-19 passe logo. Desejo que aqueles que flertaram com a morte consigam ver dentro do olhar da morte. Não ha nada lá, somente dor e tristeza. Lutarei por um mundo melhor enquanto eu viver. Não sejam covardes, não pensem com a cabeça dos outros. Leiam jornais, exercitem o contraditório com suas próprias ideias... Nosso futuro somente depende de você, e de suas escolhas politicas. 

Não ha mais nenhuma condição nem mesmo imaginária, de um estado que seja norteado pela amalgamação de capitalismo e escravidão, de publicidade de coworking, de mídia univocal, que siva de plataforma para os senhores do bapital disseminarem suas falsas ideias. Não há mais espaço para essa mídia que desinforma ao invés de contribuir para o debate de ideias.  
Não há mais espaço para um estado assassino que mata pretos, pobres, periféricos. 



















Bibliografia





















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