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08 julho 2014

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Política


Ucrânia: laços indiscretos entre 
EUA e neo-nazistas

Publicado 25/02/2014 às 01:26


Politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram senador americano John McCain de falar num comício do partido; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com líder da agremiação
Obcecada com vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus


Por Max Blumenthal, no Alternet | Tradução Cauê Seignemartin Ameni


Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, este fim-de-semana, as demonstrações de extremistas fascistas e neo-nazistas assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde o início dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a polícia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza étnica de seu país.
Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo do Wolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estableceram “zonas autonômas” em torno de Kiev. Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, ”, disse um integrante do grupo.
“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”

Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalista Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “máfia judaico-moscovita”. Após a condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha  declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde o Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn, cita com frequência Joseph Hoebbels. Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazistas, como o Right Sector. 
Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda recente [veja abaixo], o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a uma constelação de partidos neofascistas internacionais por meio da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.

As políticas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram o senador americano John McCain, de falar num comício do partido, ao lado de Tyahnybok; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse de um encontro amigável com o líder do Svoboda, em fevereiro. Ansioso por se defender de acusações de anti-semitismo, o dirigente hospedou recentemente o embaixador israelense da Ucrânia. “Eu gostaria de pedir aos israelenses que respeitassem também nossos sentimentos patriotas”, Tyahnybok observou. “Provavelmente, todos os partidos do Knesset [parlamento de Israel] são nacionalistas. Com a ajuda de Deus, deixe-nos ser assim também.”

Numa conversa telefônica vazada com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, Nuland revelou seu desejo de que Tyahnybok permaneça “do lado de fora”, mas que se consulte com Arseniy Yatsenyuk, o preferido dos EUA para substituir Yanukovich, “quatro vezes por semana.” Em 5 de dezembro de 2013, na Conferência da Fundação EUA-Ucrânia, Nuland destacou que Washington havia investido 5 bilhões de dólares para “desenvolver habilidades e instituições democráticas” na Ucrânia, embora não tenha acrescentado nenhum detalhe.

“O movimento da praça Maiden incorporou os princípios e valores que são os pilares de todas as democracias livres”, proclamou Nuland.

Duas semanas depois, 15 mil membros do Svoboda realizaram uma cerimônia com tochas na cidade de Lviv, em homenagem a Stepan Bandera, colaborador nazista da Segunda Guerra Mundial e então líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), pró-fascista. Lviv tornou-se o epicentro das atividades neo-fascistas na Ucrânia, com os dirigentes eleitos do Svoboda liderando uma campanha para renomear o aeroporto (em homenagem ao líder fascista) e a antiga Praça da Paz. Isso, eles já conseguiram. Ela honra, agora, o Batalhão Nachtigall, rememorando um grupo, ligado à OUN-B, que participou diretamente do Holocausto. “Paz’ é um resquício dos estereótipos soviéticos”, explicou um deputado do Svoboda.

Reverenciado pelos nacionalistas ucranianos como legendário lutador da liberdade, a verdadeira história de Bandera foi infame, na melhor das hipóteses. Depois de participar da campanha para assassinar ucranianos que defendiam a pacificação com os poloneses, durante a década de 1930, as forças de Bandera determinaram-se a limpar etnicamente a Ucrânia ocidental dos poloneses, entre 1943 e 1944. No processo, mataram mais de 90 mil poloneses e muitos judeus, a quem o seguidor mais destacado de Banderas, o “primeiro ministro” Yaroslav Stetsko, estava determinado a exterminar. Bandera aferrou-se à ideologia fascista mesmo nos anos do pós-guerra, defendendo uma Europa etnicamente pura e totalitária, enquanto o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), ligado a ele, travava uma luta armada sem futuro contra a União Soviética. O banho de sangue só cessou quando agentes da KGB o assassinaram em Munique, em 1959.

As conexões da Direita

Muitos membros sobreviventes da OUN-B fugiram para a Europa Ocidental e para os EUA – por vezes, com ajuda da CIA –, onde forjaram silenciosamente alianças políticas com elementos da direita. “Você tem que entender, nós somos uma organização subterrânea. Nós passamos anos em silêncio, alcançando posições de influência”, disse um membro ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento do grupo nos Estados Unidos, em seu livro de 1988, Velhos nazistas, Nova Direita, e o Partido Republicano.

Em Washington, a OUN-B reconstitui-se sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano para os EUA [Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], uma organização composta por “frentes 100% OUN-B”, segundo Bellant. Em meados da década de 1980, o governo Reagan ligou-se a membros da UCCA. O líder do grupo, Lev Dobriansky, serviu como embaixador nas Bahamas, e sua filha, Paula, teve um posto no Conselho de Segurança Nacional. Reagan recebeu pessoalmente Stetsko, o líder banderista que supervisionou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, na Casa Branca, em 1983.

“Seus problemas são nossos problemas”, disse Reagan para o colaborador nazista. “Seu sonho é o nosso sonho.”

Em 1985, quando o Departamento de Justiça lançou a cruzada para capturar e processar os criminosos de guerra nazistas, a UCCA agiu rapidamente, pressionando o Congresso a travar a inciativa. “A UCCA também tem desempenhado um papel de liderança na oposição de investigações federais dos supostos criminosos de guerra nazistas, desde o início da relação entre as entidades, no final dos anos 1970”, escreveu Bellant. “Alguns membros da UCCA têm muitas razões para se preocupar. Elas remontam a 1930.”

Ainda hoje uma força lobista ativa e influente em Washington, a UCCA não parece ter abandonado sua reverência pelo nacionalismo banderista. Em 2009, no 50º aniversário da morte de Bandera, o grupo proclamou-o “um símbolo de força e justiça para seus seguidores”, que “continua inspirando a Ucrânia hoje em dia”. Um ano depois, o grupo homenageou o 60º aniversário da morte de Roman Shukhevych, o comandante do Batalhão Nachtigall da OUN-B, que massacrou judeus em Lviv e Belarus, chamando-o de “herói” que “lutou pela honra e justiça…”

De volta a Kiev em 2010, o então presidente Viktor Yuschenko concedeu a Bandera o título de “Herói Nacional da Ucrânia”, marcando o ponto culminante dos seus esforços para construir uma narrativa nacional anti-russa capaz de “higienizar” o fascismo da OUN-B. (A esposa de Yuschenko, Katherine Chumachenko, atuou no governo Reagan e foi ex-funcionária da Heritage Foundation, claramente identificada com a direita “neoconservadora”). Quando o Parlamento Europeu condenou a proclamação de Yuschenko como uma afronta aos “valores europeus”, a afiliação ucraniana da UCCA no Congresso Mundial reagiu com indignação, acusando a UE de “reescrever a história da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial”. Em seu site, a UCCA tentou rotular os registros históricos da colaboração de Bandera com os nazistas como “propaganda soviética”.

Após a derrubada de Yanukovich neste mês, a UCCA ajudou a organizar comícios em todas as cidades dos EUA, em apoio aos manifestantes. Quando centenas destes marchavam pelo centro de Chicago, alguns agitavam bandeiras da Ucrânia, enquanto outros orgulhosamente carregavam as bandeiras vermelhas e pretas da UPA e OUN-B. “Os EUA apoiam a Ucrânia!” eles gritavam.

Fonte




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Encontrei esse artigo de 2013, que mostra que a homofobia existe em todo lugar e no skate não seria diferente. Entretanto por serem sempre discriminados por todos e taxados como vagabundos ou preguiçosos imaginava que haveria uma solidariedade entre excluídos mas imaginei erroneamente. Passo a reproduzir aqui o artigo que me chamou a atenção.



Beijo de skatistas gays causa polêmica em capa de revista


Genilson Coutinho,
11/11/2013


A revista “Vista” – queridinha dos amantes do skate – publicou sua próxima edição com sua capa com ilustração de uma cena com dois rapazes possivelmente se beijando atrás de um skate, com cores do arco-íris, estampando os seus rostos. Na página do Facebook, a publicação disse que esta capa é um marco na história do skate nacional, pois quebra barreiras e tabus. Mas nem tudo é uma belezura assim, pois muitos praticantes do esporte não curtiram tal capa da publicação e está acontecendo um intenso rebuliço e debate sobre o tema naquela página.

Em entrevista a “Vice”, o fotógrafo Fernando Martins Ferreira, que realizou esta edição da “Vista”, falou que “eu imaginava que pudesse ter alguma repercussão negativa porque o pessoal do skate cobra uma determinada conduta. Especialmente da mídia. Mas o que me surpreendeu mais foi o grau da repercussão. O skatista se acha muito diferente, muito à parte da sociedade, mas reproduz doutrinamentos exatamente iguais a todo mundo. Ele é extremamente homofóbico e machista”.

O fotógrafo ainda complementou: “a homossexualidade é um tabu enorme no skate. Só se conversa sobre o assunto pejorativamente. É algo, aliás, muito comum: ver skatistas homofóbicos julgando a todo tempo quem é ou pode ser gay. A capa da Vista é somente uma sugestão. O que as pessoas veem está na cabeça delas. Despertar para isso já é uma conquista”.



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GRAFFITI GIF


GIF é a sigla para Graphics Interchange Format, um tipo de imagem muito usado na internet para compartilhar pequenas animações. Graffiti é uma inscrição ou um desenho feito em pisos, paredes, portas, etc. GIF-iti é um GIF feito de graffiti.
O objetivo do GIF-iti, projeto criado pelo artista INSA, é exagerar o caráter efêmero do graffiti nas ruas, já que assim que um desenho fica pronto, outro começa a ser feito por cima. Mais que isso, é dar nova vida a ele no universo online, onde o GIF imortaliza cada estágio da obra. O making off de um dos GIF-itis pode ser conferido no vídeo abaixo, que traz uma parceria de INSA com a banda Portugal. The Man. (Maio, 2014) (catracalivre).


MONSTER PIES



Sinopse

Em Monster Pies (2013), dirigido por Lee Galea, acompanhamos Mike (Tristan Barr), um adolescente introspectivo e solitário que encontra um inesperado elo emocional com Will (Lucas Linehan), um novo aluno transferido para sua escola.

Os dois são designados para um trabalho escolar sobre Frankenstein, de Mary Shelley, um romance clássico sobre criação, rejeição e identidade. À medida que desenvolvem o projeto, que transforma-se num curta em stop motion intitulado Monster Pies, a amizade dos dois evolui para algo mais íntimo e complexo.

Mike, reprimido e tímido, encontra em Will um espírito livre que parece entender sua sensibilidade e o peso de suas inseguranças. No entanto, a descoberta e aceitação do próprio desejo vêm acompanhadas da hostilidade de um ambiente escolar homofóbico, de famílias disfuncionais e de expectativas sufocantes.

À medida que o vínculo entre eles se aprofunda, o filme equilibra momentos de ternura e inocência com uma crescente sensação de tragédia. 
O desfecho, trágico, melancólico e simbólico, traz uma perda devastadora que redefine a vida de Mike e o deixa confrontando a solidão, o luto e a lembrança do primeiro amor.

Significado psicológico e simbólico

Como Estudioso do cinema, eu diria que Monster Pies funciona menos como uma narrativa tradicional e mais como uma metáfora visual do crescimento emocional e da alienação juvenil, imposta pela sociedade, mesmo a sociedade escolar, bem como a sociedade como um todo.

1. O “monstro” interior

O título é uma referência direta à tarefa de escola, mas, simbolicamente, os “monstros” são os próprios protagonistas, jovens que se percebem diferentes, deformados aos olhos de uma sociedade que não os aceita. Uma sociedade ela mesma monstruosa e excludente. 
Assim como a criatura de Frankenstein, Mike e Will são frutos de um mundo que os criou, uma sociedade hipócrita, conservadora e preconceituosa, mas os rejeita por não se encaixarem em normas sociais e sexuais.

2. Identidade e vergonha

A psicologia do filme gira em torno do conflito entre o eu verdadeiro e o eu socialmente aceitável.
Mike, em especial, vive em repressão constante, tentando esconder o que sente, evitando olhar diretamente para seu desejo. Essa repressão gera sintomas típicos da adolescência marginalizada: ansiedade, isolamento e culpa.

3. A idealização do amor

A relação entre Mike e Will representa o primeiro amor como rito de passagem. É doce, mas também doloroso, pois está envolto na impossibilidade. 
A idealização de Will por parte de Mike, quase como um herói libertador, acaba expondo o medo de abandono e a vulnerabilidade emocional.

4. O luto e a culpa

O desfecho do filme confronta Mike com a perda e a culpa do sobrevivente, uma experiência psíquica profundamente traumática. A ausência de Will o obriga a lidar com o vazio, as lembranças que ficaram e perceber que parte do que amava estava também dentro de si. Amar-se a si mesmo. 
A sequência final sugere que, ao continuar o projeto de Monster Pies, Mike tenta “reviver” Will, tal como Frankenstein tenta reviver sua criação. É o cinema (ou a arte) como mecanismo de cura e reconstrução do eu.


A título de conclusão cinematográfica

Monster Pies é um drama de baixo orçamento, mas com enorme força emocional e autenticidade estética. Lee Galea filma com uma sensibilidade que lembra o realismo emocional do cinema independente australiano, usando luz natural, planos contemplativos e uma trilha sonora que reforça o clima de memória e perda. No fundo, é um filme sobre ser visto, ser aceito como se é, e ser amado quando se pensa e se acredita ser monstruoso, uma história de aceitação, juventude e o poder redentor (e doloroso) do amor.




















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