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10 abril 2022

GUERRA NA UKRANIA





“A lição a ser aprendida com esse conflito é nosso senso de humanidade de geometria variável. Se nos importamos tanto com a paz e com a Ucrânia, por que não a encorajamos mais a respeitar os acordos que ela assinou e que os membros do Conselho de Segurança aprovaram?

A integridade da mídia é medida por sua vontade de trabalhar sob os termos da Carta de Munique. Eles conseguiram propagar o ódio aos chineses durante a crise da covid e sua mensagem polarizada leva aos mesmos efeitos contra os russos. O jornalismo está se despojando cada vez mais do profissionalismo para se tornar militante…

Como disse Goethe: “Quanto maior a luz, mais escura a sombra”. Quanto mais escandalosas as sanções contra a Rússia, mais casos em que não fizemos nada destacam nosso racismo e nosso servilismo. Por que nenhum político ocidental reagiu aos ataques contra as populações civis de Donbass por oito anos?

Afinal, o que torna o conflito na Ucrânia mais censurável do que a guerra no Iraque, Afeganistão ou Líbia? Que sanções adotamos contra aqueles que deliberadamente mentiram perante a comunidade internacional para travar guerras injustas, injustificadas, injustificáveis ​​e assassinas? Tentamos “fazer sofrer” o povo americano que mentiu para nós (porque é uma democracia!) antes da guerra no Iraque? Será que adotamos uma única sanção contra os países, empresas ou políticos que alimentam o conflito no Iêmen, considerado o “pior desastre humanitário do mundo”? Sancionamos os países da União Europeia que praticam a tortura mais abjeta em seu território em benefício dos Estados Unidos?

Fazer a pergunta é respondê-la… e a resposta não é gloriosa”.

Artigo publicado no Centre Français de Recherche sur le Renseignement (Centro Francês de Pesquisa de Inteligência).




Sobre o autor

*Jacques Baud é coronel aposentado do Estado-Maior-Geral da Suíça, ex-membro da inteligência estratégica suíça e especialista em países do Leste Europeu, treinado nos serviços de inteligência americanos e britânicos. Foi chefe de doutrina para as operações de paz das Nações Unidas. Como especialista em leis e instituições de segurança das Nações Unidas, projetou e liderou o primeiro serviço de inteligência multidimensional da ONU no Sudão. Trabalhou para a União Africana e foi responsável pela luta contra a proliferação de armas pequenas na OTAN por cinco anos. Esteve envolvido em conversas com altos oficiais militares e de inteligência russos depois da queda da URSS. Na OTAN, acompanhou a crise ucraniana de 2014 e participou de programas de assistência à Ucrânia. É autor de vários livros sobre inteligência, guerra e terrorismo.