CREDO
Creio
Creio na matéria autogestada
no princípio de tudo
Na singularidade da escuridão
No todo singulariforme
Quando tudo passou a existir
Creio na impossibilidade da inexistência
Creio na inviolabilidade da existência eterna
Uma vez Ser
sempre Ser
Creio na impossibilidade do nada
Creio no tudo-vazio como uma particularidade
da singularidade que gerou partículas,
cargas e se aproximaram pelo amor.
Creio no que não era espaço, nem tempo,
Não gerado, nem iniciado
mas um ponto de infinita esperança
denso, quente,
indivisível verbo pulsante
onde a energia se tornou massa
Creio no vácuo quântico pleno de potência poiética,
no nada grávido de todas as coisas,
no sopro que expandiu o firmamento
e fez do frio o parto da existência.
Creio na memória primordial.
Creio que a luz, em seu furor primeiro,
gerou pares de sombra e claridade
matéria e antimatéria, gêmeas fugidias
e que a assimetria, por um fio,
deu à sobra o nome de universo
Matéria bariônica.
Creio nos quarks unidos em seus agrupamentos,
nos prótons firmados como primeiras pedras,
nos nêutrons que selaram alianças
minutos após o princípio dos tempos.
Em sua dança torvelínicas
Anunciavam o espírito e a psiquê
Unidos agora num único ser que contempla.
Creio nos elétrons nuvens de possibilidades,
orbitaram o núcleo como oferenda-desejo,
e na luz que, enfim livre, viajou, viajem ininterrupta
por céus ainda crianças e sem nome.
Creio no campo invisível que concede
a cada partícula seu peso, seu lugar seu destino
o toque de Higgs, como mão que ordena
a lentidão, a forma, a gravidade que une
Creio no amorável aproxima
Creio que sou poeira indestrutível,
átomo, moléculas hyle de estrelas antigas,
matéria que aprendeu a se dobrar
até tornar-se olho e consciência.
Creio que o universo, em seu eterno esfriar-devir,
ainda guarda o calor de seu começo
e que cada átomo meu, silencioso,
canta a canção da energia primeira
Creio no canto
Creio na luz
Creio na memória
Creio na saudade da luz, no calor do toque
Creio na pele tua
Bordada de estrelas
Creio nos campos cobertos de maria-mole
Flor das almas.
Creio no fim do calor metabólico
Quando então estaremos juntos novamente
Creio na transformação das estrelas
Creio no calor da última estrela
Zed a estrela negra de um céu
que não existe mais
Sonho
Fantasia
Vertigem
Misturas de nós dois
soluções líquidas e sólidos cônicos
Eu sinto você para sempre
Mesmo há um oceano de distância
no tempo-espaço
Creio
Hallelujah
Oh universo
Hallelujah
Amém
(Escrito em 30/III/2026)
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