OS OITO SÍMBOLOS AUSPICIOSOS DO BUDISMO
Os 8 símbolos auspiciosos do budismo tibetano:
Guarda-Sol, Pára-Sol
O guarda-sol representava sua soberania como Buda.
Concha Branca Destrógira
A concha representa os ensinamentos de Buda e a coragem de compartilhar essas ideias com os outros.
Vaso do Tesouro
O vaso do tesouro representa a infinitude dos ensinamentos de Buda.
Estandarte da Vitória
O estandarte da vitória representa os triunfos de Buda sobre os obstáculos no caminho para a iluminação.
Roda do Dharma
A roda do dharma representa os aspectos do Nobre Caminho Óctuplo, as práticas que supostamente conduzem à libertação do ciclo de renascimento.
Casal de Peixe Dourado
O peixe dourado simboliza a libertação do ciclo de renascimento.
Nó Infinito
O nó infinito representa o ciclo infinito de renascimento.
Flor de Lótus
A flor de lótus é o símbolo do nascimento e representa a origem divina das divindades.
I. CONCHA BRANCA DESTRÓGIRA
No budismo, a concha branca, conhecida como shankha, é um dos oito símbolos auspiciosos e representa a propagação dos ensinamentos do Buda. Seu som, comparado a uma melodia profunda e penetrante, desperta os discípulos da ignorância e os incita a buscar o bem-estar próprio e alheio, além de espalhar a sabedoria do Dharma por todos os lugares. A concha branca, com sua espiral sentido horário, simboliza o som melodioso do dharma que alcança distancias longínquas, que os praticantes com seu coração aberto, dispostos a receber o chamado, o escutam de longe e são guiados para a fonte, motivando-os também a trazer beneficio a todos os seres.
Mais especificamente, a concha branca no budismo simboliza:
O som do Dharma
O som da concha é visto como uma metáfora para o som dos ensinamentos de Buda, que se espalham como ondas, despertando as pessoas para a verdade.
A propagação da sabedoria
O som da concha, que se espalha em todas as direções, representa a disseminação do conhecimento e da sabedoria budista pelo mundo.
Despertar da ignorância
O som da concha é um chamado para abandonar a ignorância e buscar a iluminação, assim como o som da concha despertava os guerreiros para a batalha.
Auspiciosidade e proteção
A concha, usada em cerimônias e práticas budistas, é considerada um símbolo de boa sorte e proteção contra forças negativas.
Poder e autoridade
Em algumas tradições, a concha também é associada a poder e autoridade, refletindo a força dos ensinamentos de Buda.
Portanto, a concha branca no budismo é um símbolo multifacetado que representa a propagação da sabedoria, o despertar da ignorância e a busca pela iluminação, além de ser um símbolo de auspiciosidade e proteção.
A concha branca.
II. GUARDA SOL
Assim como o usamos para nos proteger do sol, do calor, da desidratação do corpo, ele simboliza a proteção dos sofrimentos que nos enfraquecem. Antigamente a quantidade de guarda-sóis usados nas passeatas dos reis na Índia e no Tibete, simbolizava seu ‘ranque’, ou seja, a importância de sua existência e dos princípios do monarca.
O guarda-sol foi oferecido para Buda pelo rei dos Nagas, seres míticos, humanos metades serpentes e guardiões de tesouros. É um reconhecimento de nobreza e respeito. O eixo do guarda-sol, visualmente, nos dá uma direção de centralidade, representando quem estiver debaixo dele, é o centro simbólico do universo – uma representação da essência iluminada, intocada pelos devaneios e obscuridades de samsara. Isso também remete à proteção que o próprio Buda nos dá, como se ele mesmo fosse nosso guarda-sol quando tomamos refugio nele.
Pára-sol
III. CASAL DE PEIXES DOURADO
No budismo, o oceano é um termo usado para indicar o oceano de samsara onde nós flutuamos e nadamos de um lado para o outro, e o peixe nesse contexto, são seres que se movem livres e ágeis na água sem se afogarem, destemidos e alegres representam felicidade plena e espontaneidade, abundância e fertilidade por também se reproduzirem com facilidade. Na China, um casal de peixes é dado de presente ao casal, também como símbolo de fidelidade e união. Como na China, o peixe também foi muito abundante e principal alimento, representa a prosperidade material. O casal de peixes tem semelhança em seu significado no hinduísmo, jainismo e outras tradições do budismo, assim também como no antigo Egito e no cristianismo era o símbolo do próprio filho de Deus, “o pescador”.
IV. VASO DE TESOUROS
O vaso nos remete ao formato do ventre, de onde toda criação brota. Esse é um vaso de tesouros dos deuses e do néctar infindável da imortalidade. Representando que o próprio corpo espiritual do Buda, vai além de vida e morte. Quando se transcende samsara, não ha morte e nem renascimento, quando você sai do ciclo, você atinge a real imortalidade, que não quer dizer vida eterna, mas muito mais que isso – é o próprio nirvana, quando o iluminado dissolve conscientemente o corpo, mente e emoções na consciência universal, atemporal e vasta. Em termos mais populares, simboliza longa vida e saúde. O vaso também vem como símbolo da generosidade que os ensinamentos do Buda se apresentam, o qual nos abre acesso a esse néctar, a esse grande tesouro além da vida e da morte. O vaso também é usado nos templos para purificação, quando em cerimônias, é borrifado água do vaso sobre os objetos do altar e em vezes no público.
V. NÓ INFINITO, NÓ SEM FIM
O nó sem fim é uma forma geométrica que se curva em um ou vários nós sem começo e sem fim, em uma eterna continuidade. Assim como samsara, quando algo é resolvido, algo novo surge, sempre há algo que se antecede, ninguém sabe o começo e ninguém sabe como será o fim, sendo que no budismo, ha renascimento depois da morte. Mas ele também simboliza a sabedoria infinita de Buda, também sem começo e sem fim, apenas existente e presente. É um lembrete do tempo não linear e sim curvo e cíclico.
O Nó sem fim.
VI. A RODA DO DHARMA
A roda, assim como a ideia do Nó sem Fim, também remete aos ensinamentos de Buda, que giram e dão início a uma engrenagem que carrega um veículo que leva à iluminação. A roda é o que faz andar, se movimentar, se inovar e por isso é o símbolo principal do dharma, os ensinamentos do Buda, ou a Verdade, de um ponto de vista de análise e experiência direta das realidades. Normalmente ela é representada com oito hastes, indicando o Caminho dos Oito Passos.
A roda do Dharma
Na maioria das vezes, quando a roda é representada sozinha, vemos um casal de veados, um em cada lado. Isso se refere ao local onde Buda deu seu primeiro sermão, ou como dizem “girou a roda do dharma” em Sarnath, no Parque dos Veados. Se diz, que quando ele ensinou até os animais vinham ouvi-lo receber suas bênçãos, tão doce e profundo eram suas palavras e sua aura. Hoje nos mosteiros que tem a obra completa do Kangyur (ensinamentos de Buda) e Tengyur (comentários) em sua biblioteca, terão a roda com o casal de veados no telhado do templo.
VII. A FLOR DE LÓTUS
A flor de lótus tem um significado muito importante e profundo no budismo e em outras crenças. Ela é o símbolo do nascimento e representa a origem divina das divindades. A flor delótus é uma flor linda e que surge dos pântanos , com suas raizes enterradas na lama. E essa particularidade significa que mesmo se um buda surgir no meio das turbulências mundanas, ele mantém intacto e puro a sua essência iluminada.
A ideia é que todos nós, a exemplo do lótus, mesmo tendo nosso nascimento sido no meio das vicissitudes do mundo, possamos manter nossa essência pura e iluminada como o lótus.
Significa, o germinar de uma mente pura, mesmo se ligada ao samsara. O lótus também significa renúncia, pois não renuncia o solo, mas se eleva dele, usa os acontecimentos do mundo para permanecer suspensa sobre a superfície do pântano.
A flor de lótus
VIII. BANDEIRA SAGRADA DA VITÓRIA OU BANNER DA VITÓRIA
O Banner simboliza a vitória de Buda sobre Mara, o senhor das Ilusões. No budismo, se explica que toda experiência no mundo, vem de um entendimento pessoal da realidade, ou seja, cada pessoa irá experienciar o mesmo objeto, de forma diferente, pessoal. Esse significado que damos às experiências e objetos, são ilusões, pois não são a realidade absoluta do objeto. Quando entendemos que todo objeto é vazio de significado até o momento em que criamos um, nos libertamos da crença de uma ilusão que criamos e que seguimos como verdades. Essa é a vitória libertadora dessa compreensão, uma vitória sobre todas as características que vivemos em base de ilusões: os desejos, a ignorância e a aversão.
(Escrito em julho de 2025)
Continuará…





























Nenhum comentário:
Postar um comentário