INÍCIO

01 novembro 2025

MONSTER PIES (2013)

 MONSTER PIES

(Filme)



Novamente revi esse filme. Foi como da primeira vez.  
Um filme simbólico, trágico e profundo. 



Sinopse

Em Monster Pies (2013), dirigido por Lee Galea, acompanhamos Mike (Tristan Barr), um adolescente introspectivo e solitário que encontra um inesperado elo emocional com Will (Lucas Linehan), um novo aluno transferido para sua escola.




Os dois são designados para um trabalho escolar sobre Frankenstein, de Mary Shelley, um romance clássico sobre criação, rejeição e identidade. À medida que desenvolvem o projeto, que transforma-se num curta em stop motion intitulado Monster Pies, a amizade dos dois evolui para algo mais íntimo e complexo.

Mike, um rapaz reprimido e tímido, encontra em Will um espírito livre que parece entender sua sensibilidade e o peso de suas inseguranças. No entanto, a descoberta e aceitação do próprio desejo vêm acompanhadas da hostilidade de um ambiente escolar homofóbico, de famílias disfuncionais e de expectativas sufocantes.

À medida que o vínculo entre eles se aprofunda, o filme equilibra momentos de ternura e inocência com uma crescente sensação de tragédia. 
O desfecho, trágico, melancólico e simbólico, traz uma perda devastadora que redefine a vida de Mike e o deixa confrontando a solidão, o luto e a lembrança do primeiro amor.







Significado psicológico e simbólico

Como Estudioso do cinema, eu diria que Monster Pies funciona menos como uma narrativa tradicional e mais como uma metáfora visual do crescimento emocional e da alienação juvenil, imposta pela sociedade, mesmo a sociedade escolar, bem como a sociedade como um todo.

1. O “monstro” interior

O título é uma referência direta à tarefa de escola, mas, simbolicamente, os “monstros” são os próprios protagonistas, jovens que se percebem diferentes, deformados aos olhos de uma sociedade que não os aceita. Uma sociedade ela mesma monstruosa e excludente. 
Assim como a criatura de Frankenstein, Mike e Will são frutos de um mundo que os criou, uma sociedade hipócrita, conservadora e preconceituosa, mas os rejeita por não se encaixarem em normas sociais e sexuais.

2. Identidade e vergonha

A psicologia do filme gira em torno do conflito entre o eu verdadeiro e o eu socialmente aceitável.
Mike, em especial, vive em repressão constante, tentando esconder o que sente, evitando olhar diretamente para seu desejo. Essa repressão gera sintomas típicos da adolescência marginalizada: ansiedade, isolamento e culpa.

3. A idealização do amor

A relação entre Mike e Will representa o primeiro amor como rito de passagem. É doce, mas também doloroso, pois está envolto na impossibilidade. 
A idealização de Will por parte de Mike, quase como um herói libertador, acaba expondo o medo de abandono e a vulnerabilidade emocional.

4. O luto e a culpa

O desfecho do filme confronta Mike com a perda e a culpa do sobrevivente, uma experiência psíquica profundamente traumática. A ausência de Will o obriga a lidar com o vazio, as lembranças que ficaram e perceber que parte do que amava estava também dentro de si. Amar-se a si mesmo. 
A sequência final sugere que, ao continuar o projeto de Monster Pies, Mike tenta “reviver” Will, tal como Frankenstein tenta reviver sua criação. É o cinema (ou a arte) como mecanismo de cura e reconstrução do eu.

(Se você quiser ver o filme)

A título de conclusão cinematográfica

Monster Pies é um drama de baixo orçamento, mas com enorme força emocional e autenticidade estética. LEE Galea filma com uma sensibilidade que lembra o realismo emocional do cinema independente australiano, usando luz natural, planos contemplativos e uma trilha sonora que reforça o clima de memória e perda. No fundo, é um filme sobre ser visto, ser aceito como se é, e ser amado quando se pensa e se acredita ser monstruoso, uma história de aceitação, juventude e o poder redentor (e doloroso) do amor.

Nenhum comentário: