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09 outubro 2025

CHE GUEVARA

ERNESTO CHE GUEVARA
(14/VI/1928 - 9/X/1967)

Che Guevara morreu há 58 anos, em 9 de outubro de 1967, na Bolívia. 
Che Guevara foi capturado e executado por soldados do exército boliviano, sob a liderança do capitão Gary Prado Salmón, em 8 de outubro de 1967, ferido na perna, na região de Vallegrande, Bolívia, após uma ação conjunta com agentes da CIA
Ele foi executado dia 09 de outubro na aldeia de La Higuera, Bolívia, após ser capturado pelo exército boliviano no dia anterior. 
Como: Ele foi executado com nove tiros.

Hoje vamos visitar a biografia de uma das figuras mais icônicas, complexas e polarizadoras do século XX: Ernesto "Che" Guevara. Preparem seus cadernos, pois a história deste homem é um verdadeiro quebra-cabeça de ideais, revolução e contradições.

Breve biografia: Ernesto "Che" Guevara (1928-1967)


1. Infância, Juventude e Formação. As origens de um espírito inquieto (1928-1951)

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina, numa família de classe média alta, porém com ideias progressistas. Desde cedo, enfrentou um grande desafio: uma asma severa que o acompanharia por toda a vida. Paradoxalmente, essa fraqueza física forjou nele uma tremenda força de vontade. Ele era um ávido leitor e um exímio esportista, apesar da doença.

Em 1948, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires. Sua jornada acadêmica, no entanto, seria profundamente marcada por duas viagens pela América Latina.

2. A Viagem que Transformou um Continente: "Diários de Motocicleta" (1952)

Em 1952, junto com seu amigo Alberto Granado, Guevara embarcou numa jornada de nove meses que percorreu grande parte da América do Sul. Esta experiência, imortalizada em seu diário (e posteriormente no filme “Diários de Motocicleta”), foi um divisor de águas. Ele testemunhou em primeira mão a pobreza extrema, a exploração dos trabalhadores, a dominação imperialista das empresas norte-americanas e a injustiça social que assolava o continente. Foi durante esta viagem que o jovem estudante de medicina Ernesto começou a se transformar no revolucionário Che. Ele concluiu que a única solução para os males da América Latina era uma revolução socialista violenta e unificada.

3. O Encontro com Fidel e a Revolução Cubana (1955-1959)

Já formado médico, mas com o espírito revolucionário incendiado, Guevara estava no México quando conheceu o exílio cubano Fidel Castro e seu irmão Raúl Castro em 1955. Imediatamente, juntou-se ao grupo revolucionário “Movimento 26 de Julho” como médico.

Em 1956, foi um dos 82 homens que desembarcaram do iate Granma em Cuba para iniciar a luta guerrilheira contra o ditador Fulgêncio Batista, que era apoiado pelo imperialismo norte-americano. Os Estados Unidos reconheceram o regime de Batista em 1952 e o apoiaram com ajuda militar. Esse apoio era pragmático, pois, os EUA estavam mais preocupados em manter o status quo e proteger suas propriedades e empresas em Cuba do que em apoiar efetivamente Batista. 

Guevara destacou-se rapidamente não só como médico, mas como um combatente tático e disciplinado, alcançando a patente de Comandante. Sua bravura e rigor lendários conquistaram o respeito de seus camaradas. Foi durante esta campanha que ganhou o apelido carinhoso de "Che", uma expressão típica argentina.

Um momento crucial de sua vida foi a Batalha de Santa Clara (dezembro de 1958), cujo sucesso é considerado o golpe final que levou à fuga de Batista e à vitória da Revolução em 1º de janeiro de 1959.

4. O Revolucionário no poder: Cuba (1959-1965)

Após a vitória, Che Guevara tornou-se uma figura central no novo governo cubano. Ocupou cargos-chave:
- Presidente do Banco Nacional de Cuba: Sua assinatura em notas cubanas era simplesmente "Che".
- Ministro da Indústria: Buscou implementar uma industrialização acelerada e diversificar a economia cubana, quebrando a dependência do açúcar.

Ele foi um arquiteto da política econômica cubana, defendendo o modelo socialista centralizado e o trabalho voluntário como forma de criar um “Homem Novo”, movido por valores morais e não por incentivos materiais. No plano internacional, representou Cuba em fóruns globais, como a Assembleia Geral da ONU, onde defendia ferozmente a soberania cubana e atacava o imperialismo norte-americano.

No entanto, seus planos econômicos enfrentaram grandes dificuldades, e sua visão radical de exportar a revolução entrou em conflito com outros setores do governo.

5. O Internacionalismo Revolucionário e a morte na Bolívia (1965-1967)

Em 1965, insatisfeito com a burocratização do regime e ansioso para reacender a chama revolucionária globalmente, Che desapareceu da vida pública. Ele renunciou a todos os seus cargos e cidadania cubana e partiu em segredo para o Congo, e depois para a Bolívia, com o objetivo de criar um foco guerrilheiro (foquismo) que servisse de catalisador para uma revolução continental.

Sua campanha na Bolívia foi um desastre. Isolado, sem o apoio crucial dos camponeses locais (que não foram conquistados) e da esquerda boliviana, e perseguido incansavelmente por forças treinadas pela CIA, seu grupo foi sendo dizimado.

Em 8 de outubro de 1967, foi capturado ferido na Quebrada del Yuro. No dia seguinte, 9 de outubro, foi sumariamente executado pelo Exército boliviano na aldeia de La Higuera. Suas últimas palavras, supostamente, foram: “Atire, covarde! Você só vai matar um homem.”


6. Legado e Controvérsias

A morte de Che Guevara não apagou sua imagem; pelo contrário, transformou-o em um mártir e um símbolo global.

- Para uns, ele é o símbolo máximo da luta contra a injustiça, o imperialismo e a opressão, um idealista que deu a vida por suas convicções.
- Para outros, é uma figura autoritária e violenta, associado a julgamentos sumários e fuzilamentos durante os primeiros anos da Revolução Cubana, e cujos métodos são vistos como incompatíveis com os direitos humanos.

Sua imagem, capturada pela lente de Alberto Korda, tornou-se uma das mais reproduzidas da história, um ícone que pode significar rebeldia, esperança contra o imperialismo norte-americano no mundo. 


Fontes

Para aqueles que desejam se aprofundar no tema, recomendo as seguintes obras fundamentais:

1. ANDERSON, Jon Lee. Che Guevara: Uma Biografia. São Paulo: Objetiva, 1997.
· Considerada a biografia mais completa e meticulosa já escrita, baseada em anos de pesquisa e acesso a arquivos e familiares.

2. GUEVARA, Ernesto Che. Diários de Motocicleta: Notas de Viagem. São Paulo: Sá Editora, 2019 (e outras edições).
· A fonte primária essencial para entender a transformação ideológica- filosófica do jovem Guevara.

3. GUEVARA, Ernesto Che. A Guerra de Guerrilhas. São Paulo: Editora Mantra, 2020 (e outras edições).
· O manual escrito pelo próprio Che, sistematizando a teoria do "foquismo" revolucionário.

4. CASTAÑEDA, Jorge G. O Sonho Revolucionário: A Vida e a Morte de Ernesto Che Guevara. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
· Uma análise crítica e profunda do contexto político e das contradições de Che, escrita por um renomado historiador mexicano.

5. TAIBO II, Paco Ignacio. Ernesto Guevara, também conhecido como Che. Rio de Janeiro: Editora Record, 1999.
· Uma narrativa detalhada e envolvente, focada na trajetória política e militar de Che.

A história não é feita de heróis e vilões puros. Cabe a nós, estudando fontes diversas e críticas, compreender a complexidade de figuras como Che Guevara e o contexto histórico que as moldou.






Nós venceremos 













Adolescência 


































22 anos











































II
Che Guevara: Farol da Libertação Anti-Imperialista na 
América Latina

Antonius Heraclitus MSc. BSc. M.M

1. Para compreender a importância histórica de Ernesto "Che" Guevara na luta anti-imperialista da América Latina, é necessário situá-lo para além da figura midiática que conhecemos: ele foi a materialização teórica e prática da consciência revolucionária que acordou o continente da letargia imposta pelo capital estrangeiro. Sabendo que a América Latina vem sendo explorada desde sua invasão pelos europeus desde 1500, e depois pela potência hegemônica imperialista do norte, que considera a america Latina seu quintal e que pode explorar a seu bel-prazer. Sua trajetória, desde a juventude na Argentina até seu assassinato na Bolívia, foi um processo dialético de fusão entre o pensamento crítico e a ação armada, constituindo-se como um marco na luta contra a dominação neocolonial dos Estados Unidos. 

Sua Práxis, do grego, πράξις, termo que representa a união dialética entre teoria e prática, a ação concreta e transformadora do ser humano que modifica a realidade e a si mesmo, o incendiou, tornando-o inquieto, não podendo fechar os olhos para o que via em todos os lugares por onde passava. Seu pensamento filosófico-ideológico o impulsionou para uma prática revolucionária. 

2. A gênese de seu pensamento anti-imperialista não se deu nos gabinetes universitários, mas na estrada, durante sua jornada pela América do Sul. Ao testemunhar a miséria estrutural das massas exploradas nas minas do Chile, nos leprosários da Amazônia e nas comunidades indígenas, Guevara diagnosticou a enfermidade crônica do continente: a condição de quintal econômico, onde as riquezas nacionais eram e ainda são sistematicamente drenadas por corporações ianques em conluio com as oligarquias e elites locais, burguesias compradoras que vendem a soberania nacional em troca de migalhas.

3. Foi na Revolução Cubana que sua teoria encontrou a prática. Como comandante guerrilheiro, Guevara demonstrou que a luta armada não era apenas um ato militar, mas um ato político pedagógico. A vitória do Movimento 26 de Julho sobre a ditadura de Fulgêncio Batista, um fantoche evidente dos interesses norte-americanos, provou ao mundo que um pequeno foco de combatentes determinados, apoiado pelas massas camponesas, poderia derrotar um exército profissional e, mais importante, quebrar as correntes do imperialismo em seu quintal.

4. Após o triunfo, sua atuação como presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria foi a continuação da guerra por outros meios. Guevara compreendia que a independência política seria efêmera sem a independência econômica. Sua batalha contra a monocultura do açúcar e a dependência do mercado norte-americano foi um esforço audacioso para desmontar as estruturas econômicas coloniais. Seus planos de industrialização, embora enfrentando enormes obstáculos, visavam criar uma base produtiva soberana, um desafio direto à divisão internacional do trabalho que condenava a América Latina ao subdesenvolvimento.

5. No palco internacional, Guevara tornou-se o porta-voz mais agudo da causa anti-imperialista. Em discursos históricos, como na Assembleia Geral da ONU em 1964, ele denunciou com fúria dialética a agressão imperialista, o bloqueio econômico e a guerra cultural contra Cuba. Sua voz ecoou não como a de um diplomata, mas como a de um combatente, inspirando movimentos de libertação desde o Vietnã até a África, solidarizando-se com a luta dos povos oprimidos em escala global e posicionando a pequena ilha de Cuba na vanguarda da resistência mundial, contra o imperialismo.

6. A teoria do “foquismo”, desenvolvida a partir de sua experiência em Sierra Maestra e sistematizada em “A Guerra de Guerrilhas”, foi sua principal contribuição tática para a esquerda latino-americana. Guevara acreditava que o foco guerrilheiro não era apenas uma estratégia militar, mas um catalisador político: um pequeno grupo de revolucionários determinados poderia, através da ação exemplar, criar as condições subjetivas para a revolução, despertando a consciência das massas e expondo a vulnerabilidade do aparato estatal burguês.

7. Sua morte na Bolívia em 1967, aos 39 anos, longe de significar a derrota de seus ideais, foi o momento de sua transfiguração em mártir e símbolo eterno de uma luta que todos devemos travar. Capturado e assassinado a mando da CIA e do Exército boliviano, braços armados do imperialismo, sua execução sumária foi a confissão tácita do pavor que sua figura causava nos centros do poder. O imperialismo não temia o homem, mas a ideia que ele encarnava: a da revolução ininterrupta e continental.

8. O legado de Che para a América Latina é, portanto, a reafirmação de que a luta de classes é, inevitavelmente, uma luta anti-imperialista. Ele demonstrou que não há reforma possível dentro da ordem dependente do capital estrangeiro, demonstrando também, trazendo para os dias atuais, que é impossível uma experiência socialista no seio do capitalismo neoliberal; uma vez que a elite rentista, os pequenos burgueses ignorantes, e parte do proletáriado está cooptado e assimilados pelos valores do capital. Sua vida foi uma refutação prática ao reformismo e ao colaboracionismo de classes, ensinando que a libertação nacional é um ato de confronto direto com a potência hegemônica e suas classes aliadas internas.

9. Sua imagem, reproduzida em bandeiras e murais, permanece como um lembrete constante, um emblema da luta inconclusa. Cada vez que um povo latino-americano se levanta contra a privatização de seus recursos, contra a intervenção estrangeira em suas instituições ou contra um governo servil aos interesses do Norte, o espírito de Che Guevara está presente. Ele se tornou um arquétipo do revolucionário internacionalista, cuja pátria era qualquer terra onde se lutasse pela justiça social, igualdade e inclusão.

10. Conclui-se que a importância de Che Guevara reside em ter forjado um caminho e um método. Ele nos legou a lição de que a análise concreta da realidade deve ser conjugada com a ação revolucionária intransigente. Enquanto persistirem as assimetrias do imperialismo, a figura de Che permanecerá como uma bússola, apontando para a necessidade de uma Segunda e definitiva Independência da América Latina, desta vez não do jugo colonial espanhol-português-europeu, mas da dominação do capital financeiro internacional e de seu braço armado, o imperialismo norte-americano. Sua luta continua sendo a nossa luta, e seu ideal, o de uma América Latina livre do imperialismo, onde a igualdade, a inclusão, a justiça social e a fraternidade reinem sem fim, continuará sendo nosso ideal para sempre. 




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