INÍCIO

13 agosto 2024

A DOR

 





(H)A dor delira

A dor delira 
De lírios da dor 
Sicut lilium inter spinas
Como uma manhã entre duas noites longas 


Há vida com dor 
Dores excruciantes
Gemem os organismos 
Corpos amontoados 
No frio, noites longas e ameaçadoras

Dores passageiras 
Crônicas 
Aguda
Lancinantes
Sensibilidade viva, na pele, 
Nos músculos, tecidos
Ossos quebrados 
Tecidos amassados 
Pelos dentes da matéria gravidade sem fim 
Estresse absurdo


Tudo o que construímos 
Cavernas, Vilas, 
Cidades, 
megalíticas megalópoles
Impérios escravizantes 
Opressores 
Sistemas excludentes 
Muros, fossos sociais 


O nada e o tudo 
A redenção e a destruição 
O acúmulo e miséria da vida 
Para tudo o fim chega 
Para tudo que medra em seu caminho 
Em sua hora derradeira 


Esperança apenas nos químicos que a ciência 
Descobriu 
Que a mente criou
Que a natureza escondeu 
Em suas organelas, células, corpúsculos 
Misturas, soluções 
Aliviam 

Todos estamos no caminho
Caminhos breves, extensos 
Efêmeros duradouros
Fáceis 
Difíceis e com agruras, obstáculos, custosos 
Fáceis, inequívocos, cristalinos

Pelo menos meus átomos serão eternos 
Só serão destruídos no fim do universo 
Quando toda realidade não mais importar
Apenas uma nova construção 
O universo segue seu caminho
Sem argumentos nem ressentimentos

Então nada deve me assustar
Segurei o curso natural da vida 
Com resignação e paciência 




(12/VIII/2024) 

No HPS

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