(H)A dor delira
A dor delira
De lírios da dor
Sicut lilium inter spinas
Como uma manhã entre duas noites longas
Há vida com dor
Dores excruciantes
Gemem os organismos
Corpos amontoados
No frio, noites longas e ameaçadoras
Dores passageiras
Crônicas
Aguda
Lancinantes
Sensibilidade viva, na pele,
Nos músculos, tecidos
Ossos quebrados
Tecidos amassados
Pelos dentes da matéria gravidade sem fim
Estresse absurdo
Tudo o que construímos
Cavernas, Vilas,
Cidades,
megalíticas megalópoles
Impérios escravizantes
Opressores
Sistemas excludentes
Muros, fossos sociais
O nada e o tudo
A redenção e a destruição
O acúmulo e miséria da vida
Para tudo o fim chega
Para tudo que medra em seu caminho
Em sua hora derradeira
Esperança apenas nos químicos que a ciência
Descobriu
Que a mente criou
Que a natureza escondeu
Em suas organelas, células, corpúsculos
Misturas, soluções
Aliviam
Todos estamos no caminho
Caminhos breves, extensos
Efêmeros duradouros
Fáceis
Difíceis e com agruras, obstáculos, custosos
Fáceis, inequívocos, cristalinos
Pelo menos meus átomos serão eternos
Só serão destruídos no fim do universo
Quando toda realidade não mais importar
Apenas uma nova construção
O universo segue seu caminho
Sem argumentos nem ressentimentos
Então nada deve me assustar
Segurei o curso natural da vida
Com resignação e paciência
(12/VIII/2024)
No HPS

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