PORTO ALEGRE,
UMA CIDADE ABANDONADA
Artigo de Paulo Musel
A partir de 2016, tivemos dois anos do mandato de um vice traidor, Temer, que iniciou um processo de sucateamento dos aparatos básicos do estado, sobretudo da educação e da saúde, além de implementar uma retirada de direitos do trabalhador. Em 2018 a eleição de Bolsonaro, um político corrupto, o que de pior a extrema direita brasileira nos poderia oferecer.
Bolsonaro aprofundou ao extremo as políticas neoliberais além de fazer elogio à tortura. Suas políticas geraram mais de 30 milhões de pessoas passando fome, 15% de desempregados o maior índice desde o pleno emprego do governo Dilma. Bolsonaro levou ao extremo a política do pior, sucateando e vendendo quase todos os ativos do estado brasileiro.
Praticou uma política neoliberal fascista, privatista com fácies autoritária, conservadora e excludente.
Assim, gerou um empobrecimento dos estados da união e consequentemente de todo o povo.
Nesse cenário não há investimento algum do governo federal na infraestrutura dos entes federados e como consequência aqueles estados que seguiram essa cartilha, deixaram de aplicar recursos necessários para conter eventos catastróficos.
E aqui estamos nós, vivendo numa cidade distópica abandonada pelo seu governador Eduardo Leite, seus dois senadores de extrema direita, e pelo lacaio apoiador do ex-presidente inelegível, o prefeito, todos ineptos e incompetentes para lidar com eventos climáticos extremos.
Estado de abandono (1)
O governo passado, um governo corrupto até a medula, ligado às milícias, das lavagens de dinheiro. Um governo que ao longo dos seus terríveis quatro anos de mandato negou o resultado das eleições e tentou perpetrar o golpe militar.
A eleição de Lula em 2022 nos livrou da ditadura, e trouxe novas esperanças.
Mas não nos enganemos, o fortalecimento da extrema direita é fenômeno mundial que permanece.
Em 2021, no Chile, o ultra-conservador José Kast disputou o segundo turno com Boric defendendo o legado sanguinário de Pinochet. Na Argentina Milei, um ultra extremado liberal derrotou o candidato peronista.
E aqui, na mais meridional das capitais brasileiras, temos ainda um bolsonarista de carteirinha ocupando o Paço: Sebastião Melo, um político que iniciou sua trajetória política assumindo o cargo de vereador em 2001 em Porto Alegre.
Filiado ao MDB, é uma figura típica deste partido: o que lhe falta de consistência ideológica ou experiência administrativa sobra em oportunismo e ambição política.
Surfou na onda que promoveu sua ascensão na política: o neoliberalismo raiz bolsonarista.
A falta de cuidados, o abandono das boas práticas de gestão pública em Porto Alegre, começaram em 2005 com José Fogaça o primeiro prefeito pós ciclo petista (1989/2004).
José Fogaça, foi um senador sonolento, preguiçoso, que não tinha competência nem vontade para administrar uma prefeitura que é também capital. Foi sucedido por José Fortunati, um ex-deputado petista, um oportunista de carteirinha.
O prefeito seguinte, Marchezan Jr, da ex-Arena, depois PSDB, foi ainda pior: não governou, passou os 4 anos brigando. Em 2020 foi eleito Sebastião Melo.
Estas quase duas décadas de prefeitos neoliberais, uma forte guinada que a política deu à direita deixaram um terrível passivo. Porto Alegre não foi exceção.
Temos hoje uma cidade com vias e passeios esburacados, praças e parques abandonados. O sistema de transporte coletivo da cidade entrou em colapso, há linhas de ônibus e de lotação que não funcionam nos fins de semana. O sistema de sinaleiras é obsoleto, e com péssima manutenção.
Milhares de sem teto, pessoas desempregadas perambulam pelas ruas da nossa capital.
O sistema de assistência social da Prefeitura foi desmontado. Bolsonaro extinguiu o Minha Casa, Minha Vida. Os serviços municipais nas áreas de saúde e educação são precários, ocorreu a redução das despesas de manutenção de serviços de saúde pública com o consequente aumento dos índices de HIV, de tuberculose e das mortes prematuras. Na área da educação temos um déficit de 12 mil vagas nas escolas infantis e falta de professores na rede escolar.
Melo apoiou todas as ações e omissões de Bolsonaro no auge da crise da Covid: criticou o uso das vacinas, desestimulou o isolamento e o uso obrigatório da máscara. Foi cúmplice do charlatanismo genocida de Bolsonaro.
Na linha de terceirizar e privatizar Melo exagerou. Vendeu a Carris a preço de banana, tentou ainda, vender o DMAE, felizmente sem sucesso.
Por fim, Melo botou uma pá de cal no pouco que restava do planejamento urbano da cidade. A estreita ligação de Melo com os interesses especulativos dos grandes grupos imobiliários da cidade: Melcnik, Cyrela, Multiplan, Zaffari, dentreoutros, se tornaram evidentes, eles foram os maiores doadores da sua campanha à Pre- feitura.
Este ano teremos no eleições municipais, hora de mandar o Sebastião para a casa.
Fonte
Opinião
Como é possível que o povo trabalhador e a classe média, tenham errado tanto em tão longo tempo, (duas décadas)? Perpetuando o erro, eleição após eleição? Será que não conseguem ver que esses políticos da direita e extrema direita, só tem compromisso com o capital, com o lucro, e com quem os elegeu, i.e., a elite do atraso? A classe média Portoalegre encolheu muito nos anos de governo da direita e extrema direita. Será que essas pessoas não enxergam e não aprendem nada?
“A desigualdade brasileira, com base nas pesquisas domiciliares como a Pnad, é uma das mais altas do mundo. O Brasil é conhecido como o país da desigualdade. Mas quando se agrega os dados do imposto de renda (IRPF) com os da Pnad essa conclusão fica ainda mais forte, e evidente” (Neri, 2023, brasildefato). A classe média ignorante está sentindo na pele e está errando eleição após eleição. Logo, logo a classe média voltará a ser pobre novamente. Políticos da extrema direita não possuem compromisso algum com o povo, muito menos bom o bem estar do trabalhador. Porto Alegre, ainda da tempo de revertermos esse ciclo de abandono e descaso: basta se informar e votar em em políticos cujo compromisso é com o povo e com a justiça social.


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