INÍCIO

18 fevereiro 2024

ADOLESCÊNCIA E IDENTIDADE



Em Narcisismo em tempos sombrios, Costa (1988) diz que os objetos, assim como os Ideais, são símbolos da alteridade. O Ego oferece resistência às mudanças; por conta disto lidar com a diferença é sempre conflituoso para esta instância psíquica. O único outro aceitável para o Ego, com o qual este consente em lidar sem conflito, é seu outro especular encarnado pelo Ego Ideal. Os traços que constituem a forma egóica são representados de forma totalizada e idealizada no Ego Ideal. Deste modo, este "outro" tolerado pelo Ego é, na verdade, um outro idêntico. (Savietto e Cardoso,2006).

A edificação de novos modelos na adolescência requer que o sujeito possa desprender-se do passado, de seu corpo infantil, dos pais da infância, apostando no futuro, no próprio vir a ser. É possível perceber, outra vez, que a alteração da composição egóica se impõe, acometendo o narcisismo. Trata-se de um momento de extrema fragilidade, de incerteza, de impotência, de repetição da vivência do desamparo diante do qual a autodefesa narcísica é acionada. O Ego, angustiado, porque ameaçado em sua integridade, recorre ao seu outro especular, o Ego Ideal, buscando restaurar a onipotência infantil. 

Segundo Pinheiro (2001), a cultura é responsável pela oferta de meios que concedem ao adolescente a possibilidade de dissipar a onipotência. De acordo com Richard (2002), a passagem da predominância do Ego Ideal (da onipotência narcísica) à prevalência do Ideal do Ego corresponde ao próprio processo de subjetivação. Conforme dissemos, quando apreciamos a noção de transação narcísica, esta, quando bem-sucedida, permite que o adolescente se aproprie de uma nova identidade.






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