INÍCIO

01 novembro 2023

GUY DEBORD

DATAS DE NOVEMBRO 




"Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá" - Navegar, Navegar 

(Fausto Bordalo Dias)







Neste dia, a 30 de Novembro de 1994, Guy Debord cometeu suicido. Debord foi um intelectual marxista e um dos fundadores da Internacional Situacionista, os seus textos foram a base das manifestações de Maio de 68 em França. 

Guy Debord

A sua obra mais conhecida "A sociedade do espetáculo" é uma critica ao capitalismo e ao consumismo.

Debord afirmava que "tudo o que antes era vivido, passou a ser apenas representação" e que a vida social "degenerou de “ser” para “ter” e de “ter” para simplesmente “parecer”. 

Disse ainda que este espetáculo promovido pela classe dominante ofuscava o passado histórico e implodia o futuro, criando a sensação de um presente infinito, impedindo as pessoas de perceber que a sociedade do espetáculo em que vivem é apenas uma fase limitada do processo histórico e que pode, a qualquer momento, ser derrubada através de uma revolução.

Parafraseando, "O objetivo é acordar o espectador alienado pelo espetáculo através da prática revolucionária e disruptiva para combater a hegemonia cultural do capitalismo




Como o Gabriel Garcia Marques diz no seu discurso do Nobel, em relação aos episódios narrados e o seu significado histórico: "não é tarde para a criação de uma utopia contrária. (...) uma utopia da vida, onde ninguém pode decidir por ninguém até a forma de morrer, onde seja certo o amor e possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham por fim e para sempre uma segunda oportunidade na terra. 




Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. 

(Feuerbach - Prefácio à segunda edição de A Essência do Cristianismo).



1
Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação.

2
As imagens fluem desligadas de cada aspecto comum da vida, e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente reflete em sua própria unidade geral um pseudo mundo à parte, objeto de pura contemplação. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.

3
O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada. 

4
O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.

5
O espetáculo não pode ser compreendido como abuso do mundo da visão ou produto de técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é a expressão de uma Weltanschauung, materialmente traduzida. É uma visão cristalizada do mundo.









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