MARK MORRISROE E A SOLIDÃO DA FORMA
A obra do fotógrafo americano Mark Morrisroe (1959-1989) tem sido objeto de recente ressurgimento de interesse. Pode-se dizer que o trabalho de Morrisroe constitui uma prática extensa de auto-retrato, desde as primeiras imagens documentando seu envolvimento na cena punk de Boston dos anos 1980 até seus trabalhos finais explorando os efeitos da AIDS em seu próprio corpo.
As obras aqui mostradas reúnem a prática fotográfica de autorrepresentação de Morrisroe tendo no horizonte a leitura de Jacques Derrida do autorretrato como “ruína”.
São obras que descrevem as implicações físicas e estéticas da “ruína”, e seu desejo de permanência e aparição-duração no mundo da arte.
As obras levantam indagações sobre questões de identidade, autenticidade e possibilidade de auto-representação.
A obra pelo fato de representar um estado momentâneo, cumpre uma função semelhante à noção de performatividade no espaço-tempo, onde se evidencia o desejo de juventude num mundo de consumo capitalista, onde are mesmo a essência do homem transforma-se em mercadoria.
A forma então, planejada e ambientada, aparece só mesmo estando acompanhada. A singularidade da passagem do tempo é percebida a partir do registro de si mesmo, como se fosse possível fixar o eu na forma de um objeto tridimensional.
Morrisroe morreu e nos deixou o registro de sua ruína, pelo menos, o que pode ser registrado, um momento desse somatório de infinitos pontos que desembocam no fim da imagem e da individualidade, a morte, que leva a matéria deixando apenas um simulacro da imagem-identidade.
Jack Pierson, Tom, West End P-Town, 1996.
C-Print; 96 x 76 cm. Edition of 10.
Signed, dated, verso



























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