O investigador da temática significativa que, em nome da objetividade científica, transforma o orgânico em inorgânico, o que está sendo no que é, o vivo no morto, teme a mudança. Teme a transformação. Vê nesta, que não nega, mas que não quer, não um anúncio de vida, mas um anúncio de morte, de deterioração. Quer conhecer a mudança, não para estimulá-la, para aprofundá-la, mas para freiá-la. (FREIRE, 1982, p. 118).
Um mínimo de palavras, com a máxima polivalência fonêmica, é o ponto de partida para a conquista do universo vocabular. Essas palavras, oriundas do próprio universo vocabular do alfabetizando, uma vez transfiguradas pela crítica, a ele retornam em ação transformadora do mundo. Assim, ao objetivar uma palavra geradora – íntegra, primeiro, é depois decomposta em seus elementos silábicos – o alfabetizando já está motivado para não só buscar o mecanismo de sua recomposição e da composição de novas palavras, mas também para escrever seu pensamento. (FIORI in FREIRE, 1982, ps. 05-06).
No caso de aceitarem a reunião, e de nesta aderirem, não só à investigação, mas ao
processo que se segue, devem os investigadores estimular os presentes para que,
dentre eles, apareçam os que queiram participar diretamente do processo de
investigação como seus auxiliares. Desta forma, esta se inicia como um diálogo às
claras entre todos. (FREIRE, 1982, p. 122).
Com efeito, na medida em que, um a um, vão todos expondo como perceberam e
sentiram este ou aquele momento que mais os impressionou, no ensaio
“descodificador”, cada exposição particular, desafiando a todos como
descodificadores da mesma realidade, vai re-presentificando-lhes a realidade recém presentificada à sua consciência intencionada a ela. Neste momento, “re-admiram” sua
admiração anterior no relato da “ad-miração” dos demais. (FREIRE, 1982, p. 124).
Na medida em que representam situações existenciais, as codificações devem ser
simples na sua complexidade e oferecer possibilidades plurais de análises na sua
descodificação, o que evita o dirigismo massificador da codificação propagandística.
As codificações não são slogans, são objetos cognoscíveis, desafios sobre que deve
incidir a reflexão crítica dos sujeitos descodificadores.
As codificações, de um lado, são as mediação entre o “contexto concreto ou real”,
em que se dão os fatores e o “contexto teórico”, em que são analisadas; de outro, são
o objeto cognoscível sobre que o educador-educando e os educando-educadores,
como sujeitos cognoscentes, incidem sua reflexão crítica. (FREIRE, 1982, p. 128).

























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