INÍCIO

08 agosto 2021

AMOR FILIAL

HOMENAGEM AOS PAIS

Ao celebrarmos o Dia dos Pais, podemos nos lembrar de muitos pais, filhos ou filhas notáveis ​​na mitologia grega. 




Todavia, nenhum nos parece tão apropriado quanto Anquises e Enéias, a epítome da devoção e do amor de um filho pelo seu pai. 

ENÉAS 
A deusa Afrodite se apaixonou pelo mortal Anquises, um troiano, e deu à luz o herói Enéias. Na destruição cataclísmica de Tróia, Enéias resgata seu pai idoso, literalmente levando-o nas costas, para fora da cidade, que estava sendo engolfada e consumida pelas chamas. 

Na Guerra de Troia, Eneias se converteu no mais valoroso guerreiro troiano, depois de Heitor. Favorecido pelos deuses, em várias ocasiões foi por eles salvo, durante os combates. Quando foi ferido por Diomedes, foi sua mãe, Afrodite, quem o salvou. E quando enfrentou Aquiles no campo de batalha, foi Poseidon quem o livrou de ser morto pelo herói grego.

Com a queda de Troia, sua mãe o aconselhou a deixar a cidade, levando sua família, pois lhe estaria reservado o destino de fazer reviver a glória troiana em outras terras.

A cena é vividamente mostrada em uma modesta ânfora de pescoço de figuras negras didata de ca. 500 a.C. O diminuto Anquises, com cabelo e barba brancos, se agarra às costas de seu filho alto, vigoroso e fortemente armado. 
A mulher que corre à frente da dupla certamente é Creusa, esposa de Enéias, que se separou do marido e estava fadada a ser deixada para trás.

Enéias resgata seu pai idoso literalmente levando-o nas costas, à frente está Creusa esposa de Eneas. (Black figure neck-amphora of ca. 500 B.C. The Met)

Enéias resgata seu pai idoso levando-nas costas. 

Tragicamente, Anquises não chegará ao local da futura cidade de Roma, morrendo na Sicília, mas Enéias cumprirá seu destino heróico como ancestral do povo romano. 

Encontramos essa história destacada em um denário de prata de Júlio César, que afirmava ser descendente da deusa Vênus (Afrodite romana), cuja cabeça aparece no anverso da moeda. 

Denário de prata mostrando Eneas carregando Anchises às costas e com a mão direita carrega o palladium (imagem da deusa Athená). 

Enquanto Anchises se empoleira no ombro de Enéias, o herói segura o Palladion, a pequena estátua de Atena armada que protegia Tróia. 

Em uma versão conectando Tróia e Roma, o Palladion acabou abrigado dentro do Templo de Vesta, em Roma. Vesta é uma das deusas romana que personifica o fogo sagrado, a pira doméstica e a cidade. Corresponde à Héstia dos gregos, embora o seu culto na península Itálica seja anterior à influência helénica no mundo romano. 

Vesta era a filha primogênita de Cibele e Saturno, a irmã mais velha da primeira geração de deuses olímpicos. Por direito de primogenitura, era uma das doze deusas olímpicas principais. 

Vesta, deusa do fogo, da pira doméstica e da cidade.

Foi engolida por Saturno e posteriormente resgatada por Júpiter. É representada trajando um longo vestido, muitas vezes com a própria cabeça coberta por um véu, ela é a deusa que nunca abandona o lar, o Olimpo, e jamais se envolve nas brigas e guerras de deuses ou mortais.

Desprezou o amor tanto de Netuno como de Apolo (Febo), resolvendo permanecer solteira. Como deusa de coração quente, ela representava a divindade do lar e defendia a vida da família. Era adorada antes dos outros deuses em todas as festas, uma vez que era a mais antiga das deusas do Olimpo. Um juramento feito em seu nome era o mais sagrado dos juramentos. O animal mais sagrado à deusa é o asno.

O Templo de Vesta (em latim: aedes vestae) é uma construção da Roma Antiga dedicada ao culto da deusa Vesta pelas sacerdotisas Vestais. Seu templo estava localizado no centro do Fórum Romano, próximo da Régia (a antiga residência real) e do complexo da Casa das Vestais, centro do poder público e tradicional núcleo político e religioso de Roma. 

O Templo de Vesta era provavelmente formado por 20 colunas da ordem coríntia, de influência grega, que se encontravam sobre um pódio de 15 metros de diâmetro. 

Acredita-se que seu telhado possuía uma abertura, possibilitando o escape da fumaça produzida pelo fogo sagrado que ardia dia e noite no centro do templo.

O núcleo do templo equivaleria simbolicamente ao centro do mundo. 

Além do fogo sagrado, havia também uma cella, ou câmara secreta cuja abertura dava para um compartimento denominado penus vestae, onde se guardavam os objetos sagrados, dos quais as virgens vestais eram guardiãs. Aí se encontrava o Paládio (Palladium), uma estátua da deusa Atena que teria a sua origem em Troia. 

A abertura para entrada no templo ficava voltada para o ponto cardial leste (oriente) como símbolo da conexão entre o fogo sagrado de Vesta e o Sol como fonte da vida, sabedoria e conhecimento. 

No dia do solstício de inverno (hemisfério norte) o sol nascente iluminava o fogo sagrado de Vesta. 

Nesse dia também os católicos cantam uma estrofe da Antífona do Ó (ἀντίφωνον, ἀντί "oposta" e φωνή "voz"; canto onde uma voz chama e todos respondem; O Anfiphone), cantada na hora canônica das vésperas (na hora do por do Sol):

O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis.

Ó Sol nascente
Esplendor da luz eterna, e Sol da justiça 
Vem e ilumina os que estão sentados nas trevas 
E na sombra da morte. 

Ruínas dos templo de Vesta no Fórum romano. 

Reconstrução do templo dedicado a Vesta. 

Enéias ou Enéas (do latim Æneas, do grego antigo Αἰνείας) é um personagem da mitologia greco-romana cuja história é contada na Ilíada, de Homero, e, sobretudo, na Eneida, de Virgílio. 

Segundo a lenda, Eneias foi o mais famoso dos chefes troianos, filho da deusa Afrodite (a romana Vénus) e de Anquises, filho de Cápis, filho de Assáraco, rei da Dardânia. Era casado com Creúsa, filha do rei Príamo e de Hécuba. Tinha um filho, Iulo (na literatura romana Ascânio). Sob a proteção de Afrodite, Eneias deixa Troia (incendiada pelos gregos), levando sua esposa Creusa, o filho Ascânio, seu velho pai Anquises (que ele carrega às costas) e um punhado de soldados troianos. 

A Fuga de Enéias é um episódio histórico-mitológico romano narrado na Eneida de Virgílio e no Ab Urbe Condita de Tito Lívio, ambos da época de Augusto (séculos I a.C -I d.C.).

Enéias participou da Guerra de Tróia ao lado dos troianos, que após dez anos de luta perderam para os gregos. Os aqueus usaram um truque muito engenhoso para alcançar a vitória: construíram um grande cavalo de madeira e o ofereceram como um presente aos troianos.

Leva ainda os Penates e o palladion troianos, divindades que protegiam o Estado, os governos e as instituições que regem um e o outro para assim fundar uma nova cidade. Na estrada, sua esposa desaparece sem deixar vestígios e ele embarca em um navio, no qual vagueia pelo mar Mediterrâneo, em busca de uma nova pátria.

O troiano pede então conselho a Apolo, que o manda ir para a terra de onde era originário o seu primeiro antepassado. Anquises, douto nessa matéria, afirmava que em dias muito remotos, antes do rei Tros fundar a cidade de Troia, vivia na Frígia um rei chamado Teucro, cuja filha, Bátia, se casara com Dardano, pai de Trós. Acreditavam que Teucro viera da ilha de Creta. 

Puseram-se então a caminho. Ao terceiro dia aportaram em Creta, onde começaram imediatamente a construir uma cidade a que Eneias chamou Pérgamo. Lavraram a terra e semearam-na, e parecia que tudo correria bem, mas, inesperadamente, todo o seu trabalho foi destruído. Uma terrível seca arruinou as colheitas e desencadeou uma epidemia que se alastrou entre os troianos. 

Anquises interpretou isto como um sinal evidente da desaprovação divina, e aconselhou Eneias a voltar ao templo de Apolo, na Ilha de Delos, para receber novas instruções do oráculo. 

Na véspera da partida, os numes tutelares apareceram a Eneias e disseram-lhe que ele deveria ir para o local de origem de Dárdano, antes chamado Hespéria, agora Itália. 
Contando isto ao pai, Anquises lembrou-se que Cassandra profetizara que uma nova Troia erguer-se-ía na Hespéria. Mas, claro, todos acharam que ela estava louca. Puseram-se de novo a caminho.

Os Troianos encontraram-se com as Harpias, mas, ao contrário dos Argonautas, fugiram delas. Chegaram a Epiro, terras onde se tinham estabelecido Heleno e Andrómaca. Heleno disse-lhe o que ia acontecer e o que ele deveria fazer.

A seguir estiveram na ilha do ciclope Polifemo, e salvaram um homem, Aqueménides, que fora deixado para trás pelos Argonautas. Anquises, já velho, morreu antes de deixarem a Sicília.

Depois de muito tempo aporta em Cartago e, por artimanhas de Vénus e Cupido, torna-se amante de Dido, rainha e fundadora da cidade africana. Primeiro tinha sido Hera quem queria isto, para Eneias ficar com Dido e não chegar à Itália, mas Afrodite viu que o amor da rainha podia ser proveitoso para Eneias.

Porém não era ainda esse o seu destino final. Hermes, enviado por Zeus, pergunta-lhe por que estava ele construindo uma cidade que não seria do seu filho, para a sua descendência. Eneias fugira de Troia para não se submeter aos gregos e estava agora a submeter-se a Dido e seus conterrâneos!

Adverte-o, então, para que deixe Cartago e funde uma cidade e um reino para os seus. Ao deixar a cidade, mesmo a contragosto, vê Dido, extremamente apaixonada, suicidar-se numa pira funerária que tinha mandado fazer na sua fortaleza. E por último sua fuga após a guerra de Troia.

Após esse episódio, Eneias aportou na Itália. Em Cumas, foi ao Submundo, onde se encontrou com o pai, que lhe falou das gerações futuras. Também viu Dido, mas esta se recusou a falar com ele.

Depois foi para o Lácio. Latino, rei do Lácio e neto de Saturno, ofereceu-lhe terras e a mão de sua bela filha Lavínia, há muito prometida a Turno, rei dos rútulos, em casamento. Tal facto deveu-se a uma profecia que dizia que Lavínia devia casar-se com um estrangeiro, para assim dar origem a uma raça poderosíssima que governaria o mundo. Lavínia e Eneias se apaixonaram, mas a rainha Amata, mãe de Lavínia, queria que a filha casasse com Turno.

Turno, vendo que perderia o reino do Lácio e Lavínia, declarou guerra a Eneias e seus troianos recém-chegados ao Lácio. Outras nações se juntaram aos contendores, de um lado e de outro. A guerra foi tão acesa que Latino, com medo que seu país se arruinasse e fosse destruído, sugeriu um combate singular entre Eneias e Turno, sendo Lavínia o prémio. Ambos aceitaram, e Eneias venceu a Turno. Podendo escolher entre matar ou poupar o adversário, mais jovem, Eneias decidiu, após longa hesitação, matá-lo. Pois, na hesitação, viu no ombro do adversário despojos do seu tão dileto Palante. Imolou Turno em nome do amigo. Amata, mãe de Lavínia, preferiu suicidar-se a ver Eneias no trono.

Diz-se que Eneias abdicou do trono a favor do filho e voltou para a pátria, para reconstruir Troia. Após a morte de Eneias, seu filho Iulo, ou Ascânio (conforme a versão), fundou Alba Longa, da qual seus descendentes serão reis sucessivos. Em 753 a.C., é fundada Roma, a segunda Troia, pelos gêmeos Rómulo e Remo, descendentes maternos de Eneias, mas filhos diretos do deus Marte.

Esta versão da fundação de Roma, ou melhor, da ascendência de Rómulo remontar a Eneias, é tida por pesquisadores modernos como mera recordação de contactos entre o mundo egeu e a Itália. Tal versão foi tomando forma a partir do século III a.C. Apareceu em Q. Fábio Pictor (200 a.C.) a primeira versão, sendo a definitiva dada por Virgílio na sua obra Eneida, Ovídio e Tito Lívio.





Bibliografia 

Compilação modificada de textos de diferentes fontes. 











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