O poder corresponde à habilidade humana de não apenas agir, mas de agir em uníssono, em comum acordo. O poder jamais é propriedade de um indivíduo; pertence apenas a um grupo e existe apenas enquanto o grupo se mantiver unido. Quando dizemos que alguém está no poder, estamos nos referindo na verdade ao fato dessa pessoa encontrar-se investida de poder, por um certo número de pessoas, para atuar em seu nome. (p. 80).
À violência sempre é dado destruir o poder; do cano da arma desponta o domínio mais eficaz, que resulta na perfeita e imediata obediência. O que jamais poderá florescer da violência é o poder. (...). O domínio, através da violência pura vem à baila quando o poder está em vias de ser perdido(...). Resumindo: politicamente falando, é insuficiente dizer não serem o poder e a violência a mesma coisa. O poder e a violência se opõe, onde um domina de forma absoluta, o outro está ausente. (ARENDT apud SOUZA 2013, p. 81).
Os antropólogos se acostumaram a considerar, como característica que lhe é inerente, seu poder de criar um corpo consistente de símbolos, práticas e ritos, valores, crenças e regras de conduta – em outras palavras, um sistema cultural – capaz de responder as situações limites, como o sofrimento e a morte, a ameaça de colapso dos valores morais ou a perda de inteligibilidade da experiência do mundo, em vista das quais se torna necessário ao homem recorrer a um outro mundo para ainda atribuir sentido ao que ocorre nesta vida. (p. 71/2)
O território religioso nacional já enfrentava uma fragmentação, visto que Diversas vertentes religiosas do protestantismo já vinham coexistindo com o catolicismo no Brasil, entretanto, sem danos a centralidade religiosa da igreja católica. Beneficiando-se da lacuna do aspecto individual em conferir respostas e conforto, através da religiosidade, o pentecostalismo o fez. Além disto, alocou na periferia suas bases estruturais – visto que a delimitação espacial destinada às classes populares, como projeto de Estado, apresenta também a precariedade da vida cotidiana e as frustrações e tormentos em decorrência disso. Sobretudo, é necessário mencionar ainda, que a história revela um caminho longo e complexo, onde as periferias brasileiras foram a base estrutural da consolidação religiosa de um evento supranacional. Neste âmbito, é importante ressaltar:
É somente após a Segunda Guerra Mundial que esse quadro começa a sofrer uma mudança radical, com a erupção de um novo tipo de protestantismo que passa a crescer de uma maneira assombrosa com base nos grupos pentecostais. Sobretudo, graças a ação missionária financiada por igrejas norte-americanas, em especial a International Church of the Foursquare Gospel, no início dos anos 50, um grande empreendimento proselitista teria lugar no Brasil, por meio da Cruzada Nacional de Evangelização. Daí surgiram as igrejas conhecidas como de “cura divina”, como a do Evangelho Quadrangular, o Brasil para Cristo, Deus é amor, Casa da benção e outras que vieram a somar a congregação cristão do Brasil e a Assembléia de Deus, estas fazendo parte do que se conheceria como “pentecostalismo clássico”. Essas novas igrejas pentecostais- que viriam a construir o chamado “pentecostalismo neoclássico” - rapidamente se implantam e passam a ganhar centenas e milhares de adeptos em velocidade crescente, sobretudo, entre as camadas mais modestas da população. (MONTES, 1998, p. 82)
Bibliografia
SOUZA, Marcelle da Silva. O SAGRADO DO PROFANO: PACTOS TERRITORIAIS ENTRE GRUPOS RELIGIOSOS E REDES DE MILÍCIAS, EM MANGUARIBA, RIO DE JANEIRO. Revista Eletrônica História, Natureza e Espaço – ISSN 2317-8361 v. 7, n. 1 (2018) DOI: 10.12957/hne.2018.35711




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