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11 junho 2024

SAINDO DO ARMÁRIO








SAIR DO ARMÁRIO: UM POUCO DE HISTÓRIA 
DO ATIVISMO 

Em 1867, o escritor e jornalista alemão Karl-Heinrich Ulrichs, considerado pioneiro do moderno movimento gay, foi o primeiro homossexual declarado a falar publicamente em defesa dos direitos da comunidade quando solicitou ao Congresso de Juristas Alemães, em Munique, que apoiassem a eliminação das leis que discriminavam os gays. Foi vaiado e não teve seu desejo realizado, mas escreveu diversos ensaios que procuravam entender o seu desejo por pessoas do mesmo sexo, como “Pesquisas sobre o Enigma do Amor Entre Homens” e “Uma Psique Feminina Confinada Num Corpo Masculino”.

Em 1870, Ulrichs publicou o livro “Araxes: um Apelo à Libertação do Uraniano das Leis Penais”, sendo que “uraniano” é uma metáfora para ele se referir a ele mesmo. O discurso é semelhante aos que lutam pelos direitos LGBTQIA+ hoje em dia: 

“O Uraniano é também uma pessoa. Também tem, por isso, direitos inalienáveis. A sua orientação sexual é um direito estabelecido por natureza. Os legisladores não têm direito de vetar a natureza; de perseguir a natureza no curso da sua obra; de torturar seres vivos por serem sujeitos às forças que a natureza lhes deu.”

Na década de 1870, o austro-húngaro Karl-Maria Kertbeny ficou conhecido por ter criado as palavras “heterossexual” e “homossexual”, já que na época o relacionamento entre dois homens utilizava uma nomenclatura equivalente a “pederasta”, que era pejorativa.

Também pioneiro no ativismo LGBT, apesar de ele nunca ter dito publicamente que era gay ou hétero, ele fez vários estudos sobre a homossexualidade por, segundo ele, um “interesse antropológico” combinado com um sentimento de injustiça e preocupação com os “direitos do homem”. Em 1880, escreveu um capítulo sobre homossexualidade para o livro “A Descoberta da Alma“, de Gustav Jäger, mas a editora omitiu por considerar o tema “polêmico demais”. No entanto, Jäger utilizou as palavras “homossexualidade” e “heterossexualidade” em sua obra.


















Artigo de Ana Teté

Há sempre um grande mito a respeito da atitude que se deve ou não tomar no processo de aceitação à orientação sexual. O fato a se atentar, no entanto não diz respeito a sair ou não do armário e é neste ponto que quero tocar.

É perfeitamente normal ter dúvidas, se sentir deslocado e angustiado quando percebe sua atração por pessoas do mesmo sexo. Buscar a orientação certa neste momento, de alguém que realmente entenda faz toda diferença para que compreenda que esta não é uma “escolha” e lutar contra ela pode se tornar um processo muito doloroso e inútil, no final das contas.

A orientação sexual faz parte do desenvolvimento humano, ninguém escolhe se quer ou não ser gay, acreditar que não se encaixa em um perfil específico significa apenas que possui a sua própria personalidade.

Hoje os maiores problemas psicológicos dentro das comunidades LGBT está em conseguir se aceitar como é tendo uma vida livre de frustrações e limitações com relação a sua felicidade. A partir do momento que você “assume” para si, a sociedade passa a ser um detalhe.

Detalhe que ao envolver a família, pode gerar grandes medos relacionados ao preconceito, discriminação e dúvidas, por ter sempre que apresentar o grande amor da sua vida como “a pessoa que divide o apartamento com você” ou apenas “um(a) amigo(a)”.

Isso varia de pessoa para pessoa e de família para família. Cada um de nós possui um limite, desejos, anseios e escolhas. Para o homossexual isso acontece com mais força por conta da complexidade em “assumir ou não”. O heterossexual também possui obstáculos dos quais ele também não assume e não fala sobre determinadas características de sua personalidade.

O ideal é entender qual a sua limitação, grandes ativistas brasileiros em favor dos direitos civis LGBT, como Luiz Mott, diz que “é preciso estar tranquilo com sua própria homossexualidade… adquirindo o máximo de informações sobre a cultura homossexual…” e isso pode te dar a segurança necessária para tomar a decisão que melhor lhe cabe.

O mais importante nas questões relacionadas à homossexualidade consiste em aceitar quem você é e ter orgulho de si, não tenha medo de perder as pessoas perdendo a sua própria individualidade. Sair do armário torna-se secundário quando se descobre que o mais importante é estar feliz e realizado.




Os 5 estágios pelos quais o homem gay passa ao sair do armário.
Em qual você está?


Sair do armário não é um processo que acontece da noite para o dia. Exige planejamento, exige esforço e, principalmente, exige inteligência emocional.

Vão ter dúvidas, vão ter noites mal dormidas, vão ter lágrimas derramadas (muitas!).

Vai ter muita vontade de não ter nascido assim e várias tentativas frustradas de conhecer mulheres para ver se “pega gosto pela coisa”.

Vai ter negação, vergonha, medo…

Muito medo!

E isso pode durar meses. Anos. Décadas.

No que diz respeito a assumir a própria sexualidade, cada caso é um caso.

De todas as formas, geralmente os homens tendem a atravessar 5 fases distintas, desde que começam a suspeitar da sua homossexualidade até que, de fato, revelam ela ao mundo.

Claro que nem todos vão passar por essas etapas de maneira linear.

Tem gente que, de cara, se identificará gay e viverá sua sexualidade sem pudores. Outros levarão anos reprimindo seus desejos, outros simplesmente terão um parceiro sem que ninguém saiba. E tem gente que levará a vida inteira sem nem ao menos sair da primeira fase….

Seja como for – e seja em que etapa você esteja – é interessante que conheça as outras que estão por vir. E também que comemore aquelas pelas quais já passou, por que não?

Veja a seguir:



Estágio 1: Confusão de Identidade
Quem sou eu?

Nesse primeiro estágio, homens começam a sentir atração pelo mesmo sexo, mas não entendem o que isso significa.

Às vezes, é aquela mesma atração que foi sentida pela primeira vez na infância ou adolescência, mas que, na época, foi considerada coisa boba de criança.

Com o tempo ela volta, e mais forte. De maneira que já não pode ser ignorada.

Será que sou gay? Será que sou bi?

É comum o indivíduo reprimir os seus desejos aqui. Também acontece com frequência de homens partirem para a experimentação: iniciam a ter relações sexuais com outros homens, mas, ainda assim, não se consideram homossexuais. Muitas vezes, negam a sua sexualidade por simplesmente se identificarem mais com o contexto heterossexual.

Então, encaram o seu comportamento como só uma fase de experiências novas, que se resumem apenas a interações sexuais. A “regra” é não ter envolvimento emocional. Vários, inclusive, nem aceitam troca de afeto ou beijo nesse período.

Isolação e alienamento para pensar na vida também são comuns nessa etapa. A pessoa pensa: será que isso é só uma fase? Será que vou gostar de homens para sempre?


Estágio 2: Auto identificação
Acho que sou gay

Depois de muito experimentar, ou, para os mais retraídos, depois de muito ver foto de homem pelado e buscar informação, vem a segunda etapa do processo.

Os homens nesse estágio iniciam a encarar de maneira séria a possibilidade de serem gays. Contudo, seja por medo, negação ou outro motivo, ainda não conseguem fazer essa afirmação com 100% de certeza.

Alguns podem se envolver afetivamente com outro homem e, mesmo assim, pensar que isso não será uma situação permanente.

Apesar da negação de muitos, nesse período já se observa nos homens uma resistência menor e uma tentativa de tentar entender, de uma vez por todas, a própria sexualidade.

É quando passam a frequentar ambientes LGBT em busca de suporte e novas amizades. Passo que, aliás, será fundamental para vencer os desafios seguintes.


Estágio 3: Auto aceitação
Sou gay e me aceito como sou

Finalmente, depois de experimentar, buscar ajuda e entrar em contato com o mundo LGBT, o homem neste estágio passa a aceitar a sua homossexualidade, sem pensar em voltar à pratica heterossexual.

É o fim da vida dupla. Das máscaras, da auto enganação, do fingimento. Nessa etapa, a pessoa passa a se identificar com a nova sexualidade e a criar novos vínculos de amizade e afeto com outros gays.

Nesse ponto, a pessoa já tem certeza do que quer e do gosta. Perguntas como “será que sou gay mesmo” dão lugar para “como faço para sair do armário, será que vão me rejeitar”.

É um misto de alívio e medo. Medo de como a sociedade, os pais, os filhos, os colegas de trabalho irão reagir quando souberem da notícia. Aliás, esta fase é mesmo marcada por preocupações, angústia e ansiedade.

Não existe voltar atrás: aqui o homem já sabe que a sua felicidade depende de viver plenamente a sexualidade.

Muitos começam, então, a sair do armário para amigos mais próximos como forma de ganhar confiança para assumir completamente a sua orientação sexual.


Estágio 4: Revelação
Sou gay e já não aguento viver no armário

Aqui é quando sair do armário não é uma questão de escolha, mas sim de sobrevivência. O homem passa a ficar sem ar lá dentro…

Para muitas pessoas, principalmente aquelas que nasceram em famílias tradicionais e religiosas, este tende a ser o momento mais dramático de todo o processo.

Muitos nessa altura já estão em um relacionamento estável, o que torna complicado o anonimato.

É a hora de tornar pública a sexualidade para, dessa forma, poder se relacionar com outros caras sem receio de ser descoberto a qualquer instante.

Para vencer esta etapa, é preciso muita autoconfiança e inteligência emocional. Nem todos conseguem…

Mas aqueles que possuem a atitude necessária para falar “eu sou gay” com todas as letras, certamente, têm uma vida mais muito mais autêntica.

Claro que muita gente inverte a ordem das coisas aqui: se assume gay, mas continua não se aceitando. Como disse antes, nem todos seguirão a mesma ordem cronológica dos fatos.


Estágio 5: Orgulho
Sou gay e tenho orgulho de ser quem sou

Poucos chegam nesse nível de saída do armário…

Homens nesse estágio não só aceitam plenamente a sua homossexualidade, como gostam muito da cultura e comunidade em que estão inseridos.

Não estou falando de sair em manifestações levantando a bandeira do arco-íris, nada disso.

Mas sim de olhar o espelho e sentir orgulho do que vê. De falar sobre a vida íntima sem que isso cause nenhum incômodo. De dizer que, se pudesse ter escolhido a própria orientação sexual, continuaria sendo gay. E que, se pudesse voltar no tempo, não faria nada diferente.

Porque ser gay, para esses homens, não é motivo de vergonha, muito menos de inferioridade. Pelo contrário: é algo que merece admiração. Algo que os fazem felizes, completos.

Não sei se esse é o seu caso, mas o fato é que você pode (e merece) e chegar nesse estágio. Você tem medo de sair do armário?





























Fonte

https://www.cartacapital.com.br/blogs/saudelgbt/o-drama-da-saida-do-armario-para-as-pessoas-lgbts/

https://conquistou.com/estagios-sair-do-armario/

https://gay.blog.br/noticias/dia-de-sair-do-armario-11-de-outubro/

https://www.brasildefatopr.com.br/2019/11/30/a-lgbtifobia-esta-saindo-do-armario-diz-um-dos-organizadores-da-parada-de-curitiba

http://www.anatete.com.br/sair-do-armario-e-preciso/


https://conquistou.com/estagios-sair-do-armario/


https://encenasaudemental.com/post-destaque/amor-sexo-e-tragedia-como-gregos-e-romanos-nos-influenciam-ate-hoje/



19 agosto 2023

FILMES PARA VER E PENSAR

FILMES PARA REFLETIR


1. VERÃO DE 85 (Été 85)

Verão de 85, é um filme franco-belga, que se enquadra na categoria de Drama romântico, rodado em 2019 escrito e dirigido por François Ozon, estreou em 2020. 


O filme narra a história de Alexis Robin (Félix Lefebvre) e David Gorman (Benjamin Voisin), 
Philippine Velge - Kate
Valeria Bruni Tedeschi - mãe de David
Melvil Poupaud - Lefèvre
Isabelle Nanty - mãe de Alexis
Laurent Fernandez - pai de Alexis
Aurore Broutin - educador
Bruno Lochet - Bernard
Yoann Zimmer - Luc
Antoine Simoni - Chris

A trama se desenrola em um cenário aparentemente perfeito para férias de verão no litoral Francês da Normandia, Eu, Le Tréport, Rue de la Commune de Paris, Yport, e Seine-Maritime na França, na década de 1980 (1985). A história é narrada em primeira pessoa por Alexis que nos mostra sua visão de um mundo cheio de drama, desilusão amorosa, amizades, questões de identidade e uma relação homoafetiva.

Locações do filme 

Dirigido e escrito para as telas por François Ozon, adaptado do romance “Dance on My Grave” de Aidan Chambers, e estrelado por Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Philippine Velge, Valeria Bruni Tedeschi, Melvil Poupaud, Isabelle Nanty e Laurent Fernandez, Verão de 85 (Été 85 em francês) foi lançado em 14 de julho de 2020, na França pela Diaphana Distribution. Sua estreia no Festival de Cinema de Cannes foi cancelada devido à pandemia de COVID-19. Este filme de drama ganhou um prêmio no CinEuphoria Awards 2021, além de 12 indicações para o César Awards 2021.

A estreia de “Verso de 85” estava previsto para ocorrer no Festival de Cannes em maio de 2020, antes de seu cancelamento devido à pandemia de COVID-19. Desta forma, foi lançado oficialmente na França em 14 de julho de 2020 e no Brasil em 2020 no Festival Varilux de Cinema Francês.

Como alguém pode pensar tanto na morte e ao mesmo tempo viver uma vida tão intensa como como em Été 85? O filme “Verão de 85”, dirigido por François Ozon, estrelado por Félix Lefebvre, Benjamin Voisin; é um drama romântico estreado em 2021 no Brasil.




















(…)
“Eu pensei, 
Foi por minha causa. 
Ele morreu com raiva, por minha causa . 
Não.
Foi porque ficou feliz por se livrar de mim. 
Ele correu para comemorar isso.
Finalmente ele achou sua bolha de tempo atemporal. 
Ele sonhou com isso ? 
Estava tentando realizar o sonho dele? 
Não, nada disso. 
Foi por causa da Kate. 
Não porque a amava. 
Ao contrário,
Arrependeu-se da aventura com ela. 
Morreu cheio de remorso. 
Eu não parava de pensar 
Que tinha sido culpa minha.
Se eu tivesse bolado quando ele me chamou ?
Mas ele me chamou? 
Eu queria ter estado naquela moto com ele. 
Eu não parava de pensar: David está morto, não é possível. Quero que ele ainda esteja aqui.”
(…) 









Cenas de Verão de 85.



Été 85 




No verão de 1985, em um locação idílica na Normandia, Alexis (Alex) (Félix Lefebvre), um jovem de 16 anos fascinado pela morte, sai com o barco a vela de um amigo, para comemorar as férias, numa tarde de ensolarada. Ele tira a roupa e recosta-se no barco e acaba dormindo. Uma tempestade inesperada se forma, fazendo com que o barco vire e ele se encontra em um péssimo momento, sozinho em mar aberto no começo da tempestade, sem saber como desvirar o barco e sem ninguém para pedir ajuda. Ao longe ele avista um pequeno barco que navega em sua direção, é David (Benjamin Voisin) de 18 anos e um mês. Um jovem extremamente carismático, decidido, afetuoso que vive intensamente cada momento da vida, que o salva do que poderia ser uma tragédia. 












































Entre os dois rapazes nasce, naquele momento, uma tumultuada história de amor, conduzida por David que parece ter encontrado o amor de sua vida, dando claras razões para que se pense assim.

Após esse incidente, eles ficam muito próximos e Alexis acaba trabalhando na loja da família de David, gerenciada por sua mãe viúva. Os dois acabam desenvolvendo um relacionamento apaixonado tórrido, em segredo. David dá a entender que Alex é o amor de sua vida o Sol de suas manhãs, e faz tudo para reforçar essa imagem. A história prossegue com David tornando Alexis o centro de sua vida, comprando presentes para ele, levando-o em aventuras de moto pelo litoral, ao parque, no cinema e em baladas noturnas.


Esses momentos terminam, instantaneamente quando David encontra uma garota na praia, Kate, começa a flertar com ela abertamente mesmo na frente de Alex. Kate uma garota inglesa que passa férias na cidade. (Pausa): David conhece Kate na praia e naquele mesmo instante começa a flertar com ela, assim, inicia um breve caso de amor com Kate, deixando Alexis totalmente de lado, esquecendo até de sua presença, despertando nele um sentimento de ciúmes. 

Depois do passeio de barco dos três, no outro dia, Alexis então, confronta David sobre o que está acontecendo, David reage de forma inesperada, dizendo que tudo estava bem, ambos estavam felizes, e q esse era o problema, mas Alex quer uma explicação do porque, David então diz enfaticamente que está cheio dele, que ele não pertence a ninguém, que ele não tem dono, e que ele quer experimentar mais, viver mais com outras pessoas.

Eles brigam e Alex joga uma pedra que estava em uma das prateleiras em David. Por sorte, ele desvia, mas Alexis derruba prateleiras na loja e sai correndo, pega a bike e volta desolado para casa, e se joga na cama inconformado por perder o amigo dos sonhos, o amor da vida dele. Ao levantar, mais tarde, ele fica sabendo, pela tv David se envolveu em um acidente com a moto e perde a vida. Alex, sente-se culpado, por supostamente ter causado a morte daquele que fora seu maior e mais intenso amor.

A mãe de David não quer ver nem falar com Alexis, a quem ela culpa pela morte de seu único filho. Alexis então pede a ajuda para Kate, a única que conhece ambos garotos. Assim, ele compartilha a história que viveu com David com Kate e implora sua ajuda para que possa ver David uma última vez. Kate tem um amigo que trabalha no necrotério da cidade, e ambos vão ver o corpo de David uma última vez. Disfarçado de mulher, Alexis vai junto com Kate para o necrotério, mas é descoberto e forçado a fugir após ter um surto e tentar abraçar David. 

Antes de morrer, David e Alexis fizeram um pacto (ideia de David), ambos prometem que, aquele morresse antes, o outro teria que dançar sobre seu túmulo e agora Alexis se sente obrigado, devido a culpa que sente, a cumprir esse pacto. Na primeira vez que Alexis vai ao cemitério ele tem um outro surto e começa a cavar o solo da sepultura com as próprias mãos, mas volta a si e vai embora. Ao chegar ele lembra que esqueceu de dançar sobre a sepultura e então volta levando um walkman, para dançar sobre a sepultura do amado. É uma cena linda, comovente, de uma perfomance ao som de “Sailing” de Rod Stwart. Seus seus movimentos transcendem tempo e ao espaço, ao desejo, à perda e cheia de um erotismo misturado com dor, a dor de uma perda absoluta. Alexis é preso pela polícia.

Graças a uma assistente social e seu professor de literatura, Alexis consegue escrever sua história e assim recebe uma sentença mais branda do juiz, em seu julgamento. 
Enquanto cumpria sua pena de 140 h de serviço social, juntando lixo na praia, Alexis reencontra o rapaz que estava bêbado e que ambos (Alexis e David) resgataram de ser atropelado por carros na cidade e os dois saem juntos no barco de David, o Calypso, iniciando assim uma nova amizade ou uma novahistória de amor.






































“Foi a noite mais bela da minha vida, e foi com meu amigo David.”








































Na adolescência tudo se torna mais intenso, interessante e dramático. A mensagem que o filme quer passar com a obsessão de Alex pela morte e sua paixão avassaladora de 6 semanas por David é a de que todos amamos a imagem que temos do outro, não amamos o outro real, com seus defeitos, erros, e idiossincrasias, mas amamos uma imagem edulcorada do outro, uma ideia que fazemos do amor. O amor por si só não pode ser abarcado ou limitado, sendo portanto sublime, i.e., uma experiência transcendental.

A história de Alex tem muito de sua busca por explicações razoáveis para vida e sua  obsessão  pela morte, pela ideia da morte, não dos cadáveres, o resíduo q sobra da morte. 

Assistindo sentimos a agonia e paixão do protagonista, é impossível não se identificar com o personagem, suas dores, seu desejo, seu amor e nisso o filme cumpre seu papel aos moldes de uma tragaria grega. 
Claro que tudo acontece com uma rapidez proporia dos anos 1980, e tudo é intenso demais e rápido demais. Ao vivenciarmos a história narrada já estamos esperando a tragédia que é anunciada nas cenas iniciais. O que deduzimos nas cenas iniciais de um jovem sendo conduzido por um policial pelos corredores até sentar e esperar ser chamado para algo (prisão, julgamento?) é que Alex tenha mesmo cometido um homicídio e portanto é um criminoso.

Ao longo do desenrolar da narrativa dessa história de amor de verão, somos conduzidos em uma direção, e nosso sentimento de admiração pelo protagonista se mescla com a repulsa que temos contra quem mata outra pessoa. Mas nada disso é a verdade. 

A verdade é que morre o amor recém nascido entre os dois garotos e o sentimento de culpa e desejo que toma conta do protagonista se mistura a um amor ideal que existe apenas no mundo das ideias. Desejo que nos conduz as lágrimas quando ele dança sobre a sepultura do amado na escuridão da noite. 

Espero que você se emocione, reflita e se coloque no lugar do outro (do protagonista (do grego πρωταγωνιστής, protagonistes, de πρῶτος, prótos, primeiro e ἀγωνιστής, agonistès, agonista, ator, lutador; ἀγών, ágón, disputa, exposição, combate) ou do antagonista (do grego: ἀνταγωνιστής, antagonistes, oponente, competidor, rival, é um personagem, grupo de personagens, ou uma instituição, que representa a oposição contra a qual o protagonista tem de lutar), ou de ambos para então experimentar todos os sentimentos que a história nos coloca. 

A meu ver existem dois protagonistas que lutam cada um a sua maneira contra o antagonista que é o amor em si, um limiar que ambos tem que cruzar. Alexis se entrega totalmente a esse amigo que em sua visão representa o supremo sentimento que ele procurou todo tempo, enquanto David nunca cruza esse limiar ele se deleita em seduzir e amar intensamente alguns, seja homem ou mulher, e quando percebe que o outro alcançou o que buscava ele se desinteressa e parte para outra conquista. 
Em algum momento David soube que Alexis era seu verdadeiro amor mas mesmo assim, disse o que disse, e fez o que fez, e talvez por isso o seu final tenha sido trágico. 
A sensação de perda e a dor da perda bem como sua racionalização e a busca (talvez) por voltar atrás o levou ao desfecho fatal.

Longe de ser um juízo moral,  dicotômico de bem vs mal, de belo vs feio, sublime vs limitado, ele fica sempre no limiar de cruzar esse portal. Talvez esse portal tenha sido cruzado de maneira definitiva quando ele perde a vida ao sair atrás de Alexis. 

Mas há todas as possibilidades levantadas pela razão de Alex que não nos dá elementos para saber com certeza se ele saiu para recuperar o amor de sua vida ou para comemorar que tinha se livrado de mais um…

O filme também traz a tona como cada um de nós lida com nossos próprios sentimentos de amor, idealização do outro, paixão, perda, morte e luto, e como se descobrir no mundo e viver essa descoberta é inexorável, profundo, intenso e sublime como uma categoria estética. 

Essa experiência transcendental do amor, inspira uma espécie de respeito diante dessa força que nos é própria e que Kant a nomeia como liberdade. A liberdade buscada por David e que encontrou na tragédia final, e que Alexis intuiu e materializou dançando sobre o túmulo de seu amado. 




Fonte


Verão de 85: Francois Ozon, Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Jean-Claude_Moireau_2020_