INÍCIO

22 dezembro 2023

SOLSTÍCIO DE DEZEMBRO 2023

SOLSTÍCIO DE DEZEMBRO
OU SOLSTÍCIO DE VERÃO 2023


Solstício e equinócios se alternam ao longo do ano a medida que a Terra órbita o Sol. (Fonte:ccvalg)

O Solstício de dezembro ou solstício de verão é um evento astronômico que marca o início dessa estação no hemisfério sul. Em 2023, o solstício de verão ocorre no dias 22 de dezembro às 00h27min. Nesse dia o Sol, em seu deslocamento aparente no céu, chega à sua distância máxima do equador, que é 23° 27’ Sul, ao norte da cidade de São Paulo, cuja latitude é igual a 23,5505° S (23°32’ Sul).

À medida que a Terra orbita em torno do Sol, com o equador inclinado de 23°27’ em relação ao plano orbital (eclíptica), muda o paralelo da Terra que recebe incidência direta do Sol ao meio-dia. Disso resultam as estações do ano. (Fonte: UFRGS).

Posição do planeta Terra ao longo de sua órbita e a incidência dos raios solares, ao longo do ano. (gifs de Física).

Comprimento em km de dois principais círculos (paralelos) terrestres.  

Posições do Sol na eclíptica no início de cada estação . Em 21 de março e em 23 de setembro o Sol está no equador, e temos os equinócios; em 22 de junho e 22 de dezembro o Sol atinge seu máximo afastamento do equador, e temos os solstícios.(Fonte: UFRGS).



Solstícios de verão e inverno. Símbolos: ♋︎, Câncer, ♑︎, Capricórnio, a barra com a letra “a” representa o período de 6 meses. 

Cancer (♋︎), grego, Καρκίνος, Karkínos, caranguejo; é o quarto signo do zodíaco. O trópico de Câncer é o trópico ao norte do equador terrestre, correspondendo ao paralelo 23.4378° (23º26’16") de latitude norte. Junto com o equador, delimita a zona tropical norte. Projetado no céu, contém a declinação mais setentrional da Eclíptica em relação ao equador celeste.
Capricórnio (♑︎), grego, Αιγόκερως, Aigókerōs, cabra com chifres, cabra-peixe. O trópico de Capricórnio é o paralelo situado 23.4378° ao sul do equador terrestre (23º26’16" de latitude sul). Delimita junto com o equador a zona tropical sul. Projetado no céu, contém a declinação mais meridional da Eclíptica em relação ao equador celeste. A área da Terra limitada pelo Trópico de Câncer e pelo Trópico de Capricórnio, cujo centro é a Linha do Equador, é denominada “região tropical” ou região intertropical. Ao norte do Trópico de Câncer e ao sul do Trópico de Capricórnio, o sol nunca alcança o zênite do observador. (WP). A barra branca com a letra “a”, na imagem acima representa um período de seis meses entre os dois eventos solstício de verão e inverno). 

Os paralelos e meridianos terrestres são linhas imaginárias criadas para facilitar a localização de qualquer ponto no planeta terra. Entre as linhas principais estão os trópicos de Câncer e Capricórnio, Linha do Equador, e os dois Círculos Polares, o Ártico e o Antártico.

Com relação aos trópicos de Câncer e Capricórnio  a localização desses dois circulos foram escolhidos conforme a posição do sol em relação à terra. 

Quando o inverno inicia no hemisfério sul, os raios solares incidem perpendicularmente sobre a linha do Trópico de Câncer há 23,5° N, nome que vinha da constelação de Câncer, em grego antigo, Καρκίνος, Karkínos, “o caranguejo” onde o Sol estava no momento em que foi estudada e observada pela primeira vez.

Já quando o verão começa no hemisfério Sul, os raios solares incidem verticalmente sobre uma única linha no planeta: o Trópico de Capricórnio. Nesse momento, na direção do Sol, estava a constelação de Capricórnio, e daí convencionou-se chamar a essa linha de trópico de Capricórnio. 

O Trópico de Câncer e de Capricórnio, junto com o Equador, os Círculos polares definem as zonas climáticas da Terra: Zona Polar Ártica, Zona Temperada Norte, Zona Tropical, Zona Temperada Sul, Zona Polar Antártica.

Trópicos de câncer e Capricórnio.
Quando essas linhas de latitude foram nomeadas antes de Cristo, o Sol estava na constelação de Câncer grego, Καρκίνος, Karkínos, (latim para caranguejo) no solstício de junho, época do ano em que o Sol atinge seu zênite nesta latitude. Devido à precessão dos equinócios, este não é mais o caso; hoje o Sol está em Gêmeos no solstício de junho. A própria palavra “trópico” vem do grego, τροπή, tropé, que significa giro, mudança de direção ou circunstância, inclinação, referindo-se ao fato de que o Sol parece “voltar” uma vez por ano a essas linhas ocasionando os solstícios. (WP, britânnica, mundoeucacao)

Trópico de Capricórnio, passa pela latitude aproximada de 23°27′ S do Equador terrestre. Esta latitude corresponde à declinação mais meridional sul da eclíptica em relação ao equador celeste. No solstício de inverno (solstício de dezembro) no Hemisfério Norte, por volta de 21 de dezembro, o Sol está diretamente sobre o Trópico de Capricórnio e encontra-se dentro dos limites da constelação de Sagitário, tendo atingido a sua declinação mais meridional na eclíptica. Antigamente, porém, aparecia na constelação de Capricórnio no solstício de inverno, daí o nome Trópico de Capricórnio. Devido à mudança gradual na direção do eixo de rotação da Terra, na precessão dos equinócios, o Sol reaparecerá na constelação de Capricórnio em aproximadamente 24.000 anos.

Logo, o evento do solstício de verão ou solstício de dezembro, determina o inicio da estação do verão no dia 22 de dezembro às 00h27 (em 2023), com o Sol exatamente acima do Trópico de Capricórnio (latitude onde localiza-se a cidade de São Paulo). A estação mais quente do ano terminará, então em em 20 de março de 2024.

Como já mencionado, o solstício de verão ocorre no instante em que o Sol em seu movimento aparente para o sul chega no trópico de Capricórnio e inicia sua longa jornada para o norte em direção ao trópico de câncer, passando pelo Equador onde ocorre o equinócio. 

Por isso os antigos chamaram esse momento de solstício: sol estático. Quando o sol chega a 23°27’ (23,5°), e aparentemente para de se mover para o sul e começa a voltar para o norte. 

Assim, o hemisfério da Terra em que o sol está diretamente acima, recebe mais energia da estrela e a temperatura aumenta, temos as grandes tempestades e pouca influência das frentes frias.

Esse movimento aparente do Sol é na real o movimento da terra ao redor do sol. E esse movimento, causa a precessão do eixo de rotação da Terra.

PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS 

A precessão é um efeito devido à ação das forças diferenciais gravitacionais do Sol e da Lua no planeta Terra.

Os movimentos mais importantes do nosso planeta (WP).

Giroscópio, mostrando o movimento de precessão de seu eixo, que descreve um cone a medida que rotacional ao redor de seu eixo.(WP)

A Terra não é esférica, mas sim achatada nos pólos e bojuda na linha do equador, onde o diâmetro equatorial é cerca de 40 km maior do que o diâmetro polar; diferença determinada pelo astrônomo francês Jean Richer (1630-1696). Somado a este fato, o plano do equador terrestre, ou plano do bojo equatorial, está inclinado 23° 26' 21,418" em relação ao plano da eclíptica, que por sua vez está inclinado 5° 8' em relação ao plano da órbita da Lua. Apresentando um ciclo de precessão de 25 770 anos, correspondente à variação da Eclíptica em relação à linha do Equador.

Isto faz com que forças diferenciais (que ficam mais significativas nos dois bojos da Terra) tendam não apenas a torná-la mais achatada, mas também a "endireitar" o seu eixo, alinhando-o com o eixo da eclíptica.

Estando a Terra em rotação, seu eixo não se alinha com o eixo da eclíptica, mas precessiona em torno dele; da mesma forma que um pião posto a girar precessiona em torno do eixo vertical ao solo.

A precessão do eixo da terra ou precessão axial é o movimento do eixo de rotação de um corpo astronômico, em que o eixo traça lentamente um cone. No caso da Terra, esse tipo de precessão também é conhecido como precessão dos equinócios, precessão lunisolar ou precessão do equador. A Terra passa por um ciclo precessional completo num período de aproximadamente 26.000 anos ou 1° a cada 72 anos, durante o qual as posições das estrelas mudarão lentamente tanto nas coordenadas equatoriais como na longitude eclíptica. Ao longo deste ciclo, o pólo axial norte da Terra move-se de onde está agora, dentro de 1° da Polaris, num círculo em torno do pólo da eclíptica, com um raio angular de cerca de 23,5°.

O antigo astrônomo grego Hiparco (c. 190-120 aC) é geralmente aceito como o primeiro astrônomo conhecido a reconhecer e avaliar a precessão dos equinócios em cerca de 1° por século (o que não está longe do valor real para a antiguidade, 1,38 °).

Segundo Tarsia (1999), a precessão da Terra foi descoberta por Hiparco em 129 a.C., ao comparar suas medidas de posição da estrela Spica (a Virginis) com as de Timocharis, feitas em 273 a.C.. A variação desta posição foi interpretada por Hiparco como uma rotação da esfera das estrelas fixas em torno de um eixo perpendicular ao plano da órbita da Terra (a eclíptica). Foi Copérnico quem deu a interpretação correta através de sua teoria heliocêntrica: o eixo de rotação da Terra descreve um cone de revolução em torno do eixo perpendicular à eclíptica, no sentido retrógrado em relação ao movimento da Terra em torno do Sol. Finalmente, Newton foi o primeiro a descrever a precessão com argumentos geométricos.

Hiparco, em grego Ἵππαρχος, Hipparkhos; c. 190 - c. 120 a.C. foi astrônomo, geógrafo e matemático grego. É considerado o fundador da trigonometria, mas é mais famoso por sua descoberta da precessão dos equinócios. Hiparco nasceu em Nicéia, na Bitínia, e provavelmente morreu na ilha de Rodes, na Grécia. Ele é conhecido por ter trabalhado como astrônomo entre 162 e 127 a.C. É também considerado o maior observador astronômico da antiguidade e, por alguns, o maior astrônomo geral da antiguidade. Ele foi o primeiro cujos modelos quantitativos e precisos para o movimento do Sol e da Lua sobreviveram. Para isso certamente valeu-se das observações e talvez das técnicas matemáticas acumuladas ao longo dos séculos pelos babilônios e por Meton de Atenas (século V aC), Timócaris, Aristilo, Aristarco de Samos e Eratóstenes, entre outros.


CELEBRAÇÃO DO SOLSTÍCIO DE INVERNO

Celebração do solstício de inverno no hemisfério norte, verão no hemisfério sul.

Há milhares de anos, provavelmente datando do paleolítico e início da Era do bronze a humanidade celebra o solstício de dezembro (inverno), momento em que o Sol para seu deslocamento em direção ao sul e inicia seu retorno para o equador (equinócio) e por fim chega ao trópico de câncer, solstício de junho, verão, no hemisfério norte.

O comportamento cíclico do Sol, observado cuidadosamente ano após ano, através da mudança das estações e suas implicações na natureza, marcavam a entrada do signo de Capricórnio e inspirou os povos antigos do hemisfério norte a marcar esta ocasião como uma época de celebração e generosidade. Uma celebração pela volta do astro que da vida e a mantém.

Nos festivais do Yule e Yuletide do norte da Europa, como o Festival Yalda (um festival de inverno iraniano), são termos indo-europeus arcaicos usados ​​para se referir à antiga tradição de observar as mudanças naturais causadas pela rotação da Terra em torno do Sol em decorrência da inclinação do seu eixo, e seus efeitos na colheita de alimentos, frutos e grãos, durante o solstício de inverno. 
Na celebração natalina, como naquela, costuma-se cantar canções de agradecimento e súplica além de para proporcionar um ambiente descontraído, feliz e amistoso.

Nesses festivais as tribos germânicas iam para a floresta e traziam para o povoado a maior tora que podiam transportar e a incendiavam em honra ao retorno do Sol, ao hemisfério norte. Cada faísca do fogo simbolizava o nascimento de um bezerro ou um leitão na próxima primavera. As tradições do Yule variam entre as tribos, mas uma coisa estava sempre presente: a festividade é sobre luz, a celebração da vinda de dias mais longos e mais quentes.

Festival de Yule (WP)

Como no resto da Europa, na Roma Antiga, e em todo o império romano, eram celebradas as Saturnálias, festival em honra do deus Saturno o deus romano da geração, dissolução, abundância, riqueza, agricultura, renovação periódica e libertação. Em sua evolução posterior, também se tornou também o deus do tempo, um Deus equivalente ao deus grego Cronos. Saturno era a principal divindade para os romanos. Esse Deus era também regente do signo de Capricórnio, Capricornus, em grego, Αιγόκερως, Aigókerōs, termo latino para “cabra com chifres” é o décimo signo astrológico do zodíaco de um total de doze e no céu vai do grau 270 a 300 do círculo zodiacal.

A Saturnália era um festival realizado pelos romanos antigos para celebrar o que chamavam de “renascimento” do ano, para marcar o solstício de dezembro ou de inverno no calendário juliano, prevalente no império romano e na Europa durante séculos, que, curiosamente, era celebrado em 25 de dezembro. 

A celebração pagã Saturnália, em honra ao Deus Saturno, o deus romano da agricultura e do tempo, começou como um único dia, mas no final da República (133-31 a.C.) expandiu-se para um festival de uma semana começando em 17 de dezembro. vez, o solstício de inverno caiu em 25 de dezembro.

Porém, a festa começava oito dias antes, em 17 de dezembro, quando as normas que ordinariamente regiam a sociedade eram invertidas: os homens se vestiam de mulher e os senhores se vestiam de servos.

As saturnálias reuniam as comemorações pelo fim do ano agrário e religioso, somados também ao fim de um ano velho e início de outro ciclo novo, enchendo os romanos de esperanças e expectativas quando as próximas colheitas e o ano que começava. Também rememoravam os tempos da Idade de Ouro, em que havia abundância e igualdade entre todos os seres humanos, uma época abençoada que há muito ficou para trás, além de honrar os antepassados. 

Durante as festividades, que duravam entre cinco até doze dias, iniciando dia 17 de dezembro, os participantes tinham o hábito de saudarem-se com “io Saturnália”, acompanhado por doações simbólicas ou troca de pequenos presentes como figuras de cera e terracota ou velas simbolizando o final da escuridão. O objetivo era fazer o outro rir, e por isso os presentes eram eróticos e hilários. 

A Saturnália foi comemorada até depois da Era Cristã, mas em meados do século IV, teria sido absorvida pelas comemorações do Natal, instituído pela nova religião do império, o cristianismo, havendo uma continuidade nas festividades especialmente na prática da troca de presentes oriundas do festival pagão.

Como podemos observar, a escolha de 25 de dezembro como a data do nascimento de Jesus não tem nada a ver com a Bíblia; ao contrário, foi uma escolha bastante consciente e explícita de usar o solstício de inverno para simbolizar o papel de Cristo como a luz do mundo, (MacCulloch, 2021). 

Os costumes festivos e desregrados da Saturnália na mesma época do ano naturalmente migraram para a prática cristã, uma vez que no século IV d.C., o Cristianismo estava se tornando mais proeminente na sociedade romana. As novas crenças seriam mais bem aceitas se não entrassem em conflito com antigos costumes não cristãos, além de procurar um sincretismo entre a divindade comemorada nesse momento particular do ano.

Na mitologia greco-romana, Capricórnio, ou bode do mar, é a lembrança do cabrito Aegipan, que foi colocado por Zeus entre as constelações porque ele foi amamentado junto com Zeus, pela cabra Amalteia.(WP)

Foi o general e escritor romano, Germanicus Julius Caesar (15 a.C -19 d.C) que, no primeiro século d.C., ao fazer uma tradução livre do livro Phainomena de Arato, Arato de Solos, Άρατος ο Σολεύς; (Cilícia, 315 a.C. - 240 a.C.) associa Capricórnio não a Pã, mas a uma criatura híbrida de cabra com cauda de peixe chamada Aegipan, irmão de leite e adotivo de Júpiter ( irmão de leite pois fios amamentado junto com Zeus pela cabra Amalteia. Amalteia, em grego antigo, Ἀμάλθεια; na mitologia grega, foi a ninfa que possuía a cabra Aix que cedeu leite a Zeus recém-nascido.(WP)
Em uma variante do mito, a cabra era quem se chamava Amalteia. Em outra variante, Amalteia era uma deusa teriomórfica (forma animal), possuindo chifres. Ao se tornar rei dos deuses, Zeus, em sinal de agradecimento, concedeu um poder especial aos chifres de Amalteia, aquele que os possuísse poderia obter tudo o que desejasse, daí a lenda do corno da abundância ou “cornu copĭae”, cornucópia, também chamado Corno de Amalteia. Aegipan descobriu um instrumento musical, a concha, que utilizou na luta dos deuses contra os gigantes Titãs, assustando-os. Como recompensa, Zeus colocou-o entre as estrelas como a constelação de Capricórnio. Outra vertente da tradição, afirma que o Capricórnio foi criado a partir da guerra dos deuses contra os Titãs, a titanomaquia, quando Pã escapou para o rio Nilo, e a metade do seu corpo submerso tornou-se cauda de peixe. Quando a guerra  terminou, Zeus o colocou como uma das constelações no céu noturno.

Grande parte dessas celebrações e festividades pagãs pre-cristãs desapareceu como festa oficial, entretanto muitas práticas rituais foram transmitidas e incorporadas às festas de Natal, do nascimento de Jesus Cristo e também à Véspera do Ano Novo, como festejar com a família, amigos, tricar presentes, cantar e dançar.

Festas pagãs como lembrança do conhecimento do céu

As festas dos solstícios e equinócios, Páscoa e Natal, antes do cristianismo, eram celebradas em honra a deusas e deuses que patrocinavam bons tempos, boas colheitas e felicidade da sociedade. Longe de ser algo puramente místico, tratava-se de manter vivo um conhecimento do céu, da terra e de eventos universais cíclicos que regulavam a vida da sociedade.

O surgimento da Páscoa remonta à Antiguidade e a sociedades que celebravam o início da primavera após um rigoroso inverno no Hemisfério Norte. Era celebrado no primeiro domingo após a primeira lua cheia depois do equinócio vernal. 

Essas celebrações tinham relação com a agricultura, uma vez porque a maior incidência de luz solar e a temperatura mais elevada faz com que a natureza entre em um ciclo reprodutivo e exuberante (Degan s/d). A Europa antes do cristianismo também celebrava a chegada da nova estação através de festividades à deusa “pagã” Ostara. A deusa da mitologia nórdica, anglo-saxã e germânica também é conhecida como Eostre, Ostera ou Easter.

A deusa Ostara, ( in (Degan s/d).

“Easter” em inglês, “Ostern”, em alemão vêm de Ostara, que é a deusa da primavera, da fertilidade e do renascimento. Os símbolos de Ostara incluem ovos, coelhos e flores da primavera, que denotam a fertilidade e a esperança da vida que vem com a nova estação. (Degan s/d).

Assim, ao pautarmos nossa vida pelos ritmos da natureza, nossa vida adquire um significado mais humano e mais inclusivo. O imperialismo, o capitalismo, e as religiões abraâmicas pasteurizaram e erodiram esse conhecimento que vem do paleolítico e chegou até a modernidade e impulsionou a ciência. 
Não há como negar que existe uma ligação essencial entre a ciência e esses temas caros ao homem. A astronomia, a medida do tempo, a confecção do calendário são exemplos cristalinos dessa relação. 

No solstício de dezembro, o Sol em seu movimento para o Sul se detém, paralisa seu afastamento do trópico de câncer, i.e., cega ao trópico de Capricórnio a 23,27° S, e inicia sua volta para o hemisfério norte até o trópico de câncer 23,27° N. A partir desse dia, 22 de dezembro, as horas de luz aumentam aumentam e as de escuridão diminuem.

Olhando a história da humanidade e dos nossos antepassados, percebemos que não importa muito qual é a sua crença ou religião, a forma como você comemora ou os seus rituais de celebração, basta apenas ter consciência de que buscamos um "algo maior" de que toda a humanidade comunga. Um mundo de igualdade, esperanças de paz, alegria, saúde e prosperidade e que nossa existência sendo efêmera nesse mundo, necessitamos  definitivamente nos preocupar com esses ciclos de renovação da natureza para que continuemos a evoluir nesse mundo. Não há um planeta B. 

A todos, muita prosperidade, paz, uma vida digna é muito amor em vossos corações!




















Fonte

















20 dezembro 2023

ANTÍFONAS DO Ó 2023

 ANTÍFONAS DO Ó 

A primeira estrofe está escrita em latim 
e abaixo está a tradução para o português.





I
Die 17 Decembris 

O Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodistii,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiæ.

Dia 17/XII

Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo e
atingido os confins de todo o universo
e tudo dispondo com força e suavidade:
Óh Vinde ensinar-nos o caminho da prudência! 


 





II
Die 18 Decembris 

O Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento. 

Dia 18/XII 

Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moisés na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Ó Vinde resgatar-nos pelo poder do Vosso braço. 









III
Die 19 Decembris 

O Radix Jesse
qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges os suum,
quem gentes deprecabuntur:
Veni ad liberandum nos;
jam noli tardare. 

Dia 19/XII 

Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais. 






IV
Die 20 Decembris 

O Clavis David
et sceptrum domus Israel:
qui aperis, et nemo claudit;
claudis et nemo aperit:
Veni, et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis. 

Dia 20 de dezembro 

Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte. 






V
Die 21 Decembris 

O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis. 

21 de dezembro 

Ó Oriente ( Oh Sol nascente)
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte. 





VI
Die 22 Decembris 

O Rex gentium
et desideratus earum
lapisque angularis,
qui facis utraque unum:
Veni et salva hominem quem de limo formasti. 

Dia 22 de desembro

Ó Rei das nações
Desejado por todos, (desejado dos povos)
Ó pedra angular
que os opostos unis:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes. 






VII
Die 23 Decembris 

O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium, et Salvator earum:
Veni ad salvandum nos,
Domine Deus noster.
Amen 

Dia 23 de dezembro 

Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvar-nos,
Senhor nosso Deus.
Amém




Leonardo da Vinci, A Anunciação, (L’annunciazione) (1472-1475).
 Técnica: pintura a óleo sobre painel de madeira 
Dimensões: 98,4 cm × 217 cm 
Galleria degli Uffizi, Florença, Itália.


Veni, veni Emmanuel 
(Medieval Advent Hymn)

https://youtu.be/tCAFXoL4N6M



Uma imagem de Maria, grávida, proveniente da República Checa.


REFLEXÕES PARA AS 
ANTÍFONAS MAIORES


Ó Sabedoria (Dia 17/12)

O Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodistii,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiæ.


ANTÍFONA 

“Ó Sabedoria que saístes da boca do Altíssimo, 
e atingis até os confins de todo o universo 
e com força e suavidade governais o mundo inteiro: 
Ó vinde ensinar-nos o caminho da prudência!” 


MEDITAÇÃO 

Cristo é força e sabedoria de Deus (1Cor 1,24). O profeta Isaías quando descreve os dons que o Espírito do Senhor concede ao Menino, ao Emanuel (Deus conosco), coloca em primeiro lugar o espírito de inteligência e sabedoria (Is 11,2). Quem é sábio age com prudência (1Rs 3,9.12). Na espera amorosa do nascimento, pedimos a Deus Pai que possamos descobrir, nos ensinamentos de seu Filho, a prudência como o dom de sua sabedoria infinita, a guiar-nos em nossas ações. 


Ó Adonai (Dia 18/12) 


O Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento.


ANTÍFONA 

“Ó Adonai, guia da casa de Israel, 
que aparecestes a Moisés na sarça ardente 
e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: 
Ó vinde salvar-nos com o braço poderoso!” 


MEDITAÇÃO

Adonai, isto é, Senhor, é o nome santo de Deus, o libertador (Ex 6,6; Dt 16,5-9). O salmo 130 proclama a esperança de quem confia na vinda do Senhor (5-8). Para os cristãos esta espera é uma realidade. O Senhor veio e ofereceu sua vida para o resgate de todos. Jesus, o Emanuel, o Deus conosco nos acompanha em todas as situações de nossa vida.


Ó Raiz de Jessé (Dia 19/12)

O Radix Jesse
qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges os suum,
quem gentes deprecabuntur:
Veni ad liberandum nos;
jam noli tardare.

ANTÍFONA


Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, 
levantado em sinal para as nações! 
Ante vós se calarão os reis da terra, 
e as nações implorarão misericórdia: 
Ó Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!”



MEDITAÇÃO

Segundo a promessa, o Messias pertenceria à dinastia de Davi, cujo tronco é Jessé (2Sam 7,5ss), o qual brotará (Is 11,1). O Menino Jesus, para cumprir a profecia, nasceu “em Belém da Judeia”, a cidade de Davi (Mt 2,5-6; Mq 5,1). Ele vem ao nosso encontro para nos salvar, libertando-nos sem demora.

Ó Chave de Davi (Dia 20/12)

O Clavis David
et sceptrum domus Israel:
qui aperis, et nemo claudit;
claudis et nemo aperit:
Veni, et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis.

ANTÍFONA

“Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel,
que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre:
Ó vinde logo e libertai o homem prisioneiro,
que nas trevas e na sombra da morte, está sentado!”


MEDITAÇÃO

A chave é símbolo do poder com autoridade (Is 22, 22). O Messias, Jesus de Nazaré, recebeu do Pai todo o poder no céu e na terra (Mt 28,18; Ap 1,18); em suas mãos estão “as chaves do Reino” (Mt 16,19). Ele tem em suas mãos a “Chave de Davi” (Ap 3,7) e anuncia, ainda hoje, a liberdade aos cativos (Lc 4,18).


Ó Sol Nascente (Dia 21/12)

O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis.


ANTÍFONA

“Ó Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna:
Oh, vinde e iluminai os que jazem entre as trevas
e na sombra do pecado e da morte, estão sentados!”


MEDITAÇÃO

A profecia anunciou que Deus mesmo seria a Luz do seu povo (Is 60,19-20). E nós, hoje, vivendo em meio às trevas do mundo, da confusão de valores e ideais de nossa época, pedimos que o esplendor da luz, que irradia o Presépio, penetre na obscuridade do mundo, para que todos os homens e mulheres se beneficiem desse resplendor divino, que é Jesus Cristo. Sim, “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz!” (Is 9,1).


Ó Rei das Nações (Dia 22/12)

O Rex gentium
et desideratus earum
lapisque angularis,
qui facis utraque unum:
Veni et salva hominem quem de limo formasti.

ANTÍFONA

“Ó Rei das nações. Desejado dos povos;
Ó Pedra angular, que os opostos unis:
Ó, vinde e salvai esse homem tão frágil, 
que um dia criastes do barro da terra!”


MEDITAÇÃO

Os salmistas cantam frequentemente a realeza do Senhor (Salmos 24; 47; 96; 97; 98; 99); os profetas anunciam que o Menino será o “Príncipe da paz”, e estenderá seu poder assegurando a paz, porque seu reinado se consolidará no direito e na justiça (Is 9,1-6). Ele é o Rei que assumiu nossa fragilidade humana, elevando-a, fazendo-nos, pelo mistério de sua Encarnação, Morte e ressurreição, participantes de sua natureza divina! Assim, o Rei é, ao mesmo tempo, o bom Pastor!


Ó Emanuel (Dia 23/12)

O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium, et Salvator earum:
Veni ad salvandum nos,
Domine Deus noster.
Amen 


ANTÍFONA

“Ó Emanuel: Deus conosco, nosso Rei Legislador,
Esperança das nações e dos povos Salvador;
Vinde, enfim, para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus!”

AMÉM 



MEDITAÇÃO

“Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, (que traduzido significa): “Deus está conosco” (Mt 1,22-23; Is 7,14). O Menino, o Jesus de Nazaré, é a definitiva presença de Deus, que responde realmente ao nome de Deus-conosco. Ele é nossa Esperança e nossa Salvação!
Para concluir essa meditação, preparando-nos para o Natal do Senhor, retomo as palavras animadoras de Sua Santidade, o Papa Francisco: 

“Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada” (Evangelii Gaudium, 5).

Giovanni Bellini, A Anunciação, 1489 (técnica: Óleo sobre tela, dimensões: 225 x 212 cm, Gallerie dell’Accademia; Venezia, Itália). Giovanni Bellini era também chamado, em sua terra natal de Giambellino, (Venezia c. 1430 - 1510). 


As Antífonas do Ó são sete antífonas especiais, cantadas no tempo do advento, especialmente de 17 a 23 de dezembro antes e depois do Magnificat, na hora canônica das Vésperas. São assim chamadas porque tem início com esse vocativo e foram compostas entre o sec. VII e o sec. VIII, sendo um compêndio de cristologia da antiga Igreja Cristão, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento , como da Igreja no Novo textamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. Expressam a admiração da igreja diante do mistério de Deus feito homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: «Vem, não tardes mais!». 

Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo testamento. 

A reforma litúrgica pós Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao papa Gregória Magno mais ou menos em 604 d.C.





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