INÍCIO

Mostrando postagens com marcador CINEMA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CINEMA. Mostrar todas as postagens

16 agosto 2025

PESQUISADORES DESCOBREM A ORIGEM DA BATATA


LA PAPA
A BATATA


(1)


(1)

(1)

(1)

(1)

(1)

(1)

(1)

(1)

(1)



PAPALISA
OUTRA BATATA ANDINA IMPORTANTE
ILLUCUS TUBEROSUS CALDAS, 1809


As cores das batatas illuco (1)
Ullucus é um género monotípico de plantas com flor pertencente à família Basellaceae, nativo da região andina da América do Sul. A única espécie validamente descrita é Ullucus tuberosus, conhecida pelo nome comum de oluco ou uluco, cultivada para produção de tubérculos ricos em amido e secundariamente como hortaliça, sendo uma das colheitas de raiz mais extensa e economicamente importantes na região andina da América do Sul, perdendo somente para a batata.

Illucus tuberosidade Caldas, 1809.

Día Nacional de la Papa: Perú tiene más de 3,500 variedades de este cultivo andino.
(Título de uma matéria de um jornal peruano que não lembro o nome).



ORIGEM DA BATATA ANDINA
(1)

Tomate para batata? “To-mah-to” para “po-tah-to”? Acontece que podemos agradecer ao tomate pela nossa amada batata.

Um novo estudo, publicado na revista Cell, rastreou as origens genéticas da batata moderna. Os resultados mostram que um cruzamento entre um parente antigo do tomate e outra planta há oito ou nove milhões de anos deu origem à primeira batata. Esse "romance" vegetal resultou em uma combinação genética que produziu um tubérculo grosso e rico em amido, o nascimento do icônico alimento que todos conhecemos e amamos. 



(Como a batata passou de proibida a amada.)


Como os pesquisadores rastrearam a linhagem da batata 

Mais do que apenas um ingrediente delicioso em nossas refeições favoritas, a batata é a terceira cultura básica mais importante do mundo. Ela pode ser cultivada plantando parte de um tubérculo no solo, que cresce em uma nova planta, um clone da original, que pode acumular mutações ruins ao longo do tempo. 

A batata como a conhecemos hoje contém muitas mutações que podem torná-la mais frágil. “Gostaríamos de eliminá-las”, diz Sanwen Huang, biólogo de genomas do Instituto de Genômica Agrícola de Shenzhen, na China, que participou do estudo. Ele está em uma missão para desenvolver um novo híbrido de batata, com menos mutações prejudiciais e que também possa ser cultivada a partir de sementes — ao contrário das batatas modernas, que não podem. 

Se mais batatas fossem cultivadas a partir de sementes, os cientistas poderiam eliminar as mutações ruins, assim como os riscos de doenças às quais os clones são propensos. Afinal, ninguém quer outra Grande Fome da Batata na Irlanda. 

(Conheça o Lumper: a nova batata antiga da Irlanda.)

As batatas pertencem ao gênero “Solanum”, o mesmo que inclui tomates, berinjelas e pimentões, entre outros. É “um dos gêneros de plantas floríferas com mais de 1.000 espécies”, explica Sandra Knapp, taxonomista de plantas do Museu de História Natural de Londres, que participou do estudo. 

Knapp está interessada em descobrir as relações entre as plantas do gênero, então ela se uniu a Huang. “Ele está interessado em batatas. Nós estamos interessados em Solanum”, diz Knapp. “Percebemos que havia algo interessante aqui.” 

Usando sequências completas do genoma, Knapp e seus colegas construíram uma árvore genealógica com seis espécies de batata e a compararam com outras 21 espécies de Solanum. Eles também analisaram outros 128 genomas para determinar o quão próximas as espécies de batata estão das demais. 

Eles descobriram que as batatas estão relacionadas tanto ao grupo do tomate quanto a outro grupo de plantas chamado Etubersoum. “É uma linhagem pequena, com apenas três espécies”, diz Knapp.

Acima do solo, as plantas do grupo Etubersoum se parecem com batatas, mas, ao contrário das batatas modernas, as espécies antigas e modernas de Etubersoum e tomates não conseguem formar tubérculos. 

Mas quando aquele tomate antigo e um Etubersoum se cruzaram há milhões de anos, formou-se um grupo híbrido chamado “Petota”. Esse novo grupo deu origem ao tubérculo. 


A ciência das batatas

Mas, se o tomate antigo e o Etubersoum não produziam tubérculos saborosos, por que o Petota conseguiu? Os cientistas descobriram que o novo grupo herdou uma mistura de genes dos dois grupos de plantas antigos, resultando em uma batata resistente. Por exemplo, o tomate contribuiu com o gene SP6A, que ativa a tuberização (sim, esse é o termo técnico). Já o Etubersoum trouxe o IT1, que controla o crescimento do tubérculo. 

Essa mistura genética aconteceu na hora certa. Knapp observa que o grupo do tomate geralmente prefere condições quentes e secas, enquanto o Etubersoum gosta de ambientes frios e úmidos. Porém, há cerca de 10 milhões de anos, a Cordilheira dos Andes começou a se elevar na costa oeste da América do Sul. 

As novas altitudes ofereceram condições frias, mas também secas. Os tubérculos armazenadores de energia do Petota “permitiram que essas novas plantas se expandissem para esses novos ambientes nos altos Andes”, explica Knapp. 


O futuro das batatas

Muitas vezes, a hibridização não tem um resultado positivo, observa James Mallet, biólogo evolutivo da Universidade de Harvard, que não participou do estudo. 

“Não é bom bagunçar seus genes dessa forma”, diz ele. Mas “ocasionalmente, surgem combinações estranhas de genes que não poderiam ter evoluído dentro de cada linhagem, é como se você estivesse sacudindo os dados novamente.” Essas novas combinações podem fazer uma grande diferença se houver novos habitats para colonizar, possibilitando o surgimento de novas espécies. 

E surgiram, de fato. Hoje, existem 107 espécies selvagens de batata. 

Ole Seehausen, ecólogo evolutivo da Universidade de Berna, na Suíça, afirma que este estudo é o primeiro a mostrar que uma invenção evolutiva crucial, o tubérculo, foi produzida pela hibridização de duas espécies. Ele observa que os próprios tubérculos podem ter ajudado as batatas a prosperar após essa “sacudida” genética. 

Reproduzir-se apenas por tubérculos tem suas desvantagens em relação a doenças. Mas também significa que o novo Petota não precisava imediatamente de acasalamento para transmitir seu novo emaranhado genético. A capacidade de se clonar “permite que linhagens híbridas que... realmente não conseguem se reproduzir sexualmente ainda sobrevivam”, observa ele, até que possam recuperar a fertilidade. 

Huang espera usar os novos conhecimentos sobre o caminho “do tomate à batata” para, potencialmente, criar plantas de batata mais saudáveis. Ele poderia usar o tomateiro como uma plataforma para novos genes e reintroduzi-los na batata, já que “o tomate está essencialmente livre de mutações prejudiciais”. 

No final, ele espera desenvolver sementes de batata, uma hibridização impulsionada pelo homem para ajudar nossas batatas fritas a se livrarem de mutações nocivas.




Fonte











22 junho 2024

METROPOLIS PARALELO 30: UMA CIDADE NEOLIBERAL

METROPOLIS PARALELO 30: 
UMA CIDADE NEOLIBERAL


Metropolis Paralelo 30: uma cidade neoliberal
Cartografia urbana distópica retratada em filme alemão de 1927 tem similaridades com catástrofe em Porto Alegre 

Ronaldo Queiroz de Morais*
Brasil de Fato, Porto Alegre (RS), 20 de junho de 2024














Imagem do filme alemão Metropolis, de 1927, o qual descreve uma distópica cartografia urbana - Reprodução


De onde vinha essa água? Ela veio silenciosamente. Ela não fez barulho. Nem veio em ondas. Apenas ergueu-se – sem pressa, mas ainda assim persistentemente. Não era mais fria que o ar em volta. Thea Von Harbou - Metropolis

Escrevo Metropolis assente na perspectiva histórico-ficcional. Alusão ao clássico do cinema alemão de 1927. A narrativa fílmica descreve uma distópica cartografia urbana, futurista e rigidamente dividida. É a cidade de capital concentrado do século XXI, na qual o alto da torre é exclusivo aos super-ricos e a parte subterrânea ocupada por trabalhadores alienados e hiperexplorados. É a base ficcional para descrever outra urbe: Metropolis paralelo 30. Território metropolitano permeado por teias de historicidade moderna, todavia, sitiado pela ofensiva do capital neoliberal. Logo, esbatida de política pública e esvaziada de história. Tal como Metropolis ficcional, ilustra o cenário de espaço urbano inflexionado ao rentismo. Não há governo nem democracia. A vida social é administrada para a produção e reprodução de capital sem qualquer limite moral ou ético para a acumulação de riqueza. Nesse distópico e real espaço-tempo, a exploração dos homens e da natureza subtrai da paisagem urbana a alegria da vida. O resultado é apavorante: Metropolis fria e desigual.

As duas Metropolis vivenciaram idêntica catástrofe ambiental. A engenharia moderna do capital canalizou e aterrou parte do rio que contornava o espaço metropolitano. Então abriu caminho para ampliar a riqueza dos super-ricos com o discurso de que resultaria em segurança e felicidade à massa de trabalhadores urbanos. A administração da Metropolis negou, peremptoriamente, a existência de ameaça das forças da natureza. De fato, havia um conjunto amplo de bombas capazes de proteger completamente a cidade da fúria d’água do rio. Contudo, a água subiu silenciosamente, apesar do estrondo dos climatologistas. Para piorar o quadro, as bombas colapsaram por negligência e/ou pragmatismo administrativo.

O fato é que Metropolis Paralelo 30 abriu mão de seus muros de defesa, quando trocou a política do desenvolvimento comum pela abertura de seus portões ao capital. Então, ela passou a ser, ordinariamente, administrada para o interesse privado, isto é, o território urbano entrou na rota da especulação financeira e imobiliária. Metropolis é cercada de muros, mas os portões estão abertos à passagem livre do capital, que – como a água de enchente – avança silenciosamente sobre os direitos sociais e a própria cidadania. Ele nos sufoca como a água que avança sobre as ruas, as praças e as casas banhando o espaço urbano de morte e destruição.

A forte chuva não foi o horror que caiu do céu sobre a terra. Ela apenas revelou, o que o discurso da “boa governança” e do jornalismo como publicidade escondem: uma pólis indefesa, porque capturada pelo capital. Metropolis Paralelo 30 é urbe de tempo cinza, de economia neoliberal e ofensiva ciberfascista. Tempo da política do pior, de hegemonia de modo de destruição do melhor da civilização moderna. Depois da água e da lama, o território urbano lembra uma pólis destruída pela guerra, atolada no entulho. Ela é triste e cheia de ruínas. Ainda assim, o bater dos sinos dos justos exige o retorno da política do comum, afinal, uma cidade demanda muros de proteção da cidadania.

A Metropolis da ficção fílmica de Fritz Lang constituiu enredo narrativo na esperança de chegada do “mediador”, personagem que asseguraria o equilíbrio entre os interesses do capitalista e dos trabalhadores. Ele é o coração, paradoxalmente, no mundo frio da razão instrumental. Também, a Metropolis Paralelo 30 arrasta seu esperançar para a retomada da utopia de uma outra cidade possível, pois reconstruir o território público exige política de proteção da vida vivida no comum a fim de evitar que a força silenciosa e destruidora do capital avance sobre os portões da cidadania como a água e a lama suja da enchente. 


* Ronaldo Queiroz de Morais é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).



01 junho 2024

TAB HUNTER

TAB HUNTER: 
BELEZA, SILÊNCIOS, ILUSÕES E SEGREDOS.
UMA HISTÓRIA LGBTQIA+

*11 junho 1931
†08 julho 2018


Tab Hunter Foto: Silver Screen Collection/Agência O Globo.




























































Ele era o rosto que fazia suspirar uma geração inteira, estampado nas capas de revistas, nos cadernos escolares e nos sonhos adolescentes da década de 1950. Com seus 1,83 metros de presença luminosa, cabelos dourados como o sol californiano, olhos de um azul que lembrava o céu de Malibu e o bronzeado de quem parecia ter nascido à beira-mar, Tab Hunter representava o arquétipo do “americano puro-sangue”. Era a síntese do ideal masculino da época: atlético, educado, de sorriso impecável e queixo desenhado à perfeição, o genro que toda sogra desejaria e o “galã” que fazia as moças corarem nas matinês. 
Tab Hunter irradiava o que Hollywood mais sabia fabricar: um carisma tangível, um magnetismo quase químico, o chamado “star power”. No entanto, sob aquele verniz de perfeição solar, faltava-lhe a inquietação poética e o olhar febril de seu contemporâneo e rival simbólico, James Dean, o anjo torto da rebeldia que transformaria a dor em mito.

Tab nasceu Arthur Andrew Kelm em Nova Iorque em 11 de julho de 1931. (1) Aos poucos, mudou de nome para Arthur Gelien, adotando o sobrenome da mãe, e foi levado para a Califórnia, onde a infância o manteve entre cavalos e pistas de equitação. Foi ali, recolhendo estrume em um estábulo, que o agente de talentos Henry Willson o descobriu, a lenda diz que, sem camisa, Arthur montava potros quando Willson resolveu que aquele moço viria a se chamar “Tab Hunter”. (2)

Sua estreia no cinema chega em 1950, com um papel mínimo em “The Lawless”, do diretor Joseph Losey. (2) Em 1952, com “Island of Desire” (ao lado de Linda Darnell), ele praticamente sem camisa consolidou sua imagem de galã. Pois foi em 1955, com “Battle Cry”, adaptação do romance de Leon Uris, que Tab tornou-se um nome firme em Hollywood, o jovem soldado, o rosto da geração pós-guerra, o “boy next door” que as adolescentes queriam ter como namorado e as mães aprovavam como genro ideal. (3)

Ao mesmo tempo, ele se lançou no mundo da música. Em 1957, seu single “Young Love” alcançou o topo das paradas Billboard, permanecendo várias semanas em primeiro lugar, o que confirma sua versatilidade além do cinema. (3)

Mas sob aquele bronzeado radiante imaculado havia tensões mais profundas. A imagem pública não refletia a vida privada: em uma tudo era luz, sensualidade, e carisma, onde a homossexualidade estava banida, proscrita, impensável para um astro de estúdio; na outra, seu verdadeiro eu, vivia a sua verdade em silêncio. 

Em sua autobiografia “Tab Hunter Confidential: The Making of a Movie Star” (2005) ele admitiu relações com homens, entre eles o ator Anthony Perkins, e relatou o quanto o sistema hollywoodiano e os estúdios lhe impuseram uma versão fabricada de “namoros” com atrizes famosas. (1)

A década de 1960 trouxe mudanças: os “galãs dourados” perderam parte de seu charme frente a novos rostos e novos estilos. Tab, vendo seu contrato com a Warner Bros. se tornar menos vantajoso, investiu em televisão, participando da sitcom “The Tab Hunter Show” (1960-61). (4) Entretanto, o glamour dos anos 50 já se esvaía, como uma onda do mar que se retrai, deixando apenas as espumas que desaparecem lentamente, e os papéis de destaque começaram a rarear.

Mais tarde, em 1981, Tab aceitou um papel no filme cult “Polyester”, dirigido por John Waters, que lhe trouxe uma nova geração de públicos e renovou sua carreira através de um olhar híbrido entre o mainstream e o underground. (5)

“Polyester” é uma comédia satírica de 1981, dirigida e escrita por John Waters. O filme é uma paródia do gênero “filmes de mulher” e melodramas dos anos 50 e 60, é conhecido pela sua abordagem irreverente e pelo uso de um recurso especial chamado Odorama, que permitia ao público sentir cheiros com um cartão “raspe e cheire”. Enredo: A história segue Francine Fishpaw (interpretada por Divine), uma dona de casa de classe média que vive em um subúrbio de Baltimore, e cuja vida desmorona diante de seus olhos. Ela enfrenta uma série de tragédias e humilhações: seu marido, Elmer (David Samson), é um dono de cinema pornô que a trai com sua secretária. Seu filho, Dexter (Ken King), é um delinquente que cheira cola e tem um fetiche por esmagar os pés de mulheres. Sua filha, Lu-Lu (Mary Garlington), engravida do seu namorado de mau caráter. Sua mãe esnobe, La Rue (Joni Ruth White), a trata com desprezo. A única amiga de Francine é a simplória Cuddles Kovinsky (Edith Massey). Desesperada, Francine se afunda no alcoolismo, mas a sua sorte parece mudar quando ela conhece o encantador Todd Tomorrow (Tab Hunter), proprietário de um cinema de arte, que lhe oferece um romance aparentemente ideal. 
Elenco principal
Divine: Francine Fishpaw
Tab Hunter: Todd Tomorrow
Edith Massey: Cuddles Kovinsky
David Samson: Elmer Fishpaw
Mary Garlington: Lu-Lu Fishpaw
Ken King: Dexter Fishpaw
Mink Stole: Sandra Sullivan.

Na vida pessoal, ele viveu por décadas ao lado de seu parceiro e produtor Allan Glaser, a quem conheceu em 1970 e com quem permaneceu até sua morte. 

Tab Hunter conheceu Allan Glaser quando Glaser trabalhava na 20th Century Fox, onde era diretor de aquisições de longas-metragens. A parceria profissional deles evoluiu para um relacionamento pessoal, e Glaser se tornou o parceiro de vida de Hunter e o auxiliou em sua carreira, culminando em projetos como a produção do filme “Lust in the Dust” e a adaptação da autobiografia de Hunter para um documentário. 
O Primeiro contato entre os dois, Tab e Glaser, enquanto Glaser trabalhava na 20th Century Fox. Juntos eles formaram a “Fox Run Productions” e colaboraram em projetos como o filme “Lust in the Dust”.
A relação profissional se tornou um relacionamento pessoal, e Glaser continuou a apoiar Hunter, quebrando o silêncio sobre a sexualidade dele.

Sua residência em Santa Barbara, Califórnia, era um rancho, com cavalos, cachorros, liberdade rural, longe dos holofotes, dos flashes e do estúdio. (1)

Glaser continuou a honrar o legado de Tab Hunter, adaptando sua autobiografia para um documentário e produzindo um longa-metragem com base nele. 

A despedida veio em 8 de julho de 2018, poucos dias antes de seu 87º aniversário. Ele faleceu em Santa Barbara, Califórnia, vítima de uma parada cardíaca causada por uma complicação de trombose venosa profunda. (6)

Hoje, ao lembrarmos Tab Hunter, vemos mais do que um rosto bonito dos anos 50. Vemos um homem que viveu as contradições de Hollywood, estrela de estúdio e ao mesmo tempo um ser humano que precisou calibrar sua identidade em silêncio; galã venerado e, ao final, ícone para a comunidade LGBT; símbolo de um tipo de masculinidade americana clássica e, simultaneamente, figura de resiliência diante do sistema de estúdios, de uma sociedade hipócrita, conservadora e preconceituosa.

Em seu crepúsculo, fez menos manchetes sobre conquistas cinematográficas e mais sobre a coragem de narrar sua própria história. Como ele mesmo escreveu: “I believed, wholeheartedly, still do, that a person’s happiness depends on being true to themselves.” 
“Eu acreditava, de todo o coração, e ainda acredito, que a felicidade de uma pessoa depende de ela ser fiel a si mesma.” E ele foi fiel, memo silenciosamente a vida toda. (7)


Fonte

(1)
“Tab Hunter - Wikipedia”

(2)
“Tab Hunter - Biography - IMDb”

(3)
“Tab Hunter Biography - Fandango”

(4)

(5)
“Tab Hunter Obituary (1931 - 2018) - Ann Arbor, MI”

(6)
https://www.wcpo.com/entertainment/tab-hunter-dies?utm_source=chatgpt.com “Tab Hunter, iconic 1950s actor, dead at 86”

(7)
“Tab Hunter/Obituary”





ILUSÃO HOLLYWOODIANA 

A história de Tab Hunter é marcada por um paradoxo: ele foi um dos maiores galãs do cinema de Hollywood nos anos 1950, adorado por adolescentes, (meninos e meninas), ao mesmo tempo em que vivia uma vida dupla e secreta como um homem gay. O medo de que sua orientação sexual pudesse destruir sua carreira e sua vida o forçou a viver uma existência discreta na intimidade, silenciosa e obscura. Essa era a realidade comum para atores homossexuais da época.

“Neste contexto de conservadorismo e preconceito, surgiu Tab Hunter, jovem americano loiro, musculoso e de olhos azuis, que conquistou as garotas da época. Apesar dos conhecimentos dramáticos limitados, foi apadrinhado pelo poderoso Jack Warner e viu sua carreira crescer rapidamente como ator, cantor, modelo e figura popular das capas das revistas adolescentes. Hunter foi vendido como o americano perfeito, bom moço, conservador, interpretando papéis de militares prestes a arrebatar o coração da mocinha virginal. Mas por trás desta imagem, o ator escondia sua homossexualidade, seus verdadeiros sentimentos e seus relacionamentos com diversas personalidades públicas. (Modif. de Bruno Carmelo s/d). Tab Hunter - Confidencial faz um ótimo trabalho ao revelar a ilusão que cerca o star system americano até hoje, explicando como ela reforça os valores conservadores e patriarcais. O diretor Jeffrey Schwarz demonstra grande prazer em desconstruir o sonho de sucesso através do cinema, citando inúmeros casos de namoros falsos, sexualidades reprimidas e vidas privadas misturadas à vida pública. Sob o controle rígido da Warner, Hunter desfrutava de uma proteção quase mafiosa, que o livrava de qualquer rumor, mas também o forçava a atuar no papel de galã em período integral.”(Bruno Carmelo s/d).

A ascensão ao estrelato

De Arthur Gelien a Tab Hunter: Nascido como Arthur Gelien, seu nome artístico, Tab Hunter, foi uma criação de seu agente.
Ídolo adolescente: Com a aparência de “garoto da casa ao lado”, loiro e bronzeado, ele se tornou um ídolo para adolescentes nos anos 1950. Sua popularidade era tão grande que ele chegou a receber 62.000 cartões de Dia dos Namorados em 1956.
Carreira multifacetada: Além do sucesso no cinema com filmes como Montanhas em Fogo e Qual Será Nosso Amanhã?, Hunter também foi um cantor de sucesso. Sua música “Young Love” alcançou o primeiro lugar nas paradas musicais dos EUA em 1957.
Contrato com a Warner Bros.: Sua ascensão meteórica o levou a assinar um contrato de sete anos com a Warner Brothers, onde foi promovido intensamente como um símbolo sexual. 

A vida dupla em Hollywood

Relacionamentos secretos: Para proteger sua imagem pública e carreira, Hunter mantinha em segredo seus relacionamentos homossexuais. Um de seus parceiros foi o também ator Anthony Perkins, que na época passava por terapia de conversão para tentar mudar sua sexualidade.
Vida discreta: Enquanto sua vida profissional era pública, seu lado pessoal era cuidadosamente escondido. Em sua autobiografia, Hunter descreveu a dificuldade de manter essa vida dupla e a angústia que ela lhe causava. 

O retorno e o “adeus” ao armário

Decadência e renascimento: Após o sucesso inicial, sua carreira entrou em declínio. No entanto, ele experimentou um renascimento nos anos 1980 ao colaborar com o diretor John Waters no filme Polyester (1981), onde atuou ao lado da drag queen Divine.
“Tab Hunter Confidential”: Em 2005, com o lançamento de sua autobiografia Tab Hunter Confidential, o ator finalmente revelou publicamente sua homossexualidade. Ele decidiu contar sua própria história para evitar que fosse contada de forma distorcida por outros.
Parceria de longa data: Na época do lançamento da autobiografia, Hunter já vivia há mais de 30 anos com seu parceiro, o produtor de cinema Allan Glaser. A vida dos dois também é retratada no documentário de mesmo nome.
Morte: Tab Hunter faleceu em 2018, aos 86 anos, vítima de um choque cardiogênico. Sua história continua a ser um retrato da complexidade e da pressão que Hollywood impunha a seus astros, especialmente aqueles que viviam fora dos padrões heteronormativos.


Tab Hunter in “Damn Yankees” and “Lust in the Dust” 
(Warner Bros; New World Pictures).




























Artigo de Sérgio Augusto
Publicado AQUI em 15/07/2018.

Seu rosto enfeitava os cadernos das adolescentes da década de 1950 no mundo inteiro. Alto, louro, olhos azuis, aplomb e bronzeado de surfista, Tab Hunter era o protótipo do americano puro sangue, o orgulho de qualquer sogra, um “gato” — ou “pão”, como então se dizia. Pura estampa, palpável “star power”, não exalava inteligência ou sensibilidade especial, o oposto de seu companheiro de geração e estúdio James Dean.

Ao morrer precocemente, Dean virou lenda. Ao viver seis décadas e 73 filmes a mais que o concorrente, Hunter ganhou tempo de sobra para suportar o ostracismo. Seu “crepúsculo dos deuses” anoiteceu de vez no último domingo, quando uma parada cardíaca o fulminou três dias antes de ele completar 87 anos. Aposentado desde 1992, vivia num rancho da Califórnia, na companhia de cachorros, cavalos — sua maior paixão — e do produtor e factótum Allan Glaser — sua segunda maior paixão.
Ao contrário de Tony Curtis, a gamação das garotas da década anterior, Hunter não deu o pulo do gato. Além do talento para uma metamorfose igual a que Curtis logrou, faltaram-lhe os papéis necessários ao upgrade. Encarnou caubóis, estudantes, variados tipos atléticos e rurais e até guia de cemitério — na comédia macabra O ente querido — , mas a imagem mais corriqueira que dele ficou foi a de um eterno soldado em dramas de guerra e paz, vez por outra envolvido com mulheres mais velhas: Linda Darnell em Ilha do deserto , Dorothy Malone em Qual será nosso amanhã? e Sophia Loren em Mulher daquela espécie .

Trabalhou com diretores de renome — Joseph Losey, William Wellman, Raoul Walsh, Stanley Donen, Sidney Lumet —, mas não em seus filmes de maior envergadura. É possível supor que sua carreira teria tomado outro rumo se ele fosse confirmado no papel que acabou sendo entregue a James Dean em Juventude transviada , embora maior seja a suspeita de que o ídolo teen dos tempos da brilhantina não convenceria como um rebelde sem causa.

Nascido em Nova York com o nome de Arthur Kelm, já se chamava Art Gelien, por imposição materna, ao chegar a Hollywood, onde atraiu a atenção de um caçador de talentos quando recolhia, sem camisa, o estrume dos cavalos de uma academia de equitação. Por sorte, não era um olheiro qualquer, mas Henry Willson, que descobrira Rhonda Fleming, Jennifer Jones, e transformara um ex-caminhoneiro chamado Roy Fitzgerald em Rock Hudson. Antes de ser submetido ao primeiro teste diante de uma câmera — só lhe pediram que tirasse a camisa —, Art Gelien já era Tab Hunter.

Mas o filho predileto de Gertrude Gelien só conheceu o estrelato ao compor um par romântico com Natalie Wood em Montanhas em fogo e Impulsos da mocidade . No embalo, arriscou-se numa carreira paralela de cantor, que não foi além do primeiro single, uma baladinha chamada “Young love”, que, depois de cinco semanas no topo do hit parade, em 1957, sumiu de todas as vitrolas sem deixar vestígio.

Na mesma época, numa jogada publicitária que funcionou com Rock Hudson, fabricaram um envolvimento amoroso entre Hunter e Wood, que não deu nem podia dar em nada, pois ela amava Robert Wagner, e seu parceiro na tela também tinha outros interesses. A exemplo de Rock Hudson e inúmeros Don Juan de Hollywood, Hunter era gay.

Só em suas memórias, publicadas em 2005, o ator tornou público seu segredo de polichinelo. Teve um longo caso com o ator Anthony Perkins, namorou o bailarino russo Rudolf Nureyev e o patinador Ronnie Robertson, mas a queda de sua popularidade, a partir dos anos 1960, nada teve a ver com sexo. Substituído na preferência do estúdio e no coração das fãs por um fac-símile cinco anos mais jovem, Troy Donahue, Hunter buscou na televisão um recomeço que lhe deu sustento, mas não o lustro almejado.

Seu show na TV durou um ano e fez apenas aparições em inúmeros seriados famosos; ao buscar, como Clint Eastwood, um novo caminho na Europa, conseguiu até uma estrela de xerife num faroeste espaguete. O mercado, porém, já fizera suas escolhas, todas morenas.

Redescoberto aos 50 anos por um cineasta underground, John Waters, o antigo garotão da Warner revelou-se às novas gerações em Polyester , comédia ultrajante — no bom sentido —, em que dividia a marquise com o travesti Divine, dupla insólita que prometia outras pândegas, mas que foram interrompidas pela morte de Divine, em 1988. Aí, sim, deu por encerrada sua perseverante carreira.































































































































TAB HUNTER E JAMES DEAN