ESPÍRITO DOS MORTOS
(Edgar Allan Poe 1809 – 1849)
Tua alma se encontrará sozinha.
Em meio a pensamentos sombrios sobre a lápide cinzenta;
Nenhum, dentre toda a multidão, para bisbilhotar
Na tua hora de segredo.
Permaneça em silêncio nessa reclusão,
O que não é solidão — pois então
Os espíritos dos mortos, que estavam de pé
Na vida diante de ti, estão novamente
Na morte ao teu redor, e na vontade deles
Te envolverá com sua sombra; aquieta-te.
A noite, embora clara, escurecerá (franzirá a testa),
E as estrelas não olharão para baixo.
De seus altos tronos no Céu
Com uma luz que serve de esperança para os mortais,
Mas seus orbes vermelhos, sem feixe,
Ao teu cansaço parecerá
Como uma sensação de queimação e febre
Que se apegaria a ti para sempre.
Agora existem pensamentos que não deves banir,
Agora, as visões jamais desaparecerão;
Do teu espírito eles passarão
Não mais, como uma gota de orvalho na grama.
A brisa, o sopro de Deus, está parada.
E a névoa sobre a colina
Sombrio, sombrio, porém intacto,
É um símbolo e um token (lembrança).
Como fica pendurado nas árvores,
Um mistério entre mistérios!
Spirits of the Dead
(Edgar Allan Poe 1809 – 1849)
Thy soul shall find itself alone
'Mid dark thoughts of the grey tomb-stone;
Not one, of all the crowd, to pry
Into thine hour of secrecy.
Be silent in that solitude,
Which is not loneliness — for then
The spirits of the dead, who stood
In life before thee, are again
In death around thee, and their will
Shall overshadow thee; be still.
The night, though clear, shall frown,
And the stars shall not look down
From their high thrones in the Heaven
With light like hope to mortals given,
But their red orbs, without beam,
To thy weariness shall seem
As a burning and a fever
Which would cling to thee for ever.
Now are thoughts thou shalt not banish,
Now are visions ne'er to vanish;
From thy spirit shall they pass
No more, like dew-drop from the grass.
The breeze, the breath of God, is still,
And the mist upon the hill
Shadowy, shadowy, yet unbroken,
Is a symbol and a token.
How it hangs upon the trees,
A mystery of mysteries!
Neste poema...
Um eu lírico diz a alguém que ficará a sós com pensamentos sobre a sepultura.
Afirma que essa solidão não é desamparo, mas sim uma multidão de espíritos silenciosos.
A morte é um mistério sombrio, ao mesmo tempo assustador e estranhamente belo.
***
O corvo é uma figura simbólica e misteriosa, passível de diversas interpretações, mas constitui um elemento central do poema; sua presença tem sido objeto de muitas análises e discussões. É frequentemente visto como um símbolo de pesar, tristeza e luto. O narrador do poema está profundamente entristecido pela perda de sua amada, Lenore, e a repetição constante da palavra "Nevermore" (Nunca mais) pelo corvo serve como um lembrete da permanência de seu sofrimento. Algumas interpretações sugerem que o corvo pode representar a própria mente atormentada do narrador. A repetição incessante de "Nevermore" pelo corvo pode refletir os pensamentos obsessivos e desesperados do narrador, à medida que ele projeta sua angústia interior na ave. Outras interpretações apontam que os corvos são frequentemente associados à morte e ao além em diversas culturas. Nesse contexto, o corvo pode simbolizar o medo da morte que o narrador sente, bem como sua obsessão pela ideia de reencontrar Lenore na vida após a morte.
***
Na marcante cena final da minissérie A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher), dirigida por Mike Flanagan, a personagem Verna (uma entidade que representa o karma e a própria Morte) visita o cemitério e deixa um objeto simbólico sobre a lápide de cada membro falecido da família Usher. Cada objeto deixado por Verna está diretamente ligado à forma como aquele personagem viveu ou morreu:
Prospero (Perry) Usher: Uma máscara de baile azul (idêntica à que ele usava na festa onde ocorreu a chuva ácida).
Camille L'Espanaye: O smartphone que ela usava obsessivamente para espionar e tirar fotos.
Leo Usher: A coleira Gucci que ele comprou para o gato Pluto.
Victorine La Fourcade: O protótipo da malha cardíaca artificial (bomba de coração) que ela desenvolveu.
Tamerlane Usher: O símbolo do espelho/aplicativo Goldbug.
Frederick Usher: Um saco de cocaína (droga que ele usou para paralisar a esposa e que selou seu destino).
Lenore Usher: Uma pena preta de corvo e uma orquídea branca (simbolizando que ela era a única inocente e teve uma morte pacífica e gentil).
Madeline Usher: Os olhos de safira artificiais colocados nela (referência ao conto Ligeia e O Besouro de Ouro).
Roderick Usher: O copo de uísque caro que ele costumava beber enquanto contava sua história.
Fontes adicionais







Nenhum comentário:
Postar um comentário