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14 outubro 2023

GAROTOS PODRES

A INTERNACIONAL 
(Garotos podres)





A internacional

De pé, ó vítimas da fome
De pé, famélicos da terra
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra

Cortai o mal bem pelo fundo
De pé de pé não mais senhores
Se nada somos em tal mundo
Sejamos tudo ó produtores

Senhores patrões chefes supremos
Nada esperamos de nenhum
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum

Para não ter protestos vãos
Para sair desse antro estreito
Façamos nós com nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito

O Crime do rico a lei o cobre
O estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido

A opressão não mais sujeitos
Somos iguais todos os seres
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres

Abomináveis na grandeza
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha

Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Queremos que nos restituam
O povo quer só o que é seu

Nós fomos de fumo embriagados
Paz entre nós guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos irmãos trabalhadores

Se a raça vil cheia de galas
Nos quer à força canibais
Logo verás que as nossas balas
São para os nossos generais

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a terra aos produtivos
Ó parasita deixa o mundo

Ó parasita que te nutres
Do nosso sangue a gotejar
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol te fulgurar
P
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional.






Canção escrita por Eugène Pottier, um trabalhador do setor de transportes e membro da Comuna de Paris, em Junho 1871.

Inicialmente era cantada ao ritmo da Marselhesa e só em 1888 recebeu música própria, composta por Pierre Degeyter, um operário anarquista.



Arriba parias de la Tierra!

¡En pie famélica legión!

Atruena la razón en marcha:

es el fin de la opresión.



Del pasado hay que hacer añicos.

¡Legión esclava en pie a vencer!

El mundo va a cambiar de base.

Los nada de hoy todo han de ser.

Estribillo: (dos veces seguidas pero con melodía diferente)

Agrupémonos todos

en la lucha final.

El género humano

es la internacional.

Ni en dioses, reyes ni tribunos,

está el supremo salvador.

Nosotros mismos realicemos

el esfuerzo redentor.

Para hacer que el tirano caiga

y el mundo esclavo liberar

soplemos la potente fragua

que el hombre libre ha de forjar.

Estribillo

La ley nos burla y el Estado

oprime y sangra al productor;

nos da derechos irrisorios,

no hay deberes del señor.

Basta ya de tutela odiosa,

que la igualdad ley ha de ser:

"No más deberes sin derechos,

ningún derecho sin deber".




BRASIL




De pé! Ó vítimas da fome
De pé! famélicos da terra
A indolente razão ruge e consome
A crosta bruta que a soterra!
De pé! De pé não mais senhores!
Se nada somos em tal mundo,
Sejamos todos, ó produtores!

Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Messias, Deus, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo que a nós nos diz respeito

Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Crime de rico, a lei o cobre,
O Estado esmaga o oprimido,
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres:
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres!

Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!




Abomináveis na grandeza
Os reis das minas e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha,
Todo o produto de sua
A corja rica o recolheu!
Querendo que ela restitua,
O povo só quer o que é seu.

Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Fomos do fumo embriagados!
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos guerra de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores,
Se a raça vil cheia de galas,
Nos quer a força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais.

Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Somos os povos dos nativos.
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a terra aos produtores
Ó parasita deixa o mundo!
O parasita que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres,
Não deixa o sol te fulgurar!

Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!





Fonte















19 agosto 2023

FILMES PARA VER E PENSAR

FILMES PARA REFLETIR


1. VERÃO DE 85 (Été 85)

Verão de 85, é um filme franco-belga, que se enquadra na categoria de Drama romântico, rodado em 2019 escrito e dirigido por François Ozon, estreou em 2020. 


O filme narra a história de Alexis Robin (Félix Lefebvre) e David Gorman (Benjamin Voisin), 
Philippine Velge - Kate
Valeria Bruni Tedeschi - mãe de David
Melvil Poupaud - Lefèvre
Isabelle Nanty - mãe de Alexis
Laurent Fernandez - pai de Alexis
Aurore Broutin - educador
Bruno Lochet - Bernard
Yoann Zimmer - Luc
Antoine Simoni - Chris

A trama se desenrola em um cenário aparentemente perfeito para férias de verão no litoral Francês da Normandia, Eu, Le Tréport, Rue de la Commune de Paris, Yport, e Seine-Maritime na França, na década de 1980 (1985). A história é narrada em primeira pessoa por Alexis que nos mostra sua visão de um mundo cheio de drama, desilusão amorosa, amizades, questões de identidade e uma relação homoafetiva.

Locações do filme 

Dirigido e escrito para as telas por François Ozon, adaptado do romance “Dance on My Grave” de Aidan Chambers, e estrelado por Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Philippine Velge, Valeria Bruni Tedeschi, Melvil Poupaud, Isabelle Nanty e Laurent Fernandez, Verão de 85 (Été 85 em francês) foi lançado em 14 de julho de 2020, na França pela Diaphana Distribution. Sua estreia no Festival de Cinema de Cannes foi cancelada devido à pandemia de COVID-19. Este filme de drama ganhou um prêmio no CinEuphoria Awards 2021, além de 12 indicações para o César Awards 2021.

A estreia de “Verso de 85” estava previsto para ocorrer no Festival de Cannes em maio de 2020, antes de seu cancelamento devido à pandemia de COVID-19. Desta forma, foi lançado oficialmente na França em 14 de julho de 2020 e no Brasil em 2020 no Festival Varilux de Cinema Francês.

Como alguém pode pensar tanto na morte e ao mesmo tempo viver uma vida tão intensa como como em Été 85? O filme “Verão de 85”, dirigido por François Ozon, estrelado por Félix Lefebvre, Benjamin Voisin; é um drama romântico estreado em 2021 no Brasil.




















(…)
“Eu pensei, 
Foi por minha causa. 
Ele morreu com raiva, por minha causa . 
Não.
Foi porque ficou feliz por se livrar de mim. 
Ele correu para comemorar isso.
Finalmente ele achou sua bolha de tempo atemporal. 
Ele sonhou com isso ? 
Estava tentando realizar o sonho dele? 
Não, nada disso. 
Foi por causa da Kate. 
Não porque a amava. 
Ao contrário,
Arrependeu-se da aventura com ela. 
Morreu cheio de remorso. 
Eu não parava de pensar 
Que tinha sido culpa minha.
Se eu tivesse bolado quando ele me chamou ?
Mas ele me chamou? 
Eu queria ter estado naquela moto com ele. 
Eu não parava de pensar: David está morto, não é possível. Quero que ele ainda esteja aqui.”
(…) 









Cenas de Verão de 85.



Été 85 




No verão de 1985, em um locação idílica na Normandia, Alexis (Alex) (Félix Lefebvre), um jovem de 16 anos fascinado pela morte, sai com o barco a vela de um amigo, para comemorar as férias, numa tarde de ensolarada. Ele tira a roupa e recosta-se no barco e acaba dormindo. Uma tempestade inesperada se forma, fazendo com que o barco vire e ele se encontra em um péssimo momento, sozinho em mar aberto no começo da tempestade, sem saber como desvirar o barco e sem ninguém para pedir ajuda. Ao longe ele avista um pequeno barco que navega em sua direção, é David (Benjamin Voisin) de 18 anos e um mês. Um jovem extremamente carismático, decidido, afetuoso que vive intensamente cada momento da vida, que o salva do que poderia ser uma tragédia. 












































Entre os dois rapazes nasce, naquele momento, uma tumultuada história de amor, conduzida por David que parece ter encontrado o amor de sua vida, dando claras razões para que se pense assim.

Após esse incidente, eles ficam muito próximos e Alexis acaba trabalhando na loja da família de David, gerenciada por sua mãe viúva. Os dois acabam desenvolvendo um relacionamento apaixonado tórrido, em segredo. David dá a entender que Alex é o amor de sua vida o Sol de suas manhãs, e faz tudo para reforçar essa imagem. A história prossegue com David tornando Alexis o centro de sua vida, comprando presentes para ele, levando-o em aventuras de moto pelo litoral, ao parque, no cinema e em baladas noturnas.


Esses momentos terminam, instantaneamente quando David encontra uma garota na praia, Kate, começa a flertar com ela abertamente mesmo na frente de Alex. Kate uma garota inglesa que passa férias na cidade. (Pausa): David conhece Kate na praia e naquele mesmo instante começa a flertar com ela, assim, inicia um breve caso de amor com Kate, deixando Alexis totalmente de lado, esquecendo até de sua presença, despertando nele um sentimento de ciúmes. 

Depois do passeio de barco dos três, no outro dia, Alexis então, confronta David sobre o que está acontecendo, David reage de forma inesperada, dizendo que tudo estava bem, ambos estavam felizes, e q esse era o problema, mas Alex quer uma explicação do porque, David então diz enfaticamente que está cheio dele, que ele não pertence a ninguém, que ele não tem dono, e que ele quer experimentar mais, viver mais com outras pessoas.

Eles brigam e Alex joga uma pedra que estava em uma das prateleiras em David. Por sorte, ele desvia, mas Alexis derruba prateleiras na loja e sai correndo, pega a bike e volta desolado para casa, e se joga na cama inconformado por perder o amigo dos sonhos, o amor da vida dele. Ao levantar, mais tarde, ele fica sabendo, pela tv David se envolveu em um acidente com a moto e perde a vida. Alex, sente-se culpado, por supostamente ter causado a morte daquele que fora seu maior e mais intenso amor.

A mãe de David não quer ver nem falar com Alexis, a quem ela culpa pela morte de seu único filho. Alexis então pede a ajuda para Kate, a única que conhece ambos garotos. Assim, ele compartilha a história que viveu com David com Kate e implora sua ajuda para que possa ver David uma última vez. Kate tem um amigo que trabalha no necrotério da cidade, e ambos vão ver o corpo de David uma última vez. Disfarçado de mulher, Alexis vai junto com Kate para o necrotério, mas é descoberto e forçado a fugir após ter um surto e tentar abraçar David. 

Antes de morrer, David e Alexis fizeram um pacto (ideia de David), ambos prometem que, aquele morresse antes, o outro teria que dançar sobre seu túmulo e agora Alexis se sente obrigado, devido a culpa que sente, a cumprir esse pacto. Na primeira vez que Alexis vai ao cemitério ele tem um outro surto e começa a cavar o solo da sepultura com as próprias mãos, mas volta a si e vai embora. Ao chegar ele lembra que esqueceu de dançar sobre a sepultura e então volta levando um walkman, para dançar sobre a sepultura do amado. É uma cena linda, comovente, de uma perfomance ao som de “Sailing” de Rod Stwart. Seus seus movimentos transcendem tempo e ao espaço, ao desejo, à perda e cheia de um erotismo misturado com dor, a dor de uma perda absoluta. Alexis é preso pela polícia.

Graças a uma assistente social e seu professor de literatura, Alexis consegue escrever sua história e assim recebe uma sentença mais branda do juiz, em seu julgamento. 
Enquanto cumpria sua pena de 140 h de serviço social, juntando lixo na praia, Alexis reencontra o rapaz que estava bêbado e que ambos (Alexis e David) resgataram de ser atropelado por carros na cidade e os dois saem juntos no barco de David, o Calypso, iniciando assim uma nova amizade ou uma novahistória de amor.






































“Foi a noite mais bela da minha vida, e foi com meu amigo David.”








































Na adolescência tudo se torna mais intenso, interessante e dramático. A mensagem que o filme quer passar com a obsessão de Alex pela morte e sua paixão avassaladora de 6 semanas por David é a de que todos amamos a imagem que temos do outro, não amamos o outro real, com seus defeitos, erros, e idiossincrasias, mas amamos uma imagem edulcorada do outro, uma ideia que fazemos do amor. O amor por si só não pode ser abarcado ou limitado, sendo portanto sublime, i.e., uma experiência transcendental.

A história de Alex tem muito de sua busca por explicações razoáveis para vida e sua  obsessão  pela morte, pela ideia da morte, não dos cadáveres, o resíduo q sobra da morte. 

Assistindo sentimos a agonia e paixão do protagonista, é impossível não se identificar com o personagem, suas dores, seu desejo, seu amor e nisso o filme cumpre seu papel aos moldes de uma tragaria grega. 
Claro que tudo acontece com uma rapidez proporia dos anos 1980, e tudo é intenso demais e rápido demais. Ao vivenciarmos a história narrada já estamos esperando a tragédia que é anunciada nas cenas iniciais. O que deduzimos nas cenas iniciais de um jovem sendo conduzido por um policial pelos corredores até sentar e esperar ser chamado para algo (prisão, julgamento?) é que Alex tenha mesmo cometido um homicídio e portanto é um criminoso.

Ao longo do desenrolar da narrativa dessa história de amor de verão, somos conduzidos em uma direção, e nosso sentimento de admiração pelo protagonista se mescla com a repulsa que temos contra quem mata outra pessoa. Mas nada disso é a verdade. 

A verdade é que morre o amor recém nascido entre os dois garotos e o sentimento de culpa e desejo que toma conta do protagonista se mistura a um amor ideal que existe apenas no mundo das ideias. Desejo que nos conduz as lágrimas quando ele dança sobre a sepultura do amado na escuridão da noite. 

Espero que você se emocione, reflita e se coloque no lugar do outro (do protagonista (do grego πρωταγωνιστής, protagonistes, de πρῶτος, prótos, primeiro e ἀγωνιστής, agonistès, agonista, ator, lutador; ἀγών, ágón, disputa, exposição, combate) ou do antagonista (do grego: ἀνταγωνιστής, antagonistes, oponente, competidor, rival, é um personagem, grupo de personagens, ou uma instituição, que representa a oposição contra a qual o protagonista tem de lutar), ou de ambos para então experimentar todos os sentimentos que a história nos coloca. 

A meu ver existem dois protagonistas que lutam cada um a sua maneira contra o antagonista que é o amor em si, um limiar que ambos tem que cruzar. Alexis se entrega totalmente a esse amigo que em sua visão representa o supremo sentimento que ele procurou todo tempo, enquanto David nunca cruza esse limiar ele se deleita em seduzir e amar intensamente alguns, seja homem ou mulher, e quando percebe que o outro alcançou o que buscava ele se desinteressa e parte para outra conquista. 
Em algum momento David soube que Alexis era seu verdadeiro amor mas mesmo assim, disse o que disse, e fez o que fez, e talvez por isso o seu final tenha sido trágico. 
A sensação de perda e a dor da perda bem como sua racionalização e a busca (talvez) por voltar atrás o levou ao desfecho fatal.

Longe de ser um juízo moral,  dicotômico de bem vs mal, de belo vs feio, sublime vs limitado, ele fica sempre no limiar de cruzar esse portal. Talvez esse portal tenha sido cruzado de maneira definitiva quando ele perde a vida ao sair atrás de Alexis. 

Mas há todas as possibilidades levantadas pela razão de Alex que não nos dá elementos para saber com certeza se ele saiu para recuperar o amor de sua vida ou para comemorar que tinha se livrado de mais um…

O filme também traz a tona como cada um de nós lida com nossos próprios sentimentos de amor, idealização do outro, paixão, perda, morte e luto, e como se descobrir no mundo e viver essa descoberta é inexorável, profundo, intenso e sublime como uma categoria estética. 

Essa experiência transcendental do amor, inspira uma espécie de respeito diante dessa força que nos é própria e que Kant a nomeia como liberdade. A liberdade buscada por David e que encontrou na tragédia final, e que Alexis intuiu e materializou dançando sobre o túmulo de seu amado. 




Fonte


Verão de 85: Francois Ozon, Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Jean-Claude_Moireau_2020_