Acrósticos relativamente simples podem simplesmente soletrar as letras do alfabeto em ordem; esse acróstico pode ser chamado de acróstico alfabético ou abecedário.
Acrósticos são comuns na literatura medieval, onde geralmente servem para destacar o nome do poeta ou de seu patrono, ou para fazer uma oração a um santo. Eles são mais frequentes nas obras em versos, mas também podem aparecer em prosa.
Frequentemente, a facilidade de detecção de um acróstico em um texto pode depender da intenção de seu criador. Em alguns casos, o autor pode desejar que um acróstico tenha a melhor chance de ser percebido por um leitor atento, como o acróstico contido no Hypnerotomachia Poliphili onde as principais letras maiúsculas são decoradas com enfeites ornamentados.
Não obstante, o recurso do acróstico também pode ser usado como uma forma de esteganografia, onde o autor procura ocultar uma mensagem em um texto sobre outra matéria, em vez de proclamá-la.
Isso pode ser conseguido tornando as letras-chave uniformes na aparência com o texto ao redor, confundindo-as, ou alinhando as palavras de maneira que a relação entre as letras-chave seja menos óbvia, e mais difícil de ser percebida.
Isso é chamado de cifras nulas na esteganografia, usando a primeira letra de cada palavra para formar uma mensagem oculta em um texto inócuo, sobre outra matéria que não tem nada a ver sobre a materia da mensagem oculta.
O uso de letras para ocultar uma mensagem, como nas cifras acrósticas, era popular durante o Renascimento e podia empregar vários métodos de codificação, como selecionar outras letras além de iniciais com base em um padrão repetitivo (sequências equidistantes de letras, a terceira letra da quarta palavra de cada linha etc.) ou até ocultar totalmente a mensagem começando no final do texto e trabalhando para trás.
ESTEGANOGAFRIA
Steganós, στεγανός (coberto, oculto) + graphia, γραφή (escrita, escrever)
Esteganografia é a prática de ocultar um arquivo, mensagem, imagem ou vídeo dentro de outro arquivo, mensagem, imagem ou vídeo. A palavra esteganografia vem do novo latim steganographia, que combina as palavras gregas steganós, στεγανός, que significa "coberto ou oculto", e graphia, γραφή, que significa "escrita, escrever".
O primeiro uso registrado do termo STEGANOGRAPHY foi em 1499 por Johannes Trithemius em sua obra homônima, Steganographia, um tratado sobre criptografia e esteganografia, disfarçado de livro sobre magia.
Geralmente, as mensagens ocultas parecem ser (ou fazer parte de) outra coisa: imagens, artigos, listas de compras ou algum outro texto que as encobrem (or some other cover text). Por exemplo, a mensagem oculta pode estar em tinta invisível entre as linhas visíveis de uma carta particular.
Algumas implementações da esteganografia que não possuem um segredo compartilhado são formas de segurança através da obscuridade, e os esquemas esteganográficos dependentes de chave (do conhecimento de um código) aderem ao princípio de Kerckhoffs.
A vantagem da esteganografia sobre a criptografia sozinha é que a mensagem secreta pretendida não atrai a atenção para si mesma como um objeto de escrutínio. Ou seja, ela passa desapercebida como algo que não tem importância nenhuma.
As mensagens criptografadas claramente visíveis, por mais inquebráveis que sejam, despertam interesse e podem ser incriminatórias em países nos quais a criptografia é ilegal.
Enquanto a criptografia é a prática de proteger apenas o conteúdo de uma mensagem, a esteganografia preocupa-se tanto em esconder o fato de que uma mensagem secreta está sendo enviada quanto em ocultar de forma segura o conteúdo dessa mensagem.
PRINCÍPIO DE KERCKHOFFS
O princípio de Kerckhoffs (também chamado de desiderato, suposição, axioma, doutrina ou lei de Kerckhoffs) da criptografia foi formulado pelo criptógrafo nascido na Holanda Auguste Kerckhoffs no século XIX: um sistema de criptografia deve ser seguro mesmo que tudo sobre o sistema, exceto a chave, seja de conhecimento público.
O princípio de Kerckhoffs foi reformulado (ou possivelmente formulado de forma independente) pelo matemático americano Claude Shannon como: "o inimigo conhece o sistema", isto é, "deve-se projetar sistemas sob a suposição de que o inimigo imediatamente se familiarizará com eles". Nessa forma, é chamado de máxima de Shannon. Esse conceito é amplamente adotado pelos criptógrafos, em contraste com a "segurança através da obscuridade", que não é.
A esteganografia inclui, por exemplo, a ocultação de informações em arquivos de computador.
Na esteganografia digital, as comunicações eletrônicas podem incluir codificação esteganográfica dentro de uma camada de transporte, como um arquivo de documento, arquivo de imagem, programa ou protocolo.
Os arquivos de mídia são ideais para transmissão esteganográfica devido ao seu tamanho grande. Por exemplo, um remetente pode começar com um arquivo de imagem inócuo e ajustar a cor de cada centésimo pixel (a cada 100 pixel a cor é ajustada ou modificada ou substituída) para corresponder a uma letra no alfabeto. A mudança é tão sutil que é improvável que alguém que não esteja procurando por ela perceba a mudança.
A esteganografia também inclui a ocultação de informações em arquivos de computador.
Os primeiros usos registrados da esteganografia remontam a 440 a.C., quando Heródoto menciona dois exemplos em suas Histórias.
Histiaeus enviou uma mensagem a seu vassalo, Aristágoras, raspando a cabeça de seu servo mais confiável, "marcando" a mensagem em seu couro cabeludo e, em seguida, enviando-o de volta quando os cabelos voltaram a crescer, com a instrução "Quando você veio a Mileto, mandou Aristágoras raspar sua cabeça e olhar para ela."
Além disso, Demaratus enviou um aviso sobre um próximo ataque à Grécia, escrevendo-o diretamente no suporte de madeira de uma placa (tablet) de cera antes de aplicar a cera de abelha em sua superfície.
Os tablets (placas) de cera eram de uso comum, então, como superfícies de escrita reutilizáveis, às vezes usadas para taquigrafia.
Em seu trabalho Polygraphiae, Johannes Trithemius desenvolveu sua chamada "Ave-Maria-Cipher" que pode ocultar informações em um louvor a Deus em latim. "Auctor Sapientissimus Conseruans Angélica Deferat Nobis Charitas Potentissimi Creatoris", por exemplo, contém a palavra oculta VICIPEDIA. (ver postagem nesse blog sobre a historia de Trithemius).