INÍCIO

16 agosto 2025

PESQUISADORES DESCOBREM A ORIGEM DA BATATA


LA PAPA
A BATATA


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PAPALISA
OUTRA BATATA ANDINA IMPORTANTE
ILLUCUS TUBEROSUS CALDAS, 1809


As cores das batatas illuco (1)
Ullucus é um género monotípico de plantas com flor pertencente à família Basellaceae, nativo da região andina da América do Sul. A única espécie validamente descrita é Ullucus tuberosus, conhecida pelo nome comum de oluco ou uluco, cultivada para produção de tubérculos ricos em amido e secundariamente como hortaliça, sendo uma das colheitas de raiz mais extensa e economicamente importantes na região andina da América do Sul, perdendo somente para a batata.

Illucus tuberosidade Caldas, 1809.

Día Nacional de la Papa: Perú tiene más de 3,500 variedades de este cultivo andino.
(Título de uma matéria de um jornal peruano que não lembro o nome).



ORIGEM DA BATATA ANDINA
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Tomate para batata? “To-mah-to” para “po-tah-to”? Acontece que podemos agradecer ao tomate pela nossa amada batata.

Um novo estudo, publicado na revista Cell, rastreou as origens genéticas da batata moderna. Os resultados mostram que um cruzamento entre um parente antigo do tomate e outra planta há oito ou nove milhões de anos deu origem à primeira batata. Esse "romance" vegetal resultou em uma combinação genética que produziu um tubérculo grosso e rico em amido, o nascimento do icônico alimento que todos conhecemos e amamos. 



(Como a batata passou de proibida a amada.)


Como os pesquisadores rastrearam a linhagem da batata 

Mais do que apenas um ingrediente delicioso em nossas refeições favoritas, a batata é a terceira cultura básica mais importante do mundo. Ela pode ser cultivada plantando parte de um tubérculo no solo, que cresce em uma nova planta, um clone da original, que pode acumular mutações ruins ao longo do tempo. 

A batata como a conhecemos hoje contém muitas mutações que podem torná-la mais frágil. “Gostaríamos de eliminá-las”, diz Sanwen Huang, biólogo de genomas do Instituto de Genômica Agrícola de Shenzhen, na China, que participou do estudo. Ele está em uma missão para desenvolver um novo híbrido de batata, com menos mutações prejudiciais e que também possa ser cultivada a partir de sementes — ao contrário das batatas modernas, que não podem. 

Se mais batatas fossem cultivadas a partir de sementes, os cientistas poderiam eliminar as mutações ruins, assim como os riscos de doenças às quais os clones são propensos. Afinal, ninguém quer outra Grande Fome da Batata na Irlanda. 

(Conheça o Lumper: a nova batata antiga da Irlanda.)

As batatas pertencem ao gênero “Solanum”, o mesmo que inclui tomates, berinjelas e pimentões, entre outros. É “um dos gêneros de plantas floríferas com mais de 1.000 espécies”, explica Sandra Knapp, taxonomista de plantas do Museu de História Natural de Londres, que participou do estudo. 

Knapp está interessada em descobrir as relações entre as plantas do gênero, então ela se uniu a Huang. “Ele está interessado em batatas. Nós estamos interessados em Solanum”, diz Knapp. “Percebemos que havia algo interessante aqui.” 

Usando sequências completas do genoma, Knapp e seus colegas construíram uma árvore genealógica com seis espécies de batata e a compararam com outras 21 espécies de Solanum. Eles também analisaram outros 128 genomas para determinar o quão próximas as espécies de batata estão das demais. 

Eles descobriram que as batatas estão relacionadas tanto ao grupo do tomate quanto a outro grupo de plantas chamado Etubersoum. “É uma linhagem pequena, com apenas três espécies”, diz Knapp.

Acima do solo, as plantas do grupo Etubersoum se parecem com batatas, mas, ao contrário das batatas modernas, as espécies antigas e modernas de Etubersoum e tomates não conseguem formar tubérculos. 

Mas quando aquele tomate antigo e um Etubersoum se cruzaram há milhões de anos, formou-se um grupo híbrido chamado “Petota”. Esse novo grupo deu origem ao tubérculo. 


A ciência das batatas

Mas, se o tomate antigo e o Etubersoum não produziam tubérculos saborosos, por que o Petota conseguiu? Os cientistas descobriram que o novo grupo herdou uma mistura de genes dos dois grupos de plantas antigos, resultando em uma batata resistente. Por exemplo, o tomate contribuiu com o gene SP6A, que ativa a tuberização (sim, esse é o termo técnico). Já o Etubersoum trouxe o IT1, que controla o crescimento do tubérculo. 

Essa mistura genética aconteceu na hora certa. Knapp observa que o grupo do tomate geralmente prefere condições quentes e secas, enquanto o Etubersoum gosta de ambientes frios e úmidos. Porém, há cerca de 10 milhões de anos, a Cordilheira dos Andes começou a se elevar na costa oeste da América do Sul. 

As novas altitudes ofereceram condições frias, mas também secas. Os tubérculos armazenadores de energia do Petota “permitiram que essas novas plantas se expandissem para esses novos ambientes nos altos Andes”, explica Knapp. 


O futuro das batatas

Muitas vezes, a hibridização não tem um resultado positivo, observa James Mallet, biólogo evolutivo da Universidade de Harvard, que não participou do estudo. 

“Não é bom bagunçar seus genes dessa forma”, diz ele. Mas “ocasionalmente, surgem combinações estranhas de genes que não poderiam ter evoluído dentro de cada linhagem, é como se você estivesse sacudindo os dados novamente.” Essas novas combinações podem fazer uma grande diferença se houver novos habitats para colonizar, possibilitando o surgimento de novas espécies. 

E surgiram, de fato. Hoje, existem 107 espécies selvagens de batata. 

Ole Seehausen, ecólogo evolutivo da Universidade de Berna, na Suíça, afirma que este estudo é o primeiro a mostrar que uma invenção evolutiva crucial, o tubérculo, foi produzida pela hibridização de duas espécies. Ele observa que os próprios tubérculos podem ter ajudado as batatas a prosperar após essa “sacudida” genética. 

Reproduzir-se apenas por tubérculos tem suas desvantagens em relação a doenças. Mas também significa que o novo Petota não precisava imediatamente de acasalamento para transmitir seu novo emaranhado genético. A capacidade de se clonar “permite que linhagens híbridas que... realmente não conseguem se reproduzir sexualmente ainda sobrevivam”, observa ele, até que possam recuperar a fertilidade. 

Huang espera usar os novos conhecimentos sobre o caminho “do tomate à batata” para, potencialmente, criar plantas de batata mais saudáveis. Ele poderia usar o tomateiro como uma plataforma para novos genes e reintroduzi-los na batata, já que “o tomate está essencialmente livre de mutações prejudiciais”. 

No final, ele espera desenvolver sementes de batata, uma hibridização impulsionada pelo homem para ajudar nossas batatas fritas a se livrarem de mutações nocivas.




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