OS PRIMÓRDIOS DA FOTOGRAFIA
Hoje comemoramos o nascimento William Henry Fox Talbot, que nasceu em 11 de fevereiro de 1800 e faleceu em 17 de setembro de 1877) e popularizou a fotografia begativo-positivo até a invenção da fotografia eletrônica (digital).
Eadweard Muybridge
O início da fotografia remonta ao século XIX, marcado por uma série de descobertas e experimentações que culminaram na criação de um meio revolucionário de capturar e preservar imagens. A seguir está um resumo dos principais marcos e referências históricas da fotografia.
1. Precursores da Fotografia
Câmera obscura
Conhecida desde a Antiguidade, era usada para projetar imagens em superfícies, mas não as fixava. Artistas como Leonardo da Vinci já descreviam seu funcionamento.
Heliografia (1826)
Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) é creditado como o criador da primeira fotografia permanente, "Vista da Janela em Le Gras", capturada usando uma placa revestida com betume da Judeia.
O nome “Nicéfore” pode ser visto como a forma masculina de “Verônica”, ambos tendo o mesmo significado “Ele, ou ela, que traz a vitória, porta a vitória” no grego antigo. No entanto, Santa Verónica, que já é a padroeira dos impressores (através do “véu de Verónica” no qual Cristo teria “impresso” o seu rosto coberto de suor ao subir ao Calvário) tornar-se-á naturalmente a padroeira dos fotógrafos.
Joseph Nicéphore Niepce (1765-1833) (WP)
Joseph Nicéphore Niépce nasceu em Chalon-sur-Saône, no dia 7 de março de 1765 e faleceu em Saint-Loup-de-Varennes, 5 de julho de 1833) foi um inventor francês e um dos primeiros pioneiros da fotografia.
Niépce desenvolveu a heliografia, uma técnica que ele utilizou para criar os produtos mais antigos sobreviventes de um processo fotográfico.
Em meados da década de 1820, ele usou uma câmera primitiva para produzir a fotografia mais antiga sobrevivente de uma cena do mundo real.
Joseph Nicéphore Niépce. Vista da Janela em Le Gras, 1826.
Reconstrução da vista apresentada pela primeira fotografia (1).
2. Daguerreótipo (1839)
Louis-Jacques-Mandé Daguerre (1787-1851) nasceu em Cormeilles-en-Parisis, Val-d'Oise. Foi aprendiz de arquitetura, design teatral e pintor de paisagens panorâmicas bem sucedido, estudou com o pintor Pierre Prévost, o primeiro pintor panorâmico francês.
Louis-Jacques-Mandé Daguerre nasceu em 18 de novembro de 1787 e faleceu em 10 de julho de 1851) foi um cientista, artista e fotógrafo francês, reconhecido pela invenção do processo fotográfico conhecido pelo seu próprio nome: daguerreótipo. Ele ficou conhecido como um dos pais da fotografia. Embora seja mais famoso por suas contribuições à fotografia, ele também foi um talentoso pintor e cenógrafo.(WP)
Confiante de sua habilidade de ilusão teatral, ele se tornou um célebre designer de teatro e mais tarde inventou o diorama, inaugurado em Paris em julho de 1822.
Em 1829, Daguerre fez parceria com Joseph Nicéphore Niépce, um inventor que produziu o primeira heliógrafia do mundo em 1822 e a mais antiga fotografia produzida por uma câmera sobrevivente em 1826 ou 1827. Niépce morreu repentinamente em 1833, mas Daguerre continuou a fazer experiências e desenvolveu o processo que mais tarde seria conhecido como daguerreótipo. Depois de os esforços para interessar os investidores privados terem sido infrutíferos, Daguerre tornou pública a sua invenção em 1839. Numa reunião conjunta da Academia Francesa de Ciências e da Académie des Beaux Arts em 7 de janeiro daquele ano, a invenção foi anunciada e descrita em termos gerais, mas todos os detalhes específicos foram omitidos. Sob garantias de estrita confidencialidade, Daguerre explicou e demonstrou o processo apenas ao secretário perpétuo da Academia, François Arago, que provou ser um defensor inestimável.
Na sequência da sua parceria com Joseph Nicéphore Niépce (selada em contrato assinado a 14 de dezembro de 1829), Daguerre herdou a invenção e os conhecimentos adquiridos por Niépce o que lhe permitiu adicionar uma nova variação da câmara obscura. Cada um trabalhou de forma independente mas por diferentes vias, Niépce procurava teimosamente resolver o seu processo com betume da Judeia ao passo que Daguerre procurava modificar o processo e os materiais usados a fim de reduzir o tempo de exposição que ainda se mantinha em cerca de uma hora.
A imagem formada na chapa, depois de revelada, continuava sensível à luz do dia e padecia de curta durabilidade. Daguerre solucionou este último problema ao descobrir que, mergulhando as chapas reveladas numa solução aquecida de sal de cozinha, este tinha um poder fixador, obtendo assim uma imagem inalterável.
O Artista Lemaître escreveu a Niépce sobre Daguerre: “Acredito que ele possui uma inteligência rara em tudo o que envolva máquinas e o efeito da luz”.
A parceria de Daguerre com Niépce levou ao uso de placas revestidas a prata (cujo primeiro uso tem de ser creditado a Niépce) quando, na sequência de numerosas experiências, um novo químico foi introduzido e que se provou decisivo para o método de Daguerre, o iodo.
A fotografia não foi inventada apenas por uma pessoa. Ao invés disso, foi o resultado de favoráveis condições econômicas, políticas e sociais bem como critérios científicos, observações afortunadas e intuição de algumas mentes inteligentes.
Durante um período de dois anos (1839–1840) a fotografia deu passos decisivos através do trabalho de estudiosos como Fox Talbot (inventor do calótipo) ou Hércules Florence (cidadão francês exilado no Brasil) cujos estudos e descobertas tiveram lugar na mesma altura que os estudos de Daguerre e Niépce.
Daguerre tinha problemas financeiros e não conseguiu obter o apoio de industriais por querer manter secreta a parte fundamental do seu processo. Após um incêndio no seu diorama a 8 de março de 1839, ficou acordado uma pensão anual de 4 mil francos para Daguerre e Isidore Niépce (herdeiro de Joseph Nicéphore Niépce) acrescidos de mais 2 mil francos para Daguerre pelos "segredos do diorama".
Daguerre ficou implicitamente reconhecido como o pai do daguerreótipo apesar de conflitos posteriores com Isidore Niépce que representava os interesses do pai. Em 19 de agosto de 1839, no Instituto de França, foi anunciado ao mundo um novo processo, o daguerreótipo, tendo sido posteriormente vendido ao governo francês.
Louis Mandé Daguerre, parceiro do filho de Joseph Nicéphore Niépce, desenvolveu o daguerreótipo, um processo que produzia imagens nítidas em placas de cobre revestidas com prata. Esse método foi anunciado publicamente em 19/ago/1839 é considerado o marco oficial do nascimento da fotografia.
Seu filho Isidore (1805-1868) formou parceria com Daguerre após a morte de seu pai e recebeu uma pensão do governo em 1839 em troca da divulgação dos detalhes técnicos do processo de heliogravura de Nicéphore, sei pai.
3. Calótipo (1841)
William Henry Fox Talbot, nasceu em 11 de fevereiro de 1800 e faleceu em 17 de setembro de 1877) foi um cientista, inventor e pioneiro da fotografia inglês que inventou o papel salgado e os processos de calótipo, precursores dos processos fotográficos do final dos séculos XIX e XX. Seu trabalho na década de 1840 sobre reprodução fotomecânica levou à criação do processo de gravação fotoglífica, precursor da fotogravura. Ele era o detentor de uma patente controversa que afetou o desenvolvimento inicial da fotografia comercial na Grã-Bretanha. Ele também foi um fotógrafo notável que contribuiu para o desenvolvimento da fotografia como meio artístico. Ele publicou The Pencil of Nature (1844-1846), que foi ilustrado com impressões originais em papel salgado de seus negativos de calótipo e fez algumas fotografias importantes de Oxford, Paris, Reading e York.
William Henry Fox Talbot, (1800-1877)(2).
William Henry Fox Talbot criou o calótipo, um processo que permitia a reprodução de múltiplas cópias a partir de um negativo de papel. Esse foi um avanço crucial para a fotografia moderna.
Talbot fez suas primeiras fotografias bem-sucedidas em 1835, usando papel sensibilizado com cloreto de prata, que escurecia proporcionalmente à sua exposição à luz. Esse processo inicial de “desenho fotogênico” era um processo de impressão direta, ou seja, o papel tinha que ser exposto na câmera até que a imagem ficasse totalmente visível. Uma exposição muito longa, tipicamente uma hora ou mais, era necessária para produzir um negativo aceitável.
No final de 1840, Talbot desenvolveu um processo muito diferente de revelação (um conceito pioneiro do processo de daguerreótipo, introduzido em 1839), no qual apenas uma imagem latente extremamente fraca ou completamente invisível precisava ser produzida na câmera, o que poderia ser feito em um ou dois minutos se o assunto estivesse sob luz solar forte. O papel, protegido de uma maior exposição à luz do dia, era então removido da câmera, e a imagem latente era quimicamente revelada até se tornar uma imagem totalmente visível. Essa grande melhoria foi introduzida ao público como o processo de calótipo ou talbótipo em 1841.
O haleto de prata sensível à luz no papel de calótipo era o iodeto de prata, criado pela reação do nitrato de prata com iodeto de potássio. Primeiro, o “papel iodado” era feito pincelando-se um lado de uma folha de papel de alta qualidade com uma solução de nitrato de prata, secando-o, mergulhando-o em uma solução de iodeto de potássio e, em seguida, secando-o novamente. Nessa fase, o equilíbrio dos produtos químicos era tal que o papel era praticamente insensível à luz e poderia ser armazenado indefinidamente. Quando necessário para uso, o lado inicialmente pincelado com nitrato de prata era então pincelado com uma solução de “galo-nitrato de prata”, consistindo de nitrato de prata, ácido acético e ácido gálico, levemente secado e exposto na câmera. A revelação era feita pincelando-se mais da solução de “galo-nitrato de prata” enquanto o papel era levemente aquecido. Quando a revelação estava completa, o calótipo era enxaguado, seco e, em seguida, estabilizado ao ser lavado em uma solução de brometo de potássio, que convertia o iodeto de prata restante em brometo de prata em uma condição tal que ele apenas escureceria levemente quando exposto à luz, ou “fixado” em uma solução quente de tiossulfato de sódio, então conhecido como hipossulfito de soda e comumente chamado de “hipo”, que dissolvia o iodeto de prata e permitia que ele fosse completamente lavado, deixando apenas as partículas de prata da imagem revelada e tornando o calótipo completamente insensível à luz.
O processo de calótipo produzia uma imagem negativa translúcida original, a partir da qual múltiplos positivos poderiam ser produzidos por simples impressão por contato. Isso dava a ele uma vantagem importante sobre o processo de daguerreótipo, que produzia um original positivo opaco que só poderia ser duplicado ao ser copiado com uma câmera.
Embora o papel de calótipo pudesse ser usado para fazer impressões positivas a partir de negativos de calótipo, o papel de cloreto de prata anterior de Talbot, comumente chamado de “papel salgado”, era normalmente usado para esse fim. Era mais simples e mais barato, e o próprio Talbot considerava a aparência das impressões em papel salgado mais atraente. A exposição mais longa necessária para fazer uma impressão em papel salgado era, na pior das hipóteses, um pequeno inconveniente ao fazer uma impressão por contato com a luz solar. Os negativos de calótipo eram frequentemente impregnados com cera para melhorar sua transparência e tornar o grão do papel (suas fibras de celulose) menos visível nas impressões.
Talbot é, por vezes, erroneamente creditado por introduzir o princípio da revelação de imagem latente. O processo de betume usado em experimentos privados por Nicéphore Niépce durante a década de 1820 envolvia a revelação química de uma imagem latente, assim como o amplamente utilizado processo de daguerreótipo, introduzido ao público pelo parceiro e sucessor de Niépce, Louis Daguerre, em 1839. Talbot foi, no entanto, o primeiro a aplicá-lo a um processo baseado em papel e a um processo negativo-positivo, desta forma sendo pioneiro dos diversos processos de revelação negativo-positivo que dominaram a fotografia não eletrônica (ou digital) até os dias atuais.(2)
4. Expansão e Popularização
Colódio úmido (1851)
Frederick Scott Archer desenvolveu o processo de colódio úmido, que produzia imagens detalhadas em vidro e foi amplamente utilizado até o final do século XIX.
Kodak (1888)
George Eastman lançou a câmera Kodak, com o slogan "Você aperta o botão, nós fazemos o resto", democratizando a fotografia ao torná-la acessível ao público em geral.
Esses marcos e referências ajudam a entender como a fotografia evoluiu de experimentos científicos para uma forma de arte e comunicação global.
FOTÓGRAFOS IMPORTANTES
Eadweard J. Muybridge, nasceu em 9 de abril de 1830 e faleceu em 8 de maio de 1904), nascido Edward James Muggeridge, foi um fotógrafo inglês conhecido por seus experimentos com o uso de múltiplas câmeras para captar o movimento, além de inventor do zoopraxiscópio, um dispositivo para projetar os retratos em movimento que seria o precursor da película de celulóide, usada ainda hoje na indústria cinematográfica. Seus estudos sobre o movimentos nos animais são referenciados até hoje é um marco importante para o estudo do movimento do corpo humano.
Eadweard Muybridge
A galloping horse and rider, Eadweard Muybridge, Wellcome Library, CC BY
http://bit.ly/1OnnFHk
Thomas Eakins, Nude, Playing Pipes, 1883.
Metropolitan Museum of Art. NYC.
Paul Cadmus. George Tooker, 1946; Nantucket, EUA.
Wilhelm von Pluschow (1852-1930), Nudo maschile. Roma, 1896/1907.(3)
Photograph by Jean Louis Marie Eugène Durieu, part of a series made with Eugène Delacroix. (3)
Photograph by Jean Louis Marie Eugène Durieu, c. 1855. (3)
Nude by Gaudenzio Marconi, 19th century. (3)
Nude by Gaudenzio Marconi, 1841–1885. (3)
Zoë Mozert was one of Earl Moran's first nude models in the 1930s. (3)
The Venus de Milo (2nd century BC), one of the most iconic ancient Greek nudes, sculpted in the Hellenistic period.
Wilhelm Iwan Friederich August von Gloeden (16 de setembro de 1856 - 16 de fevereiro de 1931), comumente conhecido como Barão von Gloeden, foi um fotógrafo alemão que trabalhou principalmente na Itália. Ele é mais conhecido por seus estudos pastorais de nus de meninos sicilianos, que geralmente apresentavam adereços como coroas de flores ou ânforas, sugerindo um cenário na Grécia ou na Itália da antiguidade. Seu trabalho demonstra o uso controlado da iluminação, bem como a utilização de poses elegantes de seus modelos. Suas inovações incluem o uso de filtros fotográficos e maquiagem corporal especial (mistura de leite, azeite e glicerina) para disfarçar manchas na pele. Seu trabalho, tanto de paisagens quanto de nus, atraiu turistas ricos à Sicília, especialmente homens gays que se sentiam desconfortáveis no norte da Europa.(WP).
Boy disguised as an odalisque in Gloeden's garden in Taormina. The reverse bears the stamp of Gloeden's heir, Pancrazio Buciunì, and the date: May 16, 1914. Wilhelm August von Gloeden.
Reclining Male Nude Beside Vase at the Metropolitan Museum of Art. Wilhelm August von Gloeden.
Caino. Wilhelm August von Gloeden.(WP).
Neopolitan Boy Wearing Jewels and a Headband.
Wilhelm August von Gloeden.(WP).
Two Youths Holding Greek Vases. Wilhelm August von Gloeden.(WP).
The three graces. Wilhelm August von Gloeden.(WP).
Land of fire. Wilhelm August von Gloeden.(WP).
Female nude. Wilhelm von Gloeden (1856-1931).
Wilhelm von Gloeden (1856-1931)
Wilhelm von Gloeden (1856-1931)
Wilhelm von Gloeden (1856-1931)
Wilhelm von Gloeden (1856-1931).
1935
Forrester Millard (1948) photographed by Bob Mizer for Athletic Model Guild.
Bob Mizer’s work for Athletic Model Guild.
Bob Mizer’s work for Athletic Model Guild.
Bob Mizer’s work for Athletic Model Guild.
Bob Mizer’s work for Athletic Model Guild.
Bob Mizer’s work for Athletic Model Guild.
Referências Bibliográficas
1. Newhall, B. (1982). The History of Photography: From 1839 to the Present. Um dos livros mais abrangentes sobre a história da fotografia.
2. Marien, M. W. (2002). Photography: A Cultural History. Explora o desenvolvimento da fotografia em seu contexto cultural e social.
3. Gernsheim, H. (1969). The History of Photography: From the Camera Obscura to the Beginning of the Modern Era. Uma obra clássica sobre os primórdios da fotografia.
4. The Book of Alternative Photographic Processes, James, Christopher.










































































































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