INÍCIO

29 janeiro 2023

SEXUALIDADE E ESPORTE

SEXUALIDADE, ESPORTE 
E VIDA

Artigo de 
Kassandra Brabaw
(1)
15/III/2023


Sair do armário não é fácil, mas sair do armário em um esporte hipermasculino como “Wrestler” pode ser monumental e, claro, assustador. Então, quando o lutador profissional Anthony Bowens fez um vídeo idiota para o YouTube com seu namorado, ele estava compreensivelmente preocupado com seus amigos de luta livre tropeçando nele, mas decidiu deixar seu namorado postá-lo de qualquer maneira. 

Anthony Bowens and Michael Pavano

“Semanas depois, recebi uma mensagem que fez meu estômago revirar”, escreveu ele sobre o vídeo em um ensaio pessoal no outsports.com. “Era do meu melhor amigo no mundo do wrestling, e de alguém de quem especificamente fiz questão de manter meu segredo. O texto dizia: “Mano, por que você não me contou?” Eu sabia exatamente o que ele queria dizer, mas me fiz de bobo. “O que você quer dizer?” (What do you mean?)  Eu repliquei. E ele respondeu: “Eu vi o vídeo'.”

Ele ficou aliviado ao saber que seu amigo não teve problemas em saber que Bowens se sente atraído por homens e que vários outros amigos lutadores viram o vídeo e sentiram o mesmo. 

Bowens e seu namorado, Michael Pavano, namoravam há três meses quando postaram o vídeo no canal de Michael no YouTube. É o primeiro relacionamento de Bowens, escreveu ele no ensaio, embora saiba que é bissexual há muito mais tempo. “Eu estava confortável com a ideia de ser bissexual, mas não com a ideia de outras pessoas saberem”, escreveu ele. 

“Na época, eu estava jogando beisebol na Seton Hall University, onde todo o time tomava banho junto. Eles eram meus irmãos e meus medos eram irracionais, mas é difícil não pensar que eles não se sentiriam de certa maneira incomodados.” 

Bowens levou esses medos para o ringue com ele quando se tornou lutador, e por anos sentiu que assumir isso arruinaria sua carreira ou tornaria as coisas estranhas com seus amigos atletas. 

Conhecer o namorado, e desenvolver um relacionamento foi um ponto de virada, ele escreveu, mas ainda escondeu sua sexualidade por vários meses. “Eu disse ao Mike, ao entrar no relacionamento, que estava muito no DL por causa da minha carreira, então não podia fazer em público algumas das coisas que os casais normais fazem”, escreveu ele. “Foi totalmente injusto com ele, mas ele gostou de mim o suficiente para deixar isso de lado. Eu prometi que não seria para sempre. Chegou a hora em que meu amigo de luta livre viu o vídeo do YouTube.”

Depois de perceber que seus amigos estavam bem com isso, Bowens foi ao Facebook para tornar sua sexualidade pública. “Não vou fazer deste um post prolixo, mas acho que é hora. Só queria que todos soubessem que sou bissexual”, escreveu ele. “Estou ansioso para mudar as percepções e quebrar os estereótipos enquanto continuo em minha jornada. Não tenho paciência para negatividade, então, se isso te incomoda, por favor, me exclua. Obrigado!” Foi uma jogada corajosa, mas valeu a pena para Bowens, que está mais feliz do que nunca agora que seu segredo foi revelado. 

As sexualidades queer estão se tornando cada vez mais visíveis nos esportes com atletas como Michael Sam e Jason Collins se assumindo, mas se assumir como bissexual tem seus próprios desafios. Então, alguns fãs estão agradecendo a Bowens por se assumir e aumentar a visibilidade bissexual. 
“Eu admiro muito isso, você e o jovem Darren da WWE estão quebrando estereótipos. Continue assim”, escreveu um comentarista em uma foto do casal postada no Instagram de Bowens. “Legal! Bem-vindo ao clube bi”, outro escreveu em uma foto que Bowens postou “apresentando” seu namorado a seus seguidores no Instagram. 
Embora não haja dúvida de que ele esteja quebrando os estereótipos da sexualidade e homens queer (bi, gay, trans) nos esportes, estamos felizes que Bowens esteja feliz. 






















Comentários: Em andamento 


Fontes

Artigo traduzido de 

PERSEGUIÇÃO AOS HOMOSSEXUAIS DURANTE O TERCEIRO REICH



Embora a homossexualidade masculina houvesse sido mantida na ilegalidade na Alemanha durante o período da República de Weimar, conforme o Parágrafo 175 do Código Penal, os ativistas alemães dos direitos dos homossexuais tornaram-se líderes mundiais nos esforços para reformular as atitudes sociais que condenavam a homossexualidade. Muitos na Alemanha consideravam a tolerância aos homossexuais durante a República de Weimar, como um sinal da decadência alemã. Os nazistas se apresentavam como os defensores da moralidade, aqueles que dariam fim ao “vício” da homossexualidade, como forma de ajudar a vencer a luta racial. 

Assim que assumiram o poder em 1933, os nazistas intensificaram a perseguição contra homossexuais alemães do sexo masculino. A perseguição ia desde a dissolução de organizações homossexuais até o aprisionamento dos que tinham aquela orientação sexual em campos de concentração.

Os nazistas viam os homossexuais masculinos como fracos e efeminados, incapazes de lutar pela nação alemã. Eles percebiam os homossexuais como improváveis geradores de filhos, incapazes de aumentar a taxa de natalidade alemã. Os nazistas acreditavam que as raças inferiores se reproduziam em maiores números do que os “arianos”, e qualquer fator que diminuísse seu potencial reprodutivo era considerado um perigo racial.

Heinrich Himmler, chefe das SS, liderou a crescente perseguição contra os homossexuais no Terceiro Reich. As lésbicas não eram consideradas uma ameaça às políticas raciais nazistas e, geralmente, não eram alvos de perseguição. Da mesma forma, geralmente os nazistas não perseguiam homossexuais estrangeiros, a menos que eles mantivessem parceiros alemães ativos. Na maioria dos casos, os nazistas estavam dispostos a aceitar ex-homossexuais na sua “comunidade racial”, desde que eles se tornassem “racialmente conscientes” e desistissem do seu estilo de vida.

Em 6 de maio de 1933, estudantes, liderados pelas Tropas de Ataque (Sturmabteilung; as SA), invadiram o Instituto de Ciências Sexuais, em Berlim e confiscaram o acervo de sua biblioteca. Quatro dias depois, a maior parte daquele acervo de mais de 12.000 livros e 35.000 fotos insubstituíveis foi destruído, juntamente com milhares de outras obras literárias por eles consideradas “degeneradas”, em uma queima de livros no centro da cidade de Berlim. O material restante nunca foi recuperado. Magnus Hirschfeld, fundador do Instituto e um dos pioneiros do estudo científico da sexualidade humana, dava palestras na França na época e decidiu não retornar à Alemanha.

A destruição do Instituto foi o primeiro passo para erradicar uma cultura abertamente gay na Alemanha. A polícia fechou bares e casas noturnas destinadas ao público homossexual, como o “Eldorado”, e proibiu publicações especializadas, como o “Die Freundschaft” (Amizade). 

Nesta primeira fase, os homossexuais começaram a se isolar, com receio dos ataques nazistas, o que terminou por destruir suas redes de apoio. Em 1934, a Gestapo (polícia secreta do estado nazista) ordenou às forças policiais regionais alemãs que criassem e mantivessem listagens com nomes de todos os homens envolvidos em atividades homossexuais. Na verdade, em muitas partes da Alemanha, a polícia já assim o fazia há anos. Os nazistas usaram essas “listas cor de rosa” para prender indivíduos homossexuais durante suas ações policiais.


Em 28 de junho de 1935, o Ministério da Justiça fez uma emenda ao Parágrafo 175, fornecendo uma base legal para estender a perseguição nazista aos homossexuais. Os oficiais do ministério expandiram a categoria “atividades criminalmente indecentes entre homens” para incluir qualquer ato que pudesse ser interpretado como sendo homossexual. Posteriormente, os tribunais decidiram que mesmo a simples intenção ou pensamento sobre atos homosexuais já era razão suficiente para aprisionamento. 

Em 26 de outubro de 1936, Himmler criou no seio da Polícia de Segurança o Escritório Central do Reich para Combate ao Aborto e à Homossexualidade. 

Josef Meisinger, alemão condenado e executado em 1947 por suas ações brutais na Polônia ocupada, foi designado como o chefe do novo Escritório. A polícia tinha poderes para manter em custódia ou prisão preventiva aqueles homens considerados perigosos para a fibra moral da Alemanha, mantendo presos indefinidamente, sem julgamento, quaisquer pessoas que ela escolhesse. Além disto, assim que recebiam liberdade da prisão, os prisioneiros homossexuais eram imediatamente presos outra vez e enviados para campos de concentração, caso a polícia achasse provável que eles fossem continuar a se envolver em atos homossexuais.

De 1937 a 1939, os anos do ápice da perseguição nazista aos homossexuais, a polícia invadia cada vez mais frequentemente pontos de encontro de homossexuais, apreendendo livros de endereços e criando redes de informantes e agentes secretos para identificar e prender suspeitos de serem homossexuais. 

Em 4 de abril de 1938, a Gestapo emitiu uma ordem indicando que os homens condenados por homossexualidade poderiam ser presos em campos de concentração. 

Entre 1933 e 1945, estima-se que a polícia haja prendido cerca de 100.000 homens sob a acusação de homosexualidade. A maioria dos 50.000 homens condenados pelos tribunais por homosexualidade passou por um periodo em prisões comuns, e de 5.000 a 15.000 deles foram presos em campos de concentração.

Os nazistas prenderam alguns homossexuais nos campos de concentração imediatamente após a tomada do poder, em janeiro de 1933. Os prisioneiros vinham de todas as camadas da sociedade alemã, e muitas vezes tinham em comum entre eles apenas a homosexualidade. 

Alguns homossexuais por engano eram presos sob outras categorias, e os nazistas muitas vezes categorizavam propositadamente alguns prisioneiros políticos falsamente como homossexuais. 

Os prisioneiros, marcados com um triângulo rosa para simbolizar sua homossexualidade, eram tratados de forma extremamente cruel nos campos. De acordo com muitos relatos de sobreviventes, os homossexuais estavam dentre os grupos mais abusados nos campos.

Como alguns nazistas acreditavam que a homossexualidade era uma doença que podia ser curada, eles desenvolveram políticas para “curar” os homossexuais de sua “doença” através da humilhação e do trabalho árduo. 

Os guardas ridicularizavam e batiam nos prisioneiros homossexuais assim que eles chegavam, frequentemente separando-os dos outros detentos. Rudolf Hoess, comandante de Auschwitz, escreveu em suas memórias que os homossexuais eram segregados para evitar que a homossexualidade se disseminasse entre os demais detentos e os guardas. 

As equipes encarregadas dos detalhes do trabalho, na fábrica de foguetes subterrânea Dora-Mittelbau ou nas pedreiras de Flossenbürg e Buchenwald, frequentemente atribuíam tarefas fatais para os homossexuais.

A sobrevivência nos campos assumiu muitas formas. Alguns detentos homossexuais conseguiam trabalhar como agentes penitenciários e pessoal de escritório; para outros prisioneiros, a sexualidade tornou-se um meio de sobrevivência: em troca de favores sexuais alguns Kapos protegiam um determinado prisioneiro, geralmente jovem, dando-lhe comida extra e evitava que fosse abusado pelos demais. 

Os próprios homossexuais raramente se tornavam Kapos devido à falta de uma rede de apoio. A tutela de um Kapo também não era garantia de proteção suficiente contra a brutalidade dos guardas. Em vários casos, quando o Kapo se cansava de um protegido, matava-o e encontrava outro no próximo trem que chegasse com prisioneiros. 

Embora os detentos homossexuais pudessem garantir proteção em alguns aspectos enquanto indivíduos, como grupo eles não tinham uma rede de apoio comum aos demais. Sem tal ajuda para mitigar a brutalidade da vida nos campos e prisões, os prisioneiros homossexuais não tinham grande probabilidades de sobreviver por muito tempo.

Um caminho disponível para a sobrevivência de alguns homossexuais foi a castração, que alguns oficiais da justiça criminal defendiam como uma maneira de “curar” o desvio sexual. Réus homossexuais em processos criminais ou em campos de concentração podiam concordar com a castração em troca de penas reduzidas. Posteriormente, os juízes e oficiais das SS nos campos passaram a poder decretar a castração sem o consentimento do prisioneiro homossexual.

Os nazistas, interessados em encontrar uma “cura” para a homossexualidade, expandiram esse programa para incluir experiências “médica” em prisioneiros homossexuais nos campos de concentração. Tais experiências causavam doenças, mutilações e levavam até mesmo à morte, sem produzir qualquer tipo de conhecimento científico proposto pelos nazistas.

Não existem estatísticas corretas sobre o número de homossexuais que morreram nos campos.

Fonte




OS HOMEN DO TRIÂNGULO ROSA


Na Alemanha nazista, em 28 de janeiro de 1935, o Ministério da Justiça reviveu e alterou o "Parágrafo 175", o antigo estatuto prussiano criado em 1871 que tornava a homossexualidade um crime punível com prisão. 

A lei foi aumentada em severidade e tornou-se a base legal para a perseguição sistemática de homossexuais masculinos. Os nazistas acreditavam que a homossexualidade ameaçava a pureza do povo alemão, que os gays corrompiam os jovens, impedindo-os de viver uma vida normal de casados ​​e, portanto, eram uma ameaça à raça. 

A homossexualidade foi denunciada como uma luxúria antinatural e acusada de ser intrinsecamente antigermânica, uma doença importada por judeus e apoiada por comunistas, inimigos do povo ariano. Prisão e esterilização foram as penalidades iniciais, mas Heinrich Himmler revelou seu verdadeiro desígnio quando disse que o "extermínio dos degenerados" estava de acordo com os antigos princípios nórdicos (uma ideia interessante considerando que muitos dos Deuses-meninos-moribundos, a quem compare Antínous, foram mortos como rituais de sacrifícios humanos.) 

Homens foram presos e enviados para os campos de concentração às dezenas de milhares. Eles foram distinguidos pelo sinal do triângulo rosa e submetidos a condições extremas de abuso. 

Os Homens do Triângulo Rosa eram espancados regularmente, submetidos a trabalhos forçados, privados de comida e expostos às intempéries. Eles foram abusados ​​pelos guardas nazistas e por outros prisioneiros porque todos consideravam a homossexualidade o mais baixo dos baixos, um pecado e uma aberração, até mesmo os próprios homossexuais. 

Estima-se que 60.000 homens foram legalmente sentenciados sob o "Parágrafo 175", quase todos morreram, e esse número inclui apenas aqueles documentados na Alemanha. É impossível saber o número de homossexuais não registrados e de fora da Alemanha, mas pode ter sido o dobro. 

Os Homens do Triângulo Rosa foram perseguidos com tanto sucesso que, mesmo após a derrota nazista, o Parágrafo 175 permaneceu como lei, e muitos presidiários gays foram enviados para prisões regulares para cumprir suas sentenças. E isso aconteceu até 1969 quando a lei foi finalmente revogada. 

Nós nos lembramos com tristeza das legiões de Homens do Triângulo Rosa que tiveram mortes cruéis, desumana e aterradora sob os nazistas. Recordamos o mal que foi perpetrado com a bênção do “Parágrafo 175”. 

Esses homens são nossos Mártires, nosso Holocausto, nossos Santos Guardiões, eles sofreram para que fôssemos Livres. 

Jamais esqueceremos suas mortes dolorosas e miseráveis, e rogamos a Antinous, o Deus da Homoafetividade, que cuide de suas almas imortais e lhes dê descanso. Neste dia lembramos os horrores que foram levantados contra nós através da Emenda do “Parágrafo 175”.

Fonte















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