Democracia ou barbárie
Deve-se sempre repudiar toda e qualquer forma de violência, inclusive de sua incitação e apologia, bem como a propagação de discursos de ódio e organizações que tenham por fim a realização de atos violentos, contra indivíduos e contra instituições.
As instituições são a base sobre as quais se assenta a democracia. São os pilares que salvaguardam a autodeterminação do povo, contido na Magna Carta Cidadã de 1988, e norteiam a vida em sociedade impedindo que derivemos sem rumo na barbárie.
Incitação é ato que estimula a realização de algum crime ou o provoca, estimula, incentiva, instiga, de maneira pública, comportamento reprovável e criminoso.
É o famoso: “jogar lenha na fogueira”, incentivando pessoas ou grupos de pessoas a cometerem ou se engajarem, se organizarem para o cometimento de ações ou determinada conduta que seja prevista como crime pelo ordenamento jurídico vigente.
A incitação de violência física a determinados grupos de pessoas ou contra instituições, em discursos públicos, rádio, tv, ou postagens na internet, acessado por milhões.
Quanto a apologia se relaciona a um crime que já foi cometido, em que alguém parabeniza, defende, elogia ou saúda o ato ou a pessoa autora dele, também de forma pública. (themis, s/d).
A etimologia da palavra apologia.
Apologia vem do grego: ἀπολογία é derivada da raiz: ἀπόλογος apologos, que significa "um discurso em defesa" ou “justificação”, e sua forma verbal correspondente: ἀπολογεῖσθαι, apologeisthai, “falar em defesa"; apologia, ἀπολογία, então é falando publicamente em defesa.
Apologia: ἀπόλογος apologos, que significa "um discurso em defesa" ou justificação. Ora, um discurso deve λογος, deve falar o verdadeiro, mas quando se afasta (ἀπό, apó: afastar, separar), da sua essência de verdade só faz justificar ou defender.
Os filósofos gregos Platão, Isócrates e Aristóteles descreveram a apologia como uma oratória, um discurso para defender ou justificar posições ou ações, particularmente no sentido de uma defesa legal.
No Português apologia é um discurso ou texto em que se defende, justifica ou elogia, especialmente alguma doutrina, ação, obra etc., é uma defesa apaixonada de alguém ou algo (ação) um elogio ou justificativa enaltecida deste feito.
Um homem, mesmo não sendo sábio, jamais defenderia publicamente o que está errado e o que atenta para o fim da polis ou do Estado.
Primeiro, para defender algo, esse algo, tese, ação, doutrina, obra, devem necessariamente estar dentro dos parâmetros legais, dentro da verdade. É crime fazer apologia do ilícito e da delinquência. Segundo, destruir o fundamento da sociedade ou Estado implica auto-destruição.
Não é, e nunca deveria ser possível, que pessoas ou grupo de pessoas se levantem contra as Instituições democráticas do país. Não é liberdade de expressão “destruir a casa” dos outros, o sustendo a dignidade e a vida dos outros.
É mais do que criminoso tentar solapar o fundamento daquilo que nos define como humanos, que, como dizia Aristóteles nos legítima como animais políticos, porque vivemos na Pólis. E, sendo a Pólis a origem da “Lei”, da socialização e da nossa identidade, atentar contra essa instituição é querer jogar a humanidade no abismo.
Para quem tentar esse tipo de ação está reservado (e sempre deverá estar) a cadeia e o lixo da história. Acusado como traidor da nossa humanidade e golpista.
Para estes traidores estão reservados o oitavo e o nono círculo do inferno: o Malleboge e o lago Cócite.
Eu explico: no oitavo círculo que está dividido em dez fossos, são punidos os simoníacos, os ladrões, os hipócritas, os corruptos, os rufiões, os sedutores, os lisonjeiros, os falsários e maus conselheiros, e aqueles que disseminaram a discórdia em vida. Os condenados deste círculo passarão o resto da eternidade tendo seus corpos roubados e suas almas vagam em meio a trevas e dúvidas.
E não bastando isso passarão ao nono e último círculo do inferno, indo e vindo entre um e outro sem parar. É o abismo gelado de satanás, o anjo caído Lúcifer. Neste abjeto recesso onde acontece a punição pelo pecado da traição, seja ela contra sua própria família ou contra a pátria. O ódio dos pecadores que aqui habitam é tão profundo e intenso, que uns alimentam-se dos cérebros dos outros. Perpetuando por toda a eternidade essas agruras inomináveis por seus atos imundos contra a pátria e contra a democracia.
Postado po Liliaschwarcz
Por que será que um cantor de sucesso e que elegeu-se deputado com mais de 45 mil votos chega aos 81 anos como defensor do presidente e destilando ódio?
Sérgio Reis é um sintoma do bolsonarismo - essa ideologia adotada por homens, em geral brancos, de meia idade, vinculados ao agro-negócio e que não suportam perder privilégios.
Foi em 1968 que Reis lançou seu primeiro álbum. Na época também investiu em uma fazenda de gado no Pantanal, criou uma dupla sertaneja e atuou em novelas como O Rei do gado. Fez carreira no rádio com o programa Siga Bem Caminhoneiro, depois transformado em programa de TV pelo SBT. Ainda em 2014 o PRB convidou-o para fortalecer a chapa. Já na Câmara, o sertanejo fez amizade com Jair Bolsonaro.
Impedido de fazer shows pela pandemia, o cantor mudou de imagem. Num vídeo, anunciava, para setembro, um acampamento em Brasília para defender o presidente e "salvar o Brasil". Além do mais, num áudio de WhatsApp, ameaçou o presidente do Senado, e os ministros do STF. "Dia 8 vamos ao Senado... Eles vão receber um documento assim: vocês têm 72 horas para aprovar o voto impresso e para tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido; é uma ordem!" Dizia que iria acompanhado de dois líderes caminhoneiros e dois representantes do setor de soja. "Já está tudo armado .... se em 30 dias não tirarem aqueles caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra."
O áudio teve grande repercussão sendo prontamente negado por líderes caminhoneiros e representantes do agronegócio.
Reis está sendo processado por incitação ao crime.
Muita gente surfou na onda retrógrada de 2018, mas dessa vez a história é outra. Reis não é vítima. Ele estava preparando seu palanque para as eleições de 2022 na base da coerção.
Na entrevista Reis confirmava dois planos: candidatar-se e lançar álbum com grandes sucessos e diferentes parceiros. Não deu certo. Vários artistas negaram o convite e Bolsonaro mostrou que não é amigo de ninguém. Só dele e de sua família.
Por isso ficou mudo. Fazer bravatas ameaçando as instituições democráticas não é é liberdades de expressão. É crime.

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