INÍCIO

27 agosto 2021

AS COLUNAS E SUA SIMBOLOGIA

AS COLUNAS E SUA SIMBOLOGIA 

Templo Dórico (kontaxes3)

Colunata de um Templo Dórico (kontaxes3)

Colunata dórica (greelane)

Os pilares da "arquitetura" humana 

As três ordens arquitetônicas, mais antigas e veneradas são: a ordem Dórica, a Jônica e a ordem Coríntia.  Todavia em arquitetura são reconhecidas cinco sendo cinco as principais ordens arquitetônicas: as três acima referidas e a ordem toscana e a ordem composita. 
 
Simbologia das ordens 

A ordem Dórica foi a primeira ordem arquitetônica a surgir na antiga Grécia, representa a forca e está relacionada a Herácles, Hércules romano; a ordem Jônica veio logo depois e representa a sabedoria, está relacionada a deusa grega Pallas Athena ou Minerva, romana, e a terceira ordem arquitetônica é a ordem Coríntia está relacionada a beleza, devido a suas belas folhas de acanto e suas volutas representada pela deusa grega Afrodite ou Vênus romana. Sob o emblema dessas três ordens arquitetônicas construindo o nosso mundo: tendo a em vista a força que sustenta, a sabedoria que nos impele para o futuro e a beleza que embeleza o espírito. 



Nossa passagem pelo mundo, tem como teto a abóbada celeste, o céu o emblema do infinito, também ele sustentado pela força a gravidade simbolizado pela imagem de Herácles. E o caminho que almejamos atingir o empíreo é expresso simbolicamente pela escada de Jacob em Genesis 28: 10-19, mostrada a ele em sonho, pois esta é a Bêṯ-ʼĒl, Βαιθηλ, Bethel, a Casa de Deus, i.e., a nossa casa, o nosso templo. A escada representa a evolução do homem, o caminho para o aperfeiçoamento da humanidade, i.e., a sabedoria. A cada degrau subimos, e estamos mais distante do caos, da barbárie e da desumanidade. Assim, em nosso andar comtemplamos a beleza desse mundo engrandece nosso espírito e pelo qual devemos lutar para preservar.

Como fiéis guardiões das antigas tradições, devemos conservar vivo no centro do espaço de nossas vidas esses ensinamentos representados por essas três ordens: força, sabedoria e beleza. 

Como a escada devemos dispor nossa vida. Sua base robusta e forte deve estar assentada na Terra irresvalável, na segurança e firmeza inabalável. E o télos do meu destino nas alturas luminosas infinitas que só podemos ver com os olhos da mente. Os degraus dessa escada devem representar as virtudes exigidas do ser humano no seu caminho em direção ao objetivo para o qual existimos. 

No início e base deve estar a , que nos faz prosseguir, no meio a Esperança que nos deve animar o tempo todo e no topo, deverá estar a Caridade o amor a todos os semelhantes e a todos os seres vivos com quem compartilhamos o mundo.

Estas são as principais virtudes morais que devem ornar o espirito de todo ser humano: Fé no ideal, Esperança no aperfeiçoamento de nosso agir; e Caridade para com o Gênero Humano e todos os seres vivos. 

Chamam-se virtudes todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. Para isso contamos com as virtudes cardeais que aprendemos ao longo de nossa vida. 

A palavra cardial vem de cardo, cardinis, que, em latim, significa gonzo, em torno do qual gira a porta. As virtude cardiais são as virtudes fundamentais em torno das quais gira o ser humano. Toda virtude é uma capacidade ou aptidão para levar avante ações adequadas ao homem. Entre as virtudes adquiridas pelo homem, estabelecem-se quatro, que são fundamentais, ou capitais, às quais estão subordinadas outras, que são acessórias. Desde a antiguidade, classificou-se como virtudes cardiais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
Distinguem-se as virtudes cardiais das virtudes teologais, no seguinte: as primeiras são adquiridas e fortalecidas pelo hábito; as segundas, ou nascemos com elas ou não, porque nem a , nem a esperança, nem a caridade as obtemos pelo exercício dos hábitos, mas, ou elas moram em nós mesmos, ou não moram."(Johann, 2003).

A fé é o assentimento do intelecto que crê, com constância e certeza, em alguma coisa. A prudência, podemos adquiri-la, pouco a pouco, como podemos adquirir a fortaleza e alcançar, pelo nosso esforço, a justiça e a moderação, mas, para crer com constância e certeza em alguma coisa, não basta o nosso querer, é preciso que esse assentimento do nosso intelecto se dê espontaneamente. Ninguém gesta dentro de si a fé; ou a tem, ou não. Ou com ela nascemos, ou subitamente ela afora em nós, sem necessidade de termos dirigido para ela, conscientemente, qualquer de nossos esforços (Johann, 2003).

A esperança é a expectação de algo superior e perfeito. Tem esperança aquele que aguarda algo de maior, de melhor, de mais perfeito, que venha a suceder.

A esperança não é o produto de nossa vontade, mas de uma espontaneidade, cujas raízes nos escapam, porque não é ela genuinamente uma manifestação do homem, mas algo que se manifesta pelo homem, porque não encontramos na estrutura da nossa vida biológica, nem da nossa vida intelectual, uma razão que a explique (Johann, 2003).

A caridade é a mãe de todas as virtudes como diziam os antigos, e diziam-no com razão; é a raiz de todas as virtudes, porque ela é a bondade suprema para consigo mesmo, para com os outros, para com o Ser Infinito. A caridade, assim, supera a nossa natureza, porque, graças a ela, o homem avança além de si mesmo, além das suas exigências biológicas (Johann, 2003).

Por analogia, estas são explicadas como: Fé: a  Força do espirito, sem a qual o homem nada levará a termo; Esperança: a Sabedoria do espirito, amparando-o e animando-o nas dificuldades; e pôr fim a Caridade é a Beleza que adorna o espirito e os corações bem formados. 

Torrano (1995) diz que todos os homens já passaram por este caminho; por isso a novidade de tudo o que digo de novo esta na força da repetição. A força do sábio está em saber dizer o já dito com o mesmo vigor com que foi dito pela primeira vez.

Pela instrução a mim repassada pelos mestres, pude através da audição romper os estreitos limites das minhas possibilidades físicas de movimento e visão transcender fronteiras geográficas e temporais, e contemplar figuras, fatos e mundos que pelo poder da palavra tornaram audíveis, visíveis e presentes. Escondidos a plena vista, visíveis nos símbolos que guardam silenciosos a mensagem para quem procura. 


Ordens arquitetônicas 

A coluna dórica é um elemento arquitetônico da Grécia antiga e representa uma das cinco ordens da arquitetura clássica. Hoje, esta coluna simples, elegante e austera pode ser encontrada apoiando muitas varandas em toda mundo. Na arquitetura pública e comercial, em praças e em gazebos. A coluna dórica é uma característica definidora dos edifícios de estilo neoclássico em muitos países ao redor do mundo.


A Ordem Dórica 

É a mais antiga dentre as ordens arquitetônicas nascidas na Grécia, na costa do Peloponeso e suas origens remontam ao século VII a. C. Sua denominação advém  do povo Dório, que foi o primeiro a desenvolver e incorporar este estilo arquitetônico na construção de seus edifícios, sobretudo templos.

Apresenta formas geométricas, regras rígidas, uma elegância formal e um equilíbrio de proporções. É principalmente empregada no exterior de templos dedicados a divindades masculinas e é a mais simples das três ordens gregas definindo um edifício em geral baixo e de caráter sólido. A coluna não tem base, tem entre quatro e oito módulos de altura, o fuste é raramente monolítico e apresenta vinte estrias ou sulcos verticais denominados de caneluras. O capitel é formado pelo equino, ou coxim, que se assemelha a uma almofada e por um elemento quadrangular, o ábaco. O friso é intercalado por módulos compostos de três estrias verticais, os tríglifos, com dois painéis consecutivos lisos ou decorados, as métopas. A cornija apresenta-se horizontal nas alas, quebrando-se em ângulo nas fachadas de acordo com o telhado de duas águas.  

Coluna dórica em 3D estilizada 
(imagens Google)

A coluna é um elemento essencial e que está destinado a receber as cargas estruturais verticais da obra arquitetônica. Por sua estrutura robusta, pesada e sólida é empregada no exterior dos templos dedicados a divindades masculinas. Apresenta um afunilamento da base em direção ao capitel, o que resulta no efeito óptico de uma selva onde os troncos, todos paralelas, transmitem uma sensação de segurança e também uma ilusão de uma maior leveza e dinamismo geral.

Capitel dórico (arquiteture-se)

(etc)
Na arquitetura, a laje ou pedestal que forma o membro superior do capitel de uma coluna ou pilar, e sobre a qual repousa, em estilos clássicos, a superfície inferior da achitrave, é chamado de ábaco (Wright, 1902)


(etc)
O friso da ordem dórica não se ocupa com a escultura em sucessão ininterrupta, mas ocorre em grupos em intervalos regulares, separados por elementos arquetetõnicos chamadas triglifos (a). Os espaços formados entre os triglyphs são chamados de metopes (b).

A coluna Dórica é formada, como as ordens subsequentes, por três estruturas: uma base, um fuste e um capitel.

Base
A coluna dórica é totalmente desprovida de base, i.e., o primeiro tambor, repousa sobre a fundação. A coluna transfere  o peso do entablamento para sua fundação e se mantém apoiada sobre o último degrau ou estilóbato

A coluna dórica é composta por dois elementos estruturais de pedra, o fuste e o capitel. (Duarte, 2020)
O fuste desprovido de base se apoia diretamente no piso, a base se reduz a casos excepcionais dentro da ordem dórica. O capitel concentra os esforços transmitidos pela arquitrave, e o fuste os absorve e transfere ao embasamento do edifício. As proporções das colunas foram modificadas com o passar do tempo e as suas alturas variaram em termos gerais em intervalo de 4 a 6 1/2 vezes o diâmetro da “base”; assim, o diâmetro do topo do fuste diminui em intervalo de 3/4 a 2/3 em relação ao diâmetro da “base”. As colunas interiores do templo, tanto as do pórtico do pronaos quanto as localizadas no interior da cela, são normalmente mais esbeltas e podem vir a apresentar algumas diferenças em relação às exteriores, como por exemplo ter um número menor de caneluras ou um perfil mais fechado no equino do capitel.

FUSTE 
podem ser monolíticos (os mais antigos) ou compostos pela sobreposição de vários blocos ou tambores fixados uns aos outros por meio de cavilhas ou empólios de madeira. Os tambores podem ter sido trabalhados no formato arredondado, como sugerem os vestígios deixados em algumas pedreiras, ou podem ter adquirido esta forma através do uso do torno. As características geométricas do fuste são seu perfil e as caneluras.
• Perfil: o fuste ou haste tem normalmente um ligeiro perfil convexo chamado êntases. No período arcaico, esta curvatura foi bem acentuada, e o diâmetro decresceu desigualmente e de forma rápida.
• Caneluras: são incisões côncavas rasas em formato de arco de circunferência feitas ao redor do fuste e acompanhando todo seu perfil, formando assim um feixe de arestas vivas. Eram cinzeladas depois que a estrutura do edifício estivesse pronta para diminuir os riscos de danos ao perfil e garantir o alinhamento das arestas, o que seria muito difícil se fossem esculpidas em tambores separados. Obras inacabadas mostram que a indicação das caneluras era feita antes de erguer o fuste, somente no tambor inferior, para assegurar a colocação correta. A quantidade de caneluras variava, havendo exemplos com 12, 16, 18 e 24, mas estabeleceu-se de modo padrão com 20, certamente atribuído a vantagens de ordem estética.

O fuste como visto, é simples com 20 caneluras e vai se afunilando da base em direção ao capitel

Vista superior de um tambor de uma coluna dória, mostrando o número de caneluras, que são os sulcos paralelos decorativos ao longo do fuste de uma coluna. Também chamado de ranhura, acanaladuras, canelura, estria, meia-cana, ou sulco. Em inglês são designados de   "flute, flutings". Podem variar em número que vão de 12,16,18, 20 e 24. Estabelecido um modo padrão de 20 caneluras. (Fonte da imagem: gutenberg)

Capitel
O capitel dórico é o mais simples, composto apenas por um equino e um ábaco.
É um capital despojado, arquitrave lisa, friso com métopas e tríglifos, e mútulos sob o frontão. Possui vinte linhas verticais ou caneluras (flute).

Capitel dórico
A. capitel dórico e seu equino e em B. carapaça de um ouriço do mar (Echinodermo).

Equino e ábaco da ordem dórica. 


Devido sua firmeza e austeridade, esta ordem é caracterizada pela sobriedade e simplicidade, assim como pela ideia de solidez e harmonia, o que suscita um significado histórico (por ser o primeiro estilo), decorativo (uma certa leveza pelas caneluras ao refletir a luz de forma diferente ao longo do dia) e simbólico (representando a força devido à sua estrutura quase monolítica). 
Essas características estão associadas a força e a coragem, uma vez que mesmo sendo mais baixos e atarracados sustentam todo o peso do friso e do teto do templo.
A coluna não possui nenhum tipo de base, e seu primeiro tambor está assentado diretamente no estilóbato (último degrau, ou degrau superior), onde também está assentado todo o edifício. As colunas da ordem dórica seguem rigorosas proporções matemáticas, são caneladas com vinte caneluras. Por não terem base e estarem assentadas diretamente sobre a base disposta sobre o terreno isso acarreta um significado histórico, decorativo e simbólico. Este significado se traduz a meu ver na proximidade com a Terra, com o ctônico e com a força que vem do centro e se direciona para cima, para o infinito.

Num sentido mais estrito, podemos associar à inexistência de base a uma simplicidade que se aproxima da natureza. Distante de toda vulgaridade de excessos. O fuste se sustenta diretamente no último degrau que dá acesso ao recinto do templo (este degrau é conhecido como estilóbato), é como uma árvore que introduz duas raízes diretamente na terra e dela se nutre. 
O estilóbato por sua vez sustenta nos dois degraus inferiores ou estereóbatos. Assim, é como um guerreiro, um atalaia que vigia o mundo, sem emitir nenhum juízo, apenas se posta na terra e observa o mundo e confia na sua força. 

Por apresentar um aspecto sóbrio, pesado e maciço, traduz dessa maneira a  forma do homem, moldado para o trabalho justo, para defender e proteger; o fuste é robusto e com caneluras em aresta viva e o capitel formado pelo ábaco, sobre o qual se assenta a arquitrave ou epistilo. Abaixo do ábaco está o equino (ἐχῖνος, echino na forma de uma carapaça de um ouriço do mar, dai seu nome) ou coxim, extremamente simples e geométrico, com forma de almofada. Simboliza a imponência e a solidez.

O fuste da coluna é circular e tem sulcos com formas côncavas, por outro lado, seu tamanho vai diminuindo progressivamente desde a parte inferior até a superior.

A base das três ordens arquitetônicas gregas.




A ordem Jônica






(etc)

A coluna Iônica tem um eixo menos diminuído e uma curva parabólica menor que a dórica. É, como o dórico, canalizado; as caneluras (flutings), que são em número de 24, são separadas por anéis (annulets) e, portanto, são mais estreitas, mas ao mesmo tempo mais profundas, do que a dórica, e terminam na parte superior e inferior pela curvatura final.

[The Ionic column has a less diminished shaft and a smaller parabolic curve than the Doric. It is, like the Doric, channeled; the flutings, which are 24 in number, are separated by annulets, and are therefore narrower, but at the same time deeper, than the Doric, and are terminated at the top and bottom by the final curvature.(etc)]

Vista lateral da capital jônica do templo de Minerva Polias em Priene.
Essas volutas, ou rolos, quando vistas de lado, parecem se encontrar no meio e formam uma linha ondulada sobre o equino. Os intervalos das bobinas espirais são ligeiramente vazados, a fim de torná-los com maior relevo, e desta forma, o assim chamado canal é formado, que se prolonga ou continua na porção horizontal que liga as volutas. 

[Side View of the Ionic Capital from the Temple of Minerva Polias at Priene.
These volutes, or scrolls, when viewed from the side, appear to meet in the middle, and form a wavy line over the echinus. The intervals of the spiral coils are slightly hollowed, in order to bring them into more relief, and in this way the so-called channel is formed, which is continued in the horizontal portion which connects the volutes. (etc)]

O capitel Iônico canônico tem uma natureza quádrupla. 
O elemento floral separou totalmente as diferentes espirais nos cantos.

[Fig. 482 – The canonical Ionic capital has a four-fold nature. The floral element has fully separated the different spirals at the corners.


Capitel Jônico (arquiteture-se)



A ordem Coríntia 



Capitel Corintio (arquiteture-se)

Capitel da coluna corintia (gutenberg)










Bibliografia

















Torrano, J. A. A. Teogonia. A origem dos Deuses. São Paulo, SP; Editora Iluminuras,1995.






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