TEXTOS ESSENCIAIS I
Imagem & Aura
Moholy-Nagy discutia a fotografia como um meio que não apenas se afirmava a partir da reprodução, mas que também tinha uma performance produtiva, ou ainda, segundo ele, os fotogramas de Man Ray tinham por objetivo "compreender o enigmático, sinistro (Unheimlich), não cotidiano do cotidiano, criar uma aura para o habitual, trazer à consciência o invisível (metafísico, oculto) daquilo que parecia desapercebido".* Essa tese, para além de introduzir o conceito de aura, deixa entrever O conceito de "inconsciente ótico" de Benjamin.
Apofenia
Apofonia é um termo cunhado por Klaus Conrad em 1959 para o fenómeno cognitivo de percepcionar (perceber) ou identificar padrões entre dados aleatórios.
Apofenia (ἀπό, apó, separar, afastar, + φαίνειν, phaínein, aparecer, manifestar(se) como fenómeno, fantasía) é a tendência de perceber conexões.
Conrad Klaus (1959) definiu como "visão desmotivada de conexões (acompanhadas por) um sentimento específico de significado anormal".
Conrad descreveu os primeiros estágios do pensamento delirante como autorreferenciais, interpretações exageradas de percepções sensoriais reais, em oposição a alucinações.
Pareidolia
Pareidolia é um tipo de apofenia que envolve a percepção de imagens ou sons em estímulos aleatórios. Na pareidolia se percebem formas reconhecíveis em objetos da vida quotidiana.
Um exemplo comum é a percepção do rosto humano em objetos inanimado, por exemplo: os faróis e a grade de um automóvel podem parecer "um rosto sorridente". Pessoas ao redor do mundo veem nos mares lunares (manchas mais escurecidas não superfície da lua, ou mares lunares) com um homem na Lua.
As pessoas às vezes veem o rosto de uma figura religiosa em uma torrada ou no grão de um pedaço de madeira (distribuição dos vasos do xilema, ou condutores de seiva de seiva bruta), ou ver a face de Santos ou de Cristo ou mesmo a efígie de Maria, na dispersão dos raios luminosos (que se formam na superfície de vidros das janelas). Existem fortes evidências de que o uso de drogas (psicoativas) psicodélicas tende a induzir ou aumentar a pareidolia.
Acredita-se que essa capacidade seja de alguma forma adaptativa, i.e., selecionada positivamente em nossa espécie. Reconhecer um padrão de rosto no meio de um conjunto de dados protegeria a raça humana contra predadores potenciais escondidos na folhagem.
Sincronicidade
O termo sincronicidade foi criado por Carl Gustav Jung e utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém Jung demorou mais 21 anos para concluir a obra "Sincronicidade: um princípio de conexões acausais" onde propõe e explica o termo sincronicidade.
Na sincronicidade os acontecimentos se relacionam não por relação causal (de causa e efeito) e sim por relação de significado. Desta forma, é necessário que consideremos os eventos sincronísticos não relacionados com o princípio da causalidade, mas por terem um significado igual ou semelhante. A sincronicidade é também referida por Jung como "coincidência significativa".
Ele defendeu a ideia de que as coincidências extraordinárias, quando revestidas de significado pelo sujeito que as experiência, podem inscrever-se numa categoria nova, que escapa ao domínio do meramente aleatório, para um domínio novo onde ele intuiu existir um principio de ligações acausais. Este seria o campo da sincronicidade, termo que ele cunhou para definir as situações em que o estado interno do sujeito e um acontecimento exterior coincidem de forma inexplicável que isso implica supor a existência de uma conexão acausal entre ambos os eventos.
Coincidência
Coincidência é o termo utilizado para se referir a eventos com alguma semelhança, mas sem relação de causa e consequência. Por exemplo, jogar uma moeda não viciada e obter três caras consecutivamente é uma coincidência, não existe relação de causa e efeito entre o resultado anterior e o próximo resultado. Quando muitos eventos ocorrem simultaneamente é esperado que ocorram muitas coincidências também. Pode ser apenas resultado de uma sincronicidade.
Teeteto cavou a terra para nela plantar. Encontrou um tesouro. Sócrates foi ao mercado comprar legumes. Encontrou Cálias, que lhe pagou uma dívida. O navio se dirigia a Egina. Encontrou uma tempestade e derivou rumo a Atenas.
Esses exemplos são clássicos na história da filosofia: são os exemplos que Aristóteles oferece quando examina as ideias de contingência e acaso.
Contingência e acaso, explica o filósofo, não são acontecimentos sem causa. São acontecimentos produzidos pelo encontro de duas séries causais independentes. Assim, o primeiro nome da contingência e do acaso é encontro e encontro inesperado.
Ou, como explica Aristóteles, a causa do acontecimento é acidental, pois produz um efeito que não estava previsto na causalidade de cada uma das séries, de tal maneira que um certo fim é realizado sem que estivesse previsto pelos agentes ou sem que estivesse presente nos meios, pois estes não visavam a tal fim e sim a um outro: Teeteto foi plantar e não buscar um tesouro; Sócrates foi comprar legumes e não receber uma dívida; o navio se dirigia para Egina e não para Atenas. (Chauí, 1999).
Por que encontro? Porque o acontecimento não é incausado e sim o cruzamento de duas séries causais independentes. Por que inesperado? Porque a marca da contingência e do acaso é a indeterminação, pois tanto as causas que o produziram poderiam não ter acontecido (se Teeteto estivesse com febre, talvez não fosse plantar; se Sócrates tivesse encontrado um amigo, talvez não tivesse ido ao mercado; se a carga não estivesse embarcada, talvez o navio não saísse do porto), como também nada assegura que o fim vai ser realizado, uma vez que a finalidade da ação decidida pelo agente nada tem a ver com o fim realizado (em vez de favas, Teeteto colheu um tesouro; em vez de legumes, Sócrates obteve o pagamento da dívida, em vez de chegar a Egina, o navio deu em Atenas).
Por se tratar de um encontro inesperado, a contingência é o que faz acontecer algo novo no mundo, isto é, algo que a causalidade natural não faria acontecer regular e previsivelmente.(Chauí, 1999).
No campo da estatística identificar significados para eventos coincidentes é considerado um erro do tipo I ou resultado falso positivo.
O ser humano tem uma tendência natural a identificar padrões onde eles não existem e fornecer significados, o que é conhecido cientificamente como apofenia ou pareidolia.
https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/5990
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