E.S.A.O.N.
(O EXÉRCITO PRECISA FAZER UM ESAON URGENTEMENTE)
Estacione - Sente - Alimente-se - Oriente-se - Navegue
(Artigo: Cel da Reserva Marcelo Pimentel)
Vejam o tamanho da enrascada em que o Exército (se) meteu a si e ao país.
A leitura da matéria oficial sobre a comemoração (que os autores do texto chamam hipocritamente de 'rememoração') me dá pena, preocupação e vergonha.
Não só pelo nível primário de narração do fato historiográfico como, o que é bem mais grave, pela interpretação que dão ao evento 'intentona comunista', traçando paralelos anacrônicos, impróprios, mistificadores e ridículos com a conjuntura política atual e, ainda pior (se pior do que isso pode existir), auto-reconhecendo no Exército um papel regulador da sociedade brasileira, de suas disputas político-ideológicas, de sua própria existência, um verdadeiro poder 'santificado' e 'imaculado' a definir o que DEVE e o que NÃO DEVE pensar/fazer a sociedade e o povo.
Custaria muito analisar e criticar o texto e creio que as pessoas q o lerem saberão fazê-lo melhor q eu faria.
Mas faço questão de destacar a falta de tirocínio (de quem o concebeu, de quem o redigiu, de quem o aprovou e de quem o veiculou, ou seja, de vários militares, muitos deles até estão na foto e no texto, um eh a maior autoridade de Ensino no Exército) em perceber que tudo que apontam na 'intentona comunista' se deve à entrada da política nos quarteis e dos quartéis na política, por ação ou omissão dos generais de outrora.
Lamentam as mortes de brasileiros (fardados) em 1935, mas não compreendem que tudo se deu pela indevida intromissão dos quarteis na vida nacional, em funções q não devem ser próprias de militares. Que se entenda até natural em 1935, devido às características da sociedade brasileira, vá lá, mas que fique no âmbito acadêmico militar, jamais em posicionamento institucional, ainda que a título de comemoração disfarçada de 'rememoração'.
1889, 91, 93, 98, 1922, 24, 29, 30, 32, 35, 37, 38, 45, 54, 55, 58, 61, 64, 68, 69, 77, 81, 86-88, 2016, 18, 20..... todas essas quarteladas, putsch, golpes, intentonas, revoluções, contra-revoluções, pacotes etc. foram frutos, se não totalmente, ao menos em grande parte, da intromissão dos quarteis na política e/ou da política nos quarteis.
Foi necessário que minha geração construísse - ajudasse a construir com as lideranças civis e a sociedade - um MURO para separar MILITARES da POLÍTICA e FORÇAS ARMADAS do GOVERNO pra que o país passasse 30 anos sem quarteladas e similares, maior período de institucionalização democrática das forças armadas na história do Brasil.
Esse MURO começou a ruir quando, por motivos que cabem aos analistas esmiuçar (se quiser ajudo de bom grado), oficias da geração formada na AMAN nos anos de chumbo (70) chegaram ao generalato e escolheram um CAVALO DE TROIA, preparando-o com esmero e paciência desde o início da década, para voltarem ao poder, numa versão high tech da VOCAÇÃO INSTITUCIONAL do PARTIDO MILITAR (adormecido por 30 anos): SALVAR O BRASIL DE SI MESMO E SOB DIREÇÃO, RUMO E VELOCIDADE DE SEUS MILUTARES.
Os generais de hoje estão fazendo o mesmo que fizeram seus antecessores, agora por intermédio do quartel virtual que se tornou o celular/computador do militar. Sem armas nem tanques aparentes como espada de Dâmocles de outrora, mas com o click e o 'like' 24 horas por dia ao alcance das mãos.
De fato.... às vezes me dá a sensação que tem de parar tudo, revisar tudo...e começar de novo com a formação do oficial.
Como é nocivo a uma instituição ser chefiada/liderada por pessoas incultas!
(Artigo: Cel da Reserva Marcelo Pimentel)
Existem dois eventos de 1935, o real, porque histórico, no qual o Exército define, nos documentos oficiais da época (documentos primários), como Revolução Comunista reconhecendo o direito moderno dos povos à transformação revolucionária do poder político. Nesse contexto, o anti-comunismo não havia invadido à caserna.
Há também outra leitura institucional, tardia ao evento de 1935 (Estado Novo), na qual este é ressignificado chamado de "Intentona Comunista ", ou seja, evento impuro e monstruoso, com descrição sem qualquer documento comprobatório de assassinatos torpes praticados pelos militares de esquerda. Estranho tanta violência obscena ausente nos documentos oficiais no contexto da sublevação militar de 1935.
A Intentona Comunista de 1935, conspiração de natureza político-militar, inscreve-se, pelas suas reivindicações políticas imediatas (de protesto político-institucional contra um governo autoritário), dentro do quadro dos movimentos tenentistas realizados no Brasil desde a década de 1920.
No entanto, articularam-se estas reivindicações, sob influência comunista, à ideia de uma revolução "nacional-popular" contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo, possuindo, nas suas reivindicações menos imediatas, aspectos como a abolição da dívida externa, a reforma agrária e o estabelecimento de um governo de base popular, em outras palavras, uma revolução "nacional-libertadora", que, embora estabelecida por um movimento armado, não se propunha a ultrapassar o quadro da ordem social burguesa (como afirmado, à época, por um dos líderes do movimento, o capitão Agildo Barata (pai do humorista Agildo Ribeiro).
P.S.
Intentona Comunista, também conhecida como Revolta Vermelha de 35, Revolta Comunista de 35, Levante Comunista, foi uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas realizado entre 23 e 27 de novembro de 1935 por militares, em nome da Aliança Nacional Libertadora (A.N.L.), com apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), na época denominado como Partido Comunista do Brasil, e do Comintern.







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