INÍCIO

01 maio 2025

PRESIDENTE LULA É GIGANTE

PRESIDENTE LULA GIGANTE







GOVERNO LULA FAZ!


01) Fies
02) Pronatec
03) Prouni
04) Ciência sem Fronteiras
05) Mais Médicos
06) Farmácia Popular
07) Minha Casa, Minha Vida
08) Bolsa Família
09) Cisternas no sertão
10) Luz para Todos
11) Transposição do Rio São Francisco
12) Reativação do Transporte Ferroviário
13) Ferrovia Norte-Sul
14) Ferrovia Transnordestina
15) Aumento do salário mínimo acima da inflação
16) Água para Todos
17) Brasil Sorridente
18) Pronaf
19) FAT
20) Programa Brasil Sem Miséria
21) Bolsa Atleta
22) Bolsa Estiagem
23) Bolsa Verde
24) Bolsa-escola
25) Brasil Carinhoso
26) Pontos de Cultura
27) Programa Biodiesel
28) SUS
29) SAMU/UPAS
30 Saúde da Família
31) FGEDUC (Seguro do FIES)
32) Casa da Mulher Brasileira
33) Aprendiz na Micro e Pequena Empresa
34) MEI Microempreendedores Individuais
35) Pagamento da Dívida Externa ao FMI
36) Empréstimo ao FMI
37) BRICS
38) Retirada pela ONU do Brasil do Mapa da Fome
39) Reequipagem, Valorização e Autonomia da Polícia Federal
40) Liberdade para a PGR
41) Liberdade para o MP
42) Escolha para os órgãos da Justiça dos primeiros das listas das corporações
43) Jogos Pan-americanos
44) Copa do Mundo
45) Olimpíadas
46) 98 conferências nacionais de 43 áreas, como educação, juventude, saúde, cidades, mulheres, comunicação, direitos LGBT, entre outras.
47) Orçamento para a Cultura cresceu de R$ 276,4 milhões em 2002 para R$ 3,27 bilhões em 2014
48) Vale-cultura
49) Programa Cultura Viva
50) Programa Mais Cultura nas Escolas
51) PND – Política Nacional de Defesa – Investimentos em defesa cresceram dez vezes: de R$ 900 milhões em 2003 para R$ 8,9 bilhões em 2013
52) Participação das FFAA em 11 missões militares de paz da ONU
53) Projeto Submarino Nuclear
54) Modernização da frota de aeronaves da FAB com transferência da tecnologia
55) Pré-sal
56) Redução de 79% do desmatamento da Amazônia brasileira
57) Aumento em mais de 50% da extensão total de área florestal protegida.
58) Liderança mundial em redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE). Entre 2010 e 2013, o Brasil deixou de lançar na atmosfera uma média de 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.
59) Valorização do polo naval
60) Refinaria Abreu e Lima
61) Novas usinas hidrelétricas: Teles Pires, Belo Monte, São Manoel, Santo Antônio, Jirau, São Luiz do Tapajós
62) Conferência Mundial Rio+20
63) PPP
64) PAC
65) Aumento exponencial do parque eólico brasileiro
66) Polos de desenvolvimento NE: Suape PE, Pecém CE e Camaçari BA: Investimentos somam cerca de R$ 100 bilhões.
67) Faculdades em muitos municípios do Brasil.
68) UNILAB
O PT tinha dinheiro para todos estes programas e projetos e ainda deixou um caixa de US$ 371 bilhões.
E o principal, O resgate da soberania nacional e eu tinha orgulho de ser Brasileiro.”
69) construção e contratação de 8.787 creches e pré-escolas, com investimentos de R$ 10 bilhões, beneficiando 4.178 municípios.
70) Implantou o FUNDEB aprovado sem veto
71) Aprovou o PNE sem veto
72) criou 18 novas universidades federais e 173 campus universitários
72) Financiou o Projeto Leitura e Escrita na Educação Infantil.


O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO











OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO 
(Vinicius de Moraes 1959)

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão 
- Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão. 
Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão 
- O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia. 
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava. 
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução. 
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não. 
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não! 
- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração 
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.


Hoje é dia do trabalhador. Nosso dia! Dia daqueles que levantam cedo, fazem a higiene pessoal, preparam o café e saem antes das sete horas da manhã todas as manhãs e na maioria das vezes até sábado. 
Hoje trarei um poeta que escreveu sobre os trabalhadores seus trabalhos suas lutas, seus sonhos e sua vida. 


Vinícius nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Foi cantor, compositor, jornalista e diplomada. É um dos poetas mais populares do Brasil, carinhosamente chamado de “poetinha” pelo amigo Tom Jobim. (coletivocopel)
Embora ligado à canção brasileira, ao teatro e ao cinema, Vinícius sempre teve a poesia como sua principal vocação. A junção da poesia com a música o levou a parcerias que fazem parte da história da MPB, com Tom Jobim, Chico Buarque e Toquinho, entre outros.
Aos 20 anos, em 1933, o “poetinha” lança seu primeiro livro, intitulado O caminho para a distância, mas é dois anos mais tarde, ao lançar Forma e exegese que vai ser reconhecido como poeta, com o livro recebendo elogios do poeta Manoel Bandeira.
Em 1941, Vinícius começa no jornalismo e nos estudos para a carreira diplomática. Em 1946 assume o primeiro posto diplomático, em Los Angeles, EUA. Em 1954, Orfeu da Conceição, sua peça para o teatro, é encenada pela primeira vez, vindo depois a ser adaptada para o cinema. Nessa peça, Vinícius se inspira no drama da mitologia grega para recriá-lo no ambiente do carnaval brasileiro.
Com o golpe militar de 1964, se coloca ao lado dos que lutaram pela democracia. Em 1968, quando da edição do Ato Institucional No 5 – AI5, realizando um show em Portugal, Vinícius faz do palco um ato de protesto, lendo seu poema “Pátria Minha”. Foi exonerado dos serviços no Itamaraty no ano seguinte, por ordem direta de Arthur Costa e Silva.
Em 1979, em plena greve dos metalúrgicos no ABC paulista, Vinícius de Moraes lê, em uma das assembleias lotadas de gente, “O Operário em Construção”, sendo aplaudido por milhares de trabalhadores. O poeta faleceu no ano seguinte, no dia 9 de julho, em sua casa na Gávea, vítima de embolia pulmonar. O parceiro Toquinho estava a seu lado.
“Operário em Construção” foi escrito em 1956, do começo ao fim falando da tomada de consciência de um operário da construção civil, mas remetendo a consciência de todos os trabalhadores.
O poema é escrito no melhor estilo rimado das poesias do cordel popular e é totalmente inspirado na passagem bíblica do Evangelho de Lucas, em que Jesus, no deserto, enfrenta as tentações do demônio. A passagem é transcrita por Vinícius antes de iniciar o poema, tal e qual: 

“E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. 
E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

Lucas, cap. IV, vs. 5-8.

No poema, esse embate é transferido para o patrão, que tenta comprar a consciência do operário e para seu “não” como resposta. Mas nesse embate está toda riqueza do poema. Vinícius mostra a consciência como uma conquista de visão e de conhecimento do trabalhador: “o que via o operário, o patrão nunca veria”.

Poucas são as criações da literatura que deram conta de mostrar, de forma tão consistente e bonita, a lógica das relações de trabalho, incluindo a percepção da exploração pelos trabalhadores e a noção de que não acontece com um apenas, mas com todos:

“O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.”

Também estão ali a delação de companheiros que preferem unir-se aos interesses dos patrões e delatar o companheiro, mas acima de tudo está a consciência histórica:

“E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.”

Pode-se dizer que Vinícius nesse poema foi um pedreiro mestre no ofício. Casa palavra colocada no prumo, assentada no todo. Uma verdadeira obra prima.
Como se trata de um longo poema, aqui publicamos seus trechos principais.





Fonte 











28 abril 2025

POLÍTICA ANTIFASCISTA

 POLÍTICA ANTIFASCISTA SEMPRE

Política Antifascista: Resistência e Construção de uma Sociedade Democrática

O antifascismo é e deve ser uma tradição política e social que surge como resposta ao avanço do fascismo, uma ideologia autoritária, nacionalista, xenófoba, preconceituosa, misógina, machista e violenta que marcou o século XX e continua a se manifestar em novas formas no século XXI. É um câncer que foi mal extirpado e deixou ramificações que brotam em todas as instituições políticas e sociais no mundo atual. 
Mais do que uma simples oposição, o antifascismo representa a defesa intransigente da democracia, dos direitos humanos, da dignidade, e da justiça social, combatendo todas as formas de opressão. 

O Que é o Fascismo?

O fascismo é um sistema político que se baseia na supressão das liberdades individuais, no culto à hierarquia, no nacionalismo extremado e na perseguição de minorias. Historicamente, regimes fascistas como os de Mussolini na Itália, Hitler na Alemanha e Franco na Espanha utilizaram a violência, a propaganda e o controle estatal para impor seu projeto de dominação. Hoje, embora não se reproduza exatamente como no passado, o fascismo ressurge em discursos de ódio, produção de “fake news” (pós-verdade), ataques a direitos civis e movimentos que pregam a exclusão de grupos marginalizados. No passado usaram o rádio para disseminar sua ideologia nefasta e hoje usam a desrregulamentação das redes sociais para espalhar seus falsos argumentos e cooptar mentes para seus propósitos nefastos. 

O Antifascismo como Resposta

O fascismo é um fenômeno do capitalismo; alguns dizem que é igual ao capitalismo,  seja ele liberal ou de acumulação (neoliberalismo).  E, como o capitalismo não condiz com a democracia plena e o estado democrático de direito, onde os interesses são mediados pelo diálogo, chegando-se a uma solução onde todos ganham. A política antifascista não se limita a reagir ao fascismo, mas propõe um projeto positivo de sociedade, baseado em: de,Octávia radical, justiça social, antirracismo e antissexismo, solidariedade internacionalista, além de ação direta e organização popular.

1. Democracia Radical
Defesa de instituições verdadeiramente participativas, onde o poder seja exercido pelo povo, sem manipulações ou autoritarismos. 

2. Justiça Social
Combate às desigualdades econômicas e garantia de direitos trabalhistas, educacionais e de saúde para todos. 

3. Antiracismo e Antissexismo
Oposição a todas as formas de discriminação, incluindo racismo, machismo, LGBTQIA+fobia, transfobia, misoginia, e xenofobia. 

4. Solidariedade Internacionalista
Reconhecimento de que o fascismo é um fenômeno global e que sua derrota exige alianças além das fronteiras nacionais. 

5. Ação Direta e Organização Popular
Desde protestos e greves até a construção de redes de apoio mútuo, o antifascismo se sustenta na mobilização das bases. 

O Antifascismo Hoje
Nos últimos anos, vemos o crescimento de forças de extrema direita em diversos países, muitas vezes disfarçadas sob um discurso de "ordem" ou "tradição". O antifascismo atual se manifesta na resistência a governos autoritários, na defesa de refugiados, no apoio a movimentos como Black Lives Matter e na luta contra a criminalização de ativistas. 

Ser antifascista não é apenas rejeitar símbolos nazistas ou discursos de ódio, mas também enfrentar as estruturas que permitem seu crescimento: a precarização da vida, a militarização da polícia e a manipulação midiática. 

O antifascismo não é um movimento do passado, mas uma necessidade urgente no presente. Ele nos lembra que a democracia não é garantida e que a liberdade exige vigilância e ação constante. 

Como dizia o escritor italiano Primo Levi, sobrevivente do Holocausto: “Aconteceu, portanto pode acontecer de novo. Esse é o cerne do que temos a dizer.”
Vide, genocida de Gaza pelo estado fascista de Israel, é o genocida de povos originários ao longo de todo o século XX e XXI.

A luta antifascista é, acima de tudo, um compromisso com a humanidade e com um futuro onde ninguém seja excluído ou silenciado. Fascismo não passará!































27 abril 2025

HEKATE

A REFEIÇÃO MENSAL DE HEKATE 

27/IV/2025 (16h31min)
Lua Nova
Neomênia















Lua nova de hoje (27/IV/2025)

Em grego, deipnon, em grego antigo: δεῖπνον, deîpnon, é a refeição noturna, jantar, geralmente a maior refeição do dia na Grécia Antiga. Um exemplo famoso das fontes gregas antigas é o “Deipnon de Hecate”, que, em sua essência, é uma refeição ritual (religiosa) oferecida à titã Hecate e aos mortos inquietos uma vez por mês lunar. Os antigos atenienses acreditavam que, uma vez por mês lunar, Hecate conduzia os espíritos dos não vingados ou injustiçados (mortos injustamente), acompanhados por cães, do submundo para fora de Hades. Também era o último dia do mês no calendário ático lunisolar usado na antiga Atenas, quando o período da lua escura era visto como um tempo liminar entre os meses.

Hecate a deusa tríplice.

Práticas históricas 

O principal propósito do Deipnon era honrar Hecate e aplacar as almas em seu séquito que "anseavam por vingança". Um propósito secundário era purificar a casa e expiar más ações cometidas por algum membro da família que pudessem ter ofendido Hecate, fazendo com que ela retirasse sua proteção. Hecate tem poder sobre o céu, a terra e o mar e pode conceder prosperidade e todas as bênçãos da vida cotidiana.
O Deipnon era celebrado na noite anterior ao aparecimento do primeiro crescente lunar visível, a noite da lua nova. A lua nova marcava o último dia do mês lunar, e os rituais do Deipnon permitiam que a família iniciasse o novo mês, celebrado como a Noumenia. Isso difere do cálculo moderno da lua nova na astronomia, portanto, não se pode usar um calendário moderno para definir essa data. 

O Deipnon consistia em três partes principais: 

1) A refeição deixada em uma encruzilhada ou cruzamento, 

2) Um sacrifício expiatório, 

3) A purificação da casa. 

A refeição 

Os alimentos mais mencionados nas fontes primárias são os associados a oferendas aos mortos: ovos crus, bolos pequenos, alho, alho-poró e/ou cebola, e peixe.[6] A maioria das famílias colocava a refeição em cima ou dentro do pequeno altar de Hecate, localizado fora de suas portas após o pôr do sol. A rua em frente à casa e a entrada formavam um cruzamento de três vias, sagrado para Hecate. Depois de colocar a oferenda, a pessoa não olhava para trás, pois acreditava-se que os espíritos inquietos que se alimentavam ficavam irritados com quem os observasse; quem olhasse poderia enlouquecer. Devido aos espíritos errantes, os atenienses não saíam de casa durante a noite do Deipnon. 

Embora alguns considerassem sacrilégio e acreditassem que atrairia a ira de Hecate, pessoas em extrema pobreza comiam a refeição.
“Pergunte a Hecate se é melhor ser rico ou passar fome; ela dirá que os ricos lhe enviam uma refeição todo mês (comida colocada em seus altares) e que os pobres a fazem desaparecer antes mesmo de ser servida.” Aristófanes, Plutus 410 (trad. O'Neill). 
No entanto, segundo um escolio sobre Aristófanes encontrado na Suda (Suda Épsilon 363, século X d.C., trad. W. Hutton), era sabido que os pobres pegavam as oferendas, e isso era até encorajado pela deusa: 
"Dela (Hecate) pode-se aprender se é melhor ser rico ou passar fome. Pois ela diz que os ricos devem enviar-lhe uma refeição mensal, mas os pobres devem pegá-la antes que seja colocada."
Pois era costume que os ricos oferecessem pães e outras coisas a Hécate todo mês, e que os pobres tomassem deles."

Expiação 

Se a família sentisse que estava impura ou que Hecate havia retirado seu favor, eles às vezes expiavam atos cometidos (mesmo sem saber) sacrificando um cão a Hecate como bode expiatório. Antes do sacrifício, cada membro da família tocava o cão, transferindo seus pecados para o animal sagrado. Depois, o chefe da família realizava adivinhação pelas entranhas para confirmar que o sacrifício fora aceito e que as ofensas contra Hecate ou os deuses haviam sido apagadas. Isso permitia à família iniciar o novo mês livre de impurezas. 

Purificação 

A purificação da casa tinha duas partes: 

1) Fumigação: Um incensário de argila era levado pela casa e depois deixado em um cruzamento ou altar, nunca mais usado.

2) Remoção de “sobras”: Cinzas de incenso, restos de sacrifícios no altar, sangue residual e comida caída no chão (que não podia ser recolhida, pois pertencia a Hecate e aos espíritos).

"O que é jogado ou caiu está perdido para este mundo; o que é pego é ganho." Pausânias, Descrição da Grécia I, 17, 3; Aelius Spartianus, Hadrian XXVI, 7. 

Isso explica como os pobres podiam comer as oferendas sem incorrer na ira de Hecate: se pegassem a comida antes de ser “perdida” para os espíritos, seria seu “ganho”. 

Todas as sobras eram depositadas no altar ou em um cruzamento, preferencialmente junto com a refeição. A família então fechava as portas e se recolhia. Como era considerado azar tocar ou pisar nessas oferendas, não está claro como elas eram descartadas depois. 

Outros 

Embora não fosse uma prática religiosa, como o Deipnon era o último dia do mês no calendário ateniense, dívidas e obrigações venciam nessa data.

Práticas atuais 

Os métodos modernos de observância do Deipnon por seguidores da religião helênica combinam tradição e adaptações. Algumas mudanças devem-se à vida em culturas diferentes da Atenas antiga; outras surgem de interpretações distintas do papel de Hecate.

A refeição 

Oferendas de ovos, cebola, alho e alho-poró são comuns. Incenso pode substituir a comida. Muitos não têm um altar externo, então colocam a oferenda em um altar doméstico ou em cruzamentos urbanos.

Limpeza da casa 

Varreduras ainda são oferecidas, mas seu conteúdo mudou: já não há cinzas de sacrifícios ou sangue. Em vez disso, incluem-se restos de velas, incenso e oferendas antigas. Alguns também limpam geladeiras ou despensas.

Caridade 

Segundo Aristófanes e a Suda, os pobres pegavam as oferendas, um ato de caridade. Hoje, doações a bancos de alimentos ou trabalho em cozinhas comunitárias em nome de Hecate são práticas emergentes. Alguns veem isso como uma virtude helênica; outros discordam, considerando-a uma inovação sem base tradicional.

Outros 

Liquidar dívidas pessoais ou financeiras e limpar um pote em honra a Zeus Ktesios são práticas baseadas no conceito de renovação mensal. No dia seguinte (Noumenia), iniciavam-se novos projetos e o pote era reabastecido. 




Fonte






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26 abril 2025

TORRE DOS VENTOS

A TORRE DOS VENTOS DE ATENAS
Το Ωρολόγιο του Κυρρήστου 
O HOROLOGIO DE KYRRÉSTOUS
Πύργος των Αέρηδων
A TORRE DOS VENTOS


A Torre dos Ventos, em grego antigo, Ωρολόγιο του Κυρρήστου, Horológio tou Kyrréstou, ou Αέρηδες, Aérides, é um fascinante monumento da antiguidade localizado na Ágora Romana de Atenas, na Grécia. Construída no século I a.C., ela combina funções de relógio solar, relógio de água (clepsidra) e cata-vento, sendo uma das estruturas mais engenhosas do mundo clássico. (Para mais fotos, Aqui).

Aérides ou Horologion de Cirro (Torre dos Ventos), Atenas.

Aérides pronuncia-se: Ah-éh-ri-des, é o nome pelo qual ficou conhecido o antigo monumento localizado nas encostas norte da Acrópole de Atenas, no espaço da Ágora Romana, no bairro de Plaka. 

Sua denominação oficial é Ωρολόγιο του Κυρρήστου, Horológio de Cirro, pronúncia-se: O-ro-ló-ghi-o tu Kir-rís-tu, e acredita-se que foi construído por Andrônico de Cirro (ou Kyrrestes). 

Trata-se de um edifício octogonal de mármore, sem colunas, onde em cada um de seus oito lados estão representados em relevo os oito ventos principais – daí o nome “Aérides” que significa: os ventos. 

Possui duas portas, uma voltada para o Norte e outra para o Oeste. 

Ωρολόγιο του Κυρρήστου em grego, é uma torre octogonal de mármore pentélico na Ágora Romana de Atenas, nomeada em homenagem aos oito grandes relevos representando os deuses dos ventos em seu friso superior. Sua data é incerta, mas foi concluída por volta de 50 a.C., como mencionado por Varrão em seu “De re Rustica”, de cerca de 37 a.C. É um dos poucos edifícios da antiguidade clássica que ainda permanece praticamente intacto, principalmente por ter sido continuamente ocupado para uma série de funções diferentes ao longo do tempo.

Planta baixa do edifício

Vistas laterais e superior do Horológio

Origem e Construção

• Arquiteto
Andrônico de Cirro ou Andrônico Cirreste, grego antigo: Ἀνδρόνικος Κυρρήστης, Andrónikos Kyrrhēstēs; fl. c. 100 a.C., foi um astrônomo, matemático, engenheiro e arquiteto macedônio mais conhecido por projetar a Torre dos Ventos na Atenas romana (helenístico).
 
• Datação
Por volta de 50 a.C., durante o período helenístico, antes da dominação romana. 

• Localização
Situa-se próximo à Ágora Romana, o centro comercial e administrativo da Atenas antiga. 

Funções da Torre

1. Cata-vento (weathervane) 
• No topo da torre, havia uma estátua de Tritão (um deus marinho) segurando um bastão que girava com o vento, indicando sua direção. 
• Cada um dos oito lados da torre representa um vento diferente, com relevos esculpidos das divindades dos ventos. 

2. Relógio Solar
• Possuía marcadores de tempo em suas paredes externas, onde as sombras do sol indicavam as horas no decorrer do dia. 

3. Relógio de Água (Clepsidra)
• Quando o sol não estava visível (à noite ou em dias nublados), um mecanismo hidráulico interno marcava o tempo usando água que vinha de uma nascente na Acrópole. 


Arquitetura e Simbolismo

Como vimos, Andrônico de Cirro (ou Cyrrhus) foi um astrônomo e arquiteto grego do século I a.C., conhecido por classificar os ventos e construir a Torre dos Ventos ou Horologion em Atenas. A Torre dos Ventos é um relógio hidráulico e meteorológico que representa os oito ventos principais da mitologia grega, cada um associado a uma direção cardinal.

• Formato: Octogonal (8 lados), com cerca de 12 metros de altura. 
• Relevos dos Ventos: Cada face tem uma figura alada representando um vento: 
• Bóreas (Norte): Vento frio do inverno. 
• Kaikias (Nordeste): Trazia granizo. 
• Apeliotes (Leste): Associado à colheita. 
• Euro (Sudeste): Vento úmido. 
• Noto (Sul): Vento quente de verão. 
• Líps (Sudoeste): Vento favorável à navegação. 
• Zéfiro (Oeste): Vento suave da primavera. 
• Skíron (Noroeste): Vento frio do inverno. 

Os Oito Ventos e suas Direções indicadas no topo da Torre dos ventos. Esses ventos eram representados na Torre dos Ventos em relevos, cada um com suas características iconográficas (como barba, roupas ou instrumentos). A torre funcionava como uma rosa dos ventos gigante, ajudando os atenienses a prever o tempo e marcar as horas.
1. Bóreas (N). Vento do norte, frio e forte, associado ao inverno. 
2. Kaikias (NE). Vento do nordeste, traz tempestades e granizo. 
3. Apeliotes (E). Vento do leste, suave e associado ao nascer do sol. 
4. Eurus (SE). Vento do sudeste, muitas vezes ligado ao calor úmido e chuvas. 
5. Notos (S). Vento do sul, quente e úmido, traz chuvas de verão. 
6. Lips (SO). Vento do sudoeste, favorável à navegação, soprando da Líbia. 
7. Zéfiro (O). Vento do oeste, suave e associado à primavera. 
8. Skiron (NO). Vento do noroeste, frio e seco, traz o fim do verão. 


História e Redescoberta

• Construído no primeiro século antes de Cristo 
• Na era bizantina, a torre foi usada como igreja cristã.
• Durante o período otomano, serviu como local de reunião para dervixes (místicos sufistas). 
• No século XVIII, o arquiteto britânico James Stuart redescobriu e documentou a torre em sua obra “The Antiquities of Athens”, ajudando a reviver o interesse por sua arquitetura. 

A Torre dos Ventos Hoje

• É um dos monumentos antigos mais bem preservados de Atenas. 
• Foi restaurada no século XIX e hoje é uma atração turística importante. 
• Inspirou construções semelhantes em outras cidades, como a Torre dos Ventos em Sevastopol (Crimeia). 

Legado
A Torre dos Ventos é um testemunho do avanço científico, meteorológico e arquitetônico do mundo helenístico, combinando astronomia, engenharia, arquitetura, ciência meteorológica, cronologia, e arte em uma única estrutura.

Curiosidade
A Torre dos Ventos é um dos monumentos mais bem preservados da antiguidade e serviu como relógio solar, cata-vento e clepsidra (relógio de água). Seu nome popular, “Aérides”, vem justamente da representação dos ventos em suas paredes.


Αέρηδες καθιερώθηκε να λέγεται αρχαίο μνημείο που βρίσκεται στους βόρειους πρόποδες της Ακρόπολης Αθηνών, στον χώρο της Ρωμαϊκής Αγοράς στην Πλάκα. 
Η επίσημη ονομασία του είναι Ωρολόγιο του Κυρρήστου και θεωρείται πως το ανήγειρε ο Ανδρόνικος ο Κυρρήστης (ή Κύρρηστος). Πρόκειται για οκταγωνικό μαρμάρινο κτίριο, χωρίς κίονες, όπου στις ισάριθμες μετόπες του φέρονται ανάγλυφοι οι οκτώ κύριοι άνεμοι, εξού και η ονομασία «Αέρηδες». Φέρει δύο θύρες, μία προς Βορρά και μία προς Δύση.

Pronúncia das palavras gregas

1. Αέρηδες (Aérides) → Ah-éh-ri-des (significa: os ventos) 
2. Ωρολόγιο (Horológio) → O-ro-ló-ghi-o (relógio) 
3. Κυρρήστου (Kyrestu/Kyrrestes) → Kir-rís-tu (referente a Cirro, cidade de origem de Andrônico) 
4. Ανδρόνικος ο Κυρρήστης (Andrónikos o Kyrrestes) → An-dró-ni-kos o Kir-rís-tis 
5. Πλάκα (Plaka) → Plá-ka (bairro turístico de Atenas onde está a Torre dos Ventos) 
6. Οκταγωνικό (Oktagonikó) → Ok-ta-go-ni-kó (octogonal) 
7. Μαρμάρινο (Marmárino) → Mar-má-ri-no (de mármore) 
8. Μετόπες (Metópes) → Me-tó-pes (painéis ou espaços entre colunas) 
9. Άνεμοι (Ánemi) → Á-ne-mi (ventos) 


Friso da Torre dos ventos, denominação oficial: Horológio de Cirro, Ωρολόγιο του Κυρρήστου, Horologio to Kyrristou, pronuncía-se: O-ro-ló-ghi-o tu Kir-rís-tu, construído por Andrônico de Cirro (ou Kyrrestes) no séc. I a.C.

“Oh Tritão, para onde soprará o vento hoje?”

Um catavento, na forma de um Tritão, um deus marinho, com cauda de peixe no lugar das pernas, que ficava no topo da Torre dos Ventos, indicando a direção do vento com seu cetro de bronze.

Um observatório meteorológico no Centro de Atenas  

Um Cata-Vento Antigo, um relógio de Sol, uma “biruta” e uma Clepsydra

Marcus Vitruvius Pollio, foi um arquiteto romano que viveu no século I a.C. e deixou como legado a obra "De Architectura" (10 volumes, aprox. 27 a 16 a.C.), o único tratado europeu do período grego-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre Arquitetura e Urbanismo, Hidráulica, e Engenharia, desde o Renascimento. Os seus padrões de proporções e os seus princípios conceituais, “utilitas” (utilidade), “venustas” (beleza) e “firmitas” (solidez), inauguraram a base da Arquitetura clássica.

Esse autor, Vitrúvio, reconheceu Andrônico, cientista de Cirro, na Macedônia, por seu trabalho de classificar os ventos em mais de 4 categorias, além de aplicar princípios construtivos clássicos na produção da Torre dos Ventos. 

A torre do Horológio de Cirro, ou Torre dos Ventos, elevava-se a cerca de 12 metros acima da Ágora, permitindo que todos os cidadãos de Atenas determinassem o tempo e as condições climáticas quando quisessem, ou consultassem a hora através de uma Clepsydra ou olhando a sombra lançada pelos gnômons dos relógios de Sol ali existente. Essa construção notável ficou conhecida como Aérides, que em grego significa “os ventos”.

Torre dos ventos ou Aérides







Boreas (vento norte) à esquerda e Skíron (vento noroeste) à direita.


Métodos Gregos Clássicos de Medição do Tempo

O erudito romano Varro chamou-a de Horologium, Relógio, pois as pessoas podiam facilmente determinar a hora do dia observando onde a sombra do Sol caía sobre os relógios solares gravados em suas paredes.

Quando esse método se tornava ineficaz, como à noite ou durante dias chuvosos, um relógio de água ou clepsidra dentro do edifício calculava o tempo.

Clepsidra, é o nome dado a um relógio que marca o tempo através de um fluxo regulado de água. No caso da Torre dos ventos, a clepsidra utilizava água de uma nascente ao pé da Acrópole. Essa água salgada era cuidadosamente conduzida até o local através de canais subterrâneos.


Notas
1. “Horologium” foi mantido em latim (como no original) por ser um termo técnico, seguido da tradução.
2. Relógio de água (Water-clock) é o termo técnico que designa um mecanismo antigo que média o tempo através do escoamento da água.
3. “Clepsydra” é o nome específico do mecanismo (relógio de água, já consagrado em estudos de arqueologia em muitos povos antigos sobretudo no Egito e Grécia.


Interior da Torre dos Ventos. Image Credit: Wikimedia Commons.

Uma Descoberta Peculiar

James Stuart, o arquiteto britânico do século XVIII, conta uma anedota interessante sobre como descobriu este mecanismo escondido sob toneladas de escombros. A torre era então o lar de um grupo de dervixes turcos rodopiantes, cujo líder lhe deu permissão para escavar dentro do edifício.

Interior of the Tower from the time when Ottoman dervishes gathered there.

Sua planta foi definida em um círculo com um diâmetro de cerca de 8 metros, em forma de octógono. Stuart encontrou o edifício semienterrado, com apenas uma de suas duas portas permitindo o acesso. Originalmente, pequenos pórticos de entrada ladeavam a torre a nordeste e noroeste.

Características Arquitetônicas

O desenho dos capitéis, que revestem as colunas abaixo dos frontões, era tão incomum que recebeu o nome da torre. O conjunto superior de folhas é plano em comparação com o tipo coríntio abaixo, que não termina em volutas.

Capitéis das colunas da Torre dos Ventos. 

A torre tinha 8 lados marcando seus limites. Cada um deles tinha um relevo representando o vento que soprava naquela direção. Um vento de uma direção específica era, naturalmente, representado na forma da divindade que ele nomeava.


Segredos dos Deuses do Vento

A descrição do edifício feita por Stuart em suas Antiguidades de Atenas é a mais rigorosa e completa entre seus contemporâneos. É por isso que ilustramos a descrição de cada vento com os desenhos que Stuart publicou. Todos eles aparecem com suas asas voando no ar. No friso, relevos representavam as oito divindades gregas para o vento, segundo sua direção: Bóreas (N), Kaikias (NE), Eurus (E), Apeliotes (SE), Noto (S), Lips (SO), Zéfiro (O) e Siroco (NO).

Boreas.
Bóreas, o vento norte (N), traz tempestades que produzem sons uivantes, como quando sopramos através de uma concha, que ele segura na mão. Ele está bem agasalhado e usa um par de coturnos, que era o antigo substituto dos sapatos. Geralmente eram feitos de couro com cadarços que iam até as panturrilhas.

 
Kaikias
Kaikias, o Deus do vento do nordeste (NE), carrega tempestades de granizo e, às vezes, neve, retratadas em seu escudo. Por causa de sua alça, Stuart discordou de outros que acreditavam que se tratava de uma tigela de azeitonas, nutridas por esse vento.

Apeliotes
Apeliotes, o Deus-vento soprando do sudeste (SE), impulsiona a agricultura simbolizada pelas frutas, vegetais e grãos em seu manto.

Eurus
Eurus, o Deus-vento do Leste (E) causa uma atmosfera úmida refletida em sua expressão mal-humorada.

Notus 
O jovem Notus Deus-vento do sul (S) segura uma ânfora cheia de água, pois ele geralmente é o portador das chuvas.

Libs 
Libs, o Deus-vento do sudoeste (SO) tinha uma relação próxima com os navios à vela, o que fica evidente pelo aplustre em sua mão. Um aplustre, chamado aphlaston em grego, era uma peça de madeira em forma de leque que decorava a popa de navios antigos.

Zephyrus
Zéfiro, o Deus-vento do oeste (O), é bem-vindo na primavera, espalhando flores.


Skíron ou Sciron
O Sciron (Siroco) o Deus-vento do noroeste (NO) do inverno tem um utensílio de bronze cheio de brasas para se manter aquecido.


Ilustração mostrando as duas entradas ou pórticos da Torre dos ventos. 


Relevância histórico-arquitetônica e inspiração

O uso do octógono por Frank Lloyd Wright em seus primeiros trabalhos no final do século XIX desempenhou um papel crucial no advento da Era da Diagonalidade no início do século XX.(1)
A Torre dos Ventos foi construída pelo astrônomo grego Andrônico de Cirro (ou, como alguns autores registram, Andronikos Cyrrhestes, ou ainda, conforme a grafia de um tradutor do grande arquiteto romano Vitrúvio, e que a atual Encyclopædia Britannica adota, Andronicus de Cyrrhus). Agora totalmente escavada, a construção é uma estrutura notável e imponente que repousa sobre um estilóbato de três degraus. Nas faces nordeste e noroeste existiam (ou ainda existem) pórticos com colunas coríntias estriadas de 4,11 metros de altura.

Uma câmara circular projeta-se do lado sul e provavelmente era usada como reservatório para abastecer as funções internas com água. Vinte e quatro blocos de mármore compõem o telhado, e a parede externa da torre é lisa até uma altura de 8,84 metros, exceto pelas linhas incisas que fazem parte do relógio de sol.

Sua importância em relação à diagonalidade reside no fato de ser uma das primeiras construções da história a adotar uma planta octogonal. Em parte graças à Torre dos Ventos, o octógono tornou-se uma das formas não ortogonais mais influentes e frequentemente utilizadas na história da arquitetura.

Torre dos Ventos: 
Função, Importância e Simbolismo

Como já sabemos a torre foi construída para identificar a direção do vento por meio de um cata-vento e medir a passagem do tempo utilizando tanto um mecanismo hidráulico quanto relógios solares. 

Próximo ao topo da torre, na métopa, há um friso em baixo-relevo representando os diversos ventos, cada um voltado para a direção de onde sopra (ou seja, os pontos cardeais e colaterais). No topo da estrutura, há uma peça de mármore em formato cônico, originalmente encimada por um cata-vento de bronze em forma de Tritão, que segurava uma haste em sua mão direita. (1)

Assim como a direção do vento é hoje uma informação crucial para previsões meteorológicas, viagens aéreas e lançamentos espaciais, na Antiguidade conhecer sua origem era vital por questões de navegação e sobretudo de saúde, como revela a citação abaixo do grande escritor romano Vitrúvio. Segundo Vitrúvio, o cata-vento girava com o vento, posicionando a escultura de frente para a direção predominante. A haste apontava então para o baixo-relevo correspondente, identificando qual vento estava soprando. 

No Capítulo VI de “Os Dez Livros da Arquitetura”, intitulado “A Orientação das Ruas: Observações sobre os Ventos”, Vitrúvio detalha os motivos por trás da construção da Torre dos Ventos. Ele começa expressando preocupação com o posicionamento adequado das ruas em cidades já fortificadas, afirmando que: 

“Os ventos frios são incômodos, os quentes debilitantes e os úmidos, nocivos à saúde.”

Como exemplo, ele cita a cidade de Mitilene, na ilha de Lesbos, que, apesar de bem planejada e magnífica, sofria com os ventos: 

“Quando o vento sul sopra, as pessoas adoecem; quando é noroeste, tossem; e com o vento norte, até se recuperam, mas não conseguem permanecer nas ruas e vielas devido ao frio intenso.”

Ele conclui defendendo que bloquear os ventos prejudiciais das moradias melhora a saúde dos moradores da cidade. 
Ele continua: 

“Ao bloquear os ventos de nossas moradias, portanto, não apenas tornaremos o local saudável para pessoas em boa saúde, mas também, no caso de doenças causadas por situações desfavoráveis em outros lugares, os pacientes que em outros locais saudáveis poderiam ser curados por um tratamento diferente, aqui se recuperarão mais rapidamente graças à suavidade proporcionada pela proteção contra os ventos. As doenças difíceis de curar em regiões como as que mencionei acima são catarros, rouquidão, tosses, pleurisias, tuberculose, hemoptise e todas aquelas que são tratadas não pela redução do organismo, mas por seu fortalecimento. São difíceis de curar, primeiro porque têm origem em resfriamentos; segundo, porque o organismo do paciente, já debilitado pela doença, é ainda mais enfraquecido pelo ar desses locais - que está em constante agitação devido aos ventos e, portanto, deteriorado - sugando toda a vitalidade dos corpos enfermos e deixando-os mais debilitados a cada dia. Por outro lado, um ar suave e denso, sem correntes e não constantemente agitado, fortalece seus corpos por sua estabilidade constante, e assim revigora e restaura as pessoas afligidas por essas doenças.”

1. Alguns sustentaram que existem apenas quatro ventos: Solano, do leste; Austro, do sul; Favônio, do oeste; e Setentrião, do norte. Mas investigadores mais cuidadosos afirmam que são oito. Ele então prossegue dizendo que o principal entre esses foi Andrônico de Cirro, que como prova, construiu a torre octogonal de mármore em Atenas.

2. Assim, Euro é colocado no sudeste, entre Solano e Austro; Áfrico, no sudoeste entre Austro e Favônio; Cauro, ou como muitos o chamam, Coro, entre Favônio e Setentrião; e Áquilo, entre Setentrião e Solano. Tal parece ter sido seu esquema, incluindo o número e nomes dos ventos e indicando as direções de onde sopram ventos específicos.

Portanto, que as direções de suas ruas e vielas sejam traçadas seguindo as linhas divisórias entre os quadrantes de dois ventos.

1. “Por este princípio de organização, a força incômoda dos ventos será bloqueada das moradias e alinhamentos de casas. Pois se as ruas estiverem diretamente voltadas para os ventos, suas rajadas constantes, avançando desde o campo aberto e depois confinadas por vielas estreitas, varrerão as ruas com grande violência. Os alinhamentos de casas devem, portanto, ser orientados para longe dos quadrantes de onde sopram os ventos, de modo que quando chegarem, possam se chocar contra os ângulos dos quarteirões e sua força assim ser quebrada e dispersa.”(1)

O simbolismo da Torre dos Ventos. 

A Torre dos Ventos ou Horologion de Andrônico de Cirro, ou Aérides em Atenas é um monumento antigo que possui um rico simbolismo para o povo ateniense e para a cultura grega em geral. Construída no século I a.C., ela representa uma fusão de funcionalidade prática, conhecimento científico e significado cultural. Seu simbolismo pode ser entendido em várias dimensões:

1. Sabedoria e Progresso Científico
A Torre dos Ventos era um relógio solar, hidráulico e uma biruta meteorológica, demonstrando o avanço da engenharia e astronomia gregas. 
Suas oito faces correspondem aos oito ventos principais da mitologia grega, representados em relevos (como Bóreas, o vento norte, e Zéfiro, o vento oeste). Isso simboliza a compreensão humana da natureza e a tentativa de dominá-la através do conhecimento. 

2. Conexão com os Deuses e a Natureza
Os ventos eram considerados divindades na Grécia Antiga, como Éolo, deus dos ventos. A torre servia como um elo entre o celestial e o terrestre, mostrando como os fenômenos naturais eram sagrados. 
Sua função como marcador de tempo (com relógios de sol e água) também a ligava aos ritmos cósmicos e divinos. 

3. Poder Cívico e Identidade Ateniense
Localizada na Ágora Romana centro comercial e administrativo, a torre simbolizava o orgulho da cidade como centro de cultura e tecnologia. 
Era um símbolo da “pax romana”no período de dominação romana, mostrando como Atenas mantinha sua importância intelectual mesmo sob novo governo. 

4. Resistência e Memória Histórica
Ao longo dos séculos, a torre foi usada como igreja cristã, mesquita otomana e até depósito, refletindo as mudanças culturais de Atenas. Para os gregos modernos, ela é um símbolo de resiliência da herança clássica. 

5. Inspiração Arquitetônica e Cultural
Sua forma octogonal influenciou construções posteriores (como torres de vento em outras cidades e até a arquitetura islâmica). Hoje, é um lembrete do legado grego na ciência e na arte. 

Para o povo hoje. Para os gregos contemporâneos, a Torre dos Ventos é um monumento à identidade nacional, um testemunho do passado glorioso de Atenas e um símbolo da eterna busca pelo conhecimento. Também representa a harmonia entre funcionalidade e beleza, um princípio central da cultura helênica.  

Algumas fotos da Torre dos ventos















Conclusão 

O Horologion de Andrônico de Cirro, também conhecido como a Torre dos Ventos ou Aérides, é um dos monumentos arqueológicos mais fascinantes de Atenas, localizado na Ágora Romana, entre os bairros de Plaka e Monastiraki. É considerado a primeira estação meteorológica do mundo. 

A Torre dos Ventos foi construída em 48 a.C. (no primeiro século antes de Cristo) na Ágora Romana de Atenas, Grécia, mas permaneceu praticamente invisibilizada por muitos séculos, quase totalmente soterrada pelos escombros acumulados pelas mudanças de civilizações. Foi desenterrada em 1837 e 1845 pela Sociedade Arqueológica Grega.

Construído inteiramente em mármore pentélico na primeira metade do século I a.C. pelo astrônomo, engenheiro e arquiteto grego Andrônico de Cirro (natural de Cirro, na Macedônia), a torre tem formato octogonal, com 12 metros de altura e cada lado medindo 3,20 metros. Possui duas entradas nos lados nordeste e noroeste, onde originalmente havia um pórtico com duas colunas em cada uma, enquanto no lado sul há um anexo semicilíndrico mais baixo. O telhado cônico, coberto com telhas, era adornado por um Tritão de bronze, que funcionava como um cata-vento. 
O elemento mais impressionante do monumento, sem dúvida, são os oito ventos esculpidos em relevo nos lados das métopas, cada um com seu nome e símbolo: 
Bóreas (N)
Kaikias (NE)
Eurus (Leste)
Apeliotes (SE)
Notus (Sul)
Livas (SO)
Zéfiro (Oeste)
Skiron (NO)

A torre encantou viajantes e historiadores tanto por sua construção quanto por seu uso científico. Chamada de “Torre dos Ventos” ou “Templo de Éolo”, foi descrita em detalhes e classificada em dois estilos arquitetônicos: 
O exterior, devido aos pórticos e colunas, segue o estilo coríntio. 
O interior apresenta características do estilo dórico. 
Além de estação meteorológica, servia como torre-relógio, com relógios de sol para dias claros e um relógio hidráulico para dias nublados. Acredita-se que seu construtor combinou invenções de antigos criadores de relógios, como Arquimedes, Ctesíbio e Filon.
Nos primeiros anos do cristianismo, foi convertido em uma igreja ou batistério de um templo vizinho, e próximo à entrada nordeste havia um cemitério cristão. No século XV, era chamada de “Templo de Éolo”, e um viajante anônimo a descreveu como uma igreja. 
A Torre dos Ventos foi totalmente escavada no século XIX pela Sociedade Arqueológica Grega, e o bairro ao seu redor recebeu o nome de “Aerides” (que significa "ventos"), permanecendo até hoje como um dos locais mais pitorescos do centro histórico de Atenas. 

A Torre dos Ventos e sua Influência Arquitetônica

A Torre dos Ventos foi construída aproximadamente 240 anos após o famoso farol conhecido como Farol de Alexandria (Faros) ter sido erguido no Egito. Dada a importância que o Farol ocupava no imaginário arquitetônico e cultural dos povos mediterrâneos, é muito provável que ele, e especialmente seu modelo em escala reduzida em Abusir, no Egito, tenha influenciado a geometria octogonal da Torre dos Ventos. Ambas eram estruturas utilitárias e produtos do pensamento grego. Ambas refletiam uma orientação omnidirecional, diferente do alinhamento axial típico da arquitetura egípcia. Ambas tomaram uma figura da geometria plana e a transformaram em forma tridimensional. Assim, começava a ruptura com a arquitetura de ângulos retos.


Influência no Mundo Moderno

Segundo Levinson (2025), Thomas Jefferson possuía um exemplar do livro “The Antiquities of Athens” (1762), de James Stuart e Nicolas Revett, que continha desenhos detalhados da torre em seu estado original. Jefferson não foi o único a se maravilhar com essas imagens da antiguidade, esta obra e outras produzidas por estudiosos da época foram altamente influentes, alimentando o interesse pela arquitetura neoclássica durante o Iluminismo e popularizando o uso do octógono como motivo geométrico em projetos.

Réplicas ao Longo da História

O design da Torre dos Ventos foi reproduzido repetidamente:
1) O Observatório Radcliffe (século XVIII) em Oxford, Reino Unido
2) A Torre del Marzocco (século XV) em Livorno, Itália
3) O Templo dos Ventos em Mount Stewart, Irlanda do Norte
4) A torre em Sebastopol, Ucrânia (1849)
5) Mais recentemente, uma réplica foi construída por Clay Lancaster (1917-2000) em sua propriedade em Warwick, no Kentucky (EUA).

Todas essas réplicas podem não parecer, à primeira vista, um desenvolvimento tão importante, exceto pelo fato de que o octógono se tornou, ao longo do tempo, uma das formas não ortogonais mais influentes e frequentemente usadas na história da arquitetura.


Fonte
A bibliografia básica com fontes online confiáveis sobre a Torre dos Ventos de Atenas, incluindo artigos acadêmicos, recursos de museus e instituições especializadas.

1. Fontes Acadêmicas e Artigos

“The Tower of the Winds and the Roman Calendar”. American Journal of Archaeology
Acesso via JSTOR ou instituições acadêmicas

“Andronicus of Cyrrhus and the Tower of the Winds”
 Journal of Roman Archaeology

“Water Clocks in the Ancient World”. Scientific American (Menção à Torre dos Ventos) 
(Buscar por artigos relacionados)

2. Museus e Sítios Arqueológicos

Ministério da Cultura da Grécia – Torre dos Ventos
(Site oficial com informações históricas

American School of Classical Studies at Athens (ASCSA)
(Buscar por publicações sobre o monumento)

3. Enciclopédias e Bases de Dados

Encyclopædia Britannica. “Tower of the Winds”

Artigo sobre a Torre dos Ventos

Perseus Digital Library; Referências Clássicas
(Buscar por Horologion of Andronikos)

4. Documentários e Recursos Visuais

Ancient Athens 3D
Reconstrução da Torre dos Ventos
YouTube: 
Ancient Athens 3D
(Procurar pelo canal oficial)

Smithsonian Channel
Engenharia Romana/Grega
(Pode conter menções ao monumento)

5. Livros Digitais (
Google Books / Archive.org

Greek and Roman Technology
K.D. White (Disponível em trechos no Google Books)
Time in Antiquity. Robert Hannah (Capítulo sobre relógios antigos)

6. Pesquisa no DeepSeek 
DEEPSEEK CHAT. Resposta sobre (tema pesquisado). Data da consulta, 4 maio 2025. Disponível em: <https://chat.deepseek.com>. 
Acesso em: 04/maio/2025.











Observação
Alguns links exigem acesso institucional ou pagamento, mas muitos recursos estão disponíveis gratuitamente. Se precisar de artigos específicos em PDF, recomendo buscar no Academia.edu ou ResearchGate. 



Como são textos de diversas procedências achei importante citar algumas notas de tradução.

1. Mantive os nomes próprios nas formas mais consagradas em português, com alternativas entre parênteses quando relevantes
2. Converti as medidas para o sistema métrico (13'6" = 4,11m; 29' = 8,84m)
3. Utilizei termos técnicos de arquitetura como "estilóbato" e "colunas coríntias estriadas" por serem consagrados na área.
4. “Age of Diagonality” foi traduzido como “Era da Diagonalidade” por ser um termo específico da história da arquitetura.
5. Optei por “câmara circular” em vez de “câmara cilíndrica” por ser mais fiel ao original “circular chamber”.
6. Mantive o termo “diagonalidade” para manter consistência com a tradução anterior
7. “Footprint” foi traduzido como “planta” (no sentido arquitetônico de planta baixa), termo técnico mais adequado que “base” ou “formato”
8. “Non-orthogonal shapes” ficou como “formas não ortogonais”, tradução técnica precisa.
9. A estrutura do período composto foi mantida para preservar o estilo acadêmico do texto original
10. A expressão “in part due to” foi traduzida como “em parte graças a” para manter o tom do texto
11. Termos técnicos: “Weathervane” → cata-vento; band course/frieze → friso; bas-reliefs → baixos-relevos. 
12. Clareza: Frases foram adaptadas para um fluxo natural em português, mantendo o tom acadêmico. 
13. Citações: As palavras de Vitrúvio foram destacadas como citações diretas, conforme o original que possuo. 
14. Mantive os nomes dos ventos em sua forma latina (Solanus, Auster, etc.) por serem termos técnicos da meteorologia antiga.
15. Preservei a estrutura de enumeração (1., 2.) do texto original de Vitruvio.
16. “Pleurisy” foi traduzido como “pleurisias” (forma mais comum em português médico).
18. “Consumption” foi traduzido como “tuberculose” (termo moderno equivalente ao conceito antigo).
19. A tradução mantém o tom técnico-científico do original vitruviano, com adaptações para fluidez em português.
20. Os termos arquitetônicos como “lines of houses” foram traduzidos como “alinhamentos de casas” para manter a precisão técnica.
21. Termos técnicos: "omnidirecional" e nomes próprios originais
22. “Axial orientation” traduzido como “alinhamento axial”