CAFÉ
Blog de Arte e História, Filosofia, Geometria, Astronomia, Ciências, Fotografia alternativa e Política! POR UMA VIDA NÃO FASCISTA.
21 dezembro 2024
O MERCADO É A MORTE
O MERCADO = MECANISMO DE PRODUÇÃO DE POBREZA E DESIGUALDADE SOCIAL
O capitalismo é um sistema econômico baseado na propriedade privada, na acumulação de capital e na busca pelo lucro.
A obtenção do lucro e a acumulação do capital dentro do capitalismo dão-se por meio da posse privada dos meios de produção, que manifesta-se pela posse da terra ou de instalações que permitam a produção de mercadorias que serão comercializadas no mercado.
FASES DO CAPITALISMO
Nos últimos dez dias, o terror orquestrado pelo "Sr Mercado Faria Lima" contra a estabilidade do país atingiu seu ápice: o dólar, ou melhor, a taxa câmbio entre o dólar americano e o real brasileiro disparou.
Bastou o Congresso aprovar "cortes de gastos" sobre os pobres e a classe média baixa, e o BC fazer grande leilão da moeda americana para a taxa de câmbio começar a baixar.
A respeito dessa movimentação político/especulativa do poderoso "mercado", o economista Bruno Lins explica:
"Para a ideologia dominante no mercado, a única causa da subida do dólar seria a "gastança" do governo Lula.
Trata-se de uma interpretação simplista, interessada e mal intencionada.
Primeiro, é evidente que os agentes financeiros atuam de forma irracional, muitas vezes condicionada a convicções políticas. A ideologia que predomina no mercado é a pressão constante para a redução dos serviços públicos essenciais (saúde, educação, segurança pública). Detestam o Estado quanto este atua para diminuir as distorções sociais, as desigualdades, veneram o privado, o lucro e o estado mínimo.
Não é razoável, não é tolerável, a submissão do Estado às intervenções de um “ente”, que congrega 1% da população (os ricos=elite financeira) que age constantemente para desestabilizar qualquer governo minimamente democrático e distributivo.
Segundo, o mercado financeiro se contradiz com suas próprias expectativas. No boletim Focus (das expectativas do mercado) de janeiro, a previsão era de um déficit primário de 0,8% do PIB, e uma dívida líquida, descontadas as reservas cambiais, de 64,25%, com uma alta do PIB de 1,6%. Já no último boletim, do dia 13 de dezembro, a previsão mediana do PIB subiu para 3,42%, a dívida líquida para 63% e o déficit primário caiu para 0,5%.
A ideia de que a questão fiscal é causa dos problemas, portanto, é esquizofrênica: as expectativas para a dívida e para o déficit estão menores do que antes. Mas a perspectiva de lucro com a crise é maior do que com a estabilidade e dignidade (mínima) dos trabalhadores.
Terceiro, se olharmos o comportamento da taxa de câmbio dólar/real atualizada pela variação do IPCA (descontando a inflação) desde 2002, a atual passa longe de ser a mais alta. De acordo com dados extraídos pelo prof. José Oreiro, a maior cotação do dólar ocorreu em outubro de 2002 e, mais recentemente, em maio de 2020, durante o governo de Bolsonaro. A correção pela inflação é importante, pois leva em conta o poder de compra, medida mais realista do impacto do câmbio na economia.
Quarto, essa desvalorização é incompatível com a nossa situação econômica: temos imensas reservas internacionais, estamos em boa taxa de crescimento e com baixo desemprego (6,2%) a menor da série histórica.
Desde o Plano Real a economia brasileira ampliou progressivamente a sua integração junto aos mercados financeiros. A vulnerabilidade do país à especulação e a recorrente alta taxa de juros bloqueiam constantemente o crescimento e a distribuição de renda.
Nesse sentido, o horizonte deve ser a superação das amarras que o mercado e o sistema financeirizado colocam ao desenvolvimento nacional.
Suportar a pressão que a Faria Lima impõe é sinal de força que qualquer governo comprometido com a justiça social precisa dar.
Claudius e a máquina de moer gente em favor da grande finança.
Fonte
ANTÍFONA DO O
QUINTA ANTÍFONA DO O
21/Dez
O Oriens,
splendor lucis aeternae, et sol justitiae:
veni, et illumina sedentes in tenebris, et umbra mortis.
Ó Oriente (Oh Sol nascente)
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.
20 dezembro 2024
PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ
PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ
Berthold Brecht
Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?
Nos livros estão nomes de reis; os reis carregaram pedras?
E Babilônia, tantas vezes destruída, quem a reconstruía sempre?
Em que casas da dourada Lima viviam aqueles que a edificaram?
No dia em que a Muralha da China ficou pronta,
para onde foram os pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos triunfais:
quem os erigiu?
Quem eram aqueles que foram vencidos pelos césares?
Bizâncio, tão famosa, tinha somente palácios para seus moradores?
Na legendária Atlântida, quando o mar a engoliu, os afogados continuaram a dar ordens a seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César ocupou a Gália.
Não estava com ele nem mesmo um cozinheiro? Felipe da Espanha chorou quando sua frota
naufragou. Foi o único a chorar?
Frederico Segundo venceu a guerra dos sete anos. Quem partilhou da vitória?
A cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes comemorativos?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas informações.
Tantas questões.
Bertolt Brecht
BERTOLT BRECHT
O dramaturgo e poeta alemão Berthold Brecht (1898 - 1956) foi um socialista que, em sua época, lutou contra o nazismo que assolava a Europa, usando a arte e a literatura como armas. Ao defender a necessidade dos trabalhadores entenderem o processo histórico que determina sua condição de vida, o poeta se tornou uma referência para os movimentos sociais.
Por Carolina Maria Ruy
Brecht nasceu na Baviera, Alemanha, estudou medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Depois da guerra mudou-se para Berlim, onde trabalhou com Erwin Piscator (1893 1966), um dos precursores do Teatro Épico (produto do forte desenvolvimento teatral na Rússia, após a Revolução Russa de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de Weimar).
Naquele contexto do final dos anos 1920, marcado pela afirmação do nazismo de um lado, e pela influencia socialista da recém-formada União Soviética, de outro, Brecht tornou-se um militante marxista e o principal expoente do teatro épico. Tanto como dramaturgo, como quanto poeta, seu trabalho baseado em uma contundente crítica ao sistema capitalista, tinha considerável repercussão. Antes de completar trinta anos ele já era reconhecido como um grande poeta.
Sua arte comumente tinha caráter educativo e visava criar uma espécie de consciência de classe entre os operários. Para o historiador alemão Jan Knopf, Brecht, insurgiu-se contra a representação ideológica elitista da história afirmando que só os trabalhadores podem promover as transformações necessárias para uma sociedade emancipada e igualitária.
Entretanto, para ele apenas ser um trabalhador não seria uma condição mágica dotada naturalmente de potencial revolucionário. O trabalhador propenso a realizar a mudança social é aquele que se inquieta, que insiste em compreender mais criticamente o mundo que anseia por modificar. É, enfim, o trabalhador que lê e faz perguntas.
No poema Perguntas de um trabalhador que lê, de 1935, Brecht exprime o que seria essa representação elitista da historiografia e a tomada de consciência dos trabalhadores. Embora a poesia tenha sido escrita há oitenta anos as Perguntas permanecem atuais e expressam a realidade brasileira. Isso porque a história oficial, que aprendemos nas escolas através de gerações, desconsidera o protagonismo das lutas sociais e dos trabalhadores.
PREGUNTAS DE UM OBRERO QUE LEE
Bertolt Brecht
¿Quién construyó Tebas, la de las siete Puertas?
En los libros aparecen los nombres de los reyes.
¿Arrastraron los reyes los bloques de piedra?
Y Babilonia, destruida tantas veces,
¿quién la volvió siempre a construir? ¿En qué casas
de la dorada Lima vivían los constructores?
¿A dónde fueron los albañiles la noche en que fue ter-
minada la Muralla China? La gran Roma
está llena de arcos de triunfo. ¿Quién los erigió?
¿Sobre quiénes
triunfaron los Césares? ¿Es que Bizancio, la tan cantada,
sólo tenía palacios para sus habitantes? Hasta en la
legendaria Atlántida,
la noche en que el mar se la tragaba, los que se hundían,
gritaban llamando a sus esclavos.
El joven Alejandro conquistó la India.
¿Él solo?
César derrotó a los galos.
¿No llevaba siquiera cocinero?
Felipe de España lloró cuando su flota
Fue hundida. ¿No lloró nadie más?
Federico II venció en la Guerra de los Siete Años
¿Quién
venció además de él?
Cada página una victoria.
¿Quién cocinó el banquete de la victoria?
Cada diez años un gran hombre.
¿Quién pagó los gastos?
Tantas historias.
Tantas preguntas.
Bertolt Brech
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