INÍCIO

05 maio 2024

ASTRONOMIA E SIGNOS

ASTRONOMIA E SIGNOS ZODIACAIS


Zodíaco, do latim zōdiacus, por sua vez do grego antigo ζωδιακός κύκλος, zōdiakós kýklos, círculo de animais, derivado de ζώδιον, zōdion, diminutivo de ζῶον, zōon, animal; é uma faixa imaginária do firmamento celeste que se estende aproximadamente a 8° ao norte e ao sul, medida em latitude celeste, da eclíptica, a qual inclui as órbitas aparentes do Sol, da Lua e dos planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. As divisões do zodíaco representam constelações na astronomia e signos na astrologia.

Na astrologia ocidental, e também na astronomia, o zodíaco é dividido em doze signos, cada um ocupando 30° de longitude celestial e correspondendo aproximadamente às constelações de: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

Círculo zodiacal (Fonte: WP)

Moderno círculo zodiacal (WP)

Esses signos astrológicos formam um sistema de coordenadas celestes, ou mais especificamente um sistema de coordenadas eclípticas, que toma a eclíptica como origem da latitude e a posição do Sol no equinócio vernal como origem da longitude.

O zodíaco estava em uso na era romana, baseado em conceitos herdados pela astronomia helenística e pela astronomia babilônica do período caldeu (meados do primeiro milênio a.C.), que, por sua vez, derivava de um sistema anterior de listas de estrelas ao longo da eclíptica. 

A construção do zodíaco é descrita na abrangente obra de Ptolemeu do século II d.C., o Almagesto.

Embora o zodíaco permaneça a base do sistema de coordenadas eclípticas em uso na astronomia, além do sistema equatorial, o termo e os nomes dos doze signos são hoje principalmente associados à astrologia horoscópica. 

Na astronomia, o zodíaco de um determinado planeta é a faixa que contém o caminho desse corpo em particular; por exemplo, o "zodíaco da Lua" é a faixa de 5° acima e abaixo da eclíptica. Por extensão, o "zodíaco dos cometas" pode se referir à banda que abrange a maioria dos cometas de curto período.

Tem se afirmado, que a criação das 12 casas foi helenística e que sua invenção se deve a Hermes Trismegisto. Todavia não há evidência alguma que sustente essa hipótese, uma vez que os signos ja estavam estabelecidos pelos antigos babilônicos que herdaram se não toda, pelo menos parte das observações das constelações dos Caldeus. 

A 13ª constelação zodiacal, Ofiucos.

Capricórnio: 20/1 a 16/2 
Aquário: 16/2 a 11/3 
Peixes: 11/3 a 18/4 
Áries: 18/4 a 13/5 
Touro: 13/5 a 21/6 
Gêmeos: 21/6 a 20/7 
Câncer: 20/7 a 10/8 
Leão: 10/8 a 16/9 
Virgem: 16/9 a 30/10
 Libra: 30/10 a 23/11 
Escorpião: 23/11 a 29/11 
Ofiúco: 29/11 a 17/12 
Sagitário: 17/12 a 20/1

As 12 casas zodiacais provém da observação do Sol, e a constelação antes do nascer do sol e a constelação que aparece logo depois do pôr do Sol, logo depois do ocaso. 

A eclíptica, então, é o caminho percorrido pelo Sol ao longo de 12  meses, o ano na eclíptica. 

Essas 12 casas, correspondem aproximadamente a 30 graus cada uma, embora nem todas as constelações zodiacais ocupem exatamente esse espaço de 30° no céu; por ex., a constelação de Scorpius, o escorpião, o Sol leva apenas 6 dias para atravessá-la, o q significa que não tem 30°.

Segundo Duarte s/d foi a partir de 1922, quando foi criada a União Astronômica Internacional (UAI), que o conceito de constelação começou a mudar.
Os astrônomos perceber-se que o Sol passava por mais uma constelação, a constelação de Ofiúco (Ophiucus), o serpentário. Assim, essa constelação deveria ser incluída na eclíptica já que o sol passa por ela. Então,  temos uma 13a constelação zodiacal. 

Durante a assembléia geral da UAI em 1925, em Cambridge, foi formafo um grupo de trabalho para estudar a questão das delimitações das constelações, surgindo daí uma proposta de criação de regiões na esfera celeste, tal como um país dividido em estados. 

Assim,  toda a esfera celeste foi dividida, por esse grupo de astrônomos, em 88 regiões, também chamadas constelações, com tamanhos variados e delimitações bem definidas e retilíneas. 

Cada região recebeu o nome da principal constelação nela predominante e todas aquelas cortadas pela linha da eclíptica (linha que no céu, vista da Terra, representa o caminho percorrido pelo Sol durante o ano) passaram a ser consideradas constelações zodiacais

Convém explicar que o zodíaco, ou círculo zodiacal, é um círculo ou faixa de 17 graus no céu, que abrange toda a esfera celeste e que tem no centro a linha da eclíptica

Foi desta forma, então, que o zodíaco acabou por ser apresentar 13 regiões ou constelações, que são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Ofiúco, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. 

Devemos salientar que para ser considerada uma constelação zodiacal a constelação deve ser atravessada pela linha da eclíptica, ou seja, o sol deve cruzá-la ao longo do ano. 
Acontece que depois de passar por Libra e Escorpião, o sol cruza Ofiúco de 30 de novembro a 17 de dezembro, antes de entrar em Sagitário, devendo, por isso, ser incluída como uma constelação zodiacal.

Todavia, esta passagem do sol por Ofiúco não é considerada pela astrologia. Do modo como foi organizado o céu pela UAI, todas as treze constelações ocupam espaços diferentes ao longo da linha da eclíptica, o que significa dizer que a divisão do zodíaco em doze signos de trinta graus cada um é puramente arbitrária e segue apenas a tradição dos povos antigos.


OFIUCO

O poeta romano Ovídio, Publius Ovidius Naso (20 março 43 BC – AD 17/18), deixou um relato sobre sua história em suas Metamorfoses. Segundo a narrativa, não havia donzela mais formosa em toda Tessália do que Corônis. Apolo estava apaixonado por ela e se tornaram amantes, mas o corvo do deus descobriu que ela havia se deitado com o jovem Ischys, filho de Elatus, e voou até seu mestre para relatar o fato. Enfurecido, Apolo tirou uma flecha da aljava e disparou contra o peito daquela que ele tantas vezes havia abraçado, beijado e acariciado. 

Arrancando a seta ensanguentada, Corônis bradou: “Oh Febo Apolo, decerto eu mereci esta punição, mas por que não esperaste até que eu desse à luz ao nosso filho? Agora ambos morreremos!” E assim dizendo, expirou. Arrependido do que fizera, Apolo sentiu ódio de si mesmo, e o corvo que levara tão nefasta notícia, que era branco, foi amaldiçoado e suas penas se tornaram negras. 

Então Apolo desceu dos céus e foi para seu lado, tomou o corpo sem vida em seus braços, mas seus poderes não bastaram para devolvê-la ao mundo dos vivos. Quando ela foi posta sobre uma pira para ser cremada, Apolo, tomado pela dor, derramou perfumes sobre seu peito e iniciou a celebração dos ritos fúnebres. 

Mas antes que as chamas consumissem o corpo de Corônis, retirou o filho ainda vivo do ventre materno e o levou para Quíron, o sábio centauro que havia educado vários heróis, para que o criasse. 

A filha de Quíron, Ocirroé, que podia prever o futuro, ao chegar à caverna de seu pai, viu a criança e disse: “Menino, tu que trazes a saúde para todo o mundo, que possas crescer e florescer! Os mortais muitas vezes deverão suas vidas a ti, e te será concedido o poder de trazer de novo à vida os que morreram. Mas um dia deixarás os deuses zangados por tamanha ousadia, e o raio de teu avô impedirá que o repitas, e de um deus imortal serás reduzido a um cadáver inerte. Mas depois, deste cadáver mais uma vez serás tornado um deus, e por uma segunda vez, renovarás o teu destino.”

Além de sua ligação direta com a Medicina, Esculápio teve sua imagem transformada e magnificada, assumindo outros significados. Os neoplatônicos acreditavam que Esculápio era a alma do mundo, através da qual a criação era mantida coesa e organizada com simetria e equilíbrio. Élio Aristides disse que ele era o guia e regente de todas as coisas, o salvador do universo e o guardião dos imortais. 

Juliano declarou que ele era o curador dos corpos e, com a ajuda das Musas, de Hermes e de Apolo, era o educador das almas. Sua figura foi assimilada sincreticamente à de Imhotep no Egito, a Eshmun na Fenícia, a Zeus em Pérgamo, e a Júpiter em Roma, onde era chamado de Aesculapius Optimus Maximus.

(Fonte: querobolsa)

Ele é representado usualmente como um homem maduro, vestido de uma túnica que lhe descobre o ombro direito, e apoiado a um cajado onde se enrola uma serpente. Às vezes aparece a seu lado um menino, símbolo da recuperação da saúde, ou a de Telésforo, uma espécie de elemental da terra encapuzado que levava o processo de cura a bom termo, e que algumas fontes dizem ser seu filho. Também pode ser mostrado junto de algum de seus outros filhos, especialmente Higeia, que se tornou uma figura importante em seu culto e chegou a ter templos próprios. 

QSobrevivem da Antiguidade várias de suas estátuas e imagens em moedas e camafeus. A estátua de seu principal templo, em Epidauro, fora feita, segundo Pausânias, de ouro e marfim, tinha cerca de seis metros de altura, e ele aparecia sentado em um trono, pousando sua mão direita sobre uma serpente, enquanto que com a esquerda segurava um cajado. Tinha um cão ao seu lado. Esculápio foi representado em moedas cunhadas por 46 imperadores e imperatrizes romanos, e essas moedas circulavam em todo o Império Romano.

Bastão de Esculápio

O principal símbolo de Esculápio é um bastão ou cajado com uma serpente enrolada, que muitas vezes tem sido confundido erroneamente com o caduceu, que possui duas serpentes. 


Esculápio ou Asklepius


A ORIGEM DO SÍMBOLO

A origem do símbolo é muito antiga, anterior aos gregos. Mais de 5 mil anos atrás os mesopotâmios usavam um bastão com uma serpente como emblema de Ningizzida, o deus da fertilidade, do matrimônio e das pragas. (WP

A serpente também esta associada ao conhecimento 
A serpente é uma antiga divindade da sabedoria no Médio Oriente e na região do mar Egeu, sendo, intuitivamente, um símbolo telúrico. Mesmo Moisés, aconselhado por Deus erigiu uma serpente de bronze para salvar o povo pecador que havia sido picado por serpentes reais.

No Egito, Rá e Áton ("aquele que termina ou aperfeiçoa") eram o mesmo deus. Áton o "oposto a Rá," foi associado com os animais da terra, incluindo a serpente. Nehebkau ("aquele que se aproveita das almas") era o deus da serpente que guardava a entrada do mundo subterrâneo.

A grande Deusa mãe minoica, Potnia Theron pode manusear uma serpente em uma das mãos, talvez evocando o papel como a fonte da sabedoria, melhor que o papel como a senhora dos animais (Potnia theron), com um leopardo sob cada braço. Não por acaso mais tarde o infante Héracles, um herói limítrofe entre o velho e o mundo novo de Olympia, também manuseara duas serpentes que "o ameaçaram" no berço. Os gregos clássicos não perceberam que a ameaça era meramente a ameaça da sabedoria. Mas o gesto é o mesmo que aquele da divindade de Creta. (WP)

A haste que Moisés carrega é uma serpente. Quando a joga para a terra, ao comando de Yahweh, ela toma a forma de serpente. 

As serpentes são figuras proeminente em mitos gregos muito arcaicos: o mito de Laocoonte, a antiga Hidra de Lerna, que lutou com Hércules, a serpente do mais velho oráculo de Delfos, entre outras (WP).

A imagem da serpente como a incorporação da sabedoria transmitida pela deusa Sophia é um emblema usado pelo gnosticismo, especialmente as seitas mais ortodoxas caracterizadas como Ofídeas, ("Homens Serpente").

Para os gregos e romanos a serpente estava associada a Apolo por ele ter matado a Píton de Delfos, e era um símbolo da cura porque periodicamente abandona sua pele velha e aparentemente renasce, da mesma forma que os médicos removem a doença dos corpos e rejuvenescem os homens, e também porque a serpente era um símbolo de atenção concentrada, o que era requerido dos curadores. 

Era conhecido também dos judeus antes de Cristo, como se lê no relato bíblico de Moisés erguendo um poste com uma serpente de bronze para livrar o seu povo de uma praga de serpentes. Ao longo do desenvolvimento do Cristianismo este símbolo foi transformado, e o poste se tornou um Tau.

A ligação de Esculápio com a serpente deriva de uma das lendas associadas ao seu mito. Chamado para socorrer Glauco, que havia sido morto por um raio, viu uma serpente penetrar no aposento onde estava, e a matou com seu bastão. Logo uma segunda serpente entrou, carregando ervas em sua boca, que depositou sobre a boca da outra morta, fazendo-a voltar à vida. Tomando dessas ervas, Esculápio colocou-as na boca de Glauco, que também ressuscitou, e desde então fez da serpente seu animal tutelar. Seu bastão se tornou o símbolo da Medicina na contemporaneidade em grande número de países do mundo e está presente na bandeira da Organização Mundial da Saúde. O outro animal a ele associado era o cão, presente em uma das versões de seu mito como o animal que lhe trouxe comida ao ser abandonado ainda bebê nas montanhas, e por ser capaz de seguir uma trilha invisível com seu olfato, o que simbolizava a capacidade do médico de identificar a doença através de sintomas invisíveis para os leigos. Finalmente o galo, que era amiúde sacrificado em sua honra, era o símbolo do raiar do sol, o astro regido por Apolo, o seu pai divino, conhecedor de todas as coisas e todas as artes (WP).

Ofiúco é uma constelação um tanto extensa, sendo conhecida também por Serpentário. Na mitologia grega, este agrupamento de estrelas estava associado a Esculápio, deus da medicina. Segundo a lenda, Esculápio passou a dedicar-se à arte da cura após ver uma serpente ressuscitar outra com algumas ervas que trazia em sua boca. Esta é, inclusive, a origem do símbolo das ciências médicas: a serpentes enrolada no bastão. 

Ainda sobre esta constelação, diz-nos o saudoso professor Amaro Seixas Netto:

“Em realidade, o Zodíaco atual tem treze constelações. Desde 1952, temos adotado esta Constelação Zodiacal em nossos estudos, criando assim o Zodíaco perfeito e exato sobre a Eclíptica. Esta descoberta decorreu duma análise profunda do curso do Sol zodiacal, e deste modo propusemos a sua notação na Faixa Zodiacal bem como criamos o seu signo, publicado na Imprensa para registro. Pode observar-se que o Sol, no Zodíaco, percorre pequena parte do Escorpião e logo entra no Ofiuco, para depois ingressar em Sagitário.” SEIXAS NETTO, A. O zodíaco. São Paulo : Editora do Escritor, [19–]. p. 60.




Hoje, devido à precessão dos equinócios, foi necessário acrescentar mais uma constelação por onde o Sol passa, mesmo que por um curto espaço (18 dias). 
Esta 13ª casa é Ophiucus, Ofiúco, o serpentário. Ophiucus ou Serpentário, é cruzada pelo sol entre os períodos de 30 de novembro e 17 de dezembro dominando boa parte da passagem por Escorpião, antes de chegar em Sagitário.


Em janeiro de 1995, Jacqueline Mitton, da Real Sociedade de Astronomia britânica, anunciou em uma série de divulgação da BBC que os 12 signos do zodíaco não só estavam erroneamente adiantados, pelos efeitos da precessão sofrida pela Terra, como eram, na realidade, 13. Mitton explicou que a eclíptica (a trajetória aparente anual do Sol pelos céus) atravessa uma décima-terceira constelação: Ofiúco, versão latina de Esculápio, o deus grego da medicina. Na verdade, a eclíptica sempre atravessou essa constelação, as datas mudam de acordo com os séculos. Se imaginarmos o Sol como um círculo, em 2015 seu centro saiu de Escorpião e entrou em Ofiúco em 30 de novembro, às 10h UT (Tempo Universal), e sairá de Ofiúco para entrar em Sagitário em 18 de dezembro, às 17h30 UT.

Se você ficou curioso(a) para saber se o seu signo teria alguma alteração, confira aqui como ficaria o seu astral:


Capricórnio: 21/01 – 16/02

Aquário: 17/02 – 11/03

Peixes: 12/03 – 18/04

Áries: 19/04 – 13/05

Touro: 14/05 – 21/06

Gêmeos: 22/06 – 20/07

Câncer: 21/07 – 10/08

Leão: 11/08 – 16/09

Virgem: 17/09 – 30/10

Libra: 31/10 – 23/11

Escorpião: 24/11 – 29/11 
(seis dias, pois é uma pequena área que o Sol percorre)

Serpentário: 30/11 – 17/12

Sagitário: 18/12 – 20/01









Referências 
















ESCÓLIOS


Octótropos, cerquilha, cancela, antífen, cardinal, ou octótropo (símbolo: #), é um sinal de pontuação utilizado para indicar várias diferentes funções. O que é tecla de cerquilha? A cerquilha (a “hashtag” das redes sociais), conhecida também como jogo da velha, é um sinal universalmente usado como representação de número, sobretudo na língua inglesa (também chamado de “hash”). 
Como usar cerquilha? O correto é separar as hashtags do seu sexto, sempre as utilizando no final, depois de ter escrito a ideia principal que deseja passar. Se a palavra que deseja usar a hashtag estiver no meio da frase, a leitura não fica tão difícil de se compreender. Mas lembre-se: use com moderação e em termos que fazem sentido.















ANTINOO DEUS ÚLTIMO

COMO SE PARECIA ANTINOUS 
O ÚLTIMO DEUS? 

The important thing is that Antinoos truly lived. 
He is not a myth or a legend.
He is a real person
Full of love and full of dream






Hadrianus e Antinous (reddit)


Não temos registros a respeito da vida de Antínoo, com isto quero dizer que, como todos que não somos parte da elite, jamais falarão ou escreverão sobre nós. 
Como ele era fisicamente, qual a cor de sua pele, a cor de seus olhos e qual era a cor de seu cabelo? Quais eram seus sonhos, suas aspirações e desejos, como era o seu dia a dia? 
Muito provavelmente não encontraremos respostas a essas e outras perguntas sobre seu físico e sobre sua psicologia, questionamentos sobre sua personalidade e como ele era percebido no mundo romano da época.
 
Mas graças aos olhos do homem mais poderoso do mundo da época, sabemos quem foi esse jovem plebeu que com sua existência vivendo uma vida simples na cidade de Claudiópolis, atualmente Bolu, na província da Bithynia e Ponto, hoje Turquia, impressionou o imperador.
Graças ao imperador Hadriano, sabemos seu nome, sabemos que tiveram um relacionamento e sabemos que viveu uma curta vida, que deve ter sido alegre, de muitas viagens e que não lhe faltou nada. 
 
Esse jovem notável foi percebido pelo imperador Hadriano que imediatamente o convidou para fazer parte de seu séquito. 
Esse encontro mudou a vida de todos para sempre. 
Teriam sido seus cachos escuros ou dourados, seu porte grego, sua altivez, seus olhos verdes misteriosos e inquiridores, sua curiosidade, sua atitude inteligente e jovial, sua timidez provinciana? 
O que sabemos é que tudo isso tocou de alguma forma o coração e o espírito do mais helenofílico dos imperadores latinos.  

Em algum momento do segundo semestre do ano 123 AD, eles se conheceram. Antinoo teria sido apresentado ao imperador em alguma festa em honra do ilustre visitante?
Teria sido visto na rua admirando a passagem da comitiva do chefe de todo o mundo conhecido?
Nessa idílica província do império uma encruzilhada de mundos, duas almas trocaram olhares. 

Antinous foi provavelmente apresentado a Adriano em 123, pouco antes de ser levado para a Itália, para uma educação superior. 
Nesse momento ele se tornou o favorito de Hadriano. E no ano de 128, quando foi levado em uma excursão pelo Império Romano como parte da comitiva pessoal de Hadriano, ambos se aproximaram e se apaixonaram. Tudo nos leva a crer que a imperatriz sabia desse amor, bem como outros membros da corte. 

Antínoo acompanhou Hadriano durante sua iniciação nos Mistérios de Elêusis, em Athenas, e Hdraino estava com ele quando Antinoos matou o leão Marousian na Líbia. Evento que muito orgulhou Hadriano e foi uma história altamente divulgada pelo imperador. 
Entretanto, em outubro do ano 130, quando ambos visitavam o Egito, em uma flotilha que navegava ao longo do Nilo, Antinous morreu afogado em circunstâncias misteriosas.

Por outro lado, a coisa mais certa que sabemos sobre Antínoo é que ele morreu, na década de 30 do primeiro século, com apenas 19-20 anos, tragédia esta que colocou fim a um dos mais lendários e influentes relacionamentos entre um líder poderoso e um simples rapaz de grande beleza, afetuosidade e inteligência.

O citaredo Mesomedes de Creta foi um dos poetas da corte de Hadriano. No final da Antiguidade foi reunida uma seleção de sua poesia, e esse corpus sobreviveu em transmissão até a época medieval, em parte com notação musical. Mas é claro que a obra de Mesomedes foi muito maior, como vemos em dois poemas transmitidos pela Antologia Grega e num elogio perdido a Antínous, a Payika de Adriano, como nos informa a Suda. Na sua publicação das inscrições de Courion (10 km a oeste de Limassol) Mitford reconheceu claramente que o Antinous em Courion no. 104 deve ser a payika do imperador Adriano, e que o hino na inscrição deve ser um elogio a Antínoo, que se afogou nas águas do Nilo em 130 DC. Ao comparar a métrica e o estilo do encômio com a poesia preservada de Mesomedes, pode-se afirmar com grande certeza que o hino sobre Antínous é o encômio atestado pela Suda para Mesomedes.

A inscrição é grega, e o texto diz literal e claramente Antinous tinha “Cabelos escuros” 
Esta é a linha: αδω ιοβοστρυχε καλλικομη μακαρ βειθυνιε πορφυρεωπα αδο 

adorável ou alegre Ιοβοστρυχε - cabelos escuros Καλλικομη- lindas fechaduras μακαρ - abençoado βειθυνιε - Bitínio πορφυρεωπα -aparência roxa Porfiriopa = tipo roxo Iobostruche = cabelos escuros

αδο:  adorável ou alegre 
Ιοβοστρυχε: cabelos escuros 
Καλλικομη: lindas fechaduras 
μακαρ: abençoado 
βειθυνιε:  Bitínio 
πορφυρεωπα: aparência roxa 
Porfiriopa: tipo roxo 
ιοβοστρυχε, Iobostruche: cabelos escuros


Modern Priests of Antinous commemorate his death on 28 Oct, but many scholars say 22 Oct, 23 Oct, 24 Oct or 30 Oct was when he "plunged into the Nile" (Hadrian's words) in October of 130 AD. 


Aaron Holloway













Fonte







ANTINOUS

HADRIANO E ANTINOUS

Hadriano e Ἀντίνοος

Publius Aelius Hadrianus (24 Jan 76 – 10 Jul 138)
Ἀντίνοος της Βιθυνίας; θεός theós και ἥρως, hḗrōs 
(27 de nov de 111 - 30 out 130)

Hadrianus e Antinous
Há mil e novecentos anos, Adriano provavelmente celebrou seu 48º aniversário (24/jan/76) na Nicomédia (Bitínia). Depois de navegar ao longo da costa sul do Mar Negro, possivelmente visitando as cidades pônticas de Amisus, Sinope e Amastris, acredita-se que Adriano tenha passado o inverno de 123/4 dC em Nicomédia antes de viajar pela Ásia Menor. Durante a sua estada na província da Bitínia, o imperador provavelmente visitou várias cidades importantes, incluindo Heraclea Pontica, Claudiópolis (antiga Bythinium), Prusias ad Hypium e Nicaea. Durante uma dessas visitas, Adriano conheceu Antínous. Ele levaria o jovem grego consigo em suas muitas viagens como um querido amante e companheiro (provavelmente a partir de 128 dC).

A jornada de Adriano em 123-125.
Mapa criado por Simeon Netchev para seguir Adriano (CC BY-NC-SA 4.0).
Viagem de inspeção ao leste do Império Romano. 

Após sua viagem de inspeção às províncias fronteiriças orientais, Adriano viajou pelas montanhas Pônticas até o porto de Trapezus (atual Trabzon), no Mar Negro, o extremo norte dos da Capadócia. Trapezus foi um dos pontos mais distantes alcançados por Adriano e, na década de 130 d.C., seu amigo Lúcio Flávio Arriano, como governador da província da Capadócia, faria um relatório sobre sua visita, seguindo os passos de Xenofonte. 

Chegamos no decorrer da nossa viagem a Trapezus, cidade grega em viajem marítima. Trapezus, uma colónia de Sinope, segundo nos informa Xenofonte, o célebre historiador. Examinamos o mar Euxino com maior prazer, pois o vimos do mesmo local de onde tanto Xenofonte quanto você o observaram anteriormente.

Xenofonte e seu grande admirador, Arriano, descreveram Trapezus como uma cidade grega estabelecida à beira-mar e como uma colônia de Sinope. Eusébio, que viveu no século IV d.C., datou a fundação de Trebizonda como 756 a.C., mas pode referir-se a um antigo empório (um local de pesca e comércio) no território da Cólquida. Colonos de Sinope da Paphagonia (colonos de Mileto), uma cidade grega na margem sul do Euxino (Mar Negro), cerca de 400 quilômetros a oeste, refundaram a cidade por volta de 630 a.C. com o objetivo de negociar com uma tribo do interior, os Mossynoeci (Xenofonte, Anabasis 5.5.10), e aproveitando a região rica em metais, da rede comercial do Leste Euxino (Doonan, 2010).

Uma moeda de dracma de prata do Trapezus (Trapezus) com a cabeça de um homem barbudo (Hermes?) no obverso (ou anverso); e uma mesa com uvas no reverso (verso). A sigla TPA aparece entre as pernas da mesa. Datado do século 4 aC.

Medalha de bronze de Antínous com o deus do rio Thermodon no verso. Datado do ano 165 (ΡΞE) = 133/4 DC. (Bibliothèque nationale de France, département Monnaies, médailles et antiques) (followinghadrian)



II

OBELISCO DE ANTINOUS 

Artigo de Carole Raddato, traduzido 

 Todas as fotos by Carole Raddato, Creative Commons


Enquanto Adriano visitava a província do Egito no final de 130 d.C., seu Antínous favorito afogou-se misteriosamente no rio Nilo. Este trágico acontecimento levou à criação de uma nova divindade: Osirantinous, ou Antínous como manifestação de Osíris, o deus que morreu e renasceu. Uma das nossas melhores fontes primárias de informação sobre a nova divindade Osirantinous e a fundação de Antinous, a nova cidade criada por Adriano perto do local da morte de Antinous, é um obelisco encontrado em Roma, fora da Porta Maggiore, no final do século XVI. O obelisco de granito rosa de Assuã, que agora fica nos Jardins da Colina Pinciana, foi encomendado por Adriano após 130 DC para homenagear o falecido Antínous.

While Hadrian was visiting the province of Egypt in late 130 AD, his favorite Antinous drowned mysteriously in the Nile River. This tragic event led to the creation of a new divinity: Osirantinous, or Antinous as a manifestation of Osiris, the god who died and was reborn. One of our best primary sources for information about the new deity Osirantinous and the founding of Antinopolis, the new city created by Hadrian near the spot of Antinous’ death, is an obelisk found in Rome outside Porta Maggiore at the end of the 16th century. The Aswan pink granite obelisk, which now stands in the Pincian Hill Gardens, was commissioned by Hadrian after 130 AD to honour the deceased Antinous.

Antinous (imperium)

O obelisco foi encontrado em três pedaços pelos irmãos Saccocci em seus vinhedos em 1570 e mais tarde foi comprado pelo Cardeal Francesco Barberini em 1632. Era então conhecido como Obelisco Barberini. Donna Cornelia Barberini-Colonna, descendente do Cardeal, doou-o ao Papa Clemente XIV em 1773, que o transferiu para o Cortile della Pigna, no Vaticano. Em 1822 foi erguido na colina Pinciana pelo Papa Pio VII, onde ainda existe. Desde então é conhecido como Obelisco Pinciano.

The obelisk was found in three pieces by the Saccocci brothers in their vineyards in 1570 and was later bought by Cardinal Francesco Barberini in 1632. It was then known as the Barberini Obelisk. Donna Cornelia Barberini-Colonna, a descendant of the Cardinal, donated it to Pope Clement XIV in 1773 who moved it to the Cortile della Pigna in the Vatican. In 1822 it was erected on the Pincian hill by Pope Pius VII where it still stands. Since then it has been known as the Obelisco Pinciano.

“Obeliscus olim Veranus”, Roma. Gravura de Joannes Blaeu (1633). Esta gravura representa os quatro lados do obelisco de Antínous. Ao fundo, o obelisco está quebrado em três pedaços na corte do Palazzo Barberini, em Roma.

“Obeliscus olim Veranus”, Rome. Engraving from Joannes Blaeu (1633). This engraving depicts the four sides of the obelisk of Antinous. In the background the obelisk is lying broken in three pieces in the court of the Palazzo Barberini in Rome.

No século III dC, a área da Porta Maggiore ao longo do Aqua Claudia era o local de uma propriedade que pertencia ao imperador Heliogábalo. Na década de 1950, escavações perto da igreja de Santa Croce in Gerusalemme (Roma) revelaram as estruturas de um vasto hipódromo privado conhecido como Circus Varianus.

“In the 3rd century AD, the area of Porta Maggiore along the Aqua Claudia was the site of an estate that belonged to the emperor Elagabalus. In the 1950s, excavations near the church of Santa Croce in Gerusalemme revealed the structures of a vast private Hippodrome known as the Circus Varianus.”

Os restos do Circus Varianus perto da igreja de Santa Croce em Gerusalemme, em Roma.
The remains of the Circus Varianus near the church of Santa Croce in Gerusalemme in Rome.

A construção do circo possivelmente começou na época de Caracalla, que gostava de corridas de bigas. Pensa-se que o seu comprimento original era superior ao do Circus Maximus (cerca de 640 metros), mas o autódromo foi posteriormente encurtado por Heliogábalo, que herdou a propriedade. Agora é geralmente aceito que o obelisco de Antínous foi desenterrado no Circo e que Heliogábalo o trouxe aqui para decorar a spina (a faixa do meio).

The construction of the circus possibly started around the time of Caracalla who was fond of chariot races. Its original length is thought to have been greater than that of the Circus Maximus (about 640 meters) but the race-track was later shortened by Elagabalus who inherited the estate. It is now generally agreed that the obelisk of Antinous was unearthed in the Circus and that Elagabalus brought it here in order to decorate the spina (the middle strip).

Reconstrução imaginativa do Circus Varianus – Hippodromus Aureliani Imp., gravura colorida à mão de Giacomo Lauro (1550-1605) de Antiquae urbis splendor / Wikimedia Commons

Imaginative reconstruction of the Circus Varianus – Hippodromus Aureliani Imp., handcolored engraving by Giacomo Lauro (1550-1605) from Antiquae urbis splendor / Wikimedia Commons

Os estudiosos estão divididos sobre a localização original do obelisco. Há muito se pensa que foi trazido de Antinópolis, no Egito, para Roma, na primeira metade do século III dC. No entanto, novas pesquisas arqueológicas e uma inscrição no obelisco sugerindo que ele ficava no “jardim de propriedade do Príncipe de Roma” sugerem que ele pode ter sido erguido no Antinoeion, na villa de Adriano. As recentes escavações na vila imperial revelaram os restos de um complexo de templos dedicado a Antínous, que consistia em dois pequenos templos tetrastilos (com quatro colunas) frente a frente em frente a uma exedra semicircular com colunatas. Acredita-se que uma fundação quadrada de concreto (3 x 3 m) localizada exatamente entre os dois templos tenha sustentado um obelisco.

Scholars are divided over where the obelisk may have stood originally. It was long thought to have been brought to Rome from Antinopolis in Egypt in the 1st half of the 3rd century AD. However, new archaeological research and an inscription on the obelisk implying that it stood in the “garden owned by the Prince of Rome” suggest that it may have been erected at the Antinoeion at Hadrian’s villa. The recent excavations at the imperial villa have uncovered the remains of a temple complex devoted to Antinous which consisted of two small tetrastyle temples (with four columns) facing each other in front of a semi-circular colonnaded exedra. A square (3 x 3 m) concrete foundation located exactly between the two temples is thought to have supported an obelisk.

Vista dos restos do Antinoeion na Villa de Adriano. Os restos da fundação permitiram reconstruir a planta com razoável precisão.

View of the remains of the Antinoeion at Hadrian’s Villa. The foundation remains made it possible to reconstruct the plan with reasonable precision.

Reconstrução hipotética do complexo do Templo.
Z. Mari e S. Sgalambro, «O Antinoeion da Villa de Adriano: Interpretação e Reconstrução Arquitetônica», American Journal of Archaeology 111, 2007, p. 85.

Hypothetical reconstruction of the Temple complex.
Z. Mari and S. Sgalambro, « The Antinoeion of Hadrian’s Villa : Interpretation and Architectural Reconstruction », American Journal of Archaeology 111, 2007, p. 85

Os escavadores do Antinoeion, Zaccaria Mari e Sergio Sgalambro, especulam que o obelisco Pinciano foi originalmente erguido na base quadrada no centro do complexo. As inscrições hieroglíficas no obelisco parecem indicar que o obelisco marcava o verdadeiro túmulo de Antínous, o que levou Mari e Sgalambro a sugerir que Antonioeion era o local do túmulo que abrigava seus restos mortais. Para eles, o termo “jardim” mencionado no obelisco significa claramente a Vila de Adriano. Várias peças de esculturas de estilo egípcio foram encontradas no Antinoeion durante as escavações em 2002, incluindo fragmentos arquitetônicos egiptianizantes e uma pequena cabeça com capacete faraônico (veja a imagem aqui). Outras estátuas, encontradas anteriormente, provavelmente vieram do Antinoeion, como o Antinous-Osiris (agora no Vaticano) e também o Harpócrates (agora nos Museus Capitolinos).

The excavators of the Antinoeion, Zaccaria Mari and Sergio Sgalambro, speculate that the Pincian obelisk was originally erected on the square base in the centre of the complex. The hieroglyphic inscriptions on the obelisk seem to indicate that the obelisk marked the actual tomb of Antinous which led Mari and Sgalambro to suggest that the Antonioeion was the location of the tomb housing his remains. For them the term “garden” mentioned on the obelisk clearly means Hadrian’s Villa. A number of pieces of Egyptian-style sculptures were found at the Antinoeion during the excavations in 2002 inluding Egyptianizing architectural fragments and a small head with pharaonic headgear (see image here). Other statues, found earlier, probably came from the Antinoeion, like the Antinous-Osiris (now in the Vatican) as well as the Harpocrates (now in the Capitoline Museums).

Em meados dos séculos XVII e XVIII, também foram desenterradas 15 estátuas de divindades e sacerdotes em mármore preto de estilo egípcio (6 estão nos Museus do Vaticano), bem como dois telamons em granito vermelho (figuras masculinas colossais usadas como colunas - agora no Museus do Vaticano). Todos foram previamente designados para o chamado Serapeum, o triclínio monumental no final do Canopus.

In the mid-17th and 18th century, 15 Egyptian-style black marble statues of deities and priests were also unearthed (6 are in the Vatican Museums) as well as two telamons in red granite (colossal male figures used as columns – now in the Vatican Museums). They were all previously assigned to the so-called Serapeum, the monumental triclinium at the end of the Canopus.

Esculturas egiptianizadas do Antinoeion na Villa de Adriano, 131-138 DC. Agora no Museu Egípcio Gregoriano, Vaticano.

Egyptianizing sculptures from the Antinoeion at Hadrian’s Villa, 131-138 AD. Now in the Gregorian Egyptian Museum, Vatican.

Também foi sugerido que o Obelisco ficava no Monte Palatino, em Roma, nos Jardins de Adônis (Horti Adonaea, perto do templo de Heliogábalo), no local da atual Vigna Barberini. Outra hipótese do egiptólogo francês Jean-Claude Grenier situa-o no Horti Domitiae onde Adriano ergueu o seu mausoléu. Sua teoria baseia-se na pesquisa realizada por G. di Vita-Evrard (1) que afirmava que Horti Domitiae pertencia à mãe de Adriano, e não a Domícia, esposa de Domiciano. Para Grenier, seria razoável acreditar que Adriano ergueu o obelisco na propriedade romana que herdou de sua mãe. O “jardim propriedade do Príncipe de Roma” mencionado no obelisco poderia, segundo Grenier, ser o Horti Domitiae e não a Villa de Adriano. Além disso, Grenier traduz a preposição “de” com “em”, traduzindo-a assim para “jardim de propriedade do Príncipe em Roma”. É evidente que a sua localização depende da representação precisa dos hieróglifos.

It has also been suggested that the Obelisk stood on the Palatine Hill in Rome in the Gardens of Adonis (Horti Adonaea, near the temple of Elagabalus) on the site of the present Vigna Barberini. Another hypothesis by the French Egyptologist Jean-Claude Grenier places it in the Horti Domitiae in which Hadrian erected his mausoleum. His theory is based on the research conducted by G. di Vita-Evrard (1) who claimed that the Horti Domitiae belonged to the mother of Hadrian, and not to Domitia, the wife of Domitian. For Grenier, it would be reasonable to believe that Hadrian erected the obelisk on the Roman estate which he inherited from his mother. The “garden owned by the Prince of Rome” mentioned on the obelisk could, according to Grenier, be the Horti Domitiae and not Hadrian’s Villa. In addition, Grenier translates the preposition “of ” with “in” thus translating it to “garden owned by the Prince in Rome”. Clearly its location depends on the accurate rendering of the hieroglyphics.


O Obelisco de Antínous.

As quatro faces do obelisco estão cobertas de relevos e hieróglifos. A referência à esposa de Adriano, Sabina, estar viva na face oriental do obelisco mostra que data entre a morte de Antínous em 130 DC e a de Sabina em algum momento em 136 ou início de 137. “Os touros e suas vacas procriam vigorosamente e produzem seus descendentes para ele [Adriano], para alegrar seu coração e o de sua grande e amada consorte real, a Senhora de Ambas as Terras (Alto e Baixo Egito) [Rainha do Egito] e das cidades, Sabina, que vive, está segura e com saúde, a Augusta que vive para sempre”.

Zaccaria Mari e Sergio Sgalambro contam-nos que o obelisco foi certamente esculpido em Itália, tanto pelas suas características estruturais como pelo estilo dos seus hieróglifos. Na verdade, devido à formulação confusa dos hieróglifos, tem havido várias interpretações do texto do hieróglifo que foi traduzido de um texto escrito em latim ou grego para hieróglifos egípcios, uma língua que já estava morta há muito tempo na época de Adriano.

O obelisco saúda Antínous como Osirantinous, o Renascido e Eterno. Assim como Osíris, acreditava-se que Antínous renasceu das águas do Nilo e, embora morto e enterrado em uma tumba (cuja presença provavelmente foi marcada pelo obelisco), Antínous viverá para sempre.

The Obelisk of Antinous.

The four faces of the obelisk are covered with reliefs and hieroglyphs. The reference to Hadrian’s wife Sabina being alive on the eastern face of the obelisk shows that it dates from between Antinous’ death in 130 AD and Sabina’s some time in 136 or early 137. “The bulls and their cows breed lustily and produce their offspring for him [Hadrian], to gladden his heart and that of his great and beloved royal consort, the Lady of Both Lands (Upper and Lower Egypt) [Queen of Egypt] and the cities, Sabina, who lives, is safe and in health, the Augusta who lives forever”.

Zaccaria Mari and Sergio Sgalambro tell us that the obelisk was certainly carved in Italy because of both its structural characteristics and the style of its hieroglyphics. Indeed, due to the confused phrasing of the hieroglyphs, there have been various interpretations of the hieroglyph text which was translated from a text written in Latin or Greek into Egyptian hieroglyphs, a language that was long dead by Hadrian’s time.

The obelisk hails Antinous as Osirantinous, the Reborn and Everlasting. Like Osiris, Antinous was believed to have been reborn from the waters of the Nile and, although dead and buried in a tomb (the presence of which was probably marked by the obelisk), Antinous will live on forever.

Estátua de Antínous como Osíris, de Canopus (Egito).
Foto tirada na exposição ‘Osiris, Sunken Mysteries of Egypt’ em Paris em 2015.

Statue of Antinous as Osiris, from Canopus (Egypt). Photo taken at the ‘Osiris, Sunken Mysteries of Egypt’ exhibition in Paris in 2015.

O obelisco fornece informações importantes sobre Antínous, a nova cidade de Antinous, o templo de Antínous e seu culto. Tem uma dedicatória de cada lado, uma das quais em homenagem a Adriano (lado leste). Os outros três lados são essencialmente dedicados a Antínous como a nova divindade Osirantinous que é retratada diante de Thoth, Amon e uma divindade egípcia indiscernível (lados norte, sul e oeste).

The obelisk provides important information about Antinous, the new city Antinopolis, the temple of Antinous and his cult. It has a dedication on each side, one of which is in honour of Hadrian (east side). The other three sides are essentially devoted to Antinous as the new deity Osirantinous who is depicted before Thoth, Amun, and an indiscernible Egyptian deity (north, south and west sides).

Relevo da zona leste. Faraó Adriano enfrentando Ra-Horakhty.
East side relief. Pharaoh Hadrian facing Ra-Horakhty

O relevo do lado leste mostra o Faraó Adriano carregando uma oferenda (desaparecida) em sua mão direita a um deus sentado com cabeça de falcão. O deus é coroado com um cocar de disco solar e segura o cetro na mão direita e o ankh no lado esquerdo. Ele é Ra-Horakhty. Hórus era o deus do céu e Rá era o deus do sol. Assim, Ra-Horakhty era considerado o deus do sol nascente.

The east side relief depicts the Pharaoh Hadrian carrying an offering (missing) in his right hand to a seated falcon-headed god. The god is crowned with a sun-disk headdress and holds the scepter in his right hand and the ankh in his left side. He is Ra-Horakhty. Horus was a god of the sky, and Ra was the god of the sun. Thus, Ra-Horakhty was thought of as the god of the rising sun.


Cartoucha com o nome de Hadriano.

No texto abaixo do relevo, Antínous, extremamente feliz em sua apoteose, pede ao demiurgo Ra-Hor-Akhty que recompense Adriano pelo que ele fez por ele, dando ao imperador e sua esposa Sabina um reinado longo e próspero. Adriano é referido como “o governante de todos os países” e um “senhor de ambas as terras, governando o alto e o baixo Egito. A esposa de Adriano também é mencionada e é conhecida como a Rainha de ambos os países.

In the text below the relief, Antinous, blissfully happy in his apotheosis, requests the demiurge Ra-Hor-Akhty to reward Hadrian for what he has done for him by giving the Emperor and his wife Sabina a long and prosperous reign. Hadrian is referred to as “the ruler of every country” and a “lord of both lands ruling over both upper and lower Egypt. Hadrian’s wife gets a mention too and is referred to as the Queen of both countries.


Cartoucha de Sabina.

Sabina acompanhou Adriano e Antínous na sua viagem ao Egipto e a prova é-nos dada através de um graffiti comemorativo esculpido na colossal estátua de Memnon em Tebas pela poetisa Balbilla, assistente da Imperatriz Sabina.

Sabina accompanied Hadrian and Antinous on their tour of Egypt and proof is given to us through a commemorative graffiti carved on the colossal statue of Memnon in Thebes by the poetess Balbilla, an attendant of Empress Sabina.

“Quão desejável é o elogio que se faz a (?) Osirantinoos, o justificado. Seu coração se regozija muito quando ele reconheceu sua própria forma, quando renasceu e viu seu pai Har-[achte]. Ele [o elogia?] e diz: Louvado seja você, Har-achte, o mais elevado dos Deuses! Você que ouve as orações dos Deuses, dos homens, dos transfigurados e dos mortos. Ouça (também) as súplicas que lhe confio. Recompense por aquilo que seu amado filho fez por mim, seu filho (Adriano), o rei do Alto e Baixo Egito, que fundou uma doutrina nos templos com a qual os deuses se agradam de todos os homens, [Adriano] [o amado de o Nilo e os Deuses], o Senhor dos Diademas que vive, está seguro e saudável, que vive para sempre [assim como o Sol] [em] uma jovem e bela idade, enquanto ele é um possuidor de fortuna (?), o governante de todos os países [...] Os touros e as suas vacas juntam-se alegremente (e) produzem muito, que carregam para ele, para alegrar o seu coração e o da grande dama real por ele amada, a rainha de ambos os países, Sabina , que vive, está segura e saudável, Augusta, que vive para sempre… e o (Nilo), o pai dos Deuses, impregna para eles os campos, e faz para eles um grande oceano a seu tempo para inundar ambas as terras.”

“How desirable is the praise, which is made to (?) Osirantinoos, the justified. His heart rejoices greatly when he has recognized his own form, when he was reborn and saw his father Har-[achte]. He [praises him?] and says: Praise to you, Har-achte, the highest of the Gods! You who listen to the prayers of the Gods, of men, of the transfigured ones and of the dead. Hear (also) the entreaties that I entrust to you. Give recompense for that which your beloved son has done for me, your son (Hadrian) the king of Upper and Lower Egypt, who founded a doctrine in the temples with which the gods are pleased for all men, [Hadrian ] [the beloved of the Nile and the Gods], the Lord of Diadems who lives, is safe and healthy, who lives forever [just like the Sun] [in] a fresh beautiful youthful age, while he is a possessor of fortune (?), the ruler of every country […] Bulls and their cows join together happily (and) they produce much, which they bear for him, in order to gladden his heart and that of the great royal lady beloved by him, the queen of both countries, Sabina, who lives, is safe and healthy, Augusta, who lives forever… and the (Nile), the father of the Gods, impregnates the fields for them, and makes for them a great ocean at its time in order to flood both lands.”


Relevo da zona sul. Antínous enfrentando uma divindade egípcia indiscernível.
South side relief. Antinous facing an indiscernible Egyptian deity.

O relevo da face sul retrata Antínous enfrentando um deus cuja imagem foi apagada. Antínous é adornado com a coroa Shuti composta por duas penas altas com um disco solar colocado sobre chifres de carneiro, um helmo arredondado envolvendo seus cabelos, uma barba falsa, um amplo colar Usekh e um longo kilt.

The south face relief depicts Antinous facing a god whose image is erased. Antinous is adorned with the Shuti Crown composed of two tall feathers with a sun disk placed on ram’s horns, a rounded cap wrapping his hair, a false beard, broad Usekh collar and a long kilt.

Lado sul do Obelisco Pinciano.
South side of the Pincian Obelisk.

O texto abaixo traz informações importantes sobre a fundação de Antinous e o surgimento do Templo de Antínous;

The text below gives important information about the foundation of Antinopolis and the appearance of the Temple of Antinous;

“[Antinoos] quem está aí (ou seja, falecido), e quem repousa neste lugar, que fica no campo das terras (?) do senhor (?) de…. de Roma, foi reconhecido como (?) um Deus nos lugares divinos do Egito. Templos foram fundados para ele, ele foi adorado como um deus pelos profetas e sacerdotes do Alto e Baixo Egito, e pelos habitantes do Egito, todos eles como existem. Uma cidade leva o nome dele…”. Antinópolis é descrita como uma cidade povoada pelas “‘tropas’ dos gregos das Duas Terras e aqueles que estão nos templos do Egito vêm aqui de seus próprios lugares e recebem terras cultivadas para tornar sua vida além da medida”. O texto descreve também o seu templo erguido nesta cidade que foi “construído de boa pedra branca, rodeado de estátuas de deuses… e de numerosas colunas, feitas como costumavam ser feitas pelos nossos antepassados ​​e também como eram feitas pelos gregos”. 

“[Antinoos] who is there (i.e. deceased), and who rests in this place, which is in the field of the lands (?) of the master (?) of…. of Rome, has been recognized as (?) a God in the divine places of Egypt. Temples have been founded for him, he has been adored as a god by the prophets and priests of Upper and Lower Egypt, and by the inhabitants of Egypt, all of them as there are. A city is named after his name…”. Antinopolis is described as a city populated by the “‘troops’ of the Greeks of the Two Lands and those who are in the temples of Egypt come here from their own places and are given cultivated land to make their life good beyond measure”. The text also describes his temple erected in this city which was “built of good white stone, surrounded by statues of the gods … and by numerous columns, made as they used to be made by our forefathers and also as they were made by the Greeks.”.


Relevo do lado oeste. 
West side relief. Antinous facing Thot.

Antínous enfrentando Thot. O relevo da face oeste retrata Antínous se aproximando do deus egípcio do submundo, Thoth. O deus com cabeça de íbis, coroado com um disco solar, segura na mão esquerda o cetro e levanta o ankh com a mão direita.

The west face relief depict Antinous approaching the Egyptian underworld god Thoth. The ibis-headed god, crowned with a sun disk, holds in his left hand the sceptre and raises the ankh with his right hand.


Cartoucha de Antinous.

O texto abaixo evoca o homem que foi Antínous, sua morte decidida pelos deuses e os ritos funerários que se seguiram:

The text below evokes the man that was Antinous, his death decided by the gods and the funerary rites that followed:

“Osirantinoos, o justificado, tornou-se um jovem com um rosto lindo que encantava os olhos…força com coração esperto (?) como quem tem braços fortes recebeu uma ordem dos Deuses no momento de seu falecimento. Todos os usos das horas de Osíris foram repetidos nele, inclusive todos os seus falecimentos. Todos os usos das horas de Osíris lhe foram repetidos, inclusive toda a sua obra como mistério; seus escritos circularam, enquanto toda a terra estava em… e… e… Tal coisa nunca foi feita até hoje – e da mesma forma seus altares, seus templos e seus títulos, e ele soprou o sopro da vida.”

“Osirantinoos, the justified– he became a youth with a beautiful face that delighted the eyes…strength with clever (?) heart like one with strong arms he received an order of the Gods at the time of his passing. All uses of the hours of Osiris were repeated in him, including all of his passing. All uses of the hours of Osiris were repeated to him, including all his work as a mystery; his writings circulated, while the whole land was in…and…and…Such a thing has not earlier been done to this day- and similarly his altars, his temples, and his titles, and he breathed the breath of life.”


Relevo da face norte. Antinous enfrentando (facing) Amun.

O relevo do lado norte retrata Antínous, vestido com roupas tradicionais egípcias, de frente para o deus Amon, enquanto o texto abaixo descreve os jogos realizados em homenagem a Antínous na cidade que leva seu nome.
The north side relief depicts Antinous, dressed in traditional Egyptian clothing, facing the god Amun while the text below describes the games held in honor of Antinous in the city that bears his name.

“Antinoos, quem está aí (ou seja, falecido)…um local de festa (?) foi feito nesta cidade do Egito, que leva o nome dele, para os fortes (jovens) que estão nesta e, e para as equipes de remo e para… de todo o país e da mesma forma para todas as pessoas que estão (?) com (?) o Deus Thoth, enquanto há prêmios para eles e coroas de flores para suas cabeças; eles recompensam com todas as coisas boas. Eles colocam em seus altares, eles trazem… diariamente, o que é como oferendas (?) diárias (?).

“Antinoos, who is there (i.e., deceased) …a festival place (?) has been made in this city in Egypt, which is named for him, for the strong (youths) who are in this and, and for the rowing crews and for the… of the whole country and likewise for all the persons who are (?) with (?) the God Thoth, while there are prizes for them and crowns of flowers for their heads; they reward with every good thing. They place on his alters, they bring… daily which as daily (?) offerings (?).


Face  norte do obelisco Pinciano.
North side of the Pincian Obelisk.


Todas as traduções foram de Hadrian and the City of Rome, de Boatwright (que usou as traduções de Erman “Die Religion der Agypter”, 1934) e de Hadrian: The Restless Emperor, de Birley. 

(1) Ginette Di Vita-Evrard, «Le testament dit “de Dasumius”: testador et bénéficiaires», Actas del coloquio internacional AEIGL, Epigrafia Juridica Romana, Pamplona, ​​1987, Pampelune, 1989, pp.  159-174.

Fontes

Alfred Grimm, Dieter Kessler, Hugo Meyer: Der Obelisk des Antinoos. Uma edição comentada. Fink, Munique 1994 J.-Cl. Grenier, L'Osiris Antinoos, CENIMI, Montpellier, 2008. (pdf) 

Z. Mari e S. Sgalambro, «O Antinoeion da Villa de Adriano: Interpretação e Reconstrução Arquitetônica», American Journal of Archaeology 111, 2007, p. 83 – 104 (pdf) 

Birley, Anthony. Adriano: O Imperador Inquieto. Londres, Reino Unido: Routledge, 1997. 

Boatwright, Mary T. Hadrian e a cidade de Roma. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1987. O Projeto Vila Adriana Digital – Antinoeion




All translations were from Boatwright’s Hadrian and the City of Rome (who used the translations of Erman “Die Religion der Agypter”,1934) and Birley’s Hadrian: The Restless Emperor.

(1) Ginette Di Vita-Evrard, « Le testament dit “de Dasumius” : testateur et bénéficiaires », Actas del coloquio internacional AEIGL, Epigrafia Juridica Romana, Pamplona, 1987, Pampelune, 1989, pp. 159-174.

Sources

  • Alfred Grimm, Dieter Kessler, Hugo Meyer: Der Obelisk des Antinoos. Eine kommentierte Edition. Fink, München 1994.
  • J.-Cl. Grenier, L’Osiris Antinoos, CENIMI, Montpellier, 2008. (pdf).
  • Z. Mari and S. Sgalambro, «The Antinoeion of Hadrian’s Villa: Interpretation and Architectural Reconstruction», American Journal of Archaeology 111, 2007, p. 83 – 104 (pdf).
  • Birley, Anthony. Hadrian: The Restless Emperor. London, UK: Routledge, 1997.
  • Boatwright, Mary T. Hadrian and the City of Rome. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1987.
  • The Digital Hadrian’s Villa Project – Antinoeion


Hadrian e Antinous by Aaron Holloway (saatchiart)



























Fonte