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09 fevereiro 2024
08 fevereiro 2024
HAROLD STEVENSON
HAROLD STEVENSON
Harold Moncreau Stevenson Jr. nasceu em 11 de março de 1929 – October 21, 2018.
Introdução
Harold Moncreau Stevenson Jr. nasceu em 11 de março de 1929 – October 21, 2018. Stevenson, foi um pintor norte-american conhecido por suas pinturas do corpo masculino nu.
Harold Stevenson nasceu em Idabel, Oklahoma, em 1929 e frequentou a Universidade de Oklahoma antes de se mudar para a cidade de Nova York em 1949. Mudou-se para Paris em 1952 e expôs em galerias europeias durante os 20 anos seguintes.
As obras mais conhecidas de Stevenson foram pintadas na década de 1960, incluindo suas obras mais famosas, Eye of Lightning Billy e The New Adam. Eye of Lightning Billy foi exibido na Galeria Sidney Janis em 1962 como parte da exposição "Novos Realistas", que incluía obras de Warhol (incluindo suas 200 latas de sopa Campbell), Claes Oldenburg, Roy Lichtenstein, Robert Moskowitz, Robert Indiana, George Segal, Jim Dine, Peter Agostini, James Rosenquist, Wayne Thiebaud e Tom Wesselmann. O Eye of Lightning Billy foi adquirido pelo Museu de Arte Moderna em 2008.
Em 1963, o enorme mural de Stevenson, The New Adam, foi exibido na Galeria Iris Clert em Paris. O mural é um homem nu reclinado de 2,5 por 39 metros. O modelo era o jovem ator Sal Mineo, e a pintura foi dedicada ao amante de Stevenson na época, Lord Timothy Willoughby de Eresby, herdeiro do Conde de Ancaster. A obra foi considerada para inclusão na exposição seminal de arte pop de 1963 "Seis Pintores e o Objeto" no Guggenheim, mas foi considerada muito grande e desviaria a atenção do resto das obras. Em 2005, a pintura foi adquirida pelo Museu Solomon R. Guggenheim.
O artista assumidamente gay Harold Stevenson Jr., nasceu em 1929 em Idabel, sudeste de Oklahoma, perto da fronteira com o Texas, onde decidiu ser pintor ainda na segunda série.
Aos dez anos abriu um ateliê de pintura bem no meio da cidade, pintando retratos (e vendendo-os). Mesmo depois de morar no exterior, ele manteve um endereço em Idabel, onde morou até sua morte em uma cabana de madeira na floresta, nos arredores da cidade.
O artista incorporou a história de sua própria cidade natal em sua pintura quando criou cem retratos de residentes de Idabel para “The Great Society (1967–68)”.
Mitchell Algus, da galeria que representava Harold Stevenson desde 1992, lembra-se de ter perguntado a Stevenson se ele foi provocado por ser gay quando era estudante. Harold respondeu: “Querida, aquela escola era minha”.
O parceiro de longa data de Stevenson foi Lloyd Tugwell II, um professor de arte Choctaw que morreu em 2005 após uma queda nas escadas de sua casa nos Hamptons. Para honrá-lo Stevenson o colocou no jazigo localizado no terreno da família Stevenson em Idabel.
Em 1949, Stevenson mudou-se para Nova York para seguir carreira artística e quase imediatamente se tornou o queridinho da alta sociedade internacional da época: Stravinsky, Cole Porter, Elizabeth Arden, Tennessee Williams, o duque e a duquesa de Windsor, Truman Capote, Kitty Carlisle, Gloria Swanson., Christian Dior, Peggy Guggenheim, Salvador Dali entre outros.
Como expositor na Bienal de Veneza de 1964, suas pinturas de nus foram confiscadas por indecência, o que chamou mais atenção ainda sobre seu trabalho.
Stevenson fez parte do movimento de vanguarda da arte da década de 1960, fazendo amizade com Andy Warhol, artista já conhecido na década de 1960., Warhol faria de Stevenson o tema de seu primeiro filme, intitulando: “Harold”. Posteriormente Warhol o incluiria no vídeo pop chamado “Heat “(1972).
Em 1959, Stevenson mudou-se para a Europa, onde residiu em Paris (França) e Itália e expôs regularmente em galerias durante quase vinte anos.
Stevenson foi itinerante durante toda sua vida, disputando entre Nova York, Paris, Key West e o sudeste de Oklahoma.
Durante uma carreira de quase sete décadas, a figura masculina nua sempre dominou as suas obras (muitas vezes rotuladas de "Fantasias homoeróticas"), mas as obras mais icónicas do artista foram produtos da década de 1960.
No início de 1963, os visitantes da Galerie Iris Clert, em Paris, mal estavam preparados para a pintura que os saudava, um colossal nu masculino de 2,5 metros de altura por 13 metros de comprimento, representado de forma precisa e sensual, com todos os detalhes anatômicos.
Em Paris (e mais tarde em Nova Iorque, Chicago e Los Angeles), a obra foi recebida com “choque”, recorda o autodidata Harold Stevenson, que concebeu “The New Adam” como uma homenagem ao seu amante, Lord Timothy Willoughby d'Eresby, embora tenha usado o ator Sal Mineo como modelo.
Em uma entrevista, Harold disse sobre Mineo: “Ele era uma pessoa amável e meio estúpida”. Lord Willoughby (1936-1963), neto de Lady Astor, desapareceu no mar com a sua tripulação em 1963, a caminho da Córsega, pouco depois de Stevenson ter pintado um retrato dele em 25 peças, exibido em Paris em 1962. Stevenson foi convidado para a viagem, mas recusou.
Distribuído por nove painéis de linho e inicialmente instalado como um envoltório de três paredes, The New Adam apresentava um vasto e aparentemente ilimitado oceano de carne.
Esta obra envolveu uma tradição artística muito mais antiga, relembrando inúmeras odaliscas femininas, bem como a imagem icónica de Adão, de Michelangelo, cujo gesto de apontar, Stevenson redireciona para dentro, em direção ao corpo.
Mais de 40 anos depois, o Museu Guggenheim de Nova York foi homenageado através de uma doação anônima para que este marco da história da arte se juntasse à sua coleção permanente em 2005, mas não tem sido exibido desde 2006.
Eye of Lightning Billy(1962) a pintura em grande escala de Stevenson do close-up de um olho humano foi incluída na exposição central “The New Realists” (1962) que também contou com artistas como Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Robert Indiana e muitos outros.
No ano seguinte, Stevenson exibiu uma pintura do matador El Cordobas com 15 metros de altura na Torre Eiffel. Teve que ser retirado quatro dias depois devido aos enormes engarrafamentos que causava.
Na década de 1980, enquanto morava em Key West, incorporou referências de arquétipos greco-romanos e egípcios em suas obras. Na última década de sua vida, Stevenson concentrou-se nas pinturas sensuais do jovem modelo Christopher Jhon.
Stevenson após voltar da Europa, vendeu sua propriedade em Wainscott NY (Hamptons) e voltou a residir em Idabel, onde morreu em 2018 aos 89 anos.
HAROLD STEVENSON
Openly gay artist Harold Stevenson Jrwas born in 1929 in Idabel, southeastern Oklahoma near the Texas border, where he decided to be a painter while still in the second grade. At age ten he opened a painting studio right in the middle of town, painting portraits (and selling them). Even while later living abroad, he maintained an address in Idabel, where he lived until his death in a log cabin in the woods just outside of town. The artist incorporated his own hometown history into his painting when he created one hundred portraits of residents of Idabel for The Great Society (1967–68). Stevenson sold his estate in Wainscott NY (the Hamptons) and returned to reside in Idabel, where he died in 2018 at age 89.
Mitchell Algus, Harold’s gallery representative since 1992, recalls asking Stevenson if he was teased for being gay while a schoolboy. Harold replied, “Honey, I owned that school.” Stevenson’s longtime partner was Lloyd Tugwell II, a Choctaw art teacher who died in 2005 after a fall down the stairs at their Hamptons home. He is buried in the Stevenson family plot in Idabel.
In 1949 Stevenson moved to New York to pursue a career in art and almost immediately became the darling of international high society – Stravinsky, Cole Porter, Elizabeth Arden, Tennessee Williams, the Duke and Duchess of Windsor, Truman Capote, Kitty Carlisle, Gloria Swanson, Christian Dior, Peggy Guggenheim, Salvador Dali and the like. As an exhibitor in the 1964 Venice Biennale, his paintings of nudes were confiscated for indecency.
He was part of the avant-garde movement and befriended Andy Warhol, who would make Stevenson the subject of Warhol’s first film, Harold, and would include him in the pop artist’s video Heat (1972).
In 1959, Stevenson relocated to Europe, where he resided in France and Italy and exhibited regularly in galleries for nearly twenty years. He was itinerant his entire life, jockeying between New York, Paris, Key West and southeast Oklahoma. During a career of nearly seven decades, the nude male figure always dominated his works (often labeled "homoerotic fantasies"), but the artist’s most iconic works were products of the 1960s.
Harold Stevenson Jr. The New Adam (1962). Oil on canvas. Model, actor Sal Mineo (1939-1976).
In early 1963 visitors to the Galerie Iris Clert, Paris, were hardly prepared for the painting that greeted them, a colossal 8-foot-tall by 39-foot-long male nude, precisely and sensually rendered in full anatomical detail. In Paris (and later in New York, Chicago, and L.A.), the work was greeted with “shock,” recalls self-taught Harold Stevenson, who conceived The New Adam as an homage to his lover, Lord Timothy Willoughby d’Eresby – although he used the actor Sal Mineo as his model. In an interview, Harold said of Mineo, “He was a sweetheart person, and kind of stupid.” Lord Willoughby (1936-1963), who was the grandson of Lady Astor, went missing at sea with his crew in 1963 on the way to Corsica, shortly after Stevenson had painted a portrait of him in 25 pieces, displayed in Paris in 1962. Stevenson had been invited along for the sailing, but declined.
Spread over nine linen panels and initially installed as a three-wall wraparound, The New Adam presented a vast, seemingly unbounded ocean of flesh. This work engaged a much older tradition in art, recalling countless female odalisques, as well as Michelangelo’s iconic image of Adam, whose pointing gesture Stevenson redirects inward, toward the body. Over 40 years later, the Guggenheim Museum New York was honored through an anonymous gift to have this landmark of art history join its permanent collection in 2005, but it has not been displayed since 2006.
Harold Stevenson. Eye of Lightning Billy(1962), large-scale painting of the close-up of a human eye.
Eye of Lightning Billy(1962), Stevenson’s large-scale painting of the close-up of a human eye, was included in the pivotal exhibition The New Realists (1962), which also featured artists like Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Robert Indiana and many others. The following year, Stevenson exhibited a 48-foot-high painting of the matador El Cordobas at the Eiffel Tower. It had to be taken down after four days because of the enormous traffic jams it caused. In the 1980s, while living in Key West, he incorporated references to Greco-Roman and Egyptian archetypes into his works. In the last decade of his life Stevenson focused on sensuous paintings of the young model Christopher John.
Fonte
07 fevereiro 2024
ALEXANDRE O GRANDE
ALEXANDRE, O GRANDE
Ἀλέξανδρος ὁ Μέγας
Aléxandros ho Mégas
Alexandre III, Ἀλέξανδρος Γ’ ὁ Μακεδών, Aléxandros trίtos ho Makedόn, Ἀλέξανδρος ὁ Μέγας, Aléxandros ho Mégas, também conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno, Rei da Macedônia a partir de 336 a.C.
Ἀλέξανδρος ὁ Μέγας, Aléxandros ho Mégas
Desenhei esse retrato de Alexandre, o grande, baseado num busto esculpido por Lísipo em 330 a.C.
Ο Φίλιππος Β΄ ο Μακεδών (382 π.Χ. - 336 π.Χ.) ήταν Έλληνας βασιλιάς του Βασιλείου της Μακεδονίας από το 359 π.Χ. μέχρι τη δολοφονία του από τον Παυσανία, το 336 π.Χ. (Filippos B, o Macedônio (382 - 336 a.C.), foi um rei Da Macedônia, até 359 a.C. quando foi assasinado por Pausânias em 336).
Filipe II da Macedônia, em grego: Φίλιππος Β΄, Pela, 382 a.C. - 336 a.C. Foi rei da Macedônia de 359 a 336 a.C. Casado com Olimpia, gerou Alexandre, o grande. A Macedônia era rica em ouro e financiadora de um exército forte e efetivo, cuja eficácia se deveu muito aos esforços pessoais de Filipe. Era uma barreira entre a Grécia e o mundo bárbaro. Filipe, era filho de Amintas III, começou a governar a Macedônia em uma época em que o país estava dominado pelos ilírios, e libertou o reino pela força das armas e por sua habilidade como comandante militar. Todavia, foi mostrando-se moderado em relação aos derrotados que ele se tornou o maior poder na Europa. Aqueles que haviam lutado contra ele pela liderança, por causa da sua clemência, entregaram-lhe a autoridade sobre a Grécia. Entretanto, ele também sabia usar o medo como instrumento de dominação.
(Fonte: reddit)
Filipe II; 359-336 a.C. Stater de ouro (8,56 g), Casa da Moeda de Kolophon (Sicilia e Magna Grecia). cunhada sob o reinado de Filipe III, por volta de 323-319 aC. Anverso: busto laureado de Apollo, voltado à direita com as características de Alexandre, o Grande. Reverso: biga com condutor, em posição de combate, com lança na mão direita. Tripé, embaixo, à direita. Thompson, “Posthumous Philip II Staters of Asia Minor”. Acervo particular, coleção Bentes.
Moeda de ouro com efígie de Alexandre, o Grande
Alexandre III, o Grande - 336-323 a.C. Stater (8,60 gr). Casa da Moeda de Byblos. Cunhada por volta do período de 330-320 a.C. Cabeça de Athena voltada à direita, portando elmo Ático decorado com serpente, pingente e colar / AΛEΞANΔPOY, Nike, deusa grega da vitória em pé, segurando coroa de flores na mão direita estendida; Monograma AP no campo à esquerda (blogbentes).
Documentário da Netflix: ALEXANDRE, O GRANDE
Alexandre Magno e seu cavalo Bucéfalo, na Batalha de Isso. Detalhe de um mosaico encontrado em Pompeia (cidade destruída em 79 CE), hoje no Museu Arqueológico Nacional, em Nápoles.
Um busto de Alexandre conhecido como Azara Herm. Cópia romana em mármore de um original de Lísipo, de 330 a.C. (museu do Louvre). Segundo Plutarco, as esculturas de Lísipo representavam fielmente o famoso conquistador macedônio (WP).
Alexandre III da Macedônia, nasceu em 20/21 de julho de 356 a.C. – 10 de junho de 323 a.C., geralmente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno, em grego clássico: Ἀλέξανδρος ὁ Μέγας; Aléxandros ho Mégas, foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedônia e um membro da dinastia argéada. Nascido em Pela em 356 a.C., o jovem príncipe sucedeu a seu pai, o rei Filipe II, no trono com vinte anos de idade.
Macedônia
Não existem fontes primárias para nenhuma informação sobre Alexandre, o Grande - seja sobre sua sexualidade ou sobre suas conquistas. Nenhum dos relatos escritos por seus contemporâneos chegou aos nossos dias. Alexandre viveu no século IV a.C. As fontes mais antigas sobre ele são do século I a.C. (Diodoro Sículo) ou já da Era Cristã (Arriano, Plutarco, etc.). Existem, no máximo, citações e fragmentos coevos sobre Alexandre que foram consultados por esses historiadores antes de serem perdidos.
Portanto, as fontes que dizem que Alexandre "conquistou a porra toda" são as mesmas fontes que falam sobre suas relações com homens e mulheres. Plutarco, Quinto Cúrcio Rufo, Dicearco e Ateneu todos afirmam que Alexandre teria tido sido íntimo de Bagoas, um jovem eunuco da corte persa. E "ser íntimo" nesse caso varia de "Alexandre o beijava em público no teatro" até "Alexandre era tão apaixonado que fez de Bagoas o efetivo soberano da Pérsia".
Todos os historiadores antigos também falam sobre a relação entre Alexandre e Heféstio. Não há um relato explícito de que eram amantes, mas sabemos que eram inseparáveis - e sabemos que a palavra grega para "amigo" (philos) também era usada para "amante". Aristóteles, o tutor de Alexandre, descreveu a amizade entre ambos como "uma alma habitando em dois corpos".
Há um episódio interessante da passagem de ambos por Troia, quando Alexandre depositou uma guirlanda no monumento de Aquiles e Heféstio depositou outra guirlanda no monumento de Pátroclo - heróis da Ilíada que a tradição popular havia transformado em amantes desde o século V a.C.
Quando Heféstio morreu, Alexandre ficou tomado de uma dor profunda. Deitou-se sobre o corpo do amigo e ficou quase um dia inteiro agarrado ao cadáver, debulhando-se em lágrimas. Mandou executar o médico que havia atendido Heféstio e ordenou luto em todo o seu reino. Ficou enlutado por meses e tentou elevar oficialmente Heféstio ao status de um deus. Ele adoeceu e morreu um ano após a morte de Heféstio, enquanto construía um gigantesco monumento em honra do amigo.
Quase tudo é baseado no trabalho de cinco historiadores antigos: Plutarco, Arriano, Diodoro Sículo, Quinto Cúrcio Rufo e Justino. Esses historiadores tiveram acesso a fontes primárias (relatos de Calístenes, Ptolemeu Sóter, Clitarco) antes que elas se perdessem. E esse conhecimento é refinado agregando-se fontes sobre o contexto histórico.
Alexandre e Bagoas
Bagoas, em iraniano antigo: Bagāvahyā, em grego clássico: Βαγώας, Bagōas, foi um eunuco persa que viveu no Século IV AC.
Bagoas, o Jovem, termo usado para o diferençar de um outro Bagoas, vizir do Império Aqueménida, foi um cortesão de Dario III e mais tarde de Alexandre o Grande.
Bagoas, é o nome do eunuco mais famoso da história da Humanidade. Ele não era, no entanto, muito conhecido até o lançamento do famoso romance, O Menino Persa, de Mary Renault, que rapidamente atingiu as listas de best sellers. Referências ao eunuco nos documentos da Antiguidade são poucas. Na verdade, há apenas três, confinadas nos escritos dos historiógrafos romanos Quinto Cúrcio e Plutarco, e o general grego Ptolomeu (soumundano).
A referência mais antiga é de Quinto Cúrcio e diz: “Entre os presentes estava Bagoas, um eunuco de qualidade singular na flor da juventude, a que Dario estava familiarizado (adsuetus) e logo Alexandre também se familiarizou. Foi principalmente por suas súplicas que Alexandre perdoou Nabarzanes” (CQ 6.5.23).
Cúrcio está falando aqui sobre o assassinato de Dario por Nabarzanes, este mata o rei persa, e se prostra de joelhos rendido a Alexandre. O traidor persa oferece então inúmeros presentes ao conquistador grego, inclusive as esposas do rei e seus eunucos, isto é, todo seu harém.
Cúrcio deixa claro em outro trecho dos seus dez livros sobre a vida de Alexandre, o Grande, que os haréns persas eram abastecidos de concubinas e de eunucos que, ao contrário do que se costuma dizer nas histórias que chegaram a nós advindas do mundo árabe, não era protetores das mulheres e que não eram castrados para evitar que eles traíssem os sheiks com suas inúmeras esposas, os eunucos persas participavam dos haréns como parte das esposas do imperador. Os reis persas como Dario, Xerxes, Ciro e Artaxerxes, todos, tinham entre suas esposas, isto é, casados de certa forma porque o casamento real era apenas com a primeira esposa, as outras eram concubinas e os homens eram seus eunucos, mas em situação de igualdade com as concubinas.
É importante lembrar, no entanto, que os eunucos persas são castrados na adolescência ainda. Isso impedia a mudança do corpo causada pelos hormônios da adolescência transformando o corpo desses homens numa versão de aparência sempre infantilizada, digamos assim, imberbe e de aparência feminina e delicada. Estes eram educados com esmero. Aprendendo o protocolo e regras da corte persa, uma das mais rígidas do mundo antigo; mas também aprendendo a ler, escrever, matemática, tornando-se normalmente administradores dos bens do rei. Contudo, no caso de Bagoas, ele também era um exímio dançarino.
Plutarco nos conta outra parte da história. Cúrcio afirmou que o regicida entregou Bagoas de presente para Alexandre, como dissemos, mas este deixa o seu harém na Hircânia, a beira do mar Cáspio, enquanto parte para tomar a região da Carmênia, uma satrapia já dentro do atual Irã. É na Carmênia, meses depois, que acontece a segunda aparição de Bagoas. Ela acontece quando o exército de Alexandre recebe suprimentos oriundos da Hircânia e eles comemoram as Bacanálias em nome de Dioniso.
Plutarco narra o encontro em Vida dos Varões Ilustres: "Diz-se que enquanto estava bêbado, ele (Alexandre) observou o concurso de dança, no qual, em meio ao coro, estava seu amante Bagoas dançando e, depois de ter sido declarado vencedor, voltou do teatro e sentou-se com ele. Vendo isso, os macedônios o aplaudiram e gritaram pedindo um beijo, até que Alexandre, jogando os braços em torno dele o beijou amorosamente". (Alex. 67.8).
Bagoas era o preferido de Dario III. No entanto, ao conhecer Alexandre ele não havia ainda começado uma carreira política na corte persa, como inúmeros outros eunucos haviam feito antes. Seu poder se limitava apenas a receber favores diretos do rei. Este favoritismo, obviamente, despertou inveja, o que fazia com que se dissesse sobre ele, tanto na época de Dario, quanto com Alexandre, que "um eunuco havia governado a Pérsia antes e agora governava outro", em referência a um outro eunuco também chamado Bagoas, que se tornou grão-vizir do imperador Artaxerxes III, por volta do século IV a.C. Cúrcio inclusive conta que chegando Alexandre a capital persa, a Babilônia, o sátrapa Orsines dá ao novo imperador e a todos os seus amigos presentes inimagináveis. "Para Bagoas, o eunuco, que serve Alexandre com seu próprio corpo, nenhuma honra é paga". (QC 10.1.26). Bagoas se sente humilhado. Orsines o chama de prostituto. O eunuco então usa sua influencia e recruta uma série de falsos testemunhos que destroem a reputação do sátrapa e forçam Alexandre a retira-lo da posição que ele tinha, fazendo-o cair em desgraça.
Discute-se entre os historiadores se os eunucos tinham a mesma situação social de escravos ou se eles estavam equiparados legalmente as mulheres. Questiona-se sobretudo como esses meninos são expostos a esta situação de castração: eles seriam vendidos por sua família? Tais discussões estão sempre atreladas a um preconceito machista de que somente uma família em situação de desespero permitira que um filho homem seu fosse colocado nesta situação de desvirilização. Todavia, não é o que parece. A situação de todos os eunucos que aparecem na história persa é sempre de homens que tinham um excelente status social o que poderia perfeitamente ser desejável para uma família. Seria um excelente forma de, por exemplo, manter-se ativo no ambiente cortesão da capital persa criando seu filho desde muito cedo para ocupar um lugar de destaque como eunuco do imperador ou de um sátrapa de uma cidade ou mesmo de um comerciante rico, por exemplo.
Alexander the Great’s head on a silver coin of Lysimachus in 321-281 B.C.
Fonte
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02 fevereiro 2024
FATOS DE UM BRASIL FASCISTA
FATOS DE UM BRASIL FASCISTA
No dia 24 de julho de 2005, o jovem deputado estadual Flávio Bolsonaro pendurou no pescoço do tenente PM Adriano da Nóbrega, a Medalha Tiradentes, a maior honraria do Legislativo do Rio. A cerimônia não se deu numa sessão solene no Salão Nobre do Palácio Tiradentes, mas numa sala do Batalhão Prisional, em Benfica, zona norte da cidade, onde o agraciado estava preso pela tortura e execução, em 2003, de um guardador de carros.
A cerimônia era o de menos, o importante era a medalha. Ela seria usada pelos advogados de Adriano para (ou na tentativa de) inocentá-lo do crime e evitar sua expulsão da PM. E não ficou somente nisto.
Em Brasília, o deputado federal Jair Bolsonaro, numa rara intervenção ao microfone da Câmara, usou o plenário para defender Adriano: “Um rapaz de 20 e poucos anos, coitado, sem dinheiro para sustentar a família, acusado para atender aos interesses da Anistia Internacional!”. Não adiantou: Adriano foi condenado a 19 anos.
Libertado em previsíveis dois anos, o rapaz, coitado, tornou-se um dos mentores do Escritório do Crime (agora uma ORCRIM, uma Organização Criminosa), organização de matadores saídos da PM carioca. Isso não impediu que sua mulher e sua mãe fossem contratadas por Flávio como “assessoras”.
Entre os 20 crimes do Escritório do Crime, estão as execuções de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em 2020, Adriano foi morto na Bahia pela PM local, numa típica tarefa encomendada, uma queima de arquivo. (por Ruy Castro, na Folha).
Fontes
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