INÍCIO

08 junho 2023

DUPLIPENSAR E FAKE NEWS

MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO
1984
74 anos de uma obra 






Em 8 de junho de 1949, portanto há 74 anos atrás, foi publicado um dos livros mais influentes do mundo sobre o tema da governança totalitária. “Nineteen Eighty-Four”, “1984”, pelo escritor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido por seu pseudônimo George Orwell

George Orwell costuma ser lembrado pela autoria, principalmente dos livros clássicos: “1984”, “A Revolução dos Bichos”, “O que é fascismo? E outros ensaios”, além disso, ele também é um grande ensaísta.


George Orwell (1903-1950)







George Orwell com seu filho.

Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz, crítica clara e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo além de uma grande paixão pela clareza da escrita.

George Orwell (1903-1950), escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nasceu em 25 de junho de 1903, em Motihari, Índia. Seu pai, Richard Walmesley Blair (1857-1939), era britânico, e Orwell teve uma educação inglesa, pois se mudou para a Inglaterra com apenas quatro meses de vida. Estudou em St. Cyprian’s School, em Eastbourne, e, a partir de 1917, em Eton, um famoso colégio britânico. Em 1922, começou a trabalhar na Polícia Imperial Indiana, na Birmânia, mas, em 1927, abandonou o emprego para se dedicar à literatura. Então, no ano seguinte, foi para Paris, onde viveu cerca de um ano e meio. Desse tempo em Paris, acumulou experiência e notas que no ano de 1933, possibilitaram a publicação de seu primeiro livro, intitulado: “Na pior em Paris e Londres”. Nessa obra, ele conta como era a vida, as perspectivas, no lado mais obscuro e pobre do capitalismo, onde as pessoas nas capitais do mundo morriam de doenças da idade média por não ter dinheiro para tratamentos hoje considerados básicos. Nessa obra ele conta o que viveu e vivenciou nessas cidades. No fim de 1934, começou a trabalhar em uma livraria no bairro Hampstead, em Londres. Nessa cidade, ele conheceu Eileen O’Shaughnessy (1905-1945), com quem se casou.

Segundo Souza (s/d), Já em 1936, decidiu conviver com os mineiros da cidade de Wigan para a escrita de seu livro, publicado no ano seguinte, intitulado “A caminho de Wigan”. 

No final de 1937, foi para a Espanha e lutou, durante seis meses, na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos e contra o ditador Francisco Franco (1892-1975).

Em 1939, teve problemas no pulmão e precisou de tratamento médico. Devido a doença, foi morar um tempo no Marrocos, pelo clima quente, que na época era um dos tratamentos para essa patologia. Devido a seu problema de saúde (Tuberculose) que na época ainda não tinha cura, foi rejeitado para o serviço militar e não lutou na Segunda Guerra Mundial. Assim, de 1941 a 1943, trabalhou na BBC. Depois se tornou editor do Tribune, um periódico de esquerda.


Tuberculose 

O termo tuberculose é recente, ele foi cunhado em 1839 por Schöenlein (1793-1864), baseado no nome dado em 1680 por Sylvius à lesão nodular, o tubérculo, encontrado em pulmões de doentes submetidos a autópsia. Até então, a doença era conhecida como tísica (palavra derivada do verbo grego antigo: phthiso, φθίσις, phthísis que significa, consumir, declínio, definhamento, de φθίω, phthíō, eu definho, que significa decair, consumir-se, definhar ou consunção (do latim, consumptio onis, de mesmo sentido que o termo grego; popularmente era chamada de “peste branca” e “mal do peito”. As origens desta enfermidade infecto-contagiosa não estão, até o momento, completamente esclarecidas. A hipótese mais aceita é que ela tenha surgido há aproximadamente 8.000 anos a.C., a partir do contato com auroques (Bos primigenus), bois selvagens extintos no século XVII, contaminados com a bactéria causadora da tuberculose bovina Mycobacterium bovis. Acredita-se que pequenos núcleos populacionais, que teoricamente não favoreceriam a perpetuação da doença, mantiveram desde o período pré-histórico uma discreta endemicidade e a disseminação da tuberculose teria acompanhado as sucessivas e crescentes correntes migratórias humanas.

Por ter causa desconhecida na época, a doença, assim como diversas outras, era vista como um castigo. Essa visão, no entanto, foi desmistificada por Hipócrates, na Grécia em IV a.C. O estudioso mostrou que a tuberculose era algo natural e passou a denominá-la de Tísica. A expansão da doença mundo afora se deu com o advento das guerras, que estreitavam o contato entre indivíduos.

A tuberculose passou a ser melhor compreendida nos séculos XVII e XVIII com o surgimento do estudo da Anatomia. Foi quando então a doença recebeu seu nome atual. A partir do final do século XVIII a enfermidade foi vinculada a duas representações: a primeira a associava a uma doença romântica, que acometia principalmente poetas e intelectuais; a outra, criada em fins do século XIX, a vinculava a um mal social, visão que permaneceu durante o século XX. Desde o século XIX a doença era tratada com a terapêutica higieno-dietética, que consistia em uma boa alimentação, repouso e incorporava o clima das montanhas. Para isso, os pacientes eram isolados em sanatórios e preventórios.

No Brasil em 1920, com a Reforma Carlos Chagas, que deu origem ao Departamento Nacional de Saúde Pública, o Estado passou a estar mais presente na luta contra a doença, criando a Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose. 

Na década de 1930 surgiram avanços no combate à doença com a invenção da vacina BCG, a baciloscopia, a abreugrafia, o pneumotórax e outras cirurgias torácicas. Em função do conhecimento mais amplo da doença, o fator clima na sua cura passou a ser questionado. 

Com a descoberta da quimioterapia antibiótica específica na década de 1940 e a comprovação de sua eficácia ao longo das décadas de 1950 e 1960, o tratamento passou a ser ambulatorial sem a necessidade de internação, o que culminou na desativação dos sanatórios. 

Em 1943, o cientista russo/norte-americano Selman Abraham Waksman, descobriu, junto com seus colaboradores, que o fungo Streptomyces griseus (Krainsky, 1914) Waksman et Henrici, 1948, produzia uma substância antibiótica que recebeu o nome de estreptomicina
No ano seguinte, uma paciente tratada com a substância foi curada. Experimentos posteriores confirmaram que a estreptomicina era, de fato, efetiva no tratamento da tuberculose. 

Domagk recebeu, em 1939, o Prêmio Nobel de Fisiologia pela descoberta do efeito antibactérico da sulfanilamida e, em 1952, Waksman foi agraciado com a mesma honraria pela descoberta da estreptomicina.

Em 1949, com a descoberta de outra droga, o ácido paraminossalicílico, que impedia o surgimento das estirpes resistentes à estreptomicina e, em 1952, com a isoniazida, a resistência bacilar foi temporariamente vencida. 
A essas drogas, seguiram-se a rifampicina, o etambutol e a tiacetazona.

O advento do tratamento com antibióticos, unido a medidas de profilaxia e simplificação do diagnóstico, ocasionou uma redução significativa no índice de mortalidade pela doença no mundo todo.

Orwell

Voltamos, então a George Orwell. Com a publicação de seu livro A revolução dos bichos, em 1945, George Orwell, finalmente, conseguiu fazer sucesso como escritor. Contudo, nesse mesmo ano, ele se tornou viúvo e, assim, ficou com a tarefa de criar, sem a esposa, o filho que os dois haviam adotado, Richard Horatio Blair.

A obra mais famosa de Orwell, o romance distópico “1984”, só foi publicada quatro anos depois em 1949. No entanto, o autor não pôde presenciar o grande sucesso do seu livro nos anos que seguiram à sua publicação, pois, devido à tuberculose, o romancista morreu em 21 de janeiro de 1950, em Londres, logo depois de se casar com Sonia Brownell (1918-1980).

Elogiado como um exemplo literário clássico de ficção política e distópica, é amplamente lido e debatido até hoje. Orwell introduziu inúmeras novas palavras e frases em nossa linguagem, entre elas, podemos citar:
Big Brother, polícia do pensamento, crime de pensamento, novilíngua, buraco de memória, dois minutos de ódio, quarto 101, duplipensar …

O próprio nome de Orwell também se tornou parte de nossa linguagem, quando usamos o termo “pesadelo orwelliano” ou “cenário orwelliano”, para descrever uma situação em que um governo, instituições, corporações, ultrapassam os limites, da ética e legais, exercendo ou tentando exercer um controle totalitário sobre a vida das pessoas. 

Dentre os termos ou ideias, criados e usados por Orwell, no livro 1984, o mais duradouro deles talvez seja o “duplipensar” (Doublethink).  

Incorporada no duplipensar, podemos ver uma fagulha das Fake News. Fake news são notícias falsas que se disfarçam de verdadeiras, essas notícias geralmente são criadas e disseminadas nas redes sociais por um espectro político: a extrema-direita para manipular intenções de votos e/ou ganhar dinheiro via engajamento nas redes sociais, assegurando cliques faceia em anúncios. Essas mentiras se espalham como fogo num capinzal seco das redes sociais, porque viralizam mais rápido do que uma piada ou dança requebrara engraçada.

Para Orwell, o “Duplipensar significa o poder de manter duas crenças contraditórias na mente simultaneamente e aceitar ambas”. (George Orwell, 1984). As pessoas ou corporações, ou o que é pior instituições  mantidas pelo povo com impostos, se engajaram numa guerra híbrida de informações onde as fake news são usadas ininterruptamente para manter o engajamento, gerar “likes = cliques”, e incitar o ódio nós cidadãos. Hoje temos como exemplo já em estudo o caso de algumas instituições brasileiras centenárias, que criaram um inimigo interno, parte do próprio povo que os mantém em seus privilégios. Essas “entidades” mantém um duplipensar que os possibilita a usar de fake news, destinado horas de trabalho pagos com recurso público para atacar o próprio povo. 

Antes vejamos uma piada clássica:

P: Como você pode saber quando um político está mentindo? 
R: Seus lábios se movem. 

Essa velha piada atemporal é considerada um clássico porque a maioria de nós sabe instintivamente que geralmente é verdade. Muito embora todos nós possamos conhecer políticos e instituições idôneas, que realmente levam a sério seu mandato. Todavia, há uma grande parte de parlamentares que só pensam em si mesmos, sua família e seus partidos. A mesma piada também poderia ser usada sobre a grandes corporações, instituições, ou bigtechs. 

Empresas de tabaco, gigantes do petróleo, grandes empresas alimentícias, farmacêuticas, grandes bancos e manufaturas industriais, instituições como as forças armadas, tiveram seu tempo no centro das atenções por uma série infinita de crimes, seguidos de mentiras para encobrir seus rastros ao longo de sua história. 

Parafraseando a piadinha atemporal:
 
P: Como você pode saber quando a a instituição ou corporação ou Big Pharma está mentindo? 
R: Eles dizem que sua última droga, solução milagrosa é segura. 

Foi assim quando o governo brasileiro tentou fazer o povo usar cloroquina, hidorxicloroquina, tratamento precoce ou kit-Covid (ivermectina, nitazoxanida (Annita), vitamina D etc.) contra uma doença viral! Esse procedimento e o atraso em comprar a vacina levou ao óbito 400 mil pessoas. Isso é genocídio.  Mas o que mais me impressiona é saber que uma grande parcela de médicos aderiu à essas ideias sem fundamento científico algum. Baseados apenas numa teoria da conspiração. Isso mostra que a classe média é neofascista. E que o capitalismo em tempos de crise de acumulação máxima do capital está identificando-se com o fascismo, assim como a crise roncarias da década de 1930 se identificou e produziu o fascismo histórico que ceifou a vida de cerca de 40 milhões de civis, que durou de 1939 a 1945. Não fosse bastante cerca de 20 milhões de soldados, quase metade deles russos, também perderam a vida. A extrema-direita é a morte personificada. 

O duplipensar de Orwell e seu desdobramento em Fake News 

Portanto, hoje nos encontramos em um mundo confuso de pensamento duplo, onde agora se espera que acreditemos em duas narrativas contraditórias ao mesmo tempo.
Sabemos que tanto os políticos quanto as grandes empresas farmacêuticas tendem colocar seus próprios interesses acima de tudo.
Claro, como já salientei, existem políticos decentes que talvez tenham os interesses de seus constituintes no coração e em suas mentes, e tentem legitimamente desempenhar no parlamento seu papel levando as discussões e a vontade de quem os elegeu, a plenário, entretanto, histórias intermináveis ​​de escândalos políticos, traição, mentiras e enganos, apropriação indevida de fundos, aceitação de subornos, propinas e fraude política geral devem convencer a maioria das pessoas de que aqueles nos corredores do poder atendem primeiro às suas próprias necessidades. Uma, a de se manter ganhando dinheiro e outra a de permanecer no poder. 

Governos de extrema-direita, neofascistas como o ex-governo Bolsonaro e de seus militares colocados em pontos chaves, essenciais, tentaram a todo custo nos convencer, e esperavam que acreditássemos que as vacinas COVID-19, que foram produzidas com pesquisas que já vem sendo desenvolvidas desde a década de 1960, só para lembrar, quem já esqueceu das pesquisas com DNA e mRNA, iniciaram em 1953, com a publicação e posterior Prêmio Nobel dos pesquisadores Watsom e Crick. 

Temos sorte de termos bons políticos progressistas e um Supremo esclarecido, além do que a grande maioria do povo trabalhador não caiu nessa farsa. Mesmo assim, a recusa em comprar vacina ou a demora em adquirí-la, fez com que a COVID-19 tenha levado a óbito, 703.291 pessoas só no Brasil. 

O Brasil tem em torno de 214,6 milhões de habitantes segundo o IBGE, e a população mundial equivale a 7,9 bilhões no planeta todo, desta forma o Brasil tem 2,7% da população mundial.

Mesmo o Brasil possuindo 2,7% da população mundial, concentra quase 13% das mortes no mundo. Isto é o mesmos que dizer que 4 de cada 5 mortes teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média mundial de óbitos pela covid-19, ou seja, 400 mil mortes não teriam ocorrido

No Brasil, 2.345 pessoas morreram pelo coronavírus para cada um milhão de habitantes, a média mundial é de 494 pessoas.

Em comparação com os dez países com maior população do planeta, o Brasil tem o pior resultado de mortes por milhão de habitantes, assim como na comparação dos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Na América do Sul, Brasil é o segundo país com mais mortalidade de covid-19 por milhão de pessoas, atrás do Peru (população do Peru: 33,7 milhões de habitantes) (Agência Senado).

Bem-vindo à nossa nova realidade de pensamento duplo.
Silenciando as vozes dissidentes

Ainda mais preocupante, acredito, é que ousar questionar a narrativa “de que a vacina é prejudicial e pode matar, ou transformar você em um jacaré”, é um convite a ser taxado de comunista, bandido, etc., e essa rotulagem é um primeiro passo para colocar você dentro de uma teoria da conspiração, do “foro de São Paulo” etc, o que qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que é ridículo e é uma tentativa de deslegitimar sua fala e de invisibilizar sua atuação.

O que se praticou no Brasil nos últimos quatro anos foi um genocídio promovido pelo estado, onde a necropolitica, um ramo da “política castrense” como um fim para uma politica neoliberal de máxima acumulação do capital e concentração de poder das mãos de militares. Quem ouviu o canto da sereia e acreditou, caiu na teia da morte.

Porque vamos ser claros sobre isso... Toda vacina mesmo com baixa eficácia protege o corpo ao desenvolver anticorpos contra um agente estranho. É muito raro, devido aos testes feitos anteriormente para sua liberação, que uma vacina mesmo nova, seja letal.  

Como a ciência que lida com vidas é e deve ser conservadora e parcimoniosa, as vacinas foram sim usadas com o rótulo de “emergênciais”. Mas sabemos que sua tecnologia tem mais de 30 anos. 

Só podemos tentar explicar vozes discordantes das vacinas, imaginando que esses propagadores de mentiras tem algum plano. Um plano sinistro.

Por que existiria um grande esforço para minar o conhecimento que se tem sobre o uso das vacinas, de mais de 200 anos? Lembre-se, as vacinas foram descobertas e usadas pela primeira vez por Edward Jenner 1798! E de lá para cá,  até hoje, só trouxeram melhores condições de vida para todos.  
Certamente, quem não aceita as vacinas, não é por que possui uma preocupação legítima com a saúde da população trabalhadora.

A saída ou a explicação milagrosa da extrema-direita, seria que a “imunidade de rebanho” salvaria a humanidade. 

Sabe-se que para “alcançar imunidade coletiva” ou de rebanho, precisaríamos de algo como entre 55% e 80% de contaminação natural de toda a população humana. Isso certamente levaria ao colapso da população mundial. O que arrasaria as instituições democráticas, favorecendo aqueles líderes totalitários sua perpetuação no poder. 


Antivax

As pessoas que se intitulam antivax, sendo contra a vacina que salva vidas, representam o egoísmo, a ignorância e o individualismo em seus estados mais brutos. 

Essas pessoas se especializaram em espalhar desinformação via redes sociais,  sobre vacinas, seu efeito, e além disso inventam que haveriam pessoas interessadas em tirar a liberdade de decisão da população.  

Essas pessoas colocam em risco a vida de toda a população, são seres nocivos, e precisam ser combatidos veementemente a todo momento. Essas pessoas e suas redes sociais devem serem silenciadas pela justiça uma vez que estão incorrendo em crimes contra a saúde pública e contra a humanidade. 

É perfeitamente normal termos dúvidas sobre um procedimento novo ou desconhecido da ciência. 
Para isso devemos procurar nos instruir, nos educar, conhecendo o método, mas jamais espalhar mentiras e tentar impedir a população de se vacinar. A dúvida não deve persistir quando se procura legitimamente o conhecimento.  

Vou deixar a última palavra para George Orwell, em duas citações que fornecem detalhes mais completos sobre o poder do duplipensamento:

O Ministério da Paz se preocupa com a guerra, o Ministério da Verdade com a mentira, o Ministério do Amor com a tortura e o Ministério da Fartura com a fome. Essas contradições não são acidentais, nem resultam da hipocrisia comum: são exercícios deliberados em pensamento duplo”. (George Orwell, “1984”). 

E foi exatamente isso que o desgoverno militar-Bolsonaro fez por quatro anos. Suas incompetências e de seus militares ministros, não agiram acidentalmente, foi um projeto.

Saber e não saber, estar consciente da veracidade completa ao contar mentiras cuidadosamente construídas, manter simultaneamente duas opiniões que se anulam, sabendo que são contraditórias e acreditando em ambas, usar a lógica contra a lógica, repudiar a moral ao mesmo tempo em que o reivindicava, acreditar que a democracia era impossível e que o Partido era o guardião da democracia, esquecer tudo o que era necessário esquecer, depois trazê-lo de volta à memória no momento em que era necessário e, em seguida, prontamente esquecê-lo novamente: e acima de tudo, aplicar o mesmo processo ao próprio processo, essa era a sutileza final: induzir conscientemente a inconsciência e, então, mais uma vez, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que você acabou de realizar. Mesmo para entender a palavra duplipensar envolvia o uso de duplipensar”.
(George Orwell, “1984”).


Características das obras de George Orwell

Segundo Souza (s/d), George Orwell é considerado um dos mais famosos escritores ingleses do século XX. Foi um autor pertencente ao modernismo, e suas obras apresentam uma linguagem marcada pela simplicidade e objetividade e clareza, o que acaba atraindo leitoras e leitores no mundo inteiro. Ainda assim, suas temáticas nunca se aproximam da banalidade.

Suas obras mais famosas, isto é, “A revolução dos bichos” e “1984”, são caracterizadas, respectivamente, pela alegoria e distopia. Desse modo, o autor construiu textos destituídos de qualquer idealização e apresentou uma visão pessimista da realidade e do futuro da humanidade.

Alegoria do grego antigo αλλος, allos, outro, e αγορευειν, agoreuein, falar em público, pelo latim allegoria é uma figura de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos além do literal. Diz-se b para significar a. Uma alegoria não precisa ser expressa no texto escrito: pode dirigir-se aos olhos e, com frequência, encontra-se na pintura, escultura ou noutras formas de linguagem. 

A alegoria representa uma figura de linguagem, mais precisamente uma figura de palavra de caráter moral.

Ela deixa de lado seu sentido meramente denotativo, para pôr em prática o sentido figurado das palavras, ou seja, a duplicidade de sentidos, ou mesmo sua plurissignificação (multiplicidade de significados).

Para muitos estudiosos, a alegoria representa uma metáfora ampliada e, em alguns casos, é semelhante à personificação ou prosopopeia.

Segundo os retóricos da antiguidade, a alegoria difere da metáfora, pois ela é utilizada de forma mais aberta e ampla (numa fábula, parábola, romance, poema), enquanto a metáfora considera os elementos que compõem o texto de maneira independente.

Nesse sentido, a alegoria pode abrigar diversos significados que transcendem seu sentido literal (denotativo, real), de modo que ela utiliza símbolos para representar uma coisa ou uma ideia através da aparência de outra.

Em outras palavras, a alegoria representa a linguagem figurativa, para descrever algo (pessoa, objeto, etc.) com a imagem de outro.
As obras de Orwell estão associadas a um caráter ideológico, baseado na reflexão sobre liberdade e igualdade social. Desse modo, o autor lançou o seu olhar satírico sobre a realidade de seu tempo, quando a liberdade e a igualdade eram uma utopia para muitos intelectuais e artistas.

Posições ideológicas de George Orwell 

Pró-socialismo
Pró-democracia
Antinazismo
Antifascismo
Antitotalitarismo
Antiestalinismo
Anticatolicismo

Principais obras de George Orwell

Na pior em Paris e Londres (1933)
Dias na Birmânia (1934)
A filha do reverendo (1935)
Mantenha o sistema (1936)
A caminho de Wigan (1937)
Lutando na Espanha (1938)
Um pouco de ar, por favor! (1939)
A revolução dos bichos (1945)
1984 (1949)





Fonte 





https://www.fcm.unicamp.br/boletimfcm/mais_historia/tuberculose-na-historia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alegoria






















07 junho 2023

SÉTIMO DIA DE RECORDAÇÃO



Homenagem a Allan Turing 



Allan Turing nasceu em 23 de junho de 1912. O matemático Allan Turing foi um dos homens notáveis do séc. XX que revolucionou o mundo moderno. 


Alan Turing acabou com sua própria vida em 7 de junho de 1954. Ele mordeu uma maçã misturada com cianeto, e assim, na solidão e desespero uma mente brilhante se apagou para sempre. Quantas maravilhas poderíamos ter conhecido antes do tempo? Quanto progresso teria a humanidade feito se fosse tolerante com o diferente? 

Ele tomou essa decisão porque o governo britânico, ao descobrir que ele era gay, submeteu-o a castração química, humilhou-o e processou-o por ser quem era, homem e gay. 

O fato dele ter colocado cianeto numa mação e mordido a maçã, morrendo logo a seguir é uma das explicações, lendárias, do porque a Apple tem uma maçã mordida em seu logotipo. Seria esta uma homenagem a Alan Turing, que com seu trabalho, imaginação e genialidade inventou a ciência da computação. 

Com seu conhecimento matemático e de ciência da computação e, usando seus primeiros projetos de um computador, decifrou o código por trás da máquina Enigma, a máquina que criptografava as mensagens que os nazistas alemães desenvolveram para comunicar comandos secretos entre si durante a segunda guerra mundial. Com esse feito A. Turing contribuiu para salvar milhões de vidas humanas e ao mesmo tempo nos conduzindo à era moderna da informática. 

A história de Alan Turing só ficou conhecida publicamente 70 anos após a sua trágica morte. Sua vida é repleta de grandes feitos, mas que, infelizmente, teve um final trágico. 
Em 2013, sua condenação por homossexualidade foi perdoada pelo Governo Britânico, mas a injustiça cometida contra ele, a História jamais vai conseguir apagar ou mesmo perdoar. O mínimo que podemos fazer é respeitar o legado de Alan Turing, o pai da computação moderna e relembrá-lo todo ano no mês do orgulho.

O mês do orgulho não envolve apenas dançar em carros alegóricos com shorts dourados e agitar uma bandeira do arco-íris. Trata-se também, e mais importante, lembrar que todos têm o direito de ser felizes, de amar quem desejam amar e de reconhecer a notável contribuição que todos podem fazer para uma sociedade livre de medos ou preconceitos.


P.S.: 

Outras hipóteses para o logo da Apple

Em 1976 a Apple nasceu com Steve Jobs e Steve Wosníak, com a ajuda de Roland Wayne que projetaram um logo complexo com um homem debaixo de uma árvore com uma maçã na mão. Tal imagem do homem provavelmente fazia alusão a Isaac Newton, que, segundo anedotas, se deu conta da lei da gravidade ao observar uma maçã caindo do pé, todavia eles logo decidiram simplificar o logo da companhia e adotar a maçã mordida, desenhada por Rob Janoff.

Segundo o documentário “Steve Jobs: Como ele mudou o mundo”, Jobs era frugívoro na época, ou seja, ele alimentava-se apenas de frutas. Esse era um costume bem comum entre os jovens dos anos 1970. Jobs e o seu grupo de amigos estavam numa reunião num sítio que tinha um pomar de macieiras, e foi por isso que eles fizeram uma dieta de maçãs na época da criação da Apple, e daí saiu o nome.

Outra teoria diz que tal nome foi escolhido porque Jobs era fã do grupo britânico The Beatles, que tinham gravado com a gravadora Apple Records.

Mas, afinal, porquê a maçã mordida? Existem quatro hipóteses que explicam isso: 

1) A primeira é que simplesmente a mordida da maçã simboliza o conhecimento, 

2) A segunda é sobre uma ambiguidade no slogan da marca, onde dizia “Byte into an Apple” (frase ambígua para um byte (de informação) dentro de uma maçã ou morda uma maçã). 

3) A terceira diz que as pessoas costumavam confundir a maçã com um tomate ou uma cereja e colocar a mordida na imagem facilitava a percepção de que era uma maçã e também fazia uma alusão clara ao texto da Bíblia que fala sobre o fruto proibido que baniu Adão e Eva do Paraíso.

4) A quarta faz alusão a Allan Turing que inventou a ciência da computação e que se matou mordendo uma maçã envenenada com cianeto.

Eu acredito que Steve Jobs conhecia a história de Allan Turing, leu seus trabalhos e estudou seus algoritmos, e conhecia sua vida cheia de feitos notáveis e sua morte trágica pelo preconceito. 


  *

"Quantos autômatos e máquinas de movimento podem ser feitas pela indústria do homem [...] Para que possamos entender facilmente a constituição do ser de uma máquina de modo que possa proferir palavras, e até emitir algumas respostas para ações de natureza corpórea infligidas sobre ela, o que traz uma mudança em seus órgãos; por exemplo, se tocada em uma parte em particular, pergunte-nos o que queremos dizer a ela; se tocada em outra parte, a máquina pode afirmar que está sendo machucada; e assim por diante. Mas ela nunca organiza seu discurso de diversas maneiras, a fim de responder apropriadamente a tudo que possa ser dito em sua presença, como até o homem mais simples pode fazer." (R. Descartes (1596-1650). Discurso sobre o método, (1637))


LOVE IS LOVE
 



Fotos de um filme cujo nome não lembro 



Allan Turing



Referências








05 junho 2023

ARQUITETURA DO PARTENON

A ARQUITETURA DO PARTHENON 

Tradução e interpretação livre do artigo: “Parthenon”, 
de Athanasios G. Angelopoulos, 2011


Parthenon

O Parthenon é um antigo templo grego construído na colina da Acrópole em Atenas. É um templo feito de mármore pentélico branco fino e foi dedicado à deusa Athena, padroeira da cidade de Athenas.
A construção começou em 447 a.C. por ordem do estadista ateniense Péricles, como parte de um programa geral de reconstrução da Acrópole, uma vez que os templos mais antigos foram destruídos pelas persas em 480 a.C. O Parthenon foi construído sobre as ruínas do templo arcaico inacabado e destruído, o chamado “Proparthenon” ou “Hecatompedon”.

Os arquitetos que o projetaram foram: Ictinus, em grego antigo Ἰκτῖνος, Iktînos, in latim: Ictinus; vivei no V século a.C., e Callicrates ou Kallikrates, em grego antigo: Καλλικράτης. 
O supervisor do projeto e da decoração da escultura da deusa foi o escultor Fídias, amigo íntimo de Péricles. Phidias, do grego antigo, Φειδίας, Pheidias; c. 480 – 430 aC) foi um escultor, pintor e arquiteto grego. Sua estátua de Zeus em Olímpia foi uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Fídias também desenhou as estátuas da deusa Athena na Acrópole ateniense, ou seja, a Athena Parthenos dentro do Parthenon, e a Athena Promachos, um bronze colossal que ficava entre ela e o Propylaea, um portal monumental que servia de entrada para a Acrópole em Atenas.
A construção do templo foi concluída em 438 a.C e as últimas esculturas foram colocadas em 432 a.C.

O Varvakeion Athena, uma estátua da era romana de Athena Parthenos considerada a reprodução mais fiel da estátua criselefantina feita por Fídias e seus assistentes. (Museu Arqueológico Nacional de Atenas). (WP)

Comparação entre as três principais ordens arquitetônicas gregas, ou estilos de colunas: Dórica, Jônica e Corinthia.(britanica)


A DEUSA DA CIDADE 

Atena, também grafada Athena, na religião grega, a protetora da cidade, deusa da guerra, do artesanato e da razão prática, identificada pelos romanos com Minerva. Ela era essencialmente uma deusa urbana e civilizada, a deusa da civilização, a antítese em muitos aspectos de Ártemis, deusa do ar livre, dos campos e bosques, da caça. 

Athena era provavelmente uma deusa pré-helênica e mais tarde foi assumida e incorporada ao panteão, pelos gregos. No entanto, a economia grega, ao contrário da dos minóicos, era em grande parte militar, de modo que Atena, embora conservasse suas funções domésticas e civilizatórias anteriores, tornou-se uma deusa da guerra.

Ela era filha de Zeus, produzida sem mãe, de modo que emergiu adulta de sua testa. Havia uma história alternativa de que Zeus engoliu Métis, a deusa do conselho, enquanto ela estava grávida de Atena, de modo que Atena finalmente emergiu de Zeus. Sendo a filha favorita de Zeus, ela tinha grande poder.

A associação de Atenas com as acrópoles de várias cidades gregas provavelmente decorreu da localização dos palácios dos reis que eram construídos predominantemente nesses locais. 

Acreditava-se que ela não tinha consorte nem filhos. Ela pode não ter sido descrita originalmente como virgem, mas a virgindade foi atribuída a ela muito cedo e foi a base para a interpretação de seus epítetos Pallas e Parthenos. Como deusa da guerra, Atena não podia ser dominada por outras deusas, como Afrodite, e como deusa do palácio ela não podia ser violada.

Na Ilíada de Homero, Atena, como deusa da guerra, inspira e luta ao lado dos heróis gregos; sua ajuda é sinônimo de proeza militar. Também na Ilíada, Zeus, o deus principal, atribui especificamente a esfera da guerra a Ares, o deus da guerra, e a Atena. A superioridade moral e militar de Atenas em relação a Ares deriva em parte do fato de ela representar o lado intelectual e civilizado da guerra e as virtudes da justiça e da habilidade, enquanto Ares representa a mera sede de sangue e a explosão de força. Sua superioridade também deriva em parte da variedade e importância muito maiores de suas funções e do patriotismo dos predecessores de Homero, sendo Ares de origem estrangeira. 

Na Ilíada, Atenas é a forma divina do ideal heróico e marcial: ela personifica a excelência no combate corpo a corpo, na vitória e na glória. As qualidades que levam à vitória são encontradas em sua égide, ou couraça, que Athena usa quando vai para a guerra: medo, luta, defesa e assalto. Atena aparece na Odisséia de Homero como a divindade tutelar de Odisseu, e mitos de fontes posteriores a retratam de forma semelhante como ajudante de Perseu e Héracles (Hércules). Como guardiã do bem-estar dos reis, Atena tornou-se a deusa do bom conselho, da contenção prudente e da percepção prática, bem como da guerra.

Nos tempos pós-micênicos, a cidade, especialmente sua cidadela, substituiu o palácio como domínio de Atena. Ela era amplamente adorada, mas nos tempos modernos ela é associada principalmente a Atenas, à qual deu seu nome. Seu surgimento lá como deusa da cidade, Athena Polias “Athena, guardiã da cidade”, acompanhou a transição da antiga cidade-estado da monarquia para a democracia. 

Ela era associada aos pássaros, principalmente à coruja, que ficou famosa como símbolo da própria cidade, e à serpente. Seu nascimento e sua disputa com Poseidon, o deus do mar, pela suserania da cidade foram retratados nos frontões do Partenon, e o grande festival de Panathenaea, em julho, foi uma celebração de seu aniversário. Ela também era adorada em muitas outras cidades, principalmente na cidade estado de Esparta.

Athena tornou-se a deusa do artesanato e da busca por qualificação em tempos de paz em geral, daí uma deusa civilizatória. Ela era particularmente conhecida como a padroeira da fiação e da tecelagem. O fato de ela ter se tornado alegorizada para personificar a sabedoria e a retidão foi um desenvolvimento natural de seu patrocínio de habilidades.

Atena era habitualmente retratada usando uma armadura corporal (couraça) e um elmo e carregando um escudo e uma lança. Dois atenienses, o escultor Fídias e o dramaturgo Ésquilo, contribuíram significativamente para a divulgação cultural da imagem de Atena. Ela inspirou três das obras-primas escultóricas de Fídias, incluindo a enorme estátua criselefantina (ouro e marfim) de Atena Parthenos, uma vez alojada no Partenon; e na dramática tragédia de Ésquilo, Eumênides, ela fundou o Areópago (conselho aristocrático de Atenas) e, ao quebrar um impasse dos juízes em favor de Orestes, o réu, ela estabeleceu o precedente de que um voto empatado significava absolvição, e sua vontade se tornou para os romanos “o voto de Minerva”.


O TEMPLO 

O Parthenon é uma obra-prima de simetria e proporção. Este templo para a deusa Atena foi construído com puro mármore branco e foi erguido sem argamassa ou cimento, as pedras sendo esculpidas com grande precisão e presas juntas por grampos de ferro. A construção e as esculturas foram concluídas em apenas 15 anos, entre 447 e 432 aC.

O Parthenon é um templo dórico, que habilmente incorporou características jônicas selecionadas para produzir um edifício que muitos, incluindo alguns dos melhores arquitetos do mundo, chamaram de perfeito. O estilo dórico usa colunas mais grossas e tem uma aparência mais maciça (às vezes chamada de masculina) do que o estilo jônico (feminino). Esta pode ter sido uma escolha politicamente inspirada por Péricles, unindo simbolicamente gregos de origem dórica e jônica em um edifício transcendente.

O Parthenon mostra quão brilhantemente os gregos dominaram os princípios geométricos. Eles viam a matemática como um meio de compreender e descrever o Divino. Eles alcançaram a perfeição global através do afastamento deliberado da precisão local. Pequenas irregularidades geométricas foram incorporadas pelos arquitetos para realçar a beleza do edifício. É paradoxal que essas modificações criem a impressão de grande perfeição geométrica, ainda que envolvam desvios deliberados da estrita regularidade.

Como se percebe pela inspeção de suas características, o Parthenon é um edifício de arquitetura dórica, combinando também características da ordem arquitetônica jônica, como o friso e as colunas jônicas interiores. Mede cerca de 31 × 70 metros e tem 19 metros de altura. Mais especificamente, é um templo octastilo e peripteral com uma cela anfipróstila hexastila.

O templo grego, apresenta os seguintes elementos: 

Temenós 
Área total do terreno do templo. “Solo sagrado”.

Naós ou cella
Recinto sagrado onde ficava a estátua do deus ou deusa. O “corpo” principal do edifício.

Pronaós
Pórtico, com colunas, à entrada do templo 

Peristilo ou colunata
Série de colunas que circundava, às vezes, a naós 

Altar
Sempre externo. Era onde eram feitas oferendas ao deus ou herói.



Parthenon 
As duas ordens arquitetônicas que aparecem no templo de Athena.

As três ordens arquitetônicas históricas gregas (San Juan,2020). 

O templo tinha uma rica decoração esculpida, representando cenas da vida da deusa. As esculturas podem ser divididas em três tipos, dependendo do local onde estivessem colocadas: as métopas, os frontões e o friso.


Métopas 

As métopas são painéis quadrados esculpidos em alto relevo representando cenas da mitologia relacionadas à cidade de Atenas. O Partenon tinha 92 métopas no total, todas decoradas com esculturas em relevo. As métopas da fachada principal leste, retratam a Gigantomaquia, a mítica batalha entre os Deuses do Olimpo e os Gigantes em que os Deuses prevaleceram. As métopas do lado norte retratam cenas da Guerra de Tróia, as do lado oeste retratam a Amazonomaquia, a batalha entre os atenienses e as amazonas, e as do sul retratam a Centauromaquia, a batalha contra os Centauros.
Os dois frontões triangulares do Partenon contêm esculturas completas de deuses e divindades. 


Frontão

O frontão leste retrata o nascimento da deusa Atena, enquanto o oeste retrata a disputa entre Atena e Poseidon pela soberania sobre Atenas.
O friso do Partenon é uma zona esculpida em alto relevo ao redor da cela do templo. Tem 160 metros de comprimento e representa a Procissão Panatenaica, a festa religiosa mais importante de Atenas. 

Friso

O friso contém 378 figuras humanas e divinas e mais de 200 animais, principalmente cavalos.


O interior

A entrada principal do templo era pela porta leste. Dentro estava a gigantesca estátua da deusa Athena Parthenos (Athenas Virgem). A estátua feita por Fídias foi criada em ouro e marfim e tinha cerca de 12 metros de altura. 
Em sua mão, a deusa segurava uma estátua da deusa Nike (Vitória). Em frente à estátua havia uma bacia de água que fornecia a umidade necessária para a conservação do marfim da estátua. A sala era cercada por uma dupla colunata dórica que sustentava as vigas do telhado.

A sala menor ocidental chamava-se “Opisthodomos” e provavelmente era usada como tesouraria da cidade, onde entre outros eram guardados o tesouro e o dinheiro da Liga Ateniense, que na época estava em pleno poder. O teto desta sala era sustentado por quatro grandes colunas iônicas.


O PARTHENON E SUA HISTÓRIA

Segundo a UNESCO, “A Acrópole de Atenas e seus monumentos são símbolos universais do espírito clássico e da civilização humana e formam o maior complexo arquitetônico e artístico legado pela Antiguidade grega ao mundo, na segunda metade do século V a.C. 

Atenas, após a vitória contra os persas e o estabelecimento da democracia, assumiu uma posição de liderança entre as outras cidades-estados do mundo antigo. Na época seguinte, com o florescimento do pensamento e da arte, um grupo excepcional de artistas colocou em prática os ambiciosos planos do estadista ateniense Péricles e, sob a orientação inspirada do escultor Fídias, transformou a colina rochosa em um monumento único do pensamento e da artes. Os monumentos mais importantes foram construídos nessa época: o Parthenon, construído por Ictinus, o Erechtheon, o Propylaea, a entrada monumental da Acrópole, projetada por Mnesicles e o pequeno templo Athena Nike. 

“A Acrópole de Atenas é o mais impressionante e completo complexo monumental grego antigo ainda existente em nossos tempos. Situa-se numa colina de altura média (156m) que se ergue na bacia de Atenas. Suas dimensões totais são de aproximadamente 170 por 350m. A colina é rochosa e íngreme em todos os lados, exceto no lado oeste, e tem um topo extenso e quase plano. Fortes muros de fortificação cercam o cume da Acrópole há mais de 3.300 anos. A primeira muralha de fortificação foi construída durante o século XIII a.C. e cercou a residência do governante micênico local. No século VIII a.C. a Acrópole adquiriu gradualmente um caráter religioso com o estabelecimento do culto a Atena, deusa padroeira da cidade. O santuário atingiu seu auge no período arcaico (meados do século VI ao início do século V a.C.). No século V a.C. os atenienses, fortalecidos com a vitória sobre os persas, realizaram um ambicioso programa de construção sob a liderança do grande estadista Péricles, compreendendo um grande número de monumentos, incluindo o Parthenon, o Erechtheion, o Propylaia e o templo de Atena Nike.

O Partenon helenístico e romano

Em 334 aC, Alexandre, o Grande, dedicou escudos dourados no Partenon, após sua vitória em Granicus, contra os persas. Os escudos foram colocados na fachada leste. Nos anos posteriores, mais escudos foram adicionados ao restante dos lados do templo.
Em 298-295 a.C. Lacares, o tirano de Atenas removeu os escudos e o ouro da estátua de Atena, para financiar suas tropas e para benefício pessoal.
No período romano foi acrescentada na fachada oriental uma inscrição dedicada ao imperador Nero.

Partenon como uma igreja cristã

A primeira grande destruição do Parthenon aconteceu em 267 d.C., quando os Heruli invadiram e destruíram Atenas. O Parthenon foi queimado e o telhado com o interior e a estátua foram completamente destruídos. Os reparos foram realizados nos anos seguintes (provavelmente algumas décadas depois). O novo telhado cobria apenas a cela, deixando as colunas externas de fora. A dupla colunata interior foi substituída por material arquitetônico reaproveitado, retirado de uma estoa da cidade. A estátua de ouro e marfim de Atena foi substituída por uma muito menor.

No século VI d.C., o Parthenon foi convertido em uma igreja cristã. A orientação da entrada principal foi alterada para a conversão. A antiga porta leste foi selada e substituída pela abside cristã. O templo principal era conectado aos opistódomos por uma porta que se abria na parede do meio, enquanto portas menores eram abertas nas paredes laterais da cela. Naquela época, a maioria das métopas foi violentamente esculpida e algumas das estátuas do frontão leste foram removidas. A igreja foi dedicada à Mãe de Deus de Atenas (Panagia Athiniotissa) e foi decorada com afrescos e mosaicos. No século XI a igreja já tinha muitas ofertas e dedicações valiosas e era uma das igrejas mais importantes do Império Bizantino. O imperador Basílio II escolheu o Parthenon para homenagear a Mãe de Deus, após suas vitórias contra os búlgaros.
Nos primeiros anos da ocupação latina (século XIII) foi construída uma torre na parte sul dos opisthonaos, provavelmente como campanário, e o edifício foi convertido em igreja católica (Notre Dame).


Partenon como uma mesquita

Alguns anos depois de 1458 e da ocupação de Atenas pelos otomanos, o Parthenon foi convertido em mesquita e adicionado um minarete na torre sineira anterior. Os otomanos mantiveram o monumento em seu estado anterior, e até deixaram o grande mosaico da Mãe de Deus visível na abside.

A grande destruição do Parthenon aconteceu em 26 de setembro de 1687, durante o cerco de Atenas pelos venezianos, sob o comando de Francesco Morosini. Os turcos mantiveram 500 barris cheios de pólvora dentro do Parthenon, pois era o edifício mais seguro da Acrópole. Após bombardeio contínuo, um projétil conseguiu penetrar no telhado, incendiando a pólvora. O Parthenon foi explodido e se transformou em uma ruína aberta para sempre. 

Depois de ocupar a Acrópole, Morozini tentou remover as estátuas centrais do frontão ocidental e transportá-las como troféus para Veneza. Durante o procedimento, as estátuas caíram do frontão e foram destruídas.
Como ruína, o Parthenon facilitou o saque de suas estátuas e elementos arquitetônicos. O evento mais grave foi o saque organizado por Lord Elgin, que removeu a maior parte das esculturas nos anos 1801-1812, que agora estão no Museu Britânico. A maior parte do resto está no Museu da Acrópole.
Após a fundação do novo estado grego, começaram os trabalhos de restauração do Parthenon. As primeiras colunas foram restauradas em 1841-44, enquanto restaurações em grande escala foram feitas em 1898-1902 e 1921-33. Em 1975, o atual grande programa de restauração da Acrópole começou.

Por que a Acrópole é tão especial

Segundo a UNESCO: “A Acrópole ateniense é a expressão suprema da adaptação da arquitetura a um sítio natural. Esta grande composição de estruturas maciças perfeitamente equilibradas cria uma paisagem monumental de beleza única, composta por uma série completa de obras-primas arquitetônicas do século V a.C.: 
o Partenon de Iktinos e Kallikrates com a colaboração do escultor Pheidias (447-432); 
o Propylaia de Mnesikles (437-432); 
o Templo de Atena Nike por Mnesikles e Kallikrates (427-424); 
e Erecteion (421-406). 

“Os monumentos da Acrópole ateniense exerceram uma influência excepcional, não só na antiguidade greco-romana, durante a qual foram considerados modelos exemplares, mas também na contemporaneidade. Em todo o mundo, os monumentos neoclássicos foram inspirados por todos os monumentos da Acrópole.

“Do mito ao culto institucionalizado, a Acrópole ateniense, pela sua precisão e diversidade, é um testemunho único das religiões da Grécia antiga. É o templo sagrado de onde surgiram lendas fundamentais sobre a cidade. A partir do século VI a.C. mitos e crenças deram origem a templos, altares e votivos correspondentes a uma extrema diversidade de cultos, que nos trouxeram a religião ateniense em toda a sua riqueza e complexidade. Athena era venerada como a deusa da cidade (Athena Polias); como a deusa da guerra (Athena Promachos); como a deusa da vitória (Athena Nike); como a deusa protetora dos ofícios (Athena Ergane), etc. A maioria de suas identidades são glorificadas no templo principal dedicado a ela, o Parthenon, o templo da deusa padroeira.

“A Acrópole ateniense é um excelente exemplo de um conjunto arquitetônico que ilustra fases históricas significativas desde o século XVI a.C. . Em primeiro lugar, era a Acrópole micênica (civilização heládica tardia, 1600-1100 a.C.) que incluía a residência real e era protegida pela característica fortificação micênica. 
Os monumentos da Acrópole são estruturas únicas que evocam os ideais clássicos do século V a.C. e representam o ápice do desenvolvimento arquitetônico grego antigo.

“A Acrópole está direta e tangivelmente associada a eventos e ideias que nunca desapareceram ao longo da história. Seus monumentos ainda são testemunhos vivos das realizações dos políticos gregos clássicos (por exemplo, Themistokles, Perikles) que levaram a cidade ao estabelecimento da Democracia; o pensamento dos filósofos atenienses (por exemplo, Sócrates, Platão, Demóstenes); e as obras de arquitetos (por exemplo, Iktinos, Kallikrates, Mnesikles) e artistas (por exemplo, Pheidias, Agorakritus, Alkamenes). Estes monumentos são o testemunho de uma parte preciosa do património cultural da humanidade.


Construído entre 447 e 438 a.C., o Parthenon foi a peça central de uma campanha de construção na Acrópole lançada em meados do século V a.C. quando Atenas era rica com o dinheiro dos tributos pagos a ela por 150 a 200 cidades-estado.

Foi encomendado por Péricles, que disse: “Forçamos todos os mares e terras a serem a estrada da ousadia, e em todos os lugares ... deixamos monumentos imperecíveis atrás de nós”. e apoiado pelos cidadãos de Atenas que votaram a favor do financiamento  desta obra.

Uma razão pela qual a Grécia era tão vulnerável ao ataque espartano durante a Guerra do Peloponeso era que o dinheiro que teria sido usado para pagar um exército foi usado para pagar a construção do Partenon. Péricles foi acusado por Tucídides de adornar a cidade “como uma prostituta com pedras preciosas, estátuas e templos que custam mil talentos”. Muitas das peças do templo destruídas pelos persas foram usadas como preenchimento e, séculos depois, peças inestimáveis ​​da estatuária grega foram retiradas dos escombros.

O Parthenon serviu como templo e tesouro para a Liga Delia (uma aliança de cidades-estado que prestava homenagem a Atenas). Uma gaiola de ferro fortemente guardada mantinha o tesouro seguro. O custo do Parthenon sem a estátua de Atenas foi mais do que toda a receita da cidade em um ano. O dinheiro do tesouro comum de todas as cidades-estado da Liga de Delos também foi usado sem o consentimento dos outros estados.

Um dos principais arquitetos do Parthenon, Fídias, foi preso por criar "uma imagem de si mesmo como um velho careca segurando uma grande pedra com as duas mãos, e fez uma representação muito boa de Péricles lutando contra uma amazona. "Péricles era o estadista que governou Atenas na época em que o Parthenon estava sendo construído e sua ofensa foi a "impiedade" por se colocar na mesma arena que os deuses. 


Η ΑΡΧΙΤΕΚΤΟΝΙΚΗ ΤΟΥ ΠΑΡΘΕΝΩΝΑ

A ARQUITETURA DO PARTHENON

A beleza e o mármore. Tratado De Architetura e o Renascimento. 

Gostaria de lembrar, que mesmo no único texto antigo de arquitetura, o De Architectura, de Marcus Vitruvius Pollius, que chegou até nós, há incongruências sobretudo nos conceitos que ele pretende esclarecer. Como relata o texto de D’Agostinho (2010) a seguir. Agradeço mesmo assim a Vitruvius, a percepção da importância de ter escrito essa obra e nos legado um ponto de partida, mesmo com seus equívocos. 

Marcus Vitruvius Pollio (80-15 a.C.) e sua obra De Architectura.

“A arquitetura consiste no ordenamento, que em grego se diz τάξις, táxis, na disposição, isto que os gregos denominam διάθεςιν, diáthesin, na eurrythmia, na proporção, na conveniência e no agenciamento, que em grego se diz οικονομία (Vitrúvio, 1999a, I,,2 1,.p 54). Esta é a tradução que Marco A. Lagonegro propõe para o texto que tantas disputas tem acendido, qual seja: “Architectura autem constat ex ordinatione, quae graece τάξις dicitur, et ex dispositione, hanc autem Graeci διάθεςιν vocitant, et eurythmia et symmetria et decore et distributione, quae graece οικονομία dicitur”. Para os termos (ou partes constitutivas da arquitetura) ordinatio, dispositio, eurythmia, symmetria, decor e distributio, temos, portanto, os correspondentes: ordenamento, disposição, eurritmia, proporção, conveniência e agenciamento. Restrinjamo-nos à preceptiva central das diatribes de Alberti e Perrault. No caso da equivalência entre symmetria e proportio, seria mais do que razoável, senão imperativo, uma nota al explicativa, pois o arquiteto romano utiliza, em todo o escrito, ora um ora outro termo. Por infelicidade, se antes as alterações terminológicas e correções do texto requeriam do francês cuidadosos esclarecimentos, agora basta “seguir a tradição”. (D’Agostinho, 2010).

Segundo Vitruvius, “A composição (compositio, 1) dos templos assenta na comensurabilidade(symmetria, 2), a cujo princípio os arquitetos deverão submeter-se com muita diligência. A comensurabilidade (symmetria) nasce da proporção (proportio, 3) que em grego se diz analogia. A proporção consiste na relação modular (commodulatio, 4) de uma determinada parte (rata pars, 5) dos membros tomados em cada seção ou na totalidade da obra, a partir da qual se define o sistema das comensurabilidades (relações modulares). Pois nenhum templo poderá ter esse sistema sem conveniente equilíbrio (simetria) e proporção e se não tiver uma rigorosa disposição como os membros de um homem bem configurado”. (Vitruvius, livro 3, cap. 1; 2007).


O TEMPLO EM VITRUVIUS 

O “Velho Partenon” na Acrópole de Atenas, feito de pedra porosa, foi destruído pelos persas em 480 aC. Trinta e três anos depois, em 447 aC, Péricles ordenou a construção do novo Partenon, uma ordem dórica, templo peripteral feito de mármore pentélico branco. Os arquitetos foram Iktinos e Kallikrates e o escultor, que supervisionou a obra e a decoração, foi Pheidias. O próprio Pheidias fez a estátua criselefantina (ouro e marfim) de Athena Parthenos que estava em um pedestal dentro do templo. Sua cabeça atingiu o teto do sekos (cella), que tinha 12,45 m de altura.

Em preto, o antigo Partenon; em cinza (hachurado), o Partenon de Péricles 
(WP)

The "Old Parthenon" on the Acropolis of Athens, made of poros stone, had been de- stroyed by the Persians in 480 BC. Thirty three years later, in 447 BC, Pericles ordered the construction of the new Parthenon, a Doric order, peripteral temple made of white Pentelic marble. The architects were Iktinos and Kallikrates and the sculptor, who su- pervised the work and the decoration, was Pheidias. Pheidias himself made the chry- selephantine (gold and ivory) statue of Athena Parthenos that was standing on a pedestal inside the temple. Her head reached the roof of the sekos (cella) which was 12.45 m high.


Parthenon em reconstrução (athang)
Nesta foto, tirada em 12 de outubro de 2002, vemos que o “novo” Partenon foi construído quase exatamente no pedestal do “Velho Partenon”. A diferença é de cerca de 1 m ao norte. (Este é o lado sul, olhando para o leste).

Os Números e Matematica Gregas

Como sabemos, os gregos são considerados pais da democracia e da filosofia. Na escola também aprendemos que eles foram os responsáveis pelo desenvolvimento de muitas ciências, como a medicina a matemática, a Astronomia, a Física, Biologia, Geometria, História, e o Teatro entre tantas outras. (Fiocruz)

Cerca de 3.300 anos atrás, os gregos fizeram modificações no sistema de numeração que utilizavam, no qual os números eram representados pelas letras iniciais de seus nomes. 

A partir das mudanças, surgiu um novo sistema numérico, onde todas as letras do alfabeto gregos mais três letras do alfabeto fenício eram utilizadas como símbolos numerais.

Este método de escrita de números que foi utilizado durante quinze séculos, não só por cientistas, mas também por mercadores e administradores. Usavam os sucessivos símbolos do alfabeto grego para exprimir, primeiro, os nossos símbolos 1, 2, 3,..., 9, depois, as dezenas de 10 a 90 e, finalmente, as centenas de 100 a 900. Três letras arcaicas extra, (digamma, koppa, sampi), eram acrescentadas às 24 letras do alfabeto grego, para que se obtivessem os 27 símbolos necessários. Com a ajuda deste sistema, qualquer número menor que 1000 podia ser escrito com três símbolos no máximo. 
Conheça este sistema grego de números-letras na tabela abaixo

Sistema numérico grego. Os gregos usavam as letras de seu alfabeto mais três letras do alfabeto fenício, para representar os valores numéricos.

Para representar os números, os gregos precisavam memorizar 27 letras: as nove primeiras representavam de 1 a 9; as nove próximas representavam de 10 a 90 e as nove últimas representavam de 100 a 900. Um sistema um pouco complicado. 
Além disso, os gregos calculavam usando um ábaco; e um exemplo díssonos vem de Salamina. O princípio do ábaco grego de Salamina, é mostrado a seguir, e no qual, se vê a soma de “17 talentos, 1173 dracmas, óbulos, 1 semi-óbulo, 1 quarto de óbolo e 1 Khalkos”. 
Ábaco de Salamina (Chaffe, s/d).




A CONSTRUÇÃO (descrever o templo exteriormente)



O pedestal consiste em uma pequena base e três degraus. O terceiro degrau, onde se situam as colunas exteriores do peristilo, chama-se estilobates. 

Existem 8 colunas (fluted columns) caneladas nos lados estreitos e 17 nos lados longos. Assim, o número total de colunas ao redor do templo é 46, ou 2(6+17) = 2 x 23. 

O número 23 é o valor aritmético das palavras gregas “Η ΘΕΑ” (a deusa) se somarmos os números que correspondem a cada letra, por exemplo, Η=8, Θ=9, Ε=5, Α=1. 

Em geral, se o número de colunas nos lados estreitos de um antigo templo grego é Α, α, Alfa, Ἄλφα, então o número de colunas nos lados longos é 2.α+1 (o dobro do primeiro número mais um).

Cada coluna é composta por 10 spondyloi (peças redondas de mármore colocadas umas sobre as outras) e um capitel (11 peças). 

A altura total das colunas acima dos estilobatos é de 23 MC (10,4433 m - 23 = Η ΘΕΑ). 

Acima dos capitéis estão os epistilos (= nas colunas) que conectam as colunas. 

Acima dessas longas pedras estão as métopas separadas pelos triglifos. Existem 92 metopes ao redor do Parthenon, 14 nos lados estreitos e 32 nos lados longos. 

Agora, o valor aritmético do nome ΑΘΗΝΑ (Athena) é 69 (Α=1 + Θ=9 + Η=8 + Ν=50 + Α=1). Assim, as palavras Η ΘΕΑ ΑΘΗΝΑ (a deusa Atena) são iguais a 23 + 69 = 92. Além disso, 69 é 3 vezes 23 e 92 é 4 vezes 23.

Each column consists of 10 spondyloi (round pieces of marble put one on top of the other) and a capital (11 pieces). The total height of the columns above the stylobates is 23 MC (10.4433 m - 23 = Η ΘΕΑ).
Above the capitals are the epistylia (= on the columns) that connect the columns.
Above these long stones are the metopes separated by the triglyphs. There are 92 metopes around the Parthenon, 14 in the narrow sides and 32 along the long sides. Now, the arithmetic value of the name ΑΘΗΝΑ (Athena) is 69 (Α=1 + Θ=9 + Η=8 + Ν=50 + Α=1). Thus, the words Η ΘΕΑ ΑΘΗΝΑ (the goddess Athena) are equal to 23 + 69 = 92. Also, 69 is 3 times 23 and 92 is 4 times 23.

A altura dos epistilos e da faixa com as métopas e tríglifos é de 6 MC, e a altura dos beirais e do frontão é de 11 MC. Portanto, a altura total do Parthenon de stylobates é exatamente 40 MC (23 + 6 + 11 = 40 MC = 18,162 m).

As entradas ficavam nos lados leste a principal e outra no lado oeste. Após as primeiras colunas externas do peristilo, há mais dois degraus e seis colunas menores no topo delas e na frente dos sekos (cella). 

A primeira parte dos sekos no lado leste, onde estava a estátua de Atena, é chamada de pronaos ou prodomos e a segunda parte no lado oeste opisthodomos (=sala dos fundos). O comprimento total dos sekos dentro das paredes é de 44,166 m (29,7974 para pronaos + 13,2145 para opistódomos + 1,154 para a parede entre eles). A largura é de 42 MC (19,065 m).

As dimensões dos sekos em seus “estilóbates” (incluindo as paredes e as 6 colunas na frente e atrás) são 59,087 x 21,715 (m). As lajes do friso ao redor das paredes dos sekos tinham cerca de 160 m de comprimento e 1,05 m de altura. Eles foram esculpidos in situ e representavam a procissão panatenaica.

The height of the epistylia and the band with the metopes and triglyphs is 6 MC, and the height of the eaves and the pediment is 11 MC. Therfore, the total height of the Parthenon from stylobates is exactly 40 MC (23 + 6 + 11 = 40 MC = 18.162 m).
The entrances were on the east (main) and the west sides. After the first outer columns of the peristyle, there are two more steps and six smaller columns on the top of them and in front of the sekos (cella). The first part of the sekos on the east side - where the statue of Athena was standing - is called pronaos or prodomos and the sec- ond part on the west side opisthodomos (= back room). The total length of the sekos in- side the walls is 44.166 m (29.7974 for pronaos + 13,2145 for opisthodomos + 1.154 for the wall between them). The width is 42 MC (19.065 m).
The dimensions of the sekos on its "stylobates" (including the walls and the 6 columns in the front and in the back) are 59.087 x 21.715 (m). The slabs of the frieze around the walls of the sekos were about 160 m in length and 1.05 m high. They were carved in situ and depicted the Panathenaic procesion.

AS DIMENSÕES DO PARTHENON
The dimensions of the Parthenon

A largura da pequena base do pedestal em torno do primeiro degrau é de 0,103 m e sua altura é de 0,30 m. A largura de cada um dos próximos dois degraus é de 0,70 m e sua altura é de 0,512 m. A altura dos estilobates é de 0,552 m.

O comprimento da base e dos degraus nos quatro lados do Partenon não é exatamente o mesmo porque o estilóbato não é um retângulo perfeito. O lado norte tem 69,617 m, o lado sul tem 69,5615 m, o lado leste tem 30,9066 m e o lado oeste tem 30,963 m. A média é de cerca de 69,59 m para os lados longos e 30,935 m para os lados curtos. Para encontrar as dimensões dos demais degraus e da base, devemos somar 1,40 m para cada degrau e 0,206 m para a base.



O centro de cada coluna - com exceção das quatro nos cantos, foi colocado exatamente nas juntas de dois blocos adjacentes dos estilóbatos, então a maioria das minhas medições são entre essas juntas (ou os centros das colunas). Para as quatro colunas de canto, medi dos cantos até o centro da próxima coluna. Por causa das obras de restauração da época, parte do lado norte estava coberto e não pude medir lá. No entanto, fiz uma medição de todo o lado.

Para comparação, John Pennethorn (1878) escreve que as dimensões do Parthenon são 228,141 pés (69,537 m) e 101,336 pés (30,8872 m). Segundo Anastasios Orlandos (1949), o comprimento médio é de 69,556 m e a largura média de 30,9205 m.

The width of the small base of the pedestal around the first step is 0.103 m and its height 0.30 m. The width of each of the next two steps is 0.70 m and their height 0.512 m. The height of the stylobates is 0.552 m.

The length of the base and steps on the four sides of the Parthenon is not exactly the same because the stylobates is not a perfect rectangular. The north side is 69.617 m, the south side is 69.5615 m, the east side is 30.9066 m and the west side is 30.963 m. The average is about 69.59 m for the long sides and 30.935 m for the short sides. In order to find the dimensions of the other steps and the base, we must add 1.40 m for each step and 0.206 m for the base.

The center of each column - with the exception of the four in the corners - has been put exactly on the joints of two adjacent blocks of the stylobates, so most of my measurements are between these joints (or the centers of the columns). For the four corner columns, I measured from the corners to the center of the next column. Because of the restora- tion work at that time, part of the

north side was covered and I was not able to measure there. However, I took one measurement of the whole side.

For comparison, John Pennethorn (1878) writes that the dimensions of the Parthenon are 228.141 ft (69.537 m) and 101.336 ft (30.8872 m). According to Anastasios Orlandos (1949), the mean length is 69.556 m and the mean width 30.9205 m.

The mean distance between the centers of the columns - except for those in the corners - is 3π MC (4.28 m). In the corners, the distance is 10π/3 MC (4.755 m). Thus, the length of the east side is 65π/3 or 68.068 MC (30.9066 m).


A distância média entre os centros das colunas - exceto as dos cantos - é de 3π MC (4,28 m). Nas curvas, a distância é de 10π/3 MC (4,755 m). Assim, o comprimento do lado leste é 65π/3 ou 68,068 MC (30,9066 m).

Nos tempos antigos, o Parthenon era chamado de “ekatompedos neos” (templo de 100 pés) porque os lados estreitos dos estilóbatos tinham 100 pés. Os lados longos tinham 225 pés, então a proporção é de 9:4. Em 1984, fiz a observação de que se a circunferência média da Terra é 40.030.375 m (360 graus), então 1'' é igual a 30,8876 m. Isso foi publicado em meu primeiro livro “Omphalos” (janeiro de 1986, p. 278). Porém, naquela época eu ainda não havia medido o Parthenon e usei a largura que encontramos na maioria dos livros (cerca de 30,88 m). Mas depois de minhas medições em 2002, descobri que esse número estava errado e que a largura média é de cerca de 30,935 m. Então, se usarmos a circunferência equatorial da Terra (40.075.161 m), 1'' é igual a 30,92 m. Isso é uma... coincidência?

In ancient times, the Parthenon was called "ekatompedos neos" (100-foot temple) because the narrow sides on the stylobates were 100 ft. The long sides were 225 ft, so the ratio is 9:4. In 1984, I made the observation that if the mean circumference of the Earth is 40,030,375 m (360 degrees), then 1'' is equal to 30.8876 m. This was published in my first book "Omphalos" (Jan. 1986, p. 278). However, at that time I had not measured the Parthenon yet and I used the width we find in most books (about 30.88 m). But after my measurements in 2002, I found that this number was wrong and that the mean width is about 30.935 m. So, if we use the equatorial circumference of the Earth (40,075,161 m), 1'' is equal to 30.92 m. Is this a ...coincidence?

De acordo com esses números, as verdadeiras dimensões em côvados megalíticos são cerca de 153.262 x 68,13 (MC). Mas as medições foram feitas ao longo das curvas dos estilóbatos - não em linha reta, por isso são um pouco mais longas. A diferença, claro, é insignificante.

Nos lados curtos, a diferença da curva dos estilóbatos da linha reta entre os cantos AC é de cerca de 6,64 cm. Nos lados maiores AB, a diferença é de 12,28 cm.

Se as curvas dos estilóbatos são arcos de círculos, os raios KA são 68000/2π para os lados longos e 400π^2 para os curtos. Isso significa que a circunferência do primeiro círculo é 68.000. Mas o número 68 é a largura dos lados curtos.


A GEOMETRIA DAS ESTILOBATES
The geometry of the stylobates

We draw a circle of radius 84 MC. The number 84 is the arithmetic value for ΘΕΑ ΑΘΗΝΑ (goddess Athena). The diameter is 168 MC or approximately 17π^2 (167.8) and the circumference is 17π^3, or 527 MC.

First we inscribe this circle in a square of sides 168 and we bring the diagonals and the perpendicular lines in the middle. Each diagonal is about 238, or 14 x 17, so AK = 7 x 17 = 119. But ΠΑΡΘΕΝΩΝ / Η ΘΕΑ ΑΘΗΝΑ (Parthenon/the goddess Athena) is 1095 / 92 = 11.9.

If we use the corners A, B, C, and D and write circles with radii 168 and 84, we get the points a, b, c and d. The dimensions of the rectangle abcd is 153 x 68 MC and the ratio 9 : 4.


Desenhamos um círculo de raio 84 MC. O número 84 é o valor aritmético para ΘΕΑ ΑΘΗΝΑ (deusa Atena). O diâmetro é 168 MC ou aproximadamente 17π^2 (167,8) e a circunferência é 17π^3, ou 527 MC.

Primeiro inscrevemos este círculo em um quadrado de lados 168 e trazemos as diagonais e as linhas perpendiculares ao meio. Cada diagonal tem cerca de 238, ou 14 x 17, então AK = 7 x 17 = 119. Mas ΠΑΡΘΕΝΩΝ / Η ΘΕΑ ΑΘΗΝΑ (Parthenon/a deusa Atena) é 1095 / 92 = 11,9.

Se usarmos os cantos A, B, C e D e escrevermos círculos com raios 168 e 84, obteremos os pontos a, b, c e d. As dimensões do retângulo abcd são 153 x 68 MC e a proporção 9:4.









Métopas e triglifos






Uma vértebra (tambor) de uma coluna na parte interna do Parthenon
Ένας σπόνδυλος από κίονα στο εσωτερικό μέρος του Παρθενώνα

Plano do lado Leste do Parthenon
Plan of the east side of the Parthenon




IMAGENS DO TEMPLO
































História posterior, controvérsia sobre as esculturas e restauração

A cuidadosa colocação de alvenaria precisamente cortada garantiu que o Partenon permanecesse essencialmente intacto por mais de dois milênios. Algumas das esculturas foram removidas quando o edifício foi convertido em uma igreja bizantina, incluindo a colossal estátua de Fídias. 
No século VII, certas alterações estruturais na parte interna também foram feitas durante a transformação do edifício em uma catedral católica romana. 
Os turcos tomaram a Acrópole em 1458 e, dois anos depois, adotaram o Partenon como uma mesquita, sem mudanças materiais, exceto pela construção de um minarete no canto sudoeste. 
Durante o bombardeio da Acrópole em 1687 pelos venezianos, que lutavam contra os turcos, um depósito de pólvora localizado no templo explodiu, destruindo o centro do edifício. Os venezianos então, inadvertidamente, quebraram várias esculturas ao tentar removê-las como saque. 
Entre 1801 e 1803, uma grande parte das esculturas remanescentes foi removida, com permissão turca, pelo nobre britânico Thomas Bruce, Lord Elgin, e vendida em 1816 para o Museu Britânico em Londres. (Os Mármores de Elgin.) 
Outras esculturas do Partenon foram exibidas no Museu do Louvre em Paris, em Copenhague e em outros lugares, mas muitas ainda estão em Atenas. 
O governo grego frequentemente exigiu a devolução dos mármores, mas o Museu Britânico, alegando, entre outras razões, que salvou os mármores de danos e deterioração, não cede, e a questão permanece controversa. (Controversa somente pelos ingleses que compraram objetos roubados, pois os turcos mesmo estando em Atenas não poderiam vender algo que não era seu. E os ingleses não poderiam comprar pois quem estava vendendo não era seu legítimo dono, o que faz dos ingleses receptadores de objetos roubados, é assim são criminosos). 
O Museu da Acrópole em Atenas, que fica adjacente ao sítio arqueológico, foi concluído em 2008; um grande espaço no museu é dedicado ao Partenon, e as peças removidas por Elgin são representadas por réplicas de gesso cobertas por véus.
Após a Grécia ganhar independência do Império Otomano, esforços foram feitos para restaurar o Partenon, mas a campanha liderada pelo engenheiro Nikolaos Balanos acabou causando mais danos. 
Em 1975, começou uma restauração que duraria décadas. Cada peça de mármore recuperável foi devolvida à sua posição original, enquanto lacunas foram preenchidas com novo mármore da mesma pedreira usada pelos antigos atenienses. O projeto dura mais de 40 anos.


Fonte

Fonte: "The Creators" de Daniel Boorstin) (facts)

Fonte: Site do Patrimônio Mundial da UNESCO

(Visitado em março, 2025)

(Visitado em março, 2025)

















Atualizado em 9/III/2025