INÍCIO

08 junho 2023

DUPLIPENSAR E FAKE NEWS

MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO
1984
74 anos de uma obra 






Em 8 de junho de 1949, portanto há 74 anos atrás, foi publicado um dos livros mais influentes do mundo sobre o tema da governança totalitária. “Nineteen Eighty-Four”, “1984”, pelo escritor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido por seu pseudônimo George Orwell

George Orwell costuma ser lembrado pela autoria, principalmente dos livros clássicos: “1984”, “A Revolução dos Bichos”, “O que é fascismo? E outros ensaios”, além disso, ele também é um grande ensaísta.


George Orwell (1903-1950)







George Orwell com seu filho.

Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz, crítica clara e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo além de uma grande paixão pela clareza da escrita.

George Orwell (1903-1950), escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nasceu em 25 de junho de 1903, em Motihari, Índia. Seu pai, Richard Walmesley Blair (1857-1939), era britânico, e Orwell teve uma educação inglesa, pois se mudou para a Inglaterra com apenas quatro meses de vida. Estudou em St. Cyprian’s School, em Eastbourne, e, a partir de 1917, em Eton, um famoso colégio britânico. Em 1922, começou a trabalhar na Polícia Imperial Indiana, na Birmânia, mas, em 1927, abandonou o emprego para se dedicar à literatura. Então, no ano seguinte, foi para Paris, onde viveu cerca de um ano e meio. Desse tempo em Paris, acumulou experiência e notas que no ano de 1933, possibilitaram a publicação de seu primeiro livro, intitulado: “Na pior em Paris e Londres”. Nessa obra, ele conta como era a vida, as perspectivas, no lado mais obscuro e pobre do capitalismo, onde as pessoas nas capitais do mundo morriam de doenças da idade média por não ter dinheiro para tratamentos hoje considerados básicos. Nessa obra ele conta o que viveu e vivenciou nessas cidades. No fim de 1934, começou a trabalhar em uma livraria no bairro Hampstead, em Londres. Nessa cidade, ele conheceu Eileen O’Shaughnessy (1905-1945), com quem se casou.

Segundo Souza (s/d), Já em 1936, decidiu conviver com os mineiros da cidade de Wigan para a escrita de seu livro, publicado no ano seguinte, intitulado “A caminho de Wigan”. 

No final de 1937, foi para a Espanha e lutou, durante seis meses, na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos e contra o ditador Francisco Franco (1892-1975).

Em 1939, teve problemas no pulmão e precisou de tratamento médico. Devido a doença, foi morar um tempo no Marrocos, pelo clima quente, que na época era um dos tratamentos para essa patologia. Devido a seu problema de saúde (Tuberculose) que na época ainda não tinha cura, foi rejeitado para o serviço militar e não lutou na Segunda Guerra Mundial. Assim, de 1941 a 1943, trabalhou na BBC. Depois se tornou editor do Tribune, um periódico de esquerda.


Tuberculose 

O termo tuberculose é recente, ele foi cunhado em 1839 por Schöenlein (1793-1864), baseado no nome dado em 1680 por Sylvius à lesão nodular, o tubérculo, encontrado em pulmões de doentes submetidos a autópsia. Até então, a doença era conhecida como tísica (palavra derivada do verbo grego antigo: phthiso, φθίσις, phthísis que significa, consumir, declínio, definhamento, de φθίω, phthíō, eu definho, que significa decair, consumir-se, definhar ou consunção (do latim, consumptio onis, de mesmo sentido que o termo grego; popularmente era chamada de “peste branca” e “mal do peito”. As origens desta enfermidade infecto-contagiosa não estão, até o momento, completamente esclarecidas. A hipótese mais aceita é que ela tenha surgido há aproximadamente 8.000 anos a.C., a partir do contato com auroques (Bos primigenus), bois selvagens extintos no século XVII, contaminados com a bactéria causadora da tuberculose bovina Mycobacterium bovis. Acredita-se que pequenos núcleos populacionais, que teoricamente não favoreceriam a perpetuação da doença, mantiveram desde o período pré-histórico uma discreta endemicidade e a disseminação da tuberculose teria acompanhado as sucessivas e crescentes correntes migratórias humanas.

Por ter causa desconhecida na época, a doença, assim como diversas outras, era vista como um castigo. Essa visão, no entanto, foi desmistificada por Hipócrates, na Grécia em IV a.C. O estudioso mostrou que a tuberculose era algo natural e passou a denominá-la de Tísica. A expansão da doença mundo afora se deu com o advento das guerras, que estreitavam o contato entre indivíduos.

A tuberculose passou a ser melhor compreendida nos séculos XVII e XVIII com o surgimento do estudo da Anatomia. Foi quando então a doença recebeu seu nome atual. A partir do final do século XVIII a enfermidade foi vinculada a duas representações: a primeira a associava a uma doença romântica, que acometia principalmente poetas e intelectuais; a outra, criada em fins do século XIX, a vinculava a um mal social, visão que permaneceu durante o século XX. Desde o século XIX a doença era tratada com a terapêutica higieno-dietética, que consistia em uma boa alimentação, repouso e incorporava o clima das montanhas. Para isso, os pacientes eram isolados em sanatórios e preventórios.

No Brasil em 1920, com a Reforma Carlos Chagas, que deu origem ao Departamento Nacional de Saúde Pública, o Estado passou a estar mais presente na luta contra a doença, criando a Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose. 

Na década de 1930 surgiram avanços no combate à doença com a invenção da vacina BCG, a baciloscopia, a abreugrafia, o pneumotórax e outras cirurgias torácicas. Em função do conhecimento mais amplo da doença, o fator clima na sua cura passou a ser questionado. 

Com a descoberta da quimioterapia antibiótica específica na década de 1940 e a comprovação de sua eficácia ao longo das décadas de 1950 e 1960, o tratamento passou a ser ambulatorial sem a necessidade de internação, o que culminou na desativação dos sanatórios. 

Em 1943, o cientista russo/norte-americano Selman Abraham Waksman, descobriu, junto com seus colaboradores, que o fungo Streptomyces griseus (Krainsky, 1914) Waksman et Henrici, 1948, produzia uma substância antibiótica que recebeu o nome de estreptomicina
No ano seguinte, uma paciente tratada com a substância foi curada. Experimentos posteriores confirmaram que a estreptomicina era, de fato, efetiva no tratamento da tuberculose. 

Domagk recebeu, em 1939, o Prêmio Nobel de Fisiologia pela descoberta do efeito antibactérico da sulfanilamida e, em 1952, Waksman foi agraciado com a mesma honraria pela descoberta da estreptomicina.

Em 1949, com a descoberta de outra droga, o ácido paraminossalicílico, que impedia o surgimento das estirpes resistentes à estreptomicina e, em 1952, com a isoniazida, a resistência bacilar foi temporariamente vencida. 
A essas drogas, seguiram-se a rifampicina, o etambutol e a tiacetazona.

O advento do tratamento com antibióticos, unido a medidas de profilaxia e simplificação do diagnóstico, ocasionou uma redução significativa no índice de mortalidade pela doença no mundo todo.

Orwell

Voltamos, então a George Orwell. Com a publicação de seu livro A revolução dos bichos, em 1945, George Orwell, finalmente, conseguiu fazer sucesso como escritor. Contudo, nesse mesmo ano, ele se tornou viúvo e, assim, ficou com a tarefa de criar, sem a esposa, o filho que os dois haviam adotado, Richard Horatio Blair.

A obra mais famosa de Orwell, o romance distópico “1984”, só foi publicada quatro anos depois em 1949. No entanto, o autor não pôde presenciar o grande sucesso do seu livro nos anos que seguiram à sua publicação, pois, devido à tuberculose, o romancista morreu em 21 de janeiro de 1950, em Londres, logo depois de se casar com Sonia Brownell (1918-1980).

Elogiado como um exemplo literário clássico de ficção política e distópica, é amplamente lido e debatido até hoje. Orwell introduziu inúmeras novas palavras e frases em nossa linguagem, entre elas, podemos citar:
Big Brother, polícia do pensamento, crime de pensamento, novilíngua, buraco de memória, dois minutos de ódio, quarto 101, duplipensar …

O próprio nome de Orwell também se tornou parte de nossa linguagem, quando usamos o termo “pesadelo orwelliano” ou “cenário orwelliano”, para descrever uma situação em que um governo, instituições, corporações, ultrapassam os limites, da ética e legais, exercendo ou tentando exercer um controle totalitário sobre a vida das pessoas. 

Dentre os termos ou ideias, criados e usados por Orwell, no livro 1984, o mais duradouro deles talvez seja o “duplipensar” (Doublethink).  

Incorporada no duplipensar, podemos ver uma fagulha das Fake News. Fake news são notícias falsas que se disfarçam de verdadeiras, essas notícias geralmente são criadas e disseminadas nas redes sociais por um espectro político: a extrema-direita para manipular intenções de votos e/ou ganhar dinheiro via engajamento nas redes sociais, assegurando cliques faceia em anúncios. Essas mentiras se espalham como fogo num capinzal seco das redes sociais, porque viralizam mais rápido do que uma piada ou dança requebrara engraçada.

Para Orwell, o “Duplipensar significa o poder de manter duas crenças contraditórias na mente simultaneamente e aceitar ambas”. (George Orwell, 1984). As pessoas ou corporações, ou o que é pior instituições  mantidas pelo povo com impostos, se engajaram numa guerra híbrida de informações onde as fake news são usadas ininterruptamente para manter o engajamento, gerar “likes = cliques”, e incitar o ódio nós cidadãos. Hoje temos como exemplo já em estudo o caso de algumas instituições brasileiras centenárias, que criaram um inimigo interno, parte do próprio povo que os mantém em seus privilégios. Essas “entidades” mantém um duplipensar que os possibilita a usar de fake news, destinado horas de trabalho pagos com recurso público para atacar o próprio povo. 

Antes vejamos uma piada clássica:

P: Como você pode saber quando um político está mentindo? 
R: Seus lábios se movem. 

Essa velha piada atemporal é considerada um clássico porque a maioria de nós sabe instintivamente que geralmente é verdade. Muito embora todos nós possamos conhecer políticos e instituições idôneas, que realmente levam a sério seu mandato. Todavia, há uma grande parte de parlamentares que só pensam em si mesmos, sua família e seus partidos. A mesma piada também poderia ser usada sobre a grandes corporações, instituições, ou bigtechs. 

Empresas de tabaco, gigantes do petróleo, grandes empresas alimentícias, farmacêuticas, grandes bancos e manufaturas industriais, instituições como as forças armadas, tiveram seu tempo no centro das atenções por uma série infinita de crimes, seguidos de mentiras para encobrir seus rastros ao longo de sua história. 

Parafraseando a piadinha atemporal:
 
P: Como você pode saber quando a a instituição ou corporação ou Big Pharma está mentindo? 
R: Eles dizem que sua última droga, solução milagrosa é segura. 

Foi assim quando o governo brasileiro tentou fazer o povo usar cloroquina, hidorxicloroquina, tratamento precoce ou kit-Covid (ivermectina, nitazoxanida (Annita), vitamina D etc.) contra uma doença viral! Esse procedimento e o atraso em comprar a vacina levou ao óbito 400 mil pessoas. Isso é genocídio.  Mas o que mais me impressiona é saber que uma grande parcela de médicos aderiu à essas ideias sem fundamento científico algum. Baseados apenas numa teoria da conspiração. Isso mostra que a classe média é neofascista. E que o capitalismo em tempos de crise de acumulação máxima do capital está identificando-se com o fascismo, assim como a crise roncarias da década de 1930 se identificou e produziu o fascismo histórico que ceifou a vida de cerca de 40 milhões de civis, que durou de 1939 a 1945. Não fosse bastante cerca de 20 milhões de soldados, quase metade deles russos, também perderam a vida. A extrema-direita é a morte personificada. 

O duplipensar de Orwell e seu desdobramento em Fake News 

Portanto, hoje nos encontramos em um mundo confuso de pensamento duplo, onde agora se espera que acreditemos em duas narrativas contraditórias ao mesmo tempo.
Sabemos que tanto os políticos quanto as grandes empresas farmacêuticas tendem colocar seus próprios interesses acima de tudo.
Claro, como já salientei, existem políticos decentes que talvez tenham os interesses de seus constituintes no coração e em suas mentes, e tentem legitimamente desempenhar no parlamento seu papel levando as discussões e a vontade de quem os elegeu, a plenário, entretanto, histórias intermináveis ​​de escândalos políticos, traição, mentiras e enganos, apropriação indevida de fundos, aceitação de subornos, propinas e fraude política geral devem convencer a maioria das pessoas de que aqueles nos corredores do poder atendem primeiro às suas próprias necessidades. Uma, a de se manter ganhando dinheiro e outra a de permanecer no poder. 

Governos de extrema-direita, neofascistas como o ex-governo Bolsonaro e de seus militares colocados em pontos chaves, essenciais, tentaram a todo custo nos convencer, e esperavam que acreditássemos que as vacinas COVID-19, que foram produzidas com pesquisas que já vem sendo desenvolvidas desde a década de 1960, só para lembrar, quem já esqueceu das pesquisas com DNA e mRNA, iniciaram em 1953, com a publicação e posterior Prêmio Nobel dos pesquisadores Watsom e Crick. 

Temos sorte de termos bons políticos progressistas e um Supremo esclarecido, além do que a grande maioria do povo trabalhador não caiu nessa farsa. Mesmo assim, a recusa em comprar vacina ou a demora em adquirí-la, fez com que a COVID-19 tenha levado a óbito, 703.291 pessoas só no Brasil. 

O Brasil tem em torno de 214,6 milhões de habitantes segundo o IBGE, e a população mundial equivale a 7,9 bilhões no planeta todo, desta forma o Brasil tem 2,7% da população mundial.

Mesmo o Brasil possuindo 2,7% da população mundial, concentra quase 13% das mortes no mundo. Isto é o mesmos que dizer que 4 de cada 5 mortes teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média mundial de óbitos pela covid-19, ou seja, 400 mil mortes não teriam ocorrido

No Brasil, 2.345 pessoas morreram pelo coronavírus para cada um milhão de habitantes, a média mundial é de 494 pessoas.

Em comparação com os dez países com maior população do planeta, o Brasil tem o pior resultado de mortes por milhão de habitantes, assim como na comparação dos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Na América do Sul, Brasil é o segundo país com mais mortalidade de covid-19 por milhão de pessoas, atrás do Peru (população do Peru: 33,7 milhões de habitantes) (Agência Senado).

Bem-vindo à nossa nova realidade de pensamento duplo.
Silenciando as vozes dissidentes

Ainda mais preocupante, acredito, é que ousar questionar a narrativa “de que a vacina é prejudicial e pode matar, ou transformar você em um jacaré”, é um convite a ser taxado de comunista, bandido, etc., e essa rotulagem é um primeiro passo para colocar você dentro de uma teoria da conspiração, do “foro de São Paulo” etc, o que qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que é ridículo e é uma tentativa de deslegitimar sua fala e de invisibilizar sua atuação.

O que se praticou no Brasil nos últimos quatro anos foi um genocídio promovido pelo estado, onde a necropolitica, um ramo da “política castrense” como um fim para uma politica neoliberal de máxima acumulação do capital e concentração de poder das mãos de militares. Quem ouviu o canto da sereia e acreditou, caiu na teia da morte.

Porque vamos ser claros sobre isso... Toda vacina mesmo com baixa eficácia protege o corpo ao desenvolver anticorpos contra um agente estranho. É muito raro, devido aos testes feitos anteriormente para sua liberação, que uma vacina mesmo nova, seja letal.  

Como a ciência que lida com vidas é e deve ser conservadora e parcimoniosa, as vacinas foram sim usadas com o rótulo de “emergênciais”. Mas sabemos que sua tecnologia tem mais de 30 anos. 

Só podemos tentar explicar vozes discordantes das vacinas, imaginando que esses propagadores de mentiras tem algum plano. Um plano sinistro.

Por que existiria um grande esforço para minar o conhecimento que se tem sobre o uso das vacinas, de mais de 200 anos? Lembre-se, as vacinas foram descobertas e usadas pela primeira vez por Edward Jenner 1798! E de lá para cá,  até hoje, só trouxeram melhores condições de vida para todos.  
Certamente, quem não aceita as vacinas, não é por que possui uma preocupação legítima com a saúde da população trabalhadora.

A saída ou a explicação milagrosa da extrema-direita, seria que a “imunidade de rebanho” salvaria a humanidade. 

Sabe-se que para “alcançar imunidade coletiva” ou de rebanho, precisaríamos de algo como entre 55% e 80% de contaminação natural de toda a população humana. Isso certamente levaria ao colapso da população mundial. O que arrasaria as instituições democráticas, favorecendo aqueles líderes totalitários sua perpetuação no poder. 


Antivax

As pessoas que se intitulam antivax, sendo contra a vacina que salva vidas, representam o egoísmo, a ignorância e o individualismo em seus estados mais brutos. 

Essas pessoas se especializaram em espalhar desinformação via redes sociais,  sobre vacinas, seu efeito, e além disso inventam que haveriam pessoas interessadas em tirar a liberdade de decisão da população.  

Essas pessoas colocam em risco a vida de toda a população, são seres nocivos, e precisam ser combatidos veementemente a todo momento. Essas pessoas e suas redes sociais devem serem silenciadas pela justiça uma vez que estão incorrendo em crimes contra a saúde pública e contra a humanidade. 

É perfeitamente normal termos dúvidas sobre um procedimento novo ou desconhecido da ciência. 
Para isso devemos procurar nos instruir, nos educar, conhecendo o método, mas jamais espalhar mentiras e tentar impedir a população de se vacinar. A dúvida não deve persistir quando se procura legitimamente o conhecimento.  

Vou deixar a última palavra para George Orwell, em duas citações que fornecem detalhes mais completos sobre o poder do duplipensamento:

O Ministério da Paz se preocupa com a guerra, o Ministério da Verdade com a mentira, o Ministério do Amor com a tortura e o Ministério da Fartura com a fome. Essas contradições não são acidentais, nem resultam da hipocrisia comum: são exercícios deliberados em pensamento duplo”. (George Orwell, “1984”). 

E foi exatamente isso que o desgoverno militar-Bolsonaro fez por quatro anos. Suas incompetências e de seus militares ministros, não agiram acidentalmente, foi um projeto.

Saber e não saber, estar consciente da veracidade completa ao contar mentiras cuidadosamente construídas, manter simultaneamente duas opiniões que se anulam, sabendo que são contraditórias e acreditando em ambas, usar a lógica contra a lógica, repudiar a moral ao mesmo tempo em que o reivindicava, acreditar que a democracia era impossível e que o Partido era o guardião da democracia, esquecer tudo o que era necessário esquecer, depois trazê-lo de volta à memória no momento em que era necessário e, em seguida, prontamente esquecê-lo novamente: e acima de tudo, aplicar o mesmo processo ao próprio processo, essa era a sutileza final: induzir conscientemente a inconsciência e, então, mais uma vez, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que você acabou de realizar. Mesmo para entender a palavra duplipensar envolvia o uso de duplipensar”.
(George Orwell, “1984”).


Características das obras de George Orwell

Segundo Souza (s/d), George Orwell é considerado um dos mais famosos escritores ingleses do século XX. Foi um autor pertencente ao modernismo, e suas obras apresentam uma linguagem marcada pela simplicidade e objetividade e clareza, o que acaba atraindo leitoras e leitores no mundo inteiro. Ainda assim, suas temáticas nunca se aproximam da banalidade.

Suas obras mais famosas, isto é, “A revolução dos bichos” e “1984”, são caracterizadas, respectivamente, pela alegoria e distopia. Desse modo, o autor construiu textos destituídos de qualquer idealização e apresentou uma visão pessimista da realidade e do futuro da humanidade.

Alegoria do grego antigo αλλος, allos, outro, e αγορευειν, agoreuein, falar em público, pelo latim allegoria é uma figura de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos além do literal. Diz-se b para significar a. Uma alegoria não precisa ser expressa no texto escrito: pode dirigir-se aos olhos e, com frequência, encontra-se na pintura, escultura ou noutras formas de linguagem. 

A alegoria representa uma figura de linguagem, mais precisamente uma figura de palavra de caráter moral.

Ela deixa de lado seu sentido meramente denotativo, para pôr em prática o sentido figurado das palavras, ou seja, a duplicidade de sentidos, ou mesmo sua plurissignificação (multiplicidade de significados).

Para muitos estudiosos, a alegoria representa uma metáfora ampliada e, em alguns casos, é semelhante à personificação ou prosopopeia.

Segundo os retóricos da antiguidade, a alegoria difere da metáfora, pois ela é utilizada de forma mais aberta e ampla (numa fábula, parábola, romance, poema), enquanto a metáfora considera os elementos que compõem o texto de maneira independente.

Nesse sentido, a alegoria pode abrigar diversos significados que transcendem seu sentido literal (denotativo, real), de modo que ela utiliza símbolos para representar uma coisa ou uma ideia através da aparência de outra.

Em outras palavras, a alegoria representa a linguagem figurativa, para descrever algo (pessoa, objeto, etc.) com a imagem de outro.
As obras de Orwell estão associadas a um caráter ideológico, baseado na reflexão sobre liberdade e igualdade social. Desse modo, o autor lançou o seu olhar satírico sobre a realidade de seu tempo, quando a liberdade e a igualdade eram uma utopia para muitos intelectuais e artistas.

Posições ideológicas de George Orwell 

Pró-socialismo
Pró-democracia
Antinazismo
Antifascismo
Antitotalitarismo
Antiestalinismo
Anticatolicismo

Principais obras de George Orwell

Na pior em Paris e Londres (1933)
Dias na Birmânia (1934)
A filha do reverendo (1935)
Mantenha o sistema (1936)
A caminho de Wigan (1937)
Lutando na Espanha (1938)
Um pouco de ar, por favor! (1939)
A revolução dos bichos (1945)
1984 (1949)





Fonte 





https://www.fcm.unicamp.br/boletimfcm/mais_historia/tuberculose-na-historia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alegoria






















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