INÍCIO

19 janeiro 2023

SUPER RICOS QUEREM PAGAR MAIS IMPOSTOS

O 1% mais rico do mundo ficou com 2/3 de toda riqueza gerada desde 2020, i.e., cerca de US$ 42 trilhões, seis vezes mais dinheiro do que 90% da população global (7 bilhões de pessoas) conseguiu no mesmo período. 
(oxfan, 2023)

E na última década, esse mesmo 1% ficou com cerca de metade de toda riqueza produzida pelos trabalhadores, que recebem uma miséria.

É do trabalho de 90% da população que os ricos acumulam toda essa riqueza. 

O capitalismo não acumula riqueza. 
Ele transforma a produção social de riqueza em capital (abstrato). Portanto a riqueza não se realiza como bem comum. 

A produção social de riqueza (forças vivas) transforma-se em trabalho morto (i.e., capital).
(Karl Marx) 


Tax the Rich (giphy)


I

MAIS DE 200 MILIONÁRIOS QUEREM PAGAR 
MAIS IMPOSTOS

(uol18/I/2023)

Mais de 200 milionários de 13 países diferentes assinaram uma carta dirigida aos líderes mundiais por ocasião do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, pedindo para serem mais tributados "para o nosso bem comum". Nenhum brasileiro assinou a carta. 


World Economic Forum

O documento menciona uma "era de extremos", na qual está cada vez menor a oportunidade "para bilhões de pessoas comuns ganharem um salário digno".... 

A ação ocorre após a ONG Oxfam divulgar um relatório mostrando uma aceleração das desigualdades e da extrema pobreza, que voltou a aumentar pela primeira vez, em 25 anos. A organização pontuou que os mais ricos enriqueceram ainda mais graças à intervenção pública para combater o coronavírus e às centenas de bilhões de dólares que foram investidos. "Isso é chocante e não é porque eles fizeram escolhas estratégicas e econômicas 

brilhantes. Porém, hoje estamos numa situação em que devemos pagar a conta da crise sanitária e seria lógico que eles contribuíssem para pagar esta conta", afirma Quentin Parrinello, co-autor do relatório. 

Ao chamar atenção para as desigualdades, a Oxfam faz campanha para reduzir pela metade o número de bilionários no mundo, até 2030, por meio da tributação. "Cada bilionário representa uma falha de política pública", afirmou a Oxfam na abertura do Fórum de Davos.

A ONG observou que desde 2020, dois terços da riqueza produzida no mundo estão nas mãos do 1% mais rico. Impulsionadas pela alta das cotações das ações, grandes fortunas dispararam nos últimos dez anos: de cada US$ 100 de riqueza criada, US$ 54,4 dólares foram para os bolsos do 1% mais rico, enquanto US$ 0,70 beneficiaram os 50% menos afortunados.

Os cálculos da Oxfam também apontam que os bilionários teriam ganho US$ 2,7 bilhões por dia, desde a crise da Covid-19.

"Temos 75% de governos em todo o mundo que preveem diminuir as despesas na saúde, na educação e proteção social para pagar a conta do coronavírus. Falta coragem política. Vimos a necessidade de ter um sistema de saúde eficiente e redes de proteção para os mais vulneráveis", afirmou Parrinello.

O que diz a carta

A carta assinada pelos milionários, portanto, vai ao encontro dos resultados obtidos pela ONG. No texto, os participantes citam: 

• Aumento da pobreza e da desigualdade de riqueza

• Ascensão de um nacionalismo antidemocrático;

Declínio ecológico como fatores para a implementação da taxação dos mais ricos no mundo todo.

"Os extremos são insustentáveis, muitas vezes perigosos e raramente tolerados por muito tempo. Então, por que, nesta era de múltiplas crises, vocês continuam tolerando a riqueza extrema?", questionam. 

Os milionários ainda afirmam que a riqueza fluiu "para lugar nenhum, exceto para cima" "Nos primeiros dois anos da pandemia, os 10 homens mais ricos do mundo dobraram sua riqueza, enquanto 99% das pessoas viram sua renda cair. Bilionários e milionários viram sua riqueza crescer em trilhões de dólares, enquanto o custo de uma vida simples agora está paralisando famílias comuns em todo o mundo."

O documento finaliza afirmando que "a solução é simples": "Vocês, nossos representantes globais, devem tributar a nós, os ultra-ricos, e devem começar agora." 

“Taxe os ultra-ricos e façam isso agora. É economia simples e de bom senso. É um investimento no nosso bem comum e num futuro melhor que todos merecemos e, como milionários, queremos fazer esse investimento. O que, ou quem, está impedindo você? (Trecho do documento)


Na foto que acompanha a carta, intitulada "Custos da riqueza extrema", estão as imagens dos líderes mundiais: os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, além dos primeiros-ministros do Japão, Fumio Kishida, e do Reino Unido, Rishi Sunak.

A foto do bilionário Elon Musk, CEO do Twitter e criador da Tesla, aparece abaixo da imagem dos líderes mundiais, ainda que o nome dele não conste no documento. Entre milionários que assinaram a carta estão os herdeiros da Disney, Tim e Abigail, e o milionário britânico Phil White.

(Com informações da RFI, uol).


***
II

Quem quer mexer no meu bolso? 
Ricos ameaçam deixar a Califórnia 

Para cobrir um déficit histórico de US$ 54,3 bilhões por conta da pandemia, a Califórnia estuda aumentar impostos dos mais ricos. O podcaster Joe Rogan e o fundador da Palantir, Alex Karp, já deixaram o Estado. Elon Musk estuda seguir o mesmo caminho. 

Por Eloá Orazem, dos EUA.
(08/IX/2020)

A conta da pandemia chegou e, para pagar o déficit de USS 54,3 bilhões, o maior de sua história, a Califórnia estuda sobretaxar grandes fortunas. Embora ainda esteja em discussão, a medida já tem levado alguns milionários a buscar novos endereços residenciais.

No sentido horário: Joe Rogan, Elon Musk e Alex Karp

A conta da pandemia chegou e, para pagar o déficit de USS 54,3 bilhões, o maior de sua história, a Califórnia estuda sobretaxar grandes fortunas. Embora ainda esteja em discussão, a medida já tem levado alguns milionários a buscar novos endereços residenciais.

A alíquota atual da Califórnia é de 13,3%, mas a nova proposta quer aumentar esse percentual. Quem ganha mais de US$ 1 milhão por ano, pagaria mais um ponto percentual. Se o ganho for superior a US$ 2 milhões anuais, o adicional seria de três pontos percentuais. Aqueles com vencimentos superiores a US$ 5 milhões por ano, pagariam três pontos e meio percentuais a mais.

Com as novas alíquotas, o imposto máximo cobrada na Califórnia passaria de 13,3% para 16,8%. Caso o projeto seja aprovado, os moradores da Califórnia poderiam pagar 53,8% de impostos, isso porque, além dos 16,8% da nova proposta, ainda desembolsam 37% de imposto federal.

Para fins de comparação, um dos impostos mais altos do mundo, segundo o portal Trading Economics, é praticado pela Suécia, que cobra 57,2% sobre a renda de seus cidadãos.

Apresentada por um grupo de deputados liderados pelos democratas Miguel Santiago e Wendy Carillo, a nova cobrança traria mais de USS 6 bilhões ao ano aos cofres públicos. O dinheiro seria usado para cobrir parte do rombo deixado no orçamento por conta da Covid-19.

A proposta afetaria apenas 0,5% dos contribuintes da Califórnia.

Mas esse pequeno grupo é responsável por 40% da receita fiscal do Estado, de acordo com o Franchise Tax Board da Califórnia.

Embora muitos bilionários, como o fundador da Salesforce, Marc Benioff, e o criador da Microsoft, Bill Gates, defendam publicamente o aumento das taxas aplicadas aos grandes empresários, outros não concordam em nada com a proposta.

Joe Rogan, que é idealizador e apresentador de um dos podcasts mais ouvidos do mundo, o "The Joe Rogan Experience", afirmou em julho que deixaria a ensolarada Los Angeles pelo Texas.

Curiosamente, essa mudança do artista acontece meses depois de o Spotify desembolsar USS 100 milhões para ter exclusividade ao conteúdo produzido pelo artista. Pelos termos do contrato, em 1° de setembro, todo o catálogo do podcast de Rogan, bem como os novos episódios, estarão disponíveis exclusivamente no Spotify.

Publicamente, Rogan justifica sua mudança dizendo que está cansado da densidade populacional da Califórnia. "Só quero ir para algum lugar no centro do país, um lugar onde seja mais fácil viajar para as duas costas americanas e um lugar onde você tenha um pouco mais de liberdade", falou Rogan em seu podcast.

Pelas regras atuais da Califórnia, Rogan teria de pagar de impostos US$ 13,3 milhões. Se as novas alíquotas forem aprovadas, o valor chegaria a US$ 16,8 milhões.

O Texas, para onde Rogan está se mudando, é um dos sete estados americanos que renunciam ao imposto de renda individual. Isso significa que o podcaster não teria de arcar com um imposto de, pelo menos, USS 13,3 milhões.

Quem também fez as malas da Califórnia foi Alex Karp, cofundador e CEO da Palantir. Há anos o empresário fala abertamente sobre a possibilidade de mudanças.

Quem também fez as malas da Califórnia foi Alex Karp, cofundador e CEO da Palantir. Há anos o empresário fala abertamente sobre a possibilidade de mudanças.

Mas foi apenas em agosto deste ano que as páginas da empresa e as redes sociais da Palantir indicaram que a sede da empresa deixou de ser o Vale do Silício para abraçar a pequena Denver, no

Colorado. Na nova casa, Karp deve pagar "apenas" 4,68% de imposto pessoal.

Depois de discutir e se queixar publicamente das regras aplicadas pelo estado da Califórnia, Elon Musk pode ser o próximo a deixar o estado mais populoso do país.

O bilionário, que têm uma fábrica no Texas, cogita mudar o escritório central de suas operações para o mesmo lugar, mas também estuda a possibilidade de levá-lo para Nevada, que cobra, no máximo, 6,85% de imposto pessoal.

Até celebridades, como o cantor Kanye West, estão trilhando caminhos parecidos. O rapper, que "causou" depois de se lançar como candidato à presidência dos Estados Unidos, esta trabalhando para levar sua marca de roupas Yeezy para o estado de Wyoming, onde comprou uma mansão e paga 4% de imposto pessoal.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela agência Hired, focada em recursos humanos, 42% dos trabalhadores da área de tecnologia no Vale do Silício, região com os salários maios altos do estado, estavam dispostos a se mudar para regiões mais baratas se pudessem trabalhar remotamente.

O advogado tributário Dennis Brager disse, em entrevista à Fox News, que muitos de seus clientes milionários ja entraram em contato para pedir orientação de como cortar relações com a Califórnia. A procura por Brager aumentou depois que outra proposta que tenta taxar os mais riscos do estado começou a ser debatida. Trata-se da AB 2088, do deputado democrata Rob Bonta. 

De acordo com o projeto de Bonta, que ainda é avaliado pelos colegas, um novo imposto de 0,4% seria aplicado aos residentes da Califórnia cuja fortuna for superior a US$ 30 milhões. Na proposta do deputado, a alíquota seria cobrada anualmente, por 10 anos, mesmo que os cidadãos deixem a Califórnia.

"Esse projeto cobra imposto sobre a fortuna, então você teria de pagar de acordo com os seus ativos, e não com a sua renda. Se você tiver, digamos, uma casa em Paris, isso estaria incluído em sua riqueza", disse Brager. Segundo ele, a medida vai "expulsar" cada vez mais milionários e bilionários da Califórnia.

Bonta, por sua vez, justifica seu projeto dizendo que ele afetaria 0,15% da população da Califórnia, apenas 30 mil pessoas. Além disso, segundo o deputado democrata, essa cobrança seria crucial para o estado enfrentar a desigualdade social.

A Califórnia tem uma das mais altas taxas de pobreza do país, cravada em 12,8%. Para o estado, uma família cuja renda familiar anual seja igual ou menor a US$ 25,5 mil é considerada pobre.

No sentindo inverso à Califórnia, o presidente Donaldo Trump, do Partido Republicano, aprovou uma grande redução de impostos para empresas e grandes fortunas em 2017, uma de suas promessas de campanha. O imposto empresarial caiu de 35% para 21%. A alíquota mínima para rendas mais elevadas encolheu de 39% para 37%. (neofeed)


***
III
21/Jan/2022


“O mundo, todo país do mundo, deve pedir aos ricos que paguem sua cota justa. Nós, ricos, pedimos: tribute-nos e tribute-nos agora”, escreve Abigail Disney, produtora e herdeira da Walt Disney Company, em artigo publicado por La Stampa. 

(20-01-2022. A tradução é de Luisa Rabolini)


Eis o artigo.


Um grupo de 102 ultrarricos  de nove países publicou uma carta aberta por ocasião da semana da agenda do Fórum Econômico Mundial. Eles estão pedindo a governos e líderes econômicos que se empenhem em aumentar impostos para milionários (e bilionários) para contribuir na redução da desigualdade e aumentar os serviços públicos, como a saúde. 

A carta segue a publicação de um estudo segundo o qual a riqueza das dez pessoas mais ricas do mundo durante a pandemia duplicou.

Aos nossos amigos milionários e bilionários. 

Se vocês participam da "Davos Online" do Fórum Econômico Mundial, que se realiza em janeiro, significa que vocês fazem parte de um grupo exclusivo de pessoas que estão buscando uma resposta para a pergunta por trás do tema do fórum deste ano: "Como podemos trabalhar juntos e restaurar a confiança?" 

Vocês nunca conseguirão encontrar a resposta em uma reunião para poucos íntimos, cercados por outros milionários e bilionários, e pelos homens mais poderosos do mundo. De fato, se vocês pararem um pouco e pensarem sobre isso, descobrirão que vocês mesmos são parte do problema.

A confiança, na política, na sociedade, no próximo, não se constrói em salões acessíveis apenas aos muito ricos e poderosos. 

Não se constrói pelas mãos de bilionários que viajam no espaço e que acumulam fortunas graças à pandemia, praticamente sem pagar impostos e pagando salários de miséria aos seus trabalhadores. 
A confiança constrói-se através da transparência, em democracias consolidadas, justas e abertas que oferecem serviços e apoio de qualidade a todos os seus cidadãos.

O pilar de uma democracia forte é um sistema tributário justo. Um sistema tributário equitativo (ihu).

Há, em linhas gerais, dois modos de se definir um sistema tributário: progressivo e regressivo. Poderias indicar os principais contornos de cada um e em qual o sistema brasileiro se encaixaria?
Existem três bases principais a serem tributadas, a renda, o patrimônio e o consumo. Um sistema tributário progressivo é aquele que privilegia a tributação sobre renda e patrimônio em detrimento da tributação sobre o consumo. Quando a tributação incide mais sobre o consumo, a regressividade aumenta. Isto ocorre porque no consumo, não se leva em conta a capacidade contributiva das pessoas, quer dizer, tanto faz a renda, o valor pago de tributos é o mesmo. Deveria ser observada esta característica, de que os que mais podem devem pagar proporcionalmente mais, o que configuraria maior progressividade.
É o que verificamos no sistema tributário brasileiro, a alta regressividade ou, visto pelo outro lado, a baixa progressividade. Não há dúvidas de que o modelo de tributação que temos no Brasil recai mais sobre os ombros da classe trabalhadora, é regressivo e aumenta a desigualdade social. Vejamos duas situações, considerando nossa carga tributária de 32,43%: uma família que tenha renda de R$ 1.504,00 e pertence aos 40% mais pobres da população, ao aplicarmos esse percentual de 32,43%, ela terá renda remanescente de R$ 1.016,00. Aplicando-se essa mesma carga em uma pessoa com renda de R$ 26.516,00 (10% mais ricos), sua renda remanescente será de R$ 17.916,86. Embora bastante sintético, esse exemplo mostra que o impacto da tributação na população mais pobre é muito mais significativo. Para modificar essa situação, temos que ter um sistema mais progressivo, que incida menos sobre consumo e mais sobre renda e patrimônio. (Entrevistada: Maria Regina Paiva Duarte é presidenta do Instituto Justiça Fiscal, tendo desempenhado diversas outras funções na direção do mesmo Instituto em anos anteriores, também é auditora fiscal aposenta da Receita Federal. Autora de diversos artigos sobre tributação, justiça fiscal e afins, organizou em 2018, com Rosa Chieza  e Claudia Cesare, o livro Educação Fiscal e Cidadania (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2018), premiado pela Associação Brasileira de Editoras Universitárias.)


Sendo milionários, sabemos que o sistema tributário existente não é justo. Quase todos nós podemos dizer que, enquanto o mundo tem enfrentado uma imensa quantidade de sofrimento nos últimos dois anos, nós na realidade vimos nossa riqueza crescer durante a pandemia. No entanto, apenas poucos entre nós podem dizer honestamente que pagam um imposto justo.

Essa injustiça, incorporada nos fundamentos do Sistema tributário  internacional, criou uma colossal falta de confiança entre os povos do mundo e as elites que construíram a arquitetura desse sistema. 
Para transpor esse abismo é preciso mais do que projetos para satisfazer a vaidade de um bilionário, ou gestos esporádicos filantrópicos. 

É preciso uma reviravolta completa do sistema que até agora foi projetado especificamente para tornar os ricos mais ricos. Simplificando, a confiança se restaura tributando os ricos.

O mundo, todo país do mundo, deve pedir aos ricos que paguem sua cota justa. Nós, ricos, pedimos: tribute-nos e tribute-nos agora.

A verdade é que este Davos não merece hoje a confiança do mundo. Com uma quantidade incalculável de horas gastas discutindo como tornar o mundo um lugar melhor, a conferência produziu bem poucos resultados tangíveis, enterrados sob uma torrente de autocongratulações. 
Até que os participantes da conferência reconheçam a necessidade de uma solução simples e eficaz posta diante deles, tributar os ricos, os povos do mundo continuarão a considerar sua chamada dedicação para resolver os problemas do planeta como pouco mais do que um espetáculo.

A história nos conta o fim das sociedades extremamente desiguais em tons bastante escuros. Para o bem de todos nós, ricos e pobres, chegou a hora de enfrentar a desigualdade e de tributar os ricos. Mostrem aos povos do mundo que vocês merecem a confiança deles. Se não o fizerem, todas as vossas conversas privadas não mudarão o que está por vir: os impostos ou os enforcados. Escutem a história e façam uma escolha sábia.




Referências 














Uma vida não fascista demanda viver além dos aparatos de dominação do capital. 




Imposto sobre grandes fortunas: caminho para reduzir as desigualdades?

(Ana Rodrigues, 2022)

Um novo relatório da Oxfam, lançado durante o último Fórum Econômico Mundial, revelou que mais de 250 milhões de pessoas correm o risco de caírem na extrema pobreza em 2022. Enquanto isso, a fortuna dos bilionários aumentou o equivalente a 23 anos em apenas dois. O documento cobra a implantação de medidas tributárias que incluam a taxação de grandes fortunas.

A Oxfam Brasil é uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos e independente, criada em 2014 para a construção de um Brasil com mais justiça e menos desigualdades e faz parte de uma rede global, a com 20 membros que atuam em 90 países pelo mundo, por meio de campanhas, programas e ajuda humanitária. E atua em três áreas temáticas: Justiça Rural e Desenvolvimento, Justiça Social e Econômica, Justiça Racial e de Gênero e Justiça Climática e Amazônia.

O relatório, intitulado Lucrando com a Dor, mostra que empresas de quatro setores da economia global lucraram como nunca na pandemia e cobra a implantação de medidas tributárias que incluem a taxação de grandes fortunas — de forma emergencial, solidária e também patrimonial.

“Parece uma coisa inimaginável, em um cenário dramático como o da pandemia, a gente ter muito mais pessoas muito ricas. E o total da fortuna deste conjunto, ainda aumentou quase US $4 bilhões neste período. E os dados mostram que 3,3 bilhões de pessoas estão em condição de pobreza, quase a metade do planeta”, destaca Jefferson Nascimento, Coordenador de Pesquisa e Incidência em Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil, em entrevista ao podcast Aqui se Faz, Aqui se Doa!

O desafio para reverter a desigualdade, com a implantação de um Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), é mundial. Aqui no Brasil, dezenas de projetos de lei para instituir um Imposto sobre Grandes Fortunas nunca saíram do papel.

Já na vizinha Argentina, a crise provocada pela pandemia fez com que fosse criada uma lei que autoriza um imposto extraordinário, cobrado uma única vez. Pelo mundo, dos 37 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),12 instituíram impostos. Porém, a grande maioria já voltou atrás, como é o caso da França. Dentre as justificativas: facilidade de driblar o imposto com a fuga para paraísos fiscais.

“Um dos elementos importantes é o fato de que a condição para as mudanças deste cenário, está de certa maneira paralisada porque o poder político também está concentrado na mão dessas pessoas que têm maior poder econômico. Então, poder econômico e poder político, eles andam de mãos dadas, e as medidas necessárias para desfazer um pouco este nó, está justamente nas mãos daqueles que mais estão se beneficiando deste cenário. É um quadro bastante cruel e uma percepção que a própria sociedade tem, as pessoas sabem que a vida piorou”, explica Nascimento.(Rodrigues, 2022)






12 janeiro 2023

PROTO-ESCRITA

PROTOESCRITA

Em pelo menos 400 cavernas europeias, como Lascaux, Chauvet e Altamira, os humanos do Paleolítico Superior desenharam, pintaram e gravaram sinais não figurativos a partir de pelo menos 42.000 anos atrás e imagens figurativas, principalmente  animais, a partir de pelo menos 37.000 anos atrás. 

Desde sua descoberta há 150 anos, o propósito ou significado desses sinais não figurativos iludiu os pesquisadores. Novas pesquisas de investigadores independentes e seus colegas da University College London e da University of Durham sugerem como três dos sinais mais frequentes: a linha “|”, o ponto “•” e o “Y”, funcionavam como unidades de comunicação. 

Os autores demonstram que, quando encontrados em estreita associação com imagens de animais, a linha “|” e o ponto “•” constituem números que denotam meses e formam partes constituintes de um calendário fenológico/meteorológico local começando na primavera e registrando o tempo a partir deste ponto no período lunar. meses; eles também demonstram que o sinal “Y”, um dos sinais que ocorrem com mais frequência na arte paleolítica não figurativa, tem o significado de “Dar à luz”.

Exemplos de representações de animais associados a sequências de pontos/linhas. (Crédito da imagem: Bacon et al.,2023).

Há cerca de 37.000 anos, os humanos passaram (transacionaram) da marcação de imagens abstratas, como impressões de mãos, pontos e retângulos nas paredes das cavernas, para o desenho, pintura e gravação de arte figurativa. Essas imagens, criadas em superfícies rochosas ao ar livre, em cavernas ou esculpidas e gravadas em materiais portáteis, eram quase exclusivamente de animais, principalmente presas herbívoras essenciais para a sobrevivência nas estepes da Eurásia do Pleistoceno.

Na maioria dos casos, é fácil identificar as espécies representadas e, muitas vezes, as características que exibem em determinadas épocas do ano. Em Lascaux, há cerca de 21.500 anos, as formas do corpo e os detalhes da pelagem foram usados ​​para transmitir informações sobre a sequência de cio de várias espécies de presas nas paredes da caverna. 

Juntamente com essas imagens, conjuntos de marcas abstratas, particularmente sequências de linhas verticais, pontos e formas em “Y” e várias outras marcas são comuns em todo o Paleolítico Superior europeu, ocorrendo isoladamente ou adjacentes e sobrepostas a representações de animais, como há muito se reconhece. 

No novo estudo, o pesquisador independente Ben Bacon e seus colegas descobriram que essas marcas registram informações numericamente e fazem referência a um calendário, em vez de gravar a fala. 

As marcações, portanto, não podem ser chamadas de "escrita" no mesmo sentido que os sistemas pictográficos e cuneiformes de escrita que surgiram na Suméria a partir de 3.400 aC. 

Os autores referem-se às marcações como um sistema de “proto-escrita”, que antecede outros sistemas baseados em “tokens” que surgiram durante o período neolítico do Oriente Próximo em pelo menos 10.000 anos. 

“O significado das marcações dentro desses desenhos sempre me intrigou, então comecei a tentar decodificá-los, usando uma abordagem semelhante que outros adotaram para entender uma forma primitiva de texto grego”, disse Bacon. 

“Usando informações e imagens de arte rupestre disponíveis na Biblioteca Britânica e na Internet, reuni o máximo de dados possível e comecei a procurar padrões repetidos.” “À medida que o estudo avançava, procurei amigos e acadêmicos universitários seniores, cuja experiência foi fundamental para provar minha teoria.”

Exemplos do sinal “Y” em sequências associadas a representações de animais. (Crédito da imagem: Bacon et al., 2023).

Os cientistas usaram os ciclos de nascimento de animais equivalentes hoje como ponto de referência para descobrir que o número de marcas associadas aos animais da Idade do Gelo era um registro, por mês lunar, de quando eles estavam acasalando. Eles descobriram que um sinal de “Y” usado representava “dar à luz” e encontraram uma correlação entre o número de marcas, a posição do “Y” e os meses em que os animais modernos acasalam e nascem, respectivamente.


Os calendários lunares são difíceis porque existe pouco menos de doze meses lunares e meio em um ano solar, então eles não se encaixam perfeitamente em um ano”, disse o professor Tony Freeth, da University College London. 

“Como resultado, nosso próprio calendário moderno praticamente perdeu qualquer vínculo com os meses lunares reais.” “No Mecanismo de Antikythera, eles usaram um sofisticado calendário matemático de 19 anos para resolver a incompatibilidade do ano e do mês lunar, impossível para os povos do paleolíticos.” 
“O calendário deles tinha que ser muito mais simples. Também tinha que ser um “calendário meteorológico”, vinculado a mudanças de temperatura da atmosfera, não a eventos astronômicos como os equinócios.” “Com esses princípios em mente, Ben e eu criamos lentamente um calendário que ajudou a explicar por que o sistema que Ben havia descoberto era tão universal em uma ampla geografia e escalas de tempo extraordinárias.” 

“O estudo mostra que os caçadores-coletores da Idade do Gelo foram os primeiros a usar um calendário sistemático e marcas para registrar informações sobre os principais eventos ecológicos dentro desse calendário”, disse o professor da Universidade de Durham, Paul Pettitt. “Por sua vez, podemos mostrar que essas pessoas, que deixaram um legado de arte espetacular nas cavernas de Lascaux e Altamira, também deixaram um registro de cronometragem precoce do tempo que acabaria se tornando comum entre nossa espécie.” 

“As implicações são que os caçadores-coletores da Idade do Gelo não viviam simplesmente em seu presente, mas registravam memórias da época em que eventos passados ​​ocorreram e os usavam para prever quando eventos semelhantes ocorreriam no futuro, uma habilidade que os pesquisadores e estudiosos da memória chamam de viagem mental no tempo”, disse o professor da Universidade de Durham, Robert Kentridge. 

Os pesquisadores esperam que decifrar mais aspectos do sistema de proto-escrita lhes permita desenvolver uma compreensão de quais informações os primeiros humanos valorizavam. “À medida que investigamos mais profundamente o mundo deles, o que descobrimos é que esses ancestrais antigos são muito mais parecidos conosco do que pensávamos anteriormente”, disse Bacon. “Essas pessoas, separadas de nós por muitos milênios, de repente estão muito mais próximas.” 

O artigo da equipe foi publicado no Cambridge Archaeological Journal.




Fonte 

Bennett Bacon et al. An Upper Palaeolithic Proto-writing System and Phenological Calendar. Cambridge Archaeological Journal, published online January 5, 2023
































10 janeiro 2023

BRASIL E OS GOLPES DA EXTREMA DIREITA

BRASIL: CRÔNICA DE UM JULGAMENTO ANUNCIADO

Por Atílio A. Borón *
Publicado em espanhol em Página/12, em 9/1/2023. Tradução: Gabriel E. Vitullo


O que aconteceu no Brasil é algo inédito na história daquele país. Mas, paradoxalmente, era algo previsível. Havia muitos sinais de que a direita radical, neofascista ou neonazista não estava disposta a permitir que a posse de Lula como novo presidente do Brasil se consumasse de forma ordenada e em paz. Indícios claros de que apostava num golpe militar, pelo que bateram à porta dos quartéis e acusaram publicamente os militares de covardes por não “resgatarem o país” das garras do comunismo e sua mortífera arma: a “ideologia de género”.

O mesmo que se fez no Chile nos meses finais do governo de Salvador Allende. A receita é a igual, “made in America”: mobilizar um segmento da “sociedade civil”, ganhar as ruas, precipitar a intervenção militar e derrubar o governo indesejável. Por isso o que aconteceu estava presente no desastroso “clima da época” alimentado pelo declínio inexorável dos Estados Unidos como superpotência mundial e sua recarregada virulência.

O sinal dessa revolta bolsonarista guarda uma semelhança notável com o que aconteceu quase exatamente dois anos atrás no Capitólio dos Estados Unidos. Nesse país ocorreu no dia 6 de janeiro, no Brasil no dia 8. A coincidência não é acidental, dada a existência de uma internacional neofascista muito ativa e bem financiada, cujo guru ideológico e organizacional é Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump. Mas as coincidências não param por aí. O objetivo era o mesmo: demonstrar como um grupo determinado e relativamente pequeno (no Brasil, umas quatro mil pessoas) pode tomar à vontade a sede dos três poderes do Estado e, se certas condições amadurecerem, fazer com que as Forças Armadas dêem um passo a frente e executem a reedição do infausto golpe de 1964. Por isso o que aconteceu é um ensaio, um teste. Certamente voltarão com tudo para tentar criar uma situação que acabe por tornar inevitável a mediação militar.

É claro que isso depende muito do que o governo Lula fizer. Para começar, terá de decretar a intervenção federal do Distrito Federal, cujo governo foi cúmplice necessário dada sua passividade perante os revoltosos. Também terá que substituir a direção dos serviços de inteligência do Estado, que não souberam – ou não quiseram – prever esta situação e alertar as autoridades sobre o perigo que se aproximava. E o mesmo terá que ser feito com as Forças Armadas. Por outro lado, o presidente Lula terá que se convencer de que terá que mobilizar e organizar sua base eleitoral e retomar o controle das ruas e das praças. Caso contrário, a estabilidade do seu governo poderá ficar seriamente comprometida. Nem as instituições nem os vários órgãos do aparato do Estado respondem a ele como manda a Constituição. Seu único resseguro é a mobilização popular.

Mencionamos acima o “clima de época” em que o ocorrido deve ser enquadrado. Relembremos: em 2021 aconteceu o do Capitólio; 2022 foi pródigo em eventos semelhantes. Em julho, milhares de manifestantes no Sri Lanka invadiram a residência oficial e o escritório do presidente e atearam fogo no escritório do primeiro-ministro. O sinal político não era reacionário, mas a forma do protesto sim. Em dezembro foi desarticulada uma tentativa neonazista de ocupar violentamente o Bundestag e vários parlamentos dos Landers alemães. Em setembro se deu a tentativa frustrada de magnicídio contra Cristina Fernández de Kirchner, ainda longe de ser esclarecida; em dezembro, a destituição de Pedro Castillo no Peru; agora a tentativa no Brasil. E antes, não devemos esquecer, talvez inaugurando este ciclo, o sangrento golpe neofascista na Bolívia.

O óbvio mas sistematicamente negado “déficit democrático” dos sistemas políticos que se pretendem democracias (e não o são!) se combina com os efeitos da crise capitalista e com os efeitos enlouquecedores das placas tectônicas do sistema internacional na Ucrânia e em Taiwan. E isso, politicamente falando, é dinamite. Desarmar essa bomba-relógio exigirá muita habilidade política, inteligência e força, para tomar decisões difíceis que certamente provocarão acalorados debates. Espero que Lula demonstre que tem essas virtudes.


*Atilio Alberto Borón é sociólogo, politólogo, catedrático e escritor argentino. Doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard. Professor consultor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires e pesquisador adscrito ao IEALC de referida faculdade.







VERÕES E INVERNOS

VERÕES E INVERNOS 
 
Modifda página do Prof. Fernando Lang da Silveira


Felix, qui potuit rerum cognoscere causas” 
(Verso 490 do Livro 2 das "Geórgicas" (29 a.C), do poeta latino Publio Virgílio Maro (70 - 19 a.C). 
Literalmente significa: “Feliz, quem pode, das coisas conhecer as causas”.


A Figura 1 é uma representação da órbita da Terra em escala, entretanto o Sol está fora de escala, aumentado cerca de 10 vezes (se a escala fosse mantida o Sol seria representado por um ponto apenas). Nesta representação a Terra seria um ponto sobre a linha preta que indica sua órbita.

A distância máxima da Terra ao Sol, quando então nosso planeta está no afélio, é cerca de 152 milhões de quilômetros. No periélio a Terra se encontra a 147 milhões de quilômetros do Sol.

Conforme a Figura 1 sugere, a órbita da Terra é quase uma circunferência. Na verdade é uma elipse com pequena excentricidade.

A quantidade total de radiação solar (potência da radiação solar sobre toda a superfície iluminada da Terra) que incide na Terra é proporcional ao quadrado da distância que ela se encontra do Sol em um dado momento. É fácil então calcular que do periélio (que acontece em janeiro, quando é inverno hemisfério norte e verão no sul) para o afélio (que acontece em julho, quando é quando é verão no hemisfério norte e inverno no sul) esta potência diminui em cerca de 6% [1].

Como a intensidade da radiação solar sobre a Terra varia muito devido à orientação da superfície do planeta em relação à direção dos raios solares, há ao longo do ano importantes variações dessa orientação em cada latitude por conta da inclinação do eixo de rotação em relação ao plano da órbita.

Ou seja, as estações do ano são devidas à inclinação do eixo de rotação.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Os invernos são mais intensos no hemisfério norte apesar de a Terra passar pelo periélio em janeiro, momento em que a potência solar total sobre nosso planeta é maior. 
E os invernos são menos intensos no hemisfério sul apesar de a Terra passar pelo afélio em julho, momento em que a potência solar total é menor sobre nosso planeta.

O clima do nosso planeta é moderado pela quantidade de água que existe nos dois hemisférios. No hemisfério norte a superfície que é coberta pelas águas é menor do que no hemisfério sul, explicando assim as temperaturas mais baixas no inverno no norte do que no sul.

Nosso planeta e a localização dos polos. 

Em termos geográficos, o polo Sul fica situado a 2.800 metros acima do mar enquanto o polo Norte está ao nível do mar. 

Apesar de o polo norte se localizar em cima de uma calota de gelo do mar do Oceano Ártico, ele é considerado mais quente, i.e., suas temperaturas são mais elevadas quando comparadas com as temperaturas do polo sul (Antártica). E por quê isto acontece? 
As temperaturas registradas no polo norte (Ártico) são mais altas pois o que está determinando esse aumento é a altitude. Em média a diferença registrada é de quase 20° C na temperatura dos polos. Esse fato mostra a importância da altitude na determinação da temperatura. 


Temperaturas no polo 

Aproximadamente 98% da Antártica está coberta por um manto de gelo. O manto de gelo que cobre a região tem em média 2,0 km de espessura. 

Essa cobertura de gelo torna a região Antártica um depósito de 70% de toda a água doce do planeta Terra. 

Continente Antártico 

Devido a existência do maciço Vinson essa cobertura de gelo cobrindo a maioria da região torna o continente antártico o continente de maior altitude média e consequentemente com as menores temperaturas quando comparadas com o Ártico. 

As temperaturas baixas congela a água da superfície do oceano que forma barreira se estendendo para além da costa do continente. A maior destas barreiras ou plataformas também chamadas de banquisas, e a plataforma de Ross. Quando essa plataforma se rompe produz grandes massas de gelo que ficam à deriva no oceano originando os Icebergs. 

Em cinza as plataformas de gelo.

Como exemplo de elevação podemos citar o monte Vinson que é o ponto mais alto da Antártida. 

Esse monte está localizado nas montanhas Ellsworth, considerada uma das mais remotas do mundo.

O Maciço Vinson está localizado a cerca de 1.200 km do pólo sul e está entre os chamados “Sete cumes”. As temperaturas nas montanhas giram em torno de -60º C e -70º Celsius tornando-o um dos mais frios do planeta. 

Polo sul


Continente Antártico.

A estação Russa de Vostok registrou o recorde oficial de menor temperatura já observada na superfície no planeta com 89,2°C abaixo de zero em 21 de julho de 1983.

Em geologia, um maciço é uma seção da crosta de um planeta que é demarcada por falhas ou flexões. No movimento da crosta, um maciço tende a reter sua estrutura interna enquanto é deslocado como um todo. O termo também se refere a um grupo de montanhas formado por tal estrutura.



Fonte 
















09 janeiro 2023

DEMOCRACIA PARA SEMPRE


LULA, ASSUMA O COMANDO! 

Nota do Comitê em Defesa da Demcoracía e do Estado de Direto

Manuel Domingos Neto 
(08.01.2023)

Não foi invasão nem ocupação, foi quebra-quebra, puro vandalismo.

Os objetivos: acabar com a alegria da vitória, meter medo no povo, desgastar o governo, desmoralizar o presidente, alimentar o caos, animar a ultradireita, formar clima para ruptura institucional, projetar a guerra civil.

Não adianta apenas acusar o governo do Distrito Federal e as forças policiais. Não adianta apenas acusar os vândalos e seus financiadores: nada disso teria acontecido sem o apoio ostensivo e encoberto das Forças Armadas, em particular, do Exército.

Integrantes da “família militar” que animam os acampamentos criminosos devem ser investigados e responsabilizados na forma da lei. 

O general Gonçalves Dias, responsável pela Inteligência, deve ser sumariamente demitido. Se não soubesse da armação seria um incompetente. Mas ele sabia e não tomou providências. Que passe por uma severa investigação. 

A depredação do Palácio do Planalto foi possível porque o Batalhão de Guardas não se mexeu. É tropa de pronto-emprego, encarregada de proteger a presidência da República. Seu comandante, não tendo cumprido com seu dever, deve ser preso e toda a cadeia de comando superior, até o general Arruda, demitida e investigada.

O Ministro da Defesa, que tem amigos nos ajuntamentos criminosos diante dos quartéis; que apostou na boa vontade dos terroristas; que não compreende suas atribuições, deve ser substituído e investigado. 

A Segurança Pública não cabe no Ministério da Justiça. Deve ser pasta específica, encarregada de conceber e executar uma política nacional que garanta a cidadania e a ordem pública.

Lula, não decline de suas obrigações. Assuma o comando supremo das Forças Armadas. Não se deixe intimidar pelas fileiras. Não admita chantagem de generais. Não desrespeite o soberano, o povo que te elegeu. 
Mostre autoridade. 

Chame todos os governos para um entendimento sério. Se as Forças Armadas quiserem te derrubar e assumir o poder pensarão duas vezes antes de enfrentar as polícias estaduais. 

Terás apoio internacional como nunca se viu. Nenhum chefe de Estado estrangeiro apoiará um golpe de Estado no Brasil.

Se preferires o caminho do apaziguamento com os neofascistas, estimularás os que têm sede de sangue. 

Lula, basta de contemporização. Você prometeu cuidar do povo brasileiro. Não permita uma nova ditadura!






PRESENTE TRÁGICO

PASSADO E PRESENTE TRÁGICOS 
ECOS DE DOR

Os manifestantes bolsonaristas de hoje ocupam o mesmo espaço onde os chamados "homens bons" se reuniam na cidade de Porto Alegre para enforcar e seviciar negros escravizados no passado. Aqui a história se repete como tragédia.

A tragédia de forças mantidas pelo povo usando o mesmo povo para manter seus privilégios. Aqui o passado é sempre presente.

A foto retrata manifestantes em protestos antidemocrático no Centro Histórico de Porto Alegre em frente a entrada de serviço do Comando Militar do Sul e ao lado do Museu Militar do CMS e da antiga instalação de um histórico Arsenal de Guerra. Aos fundos retrata a Igreja Nossa Senhora das Dores.  


Movimento criminoso e antidemocrático em Porto Alegre.

Local de muitas dores e sofrimento, pois na base da ladeira na Rua da Praia até pouco antes da República era o sítio do pelourinho como atesta  um extrato da planta da Valorosa e Muy Leal cidade de Porto Alegre. 

No ano de 2020 em plena Pandemia e mortes aos borbotões este pessoal se reuniu no mesmo local clamando por liberdade para não cumprir os protocolos sanitários.
Exatamente ao sopé da Igreja das Dores. Um local que merecia um monumento de repúdio a barbárie.






Fontes




























.

08 janeiro 2023

CONSTRUÇÃO DEMOCRÁTICA

A CONSTRUÇÃO DEMOCRÁTICA 
(Por Moisés Mendes) 

Fascistas fecham o acesso ao Aeroporto de Congonhas e voltam às ruas em São Paulo, e tem gente da esquerda atacando quem? Simone Tebet. Enquanto a extrema direita abandonada pelo derrotado tenta mostrar que está viva, a esquerda “crítica” ataca Simone Tebet. 

Atacam o centro que pode viabilizar a governabilidade, com alertas na base do estou-avisando, em meio ao esforço de Lula para mostrar que tem base política para governar e enfrentar o fascismo. E na primeira semana de governo. É nosso primeiro sábado com Lula. O primeiro. 

Simone Tebet não é só Simone Tebet. É o vasto mundo do centro democrático que precisa estar com Lula. Esse centro se esfarelou em 2016. E tivemos o golpe contra Dilma. O mesmo centro que ajudou a construir a Constituição e que segurou junto três governos de Lula e Dilma, e no quarto saltou fora. 

Pensem bem e repitam. É o primeiro sábado do começo do resgate da democracia. Teremos mais 407 sábados nesses quatro anos. Curtam o sol que nos saúda. Não vamos sabotar a esperança que Lula nos oferece.



DIA 8/I/2023 DIA DA INFÂMIA 








07 janeiro 2023

NUPER ALMOS ROSE FLORES

 NUPER ALMOS ROSE FLORES 

Sequência composta provavelmente por Guillaume Dufay para consagração  da Catedral de Santa  Maria del Fiore em Firenze no ano de 1436.








Catedral de Santa Maria del Fiore, Firenze




LETRA


Nuper almos rosae flores


Nuper almos rosae flores homo regens celi fores tibi virgo virginum.

Tibi stelle matutine dat et edit florentine domum gemmis fulgidum.

Nunc et die qua te verbo complet Gabriel eterno tibi templum dedicat.

Quis enarret quo tumultu quo tum corde quo tum vultu tibi quisque iubilat.

Cum pons vivis ligno structus apparatus miro fultus alte portat curiam. 

Portat papam, portat fratres et pastores et abbates quasi throni gloria. 

Quis enarret quo tumultu quo tum corde quo tum vultu grandis edes ungitur, 

Non est orbi templum tale neque gaudium equale ut in templo panditur.

Quis enarret quo tumultu quo tum corde quo tum vultu virgo tibi concinit.

Virgo clerus laudes cantat super angelos exaltat nempe celum convenit.

Virgo mater virgo pura nam te nostri tenet cura pium nos ad filium.

Pium purga nos ad natum ne respectet iam reatum sed preces humilium. 

Alleluia.




Nuper almos rosae flores






















NUPER ROSARUM FLORES 

Nuper rosarum flores
Ex dono pontificis
Hieme licet horrida
Tibi, virgo coelica,
Pie et sancte deditum
Grandis templum machinae
Condecorarunt perpetim.


Hodie vicarius
Jesu Christi et Petri
Successor Eugenius
Hoc idem amplissimum
Sacris templum manibus
Sanctisque liquoribus
Consecrare dignatus est.


Igitur, alma parens
Nati tui et filia
Virgo decus virginum,
Tuus te Florentiae
Devotus orat populus,
Ut qui mente et corpore
Mundo quicquam exorarit


Oratione tua
Cruciatus et meritis
Tui secundum carnem
Nati Domini sui
Grata beneficia
Veniamque reatum
Accipere mereatur.
Amen.


Cantus firmus:
Terribilis est locus iste




Transcrição para o inglês 


Recently roses (came) as a gift from the Pope,
despite the cruel winter, to you, heavenly Virgin,
to whom a temple of magnificent design
is dedicated dutifully and through sacred rites.
Together may they be perpetual ornaments.

Today the Vicar of Jesus Christ
and Peter’s successor, Eugenius,
has the honour to consecrate
this same most spacious sacred temple
with his hands and with holy water.

Therefore, gracious mother and daughter of your own Son,
virgin, ornament of virgins,
the people of your city of Florence devoutly pray
that whoever entreats you with a pure mind and body may,
 
through your prayer, your anguish and merits,
be found worthy to receive of the Lord,
born of you as all flesh is,
the benefits of grace and the remission of sins.


Amen.

Cantus firmus:
Awe-inspiring is this place