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22 julho 2022
BUDISMO
Flor de lótus rosa, o símbolo do Buddha
BUDISMO
O budismo é uma religião indiana baseada nos ensinamentos de Sidarta Gautama, conhecido como o Buddha. De caráter filosófico e não teísta, surgiu na Índia Antiga como uma tradição ascética entre os séculos VI e IV a.C. Atualmente é a quarta maior religião do mundo, com mais de 520 milhões de seguidores (cerca de 7% a 8% da população global), são conhecidos como budistas.
O Buddha nasceu por volta de 563 a. C., no nordeste da Índia, mas sua etnia provavelmente não era nativa dessa região. Sendo da casta dos guerreiros, os xátrias, supostamente também faziam parte da etnia dos arianos, povo de origem indo-europeia que invadiu o norte da Índia e escravizou os hindus nativos, de pele mais escura. Os brâmanes estabeleceram o bramanismo, conhecido como hinduísmo, impondo sua estética, mas também incorporando nela elementos nativos ou pré-arianos como a flor de lótus.
Buddha, é o termo que significa "Desperto", do radical Budh-, "despertar" é um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal descoberta aos demais seres. "A verdadeira natureza dos fenômenos", aqui, quer dizer o entendimento de que todos os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais.
Tornando-se consciente dessas características da realidade, seria possível viver de maneira plena, livre dos condicionamentos mentais que causam a insatisfação, o descontentamento e o sofrimento.
Do ponto de vista da doutrina budista clássica, a palavra "buddha" manifesta não apenas um mestre religioso que viveu em uma época em particular, portanto histórico, mas toda uma categoria de seres iluminados que alcançaram tal realização espiritual.
Religião
Religião é uma prática, individual ou coletiva, que integra o campo das subjetividades: sentido de fé, adoração ou crença e ritos. Uma variedade de símbolos, como os livros sagrados, objetos, esculturas, símbolos imateriais entre outros, que ajudam a alcançar o sagrado e os ensinamentos da verdade, do amor e do respeito. Sistemas religiosos ajudaram a construir a história da humanidade e, consequentemente, as suas estruturas sociais.
O Budismo é uma doutrina espiritual e filosófica criada pelo indiano Siddhartha Gautama, o Buddha, que considera o poder da reencarnação humana, de animais e das plantas, e postula que as escolhas para se chegar à libertação dos sofrimentos estão no autoconhecimento.
"Monges! O que eu aponto é para o sofrimento e o que eu ensino é a sua cessação." A declaração do Buda resume o seu projeto soteriológico e, a partir desta summa summarum, pode-se afirmar que, num certo sentido, todos os seus outros ensinamentos, teses, doutrinas e conselhos individualizados por ele elaborados e transmitidos podem ser compreendidos como expedientes (upāya) para apontar àqueles fatos (Andrade, 2016).
O sofrimento é uma marca de toda e qualquer vida consciente e se espraia por todas as dimensões e aspectos da infindável ronda samsárica da existência sensível em suas inumeráveis transmigrações. A dor do desejo (taṇhā) infinitamente recorrente e eternamente insatisfeito é determinada pela ignorância e determinante da ignorância.
Por se ignorar certas coisas se sofre. Por ignorar a insubstancialidade e a impermanência se sofre. O sofrimento determina a consciência, que determina o corpo, que determina a sensibilidade etc., até o ciclo se fechar novamente na ignorância, como a originação interdependente (pratītyasamutpāda).
Não se trata simplesmente da constatação pungente do evanescer da beleza e da brevidade da vida, que convida a maioria à saciedade. Não. A dor do existir assume a centralidade da vida para o Tathāgata (palavra usada por Buddha para referir-se a si mesmo e a todos os outros Buddha).
Muitos podem encontrar lenitivos para a dor numa plêiade de maneiras, mas o Buddha via de outra forma: a libertação só é possível com o desencanto pelas coisas do mundo, que por sua vez passa necessariamente pela contemplação da impermanência daquelas.
Esta é a condição inegociável da libertação. “Finis passionem principium sapientiae”, "o fim das paixões é o início da sabedoria", se for permitida a apropriação indébita e a modificação da fórmula proverbial bíblica. Aqui, não há compromisso possível.
A impermanência dos seres, dos objetos e de suas relações afetivas e volitivas determina a dor. O desejo de possuir o que não se possui, de não possuir o que se possui; desejo de se aproximar do que se gosta, de se afastar do que não se gosta, de prolongar o prazer, de abreviar a dor e de um sem-número de possibilidades de experimentar as infinitas modalidades do desejo.
Contudo, todos os desejos possuem uma fonte comum, a ignorância. Para o budismo, tanto a sensibilidade quanto os objetos são problemáticos enquanto não se compreender que os dois são, também, vazios e interdependentes, e que a dor, ela própria, é vazia e interdependente: um sonho, uma ilusão que as pessoas se impõem, sendo ela, todavia, interdependentemente também fundamental, necessária, na medida em que é ela que desperta o ser humano para a problemática existencial.
Sem o sofrimento não haveria o saṁsāra, sem o saṁsāra, não haveria o nirvāṇa. O problema verdadeiro, então, como se percebe, vai além da dor: o verdadeiro óbice é a ignorância.
Todavia, enquanto não se alcança aquela claridade de mirada, de acordo com o Tathāgatha, de lá, da impermanência dos sujeitos e das coisas e do desejo de possuí-las ou delas se afastar, só poderia se retirar uma lição: a dor.
Faz-se necessário alcançar um porto seguro contra ela e, num certo sentido, pode-se dizer que todo o esforço de Śākyamuni foi direcionado para este único objetivo: descobrir um remédio para a dor de existir. Buscar compreender a dor, a sua origem, a sua possibilidade de cessação e o caminho para sua cessação é, portanto, o objetivo do budismo, são as suas quatro nobres verdades.
Na história do pensamento ocidental encontramos um lampejo dessa busca pelo saber em Aristoteles, quando este afirma:
“Todos os homens, por natureza, aspiram ao saber. Sinal disso é a estima dos sentidos. Pois, mesmo à parte sua utilidade, são estimados por si mesmos.”
Com essa célebre frase, Aristóteles inicia sua metafísica. Significa dizer que todo homem nasce/existe com a finalidade de conhecer. E esse processo se inicia com os sentidos (audição e visão sendo os mais aguçados).
O reconhecimento da transitoriedade do ser e da realidade já havia sido proposta por Heráclito de Éfeso. E Platão de certa forma assume que tudo que é composto inevitavelmente se decompõe. Heráclito critica Homero quando este diz: “do destino, eu afirmo, jamais homem algum escapou”; e “com razão Heráclito censurou Hesíodo por fazer uns dias bons e outros maus, dizendo que ignorava como a natureza de cada dia é uma e a mesma (Frag. 105-106).
Não é espantoso, no mínimo curioso que Ἡράκλειτος ὁ Ἐφέσιος, Heráclito de Éfeso, que viveu aproximadamente 500 a.C. - 450 a.C. tenha vivido no mesmo século ou muito próximo do tempo que viveu Buddha? Veja por exemplo esses fragmentos de pensamentos de Heráclito, que de certa forma se aproximam dos ensinamentos do Buddha.
“Destes (os períodos anuais) o sol sendo preposto e vigia, define, dirige, revela e expõe à luz as transmutações e horas, as quais traz em todas (as coisas), segundo Heráclito”. 101. IDEM, Contra Colotes, 20. 1 118 C. “Procurei-me a mim mesmo”.
101a. POLÍBIO, Histórias, XII, 27. “Para o deus são belas todas as coisas e boas e justas, mas homens umas tomam (como) injustas, outras (como) justas”.
Buda não é um deus. Ele é um homem comum que conquistou o máximo de sabedoria e, consequentemente, a iluminação. Por isso, o intuito dele sempre foi transmitir aos seus discípulos ensinamentos para a elevação espiritual de acordo com a realidade de cada um. A lógica do “venha e experimente você mesmo” (Santos, 2020).
Segundo histórias e lendas, o príncipe Gautama deixou seu palácio para buscar a verdade e alcançou o estado de Buddha, mais conhecido como Iluminação, “o despertar da consciência”. Viveu até os oitenta anos, e sua morte é conhecida como nirvana, que é “a libertação da samsara”, a Roda da Vida (e das reencarnações), episódios muito representados em esculturas e pinturas desde seu estabelecimento como uma religião. Tal transcendência só poderia ser atingida pelos ascetas brâmanes, jamais por um guerreiro, e muito menos por um príncipe.
Até aqui, temos três camadas de representação desse estado búdico: a da etnia, que representava uma aristocracia dominante, a do Gautama antes do seu despertar, e a do Gautama após o seu despertar.
Nada há que comprove uma mudança física sobrenatural de seu corpo com a Iluminação, e ele mesmo rejeitava qualquer abstração nesse sentido, uma vez que possuía todos os impulsos e pulsões vitais de todos os seres da espécie humana.
Basicamente, o estado de Buddha é tido como inexplicável e impossível de se representar em qualquer forma de expressão visual. Obviamente, porém, por mais que suas primeiras formas mostrassem a sua presença imanente, como pelas suas pegadas (bussoku-seki) ou pela árvore sob a qual despertou, a sua imagem humana acabou tornando-se uma prática naquela cultura. Em meio à rica arte religiosa e naturalista hindu, o não fazer estátuas de Buda já foi uma reação inicial à cultura predominante, mas não ao seu interesse atávico em fisiognomia, divindades e símbolos (Chamas (2015).
A história nos conta que um dia, na sombra da figueira de Bodhgaya (árvore Bodhi) Ficus religiosa L. 1753, durante a meditação, ele conseguiu encontrar explicação para todas as dúvidas que o atormentavam, alcançando a total compreensão da essência da vida e o caminho para o Nirvana. Esse processo é conhecido como iluminação (awakening).
Para o Buddha, a chave para a libertação é a pureza mental e a compreensão correta e, por esse motivo, ele rejeitou a noção de que se conquista a salvação através de uma deidade.
De acordo com o Buddha Gautama (Sidarta), a felicidade desperta do nirvana que ele atingiu está ao alcance de todos os seres.
Segundo a doutrina de Buddha a essência central do budismo são as quatro nobres verdades e estas englobam todos os dharmas.
A Primeira Nobre Verdade refere-se a um sofrimento, conhecido como dukkha, caracterizado por uma dor multifacetada que se expressa tanto como tristeza, insatisfação, aflição, desilusão como desespero, podendo inclusive assumir formas sutis como o tédio ou uma sensação generalizada de que nada corresponde às expectativas. Ou seja, toda existência e tudo o que existe experimenta esse sofrimento. O sofrimento seria fruto do apego gerado do contato entre os sentidos e uma diversidade de fenômenos, sejam eles internos ou externos, essencialmente impermanentes e, por conseguinte, incapazes de providenciar uma satisfação sustentável e duradoura.
A Segunda Nobre Verdade trata-se da constatação das causas do sofrimento (Dukkha). Todas as coisas, realidades e sentimentos existentes tem uma causa. Logo, essa “dor” existencial tem sua causa.
A Terceira Nobre Verdade anuncia que há um caminho que leva ao fim do sofrimento (ao fim de Dukkha). É a cessação.
A Quarta Nobre Verdade detalha o caminho que leva ao Nirvana, a cessação de todo o sofrimento. É a nobre verdade do caminho (Quarta Nobre verdade) que conduz à cessação de todo sofrimento, é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.
Assim, podemos dizer que:
1) Viver é sofrer (viver = sofrimento). Todas as coisa (todas as realidades) não escapam do sofrimento, o sofrimento nasce com as coisas, com os entes.
2) O sofrimento é fruto do apego aos desejos (reconhecimento de uma causa, de uma origem, i.e., todo sofrimento tem uma causa, uma origem nesse mundo);
3) O sofrimento acaba quando se entende a sua permanência e sua imanência (cessação);
4) O sofrimento é totalmente extinto quando se adota posturas corretas (i.e., existe um caminho para extinção do sofrimento).
Em síntese as Quatro Nobres Verdades são:
1)Verdade do sofrimento;
2)Verdade da origem do sofrimento;
3)Verdade da cessação do sofrimento;
4)Verdade do caminho que leva à cessação do sofrimento
A palavra “sofrimento” nesse contexto é a tradução consagrada do sânscrito dukkha, cujo significado mais aproximado seria o de “insatisfação”.
Da verdade do sofrimento à verdade do caminho que leva à cessação do sofrimento, não há nada que seja falso ou enganoso e, portanto, tudo isso é considerado verdadeiro (templozulai).
O Comentário sobre o Tratado da Visão do Meio diz: “As Quatro Nobres Verdades são o ponto de passagem entre a ilusão e a iluminação. Quando elas não são compreendidas, persiste o apego aos Seis Reinos. Se compreendidas, alcança-se a santidade”.
De acordo com o Sutra dos Ensinamentos Legados pelo Buda: “A Lua pode se aquecer e o Sol esfriar, mas as Quatro Nobres Verdades nunca mudarão”.
As Quatro Nobres Verdades estão no cerne da vida. Explicam todos os estados de consciência existentes no universo e ensinam como se libertar de todas as formas de ilusão.
É necessário sabedoria para compreender as Quatro Nobres Verdades. A primeira verdade diz que a vida é cheia de sofrimento. A segunda, que o sofrimento é causado por nosso apego à ilusão. A terceira verdade diz que a iluminação, ou a total libertação do sofrimento, é possível. A última diz como alcançar a iluminação.
As duas primeiras Nobres Verdades têm relação de causa e efeito entre si. A primeira é o efeito; a segunda é a causa. Igual relação existe entre a terceira e a quarta, sendo a terceira o efeito causado pela quarta.
À primeira vista, cabe perguntar por que o Buda colocou as Quatro Nobres Verdades nessa ordem. Não pareceria mais lógico que a segunda e a quarta verdades, ambas causas, viessem antes da primeira e da terceira, que são os efeitos?
Ainda que em ordem diferente, as Quatro Nobres Verdades continuariam sendo compreensíveis. Contudo, a sequência escolhida pelo Buda permite que as verdades sejam ensinadas da forma mais eficaz possível.
Para a maioria das pessoas, é mais fácil entender primeiro o efeito, depois sua causa. Por isso, o Buda apresentou primeiro a verdade do sofrimento e depois explicou a causa do sofrimento.
Assim que se compreendem as duas primeiras Nobres Verdades, é natural querer se libertar delas. Para ajudar-nos a entender como alcançar essa libertação, o Buda ensinou a Terceira Nobre Verdade, que é a cessação do sofrimento, e por fim a Quarta Nobre Verdade, que é o caminho para a cessação do sofrimento.
O Buda começou por descrever o problema, depois explicou sua causa. Em seguida, contou a solução do problema e ensinou como chegar à solução.
Um elemento fundamental dos ensinamentos do Buda é a imensa compaixão que transparece na elaboração de explicações, feitas de modo a serem compreendidas por qualquer pessoa que realmente se empenhe. A Gênese Condicionada e as Quatro Nobres Verdades são verdades muito profundas. Aquele que as estudar longamente vai perceber quão inteligente e quão compassivo foi o Buda, ao conseguir explicá-las de forma tão clara (templozulai).
O Giro Explicativo da Roda do Darma
O primeiro período do ensinamento do Buda é chamado de “Primeiro giro da Roda do Darma” ou “Giro explicativo da Roda”. Foi nessa época que o Buda expôs as verdades básicas em que se fundamenta sua iluminação.
A respeito das Quatro Nobres Verdades, disse ele no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é o sofrimento; tem a natureza “opressiva”. Esta é a causa do sofrimento; tem a natureza de “apego”, “aferro’”ou “acúmulo”. Isto é a cessação do sofrimento; tem a natureza de “compreensão” ou “despertar”. Este é o caminho para a cessação do sofrimento; tem a natureza de “cultivo”.
O Giro Persuasivo da Roda do Darma
O segundo giro da Roda do Darma é também conhecido como “Giro persuasivo da Roda” porque se refere ao período em que o Budaconvenceu seus discípulos a extinguir o sofrimento através da compreensão total das Quatro Nobres Verdades. Nessa época, ele abordou essas verdades da seguinte maneira, no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é sofrimento, vocês devem compreendê-lo. Esta é a causa do sofrimento, vocês devem eliminá-la. Esta é a cessação do sofrimento, vocês devem despertar para ela. Este é o caminho para a cessação do sofrimento, vocês devem praticá-lo.”
O Giro Comprovado da Roda do Darma
O terceiro giro da Roda do Darma também é chamado de “Giro Comprovado da Roda”, porque nesse período o Buda se colocou como exemplo de alguém que havia alcançado a completa iluminação, dizendo que, se ele conseguira, todos poderiam conseguir também.
Nessa época, ele falou da seguinte forma sobre as Quatro Nobres Verdades, no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma):
“Isto é sofrimento, eu o conheço. Esta é a causa do sofrimento, eu já a eliminei. Esta é a cessação do sofrimento, já despertei para ela. Este é o caminho que leva à cessação do sofrimento, já o pratiquei”.
O Buddha é algumas vezes chamado de “O grande médico”, uma vez que os seus ensinamentos podem nos curar do nosso apego doentio à ilusão.
A melhor forma de acabar com o sofrimento é compreender bem as Quatro Nobres Verdades, porque, depois disso, será muito mais fácil entender os outros ensinamentos do Buda.
A compreensão e a prática dos ensinamentos do Buda levam infalivelmente à libertação da dor e do sofrimento.
O Buda é o médico e tem o remédio; só precisamos tomá-lo. As Quatro Nobres Verdades do Buda constituem a cura para o sofrimento humano.
Símbolos e simbolismo
Segundo Chamas (2015) as características de uma imagem de Buda são o resultado do processo milenar que uniu três fatores: as mitologias orientais mais antigas que o budismo, sua capacidade de se adequar às crenças locais e as suas próprias reinterpretações. Após o surgimento das primeiras estátuas que representavam o Buda histórico, o ideal de beleza para um ser que alcançou a Iluminação baseou-se nas antigas “ciências” orientais, predominantemente mentais e de energias sutis.
Enquanto a estética ocidental discutia as idealizações da arte com racionalidade, ignorando um oriente “pagão e supersticioso”, as imagens budistas personificavam estados mentais que o ocidente só cogitaria na sua modernidade. A arte budista transmite o legado ancestral e imutável de chaves místicas da consciência e do equilíbrio.
Nos primeiros seis séculos após sua morte, o Buddha nunca foi retratado em forma humana. Ele só foi representado aniconicamente por uma sinédoque sagrada, suas pegadas, por exemplo; ou um guarda-sol, uma marca auspiciosa de realeza e espiritualidade; ou a Árvore da Sabedoria, também conhecida como a Árvore Bodhi, sob a qual ele obteve a iluminação. Como a imagem do Buda entrou no mundo dos homens? Como se dá um rosto humano a deus, especialmente àquele que nunca foi concebido para ser um deus nem nunca disse uma palavra sobre deus? Como, ao apresentar tal homem em forma humana, alguém acaba criando um objeto de deificação contra-intuitivamente? E qual é o poder de tal objeto?
No Budismo, há muitos símbolos que comunicam muitas mensagens, entre esses símbolos encontramos a lótus azul.
A lótus azul, está ligada ao bodisatva do conhecimento e sabedoria. Um bodisatva ou bodhisattva é um ser iluminado, (sattva, ser + bodhi, iluminado). Tradicionalmente, um bodhisattva é qualquer pessoa que, movida por grande compaixão, gerou bodhicitta, que é o desejo espontâneo de atingir o mesmo status de Buddha para o benefício de todos os seres sencientes.
De acordo com o budismo tibetano, bodhisattva é um dos quatro estados sublimes que um ser humano pode alcançar em vida, sendo os outros três: Arhat, Buddha e Pratyekabuddha.
Manjushri ou Manjughosha, é o bodisatva da consciência perspicaz no budismo, e tem como símbolo a lótus azul. A consciência perspicaz é a que impulsiona o homem a conhecer, a buscar a causa das coisas, a interrogar a natureza. Dizia o poeta latino Publius Vergilio Maro, que viveu entre os anos 70 - 19 a.C, “Felix, qui potuit rerum cognoscere causas” no verso 490 do Livro 2 das "Geórgicas" (29 BC); conhecer a causa implica em desconstruir o senso comum e abandonar os preconceitos, as fórmulas prontas e o conservadorismo ignorante. É uma disposição genuína de buscar a causa que subjaz à todas as realidades.
Quando Percebemos as formas (azul, vermelho, amarelo, branco) em seu próprio corpo, se vê as formas externas, pequenas, belas ou feias; e dominando esses conhecimentos se compreende: “Eu sei, eu compreendo”. Esse é o primeiro estágio da maestria.
Manjushri ou Manjughosha discípulo do Buda histórico Shakyamuni, ele representa sabedoria, inteligência e realização de todos os Buddhas e seres iluminados, e é um dos mais populares bodisatvas depois de Avalokiteshvara.
Juntamente com Shakyamuni e seu colega discípulo Samantabhadra ele forma a Trindade Shakyamuni. Manjushri é um dos Oito Bodhisattvas da Sabedoria e um dos Treze Budas japoneses. No Budismo tibetano, ele é representado por vezes numa trindade com Avalokiteshvara e Vajrapani.
O caminho para dar fim ao sofrimento é o Caminho do meio.
Buda o descreveu em oito partes
1. Perfeita compreensão: compreender as Verdades sobre o sofrimento.
2. Perfeita aspiração: lutar contra o desejo. Inspirar-se em Buddha.
3. Perfeita fala: não contar mentiras, não fazer intrigas, não ter conversas vazias e fazer silêncio.
4. Perfeita conduta: não matar nenhum ser vivo; não roubar; não ser sexualmente promíscuo; não mentir; não usar álcool ou drogas.
5. Perfeito meio de subsistência: escolher um trabalho que não contradiga a doutrina budista.
6. Perfeito esforço: expulsar pensamentos destrutivos.
7. Perfeita atenção.
8. Perfeita contemplação: Meditação.
Representação de Buda no seu primeiro sermão após se tornar iluminado.
A Roda da Lei, símbolo do Budismo, simboliza o ciclo de renascimento, chamado Dharma.
Segundo os budistas, Buddha colocou a roda do Dharma em movimento.
A roda com oito raios simboliza os oito ensinamentos
de Buddha. São eles:
1. Entendimento Correto.
2. Pensamento Correto.
3. Linguagem Correta.
4. Ação Correta.
5. Modo de Vida Correto.
6. Esforço Correto.
7. Atenção Plena Correta.
8. Concentração Correta.
Antiga bandeira Sikkin (antigo reino de Sikkin, NE Índia).
As Cores da Flor de Lótus e seu significado
No budismo a flor de lótus é considerada sagrada e o emblema da transformação espiritual e o progresso da alma até alcançar a iluminação. Por isso esta flor está associada ao Buddha. A flor de lótus apresenta pétalas coloridas que podem ser branca, rosa, vermelha e azul entre outras.
Devido a peculiar característica de abrir as suas pétalas pela manhã e fechá-las ao anoitecer, os egípcios acreditavam que a flor de lótus continha a chave o conhecimento da criação do universo.
Lótus Branca
A flor de lótus branca está relacionada com a perfeição do espírito e da mente, estado de pureza total e natureza imaculada. Normalmente é representada com 8 pétalas.
Lótus Rosa
A flor de lótus rosa é a mais importante e especial de todas as lótus, estando relacionada com a divindade, representa o Buda na terra para os budistas, e a base onde está sentada a deusa Lakshmi, a deusa da riqueza na cultura hindu. Para ambos, a flor de lótus significa a pureza da alma, o caminho para a libertação da ilusão dos desejos e da matéria. A lótus rosa é o emblema de tudo que é mais sagrado e digno de ser seguido e reverenciado como o Grande Buddha.
Lótus Vermelha
A flor de lótus vermelha está associada à amabilidade, à gentileza, à inocência, a pureza, a honra, e a natureza original do coração. A flor de lótus desta coloração simboliza o amor, a paixão e compaixão, sentimentos relacionados ao coração. É também conhecida como a flor do Buddha da Suprema Compaixão, Avalokitesvara.
Lótus Azul
A flor de lótus azul representa a vitória do espírito sobre a tentação dos sentidos, e por isso é o emblema da busca da sabedoria e do conhecimento. A lótus azul era muito reverenciada pelos antigos egípcios, quando fechada ou em botão é símbolo das infinitas possibilidades do homem, e quando aberta representa a criação do Universo.
Roda da carruagem do Sol. templo do Sol em Konark
Base de uma mandala, China, Dinastia Ming.
Cleveland Museum of Art.
Devido a tudo que foi exposto, pensado, ensinado e zelosamente guardado, e por isso mesmo, o conjunto dos ensinamentos do Buddha tem o peso de "verdades".
Segundo Andrade (2016) não compreender a centralidade do sofrimento (duḥkha) implica desprezar a pedra angular e incontornável que alicerça todo o edifício do budismo. Para o Buddha, viver qualquer tipo de vida que não aquela conducente à libertação é sofrer. A única alternativa à dor é reunir as condições metodológicas necessárias para extirpá-la, consubstanciada na alternativa de vida proposta por ele, uma vida de evitação de todo excesso e de todo desejo e prazer.
Fontes
(Publicado em 22/VII/2022, atualizado em 16/VIII/2022)
21 julho 2022
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