INÍCIO

15 outubro 2024

O SONO DAS INSTITUIÇÕES

O SONO DAS INSTITUIÇÕES



Eu acredito que exista uma diminuição da esquerda na periferia e proletariado em geral no Brasil a julgar pelos resultados das eleições. 
Esse fato ocorre devido à mudanças acentuadas que estamos presenciando no mundo do trabalho, a desregulamentação, a pobreza, a precarização, a informalidade, as redes sociais desregularas que despejam ódio e desinformação, a panacéia do  “empreendedorismo” a ausência de amparo legal ao trabalhador e sobretudo a vantagem do capital sobre os direitos do trabalhador. 
E não pela ESQUERDA que não tem o que dizer. Quando haviam sindicatos fortes a organização estava em certa medida garantida. Hoje, não há mais organização. 
Quem tentar dispensar esforços para organizar tem que se ver com retalhos, restos de um resido rasgado e dilacerado. É como tentar organizar os buracos num queijo suíço. Quase impossível. 
Há muito esforço sendo feito mas o resultado é pouco justamente pelas razões históricas que já conhecemos, o proletário não detém a mídia, a justiça privilegia quem detém o capital, etc. Enfim, há muita coisa a se fazer e uma frente muito ampla a se atacar e pouco tempo e pouco espaço. 

O sono das instituições, o sonho
Mas as instituições ainda que vigiem o fazem com um olho só. O outro dorme e sonha, como já mostrava Francisco de Goya na sua série de gravuras intitulada: “O sono da razão gera monstros”. Nesse caso a razão seriam as instituições que ao sonharem geram um monstro o fascismo que germina no solo fértil da ignorância e desconhecimento da história. Nesse sonho também há o flerte das instituições com o próprio mal, pois no capital reside sua origem o mesmo capital que fascina tudo e todos. 

Francisco de Goya. Capricho num. 43, “El sueño de la razón produce monstruos”.
Francisco de Goya.

O sono da razão engendra monstros, essa frase vem de uma gravura de Francisco José de Goya y Lucientes pintor e gravador espanhol, que nasceu em 1746 e faleceu em 1828. 
Numa série de gravuras intituladas Caprichos, há uma gravura em água tinta chamada de Capricho num. 43, “El sueño de la razón produce monstruos”. 

Goya, manifesta um encantamento pela forma como os desejos fluem na sociedade desligada do sentimento de culpa, ou seja, exatamente o inferno do mundo moderno. Ele também era capaz de entender seus horrores.

A gravura em questão, Capricho no. 43, intitulado “o sonho (sueño) da razão produz monstros”, mostra uma figura adormecida sentada em uma cadeira cujo torso se inclina sobre essa estrutura que parece ser uma mesa ou um grande bloco de pedra cúbica. Atrás da figura aparecem animais que povoam contos de horror como morcegos e corujas agourentas e aves de rapina.

O termo sueño possui um duplo sentido, o de “sono” e o de “sonho”, o que autoriza uma dupla interpretação dessa frase. 

Essa dupla interpretação pode ser chamada de dualidade ou ambiguidade, isto é, “el sueño de la razon” tanto pode significar que sem a razão as ações humanas descambam para a violência dos apetites instintivos, uma vez que a razão (a razão prática aludindo a Thomas de Aquino) nos encaminha para as virtudes, quanto que mergulhar a razão, no sono, é igualmente uma experiência capaz de gerar monstros. (Fecho parêntese da explicação da gravura).

O êxito fascista das pesquisas e das urnas de ontem, hoje e o de amanhã, resulta de crimes de toda ordem. Tal como os fascistas do passado, (e é seguro dizer os do presente e aqueles do futuro), a extrema-direita devora artigo por artigo das legislações democráticas, tornando-os ineficazes. E como eles fazem isso? Com a anuência dos homens que estão nas instituições democráticas, aqueles que deveriam salvaguardar a razão.








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