O FASCISMO É O MÉTODO DE MANUTENÇÃO DO CAPITALISMO
"A extrema-direita de hoje não é a farsa ou a tragédia do passado fascista, mas o reflexo do esgotamento tardio do capitalismo em seu estágio superior, contexto no qual suas contradições assumem a face exclusiva do horror".
Evaristo Sa, citado por Morais (2024).
O Capitalismo é um sistema em que predomina a propriedade privada e a busca constante pelo máximo lucro e pela acumulação de capital, que se manifesta na forma de bens e dinheiro. É isso se dá através da exploração seja do meio ambiente ou de outro ser humano. Apesar de ser considerado um sistema econômico, o capitalismo estende-se aos campos políticos, sociais, culturais, éticos e muitos outros, compondo quase que a totalidade do espaço geográfico. É desses tentáculos, que se espalham por todas as atividades humanas que tem origem uma fácie desse sistema: o fascismo.
A base para formação, consolidação e continuidade do sistema capitalista é a divisão da sociedade em classes. De um lado, encontram-se aqueles que são os proprietários dos meios de produção, a burguesia; de outro, encontram-se aqueles que sobrevivem pela venda de sua força de trabalho, através do recebimento de salários: os proletários. Estes são explorados ao máximo pois o único objetivo do capitalismo é extrair o máximo de lucro explorando a mão de obra do proletariado.
No meio agrário, essa relação também existe, pois os donos das terras, geralmente latifundiários, obtém lucros explorando a força do trabalho dos camponeses.
Nesse sistema existe o ímpeto de acumulação descontrolada do capital ou a ideia de sua reprodução infinita. Ora, nada infinito pode existir num mundo finito, onde os recursos são finitos e onde dependemos da natureza para nossa própria sobrevivência.
Tanto burgueses quando proletariado necessitam da natureza para viver, sobreviver e reproduzir-se como espécie. Esse sistema sobrevive pela produção de crises. Crises que são chamadas de “crises financeiras, crises econômicas” etc; no entanto essas crises são produzidas pelas ações dos capitalistas sobre outros capitalistas na forma de concentração de capital (uma grande empresa que domina certa fatia do mercado inicia uma diversificação e acaba competindo com outra e nesse processo de acumulação descontrolada acaba adquirindo empresas menores, monopolizando aquele setor. Outras empresas sentem-se ameaçadas iniciam uma espécie de guerra interna no sistema). Essas crises leva sempre ao desemprego, injustiça social, diminuição do salário etc. O lado pragmático da ciência, a tecnologia também leva ao desemprego uma vez que um processo antes executado por dez trabalhadores agora necessita apenas um ou nenhuma mão de obra.
Nesse mundo onde o capital finacia as instituições ou é a base de quase tudo, tudo que essas instituições são responsáveis estão permeadas pela ideia e ética capitalista. O pensamento ou a ideia de “lucro sempre” gera um novo modo de se relacionar com o mundo: o fascismo. O fascismo é então o que mantém o capital na sua trilha no seu rumo, destruindo mais triturando tudo que toca: o direito, as leis, a liberdade, os direitos humanos, os salários, tudo é transformado e ressignificado. E quando esse ímpeto irá saciar-se? Quando isto tudo vai parar? Quando toda vida, toda natureza e toda a humanidade estiverem destruída. (ACP).
Abaixo, transcrevemos alguns trechos do livro
de José Luiz Del Roio, 1987 (1).
(…) Teríamos que chegar no ano de 1934, quando o fascismo já havia conquistado o poder na Alemanha e se espraiava rumo a vários outros estados e ameaçava toda a Europa e o mundo, para que no interior da Internacional Comunista se retomasse com vigor o projeto de encontrar um novo caminho para deter este perigo. Foi no XIII plenum, em dezembro de 1933, que surgiu a enunciação mais clássica e conhecida de que “o fascismo no poder é a ditadura terrorista e descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. Ela foi feita pelo novo dirigente máximo da I.C., G. Dimitrov que acabava de sair dos cárceres nazistas.
(…) Antes de mais nada fica claro o conteúdo de classe da ditadura fascista. Ela é exercida em benefício de um setor do capital financeiro. Segundo W. Lenin, o capital financeiro é o resultado da fusão dos bancos com as indústrias, no momento da concentração da produção e da formação dos monopólios. Esta é uma das características que definem a fase imperialista do capitalismo. Portanto o surgimento do fascismo está ligado ao desenvolvimento do imperialismo.
(…) Com a violência e com a concentração de renda, o capital financeiro consegue uma reorganização de todos os setores das classes dominantes e impõe a sua hegemonia, assumindo a liderança, por bem ou por mal de todo o bloco burguês. Sendo assim o fascismo ao poder não é a substituição pura e simples de um governo burguês por outro, mas uma reestruturação, uma modificação de forças no interior da classe dominante e a transformação da forma de dominação e do aparelho do estado, instaurando uma ditadura terrorista e descarada. E o que quer dizer terrorista e descarada? Quando é exercida de forma clara, sem subterfúgios, que não seja da intoxicação de uma propaganda mentirosa. É quando arrebentam e põe sob controle as organizações proletárias, sejam sindicatos, círculos, ligas etc; quando ilegalizam os partidos que possam representar os trabalhadores ou setores da burguesia opositora, quando implantam a rígida censura e fecham ou enquadram qualquer tipo de organismos representativos. E isso tudo é feito de forma terrorista, através de prisões arbitrárias, torturas em massa, desaparecimentos, esquadrões da morte, forçando o exílio dos opositores, criando o terror de estado.
(…) Para nossa infelicidade, a questão do fascismo é algo ainda muito atual e próximo de nós. Poderia esperar-se que ele tivesse sido enterrado nas ruínas de Berlim. Mas não foi assim. Depois dos primeiros julgamentos condenando os fascistas, tanto aqueles que materialmente cometeram os crimes, quanto aqueles que os inspiraram – os dirigentes dos grande monopólios – a máquina da justiça foi sendo entorpecida. A razão deste procedimento encontramos no desencadeamento da guerra-fria, e muitos dos criminosos voltaram a ocupar cargos em partidos políticos, em sedes governamentais e militares e o que é mais grave, voltaram a dirigir grandes complexos econômicos nos países capitalistas.
É verdade que nenhum deles – a não ser poucos participantes de grupos minoritários – se auto-intitulava de fascista. A repulsa da humanidade por este tipo de gente era grande demais. Porém, as mesmas fontes que geraram o fascismo, continuaram ativas e por todos estes quarenta anos, fenômenos de partidos e governos fascistizantes continuaram a renascer.
(…) Mais uma vez a luta e o sacrifício da força da democracia afastaram o fascismo do poder, mas ele é uma besta com capacidade de renascer e se reproduzir, pois o terreno que o alimenta continua fértil. Portanto é preciso que cada brasileiro, imprima no seu cérebro e no seu coração as palavras: “FASCISMO NUNCA MAIS”. (instituto)

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