INÍCIO

11 dezembro 2023

O PATRIARCADO E A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

FEMINICÍDIO E PATRIARCADO 

Autores que recriminam a violência doméstica contra a mulher, o feminicídio e a  misoginia, erram ao imaginar honestamente que a violência masculina seja desdobramento de uma educação sexista, destacada da realidade, ou de uma real violência essencial promovida pela bioquímica masculina (pelos altos níveis de testosterona) nos corpos masculinos. (Diálogo com um amigo).

(Google imagens)

Na realidade, a cultura patriarcal que se estabelece na contemporaneidade resulta do malogro das promessas da modernidade, que foi alardeada por parte dos iluministas.

Malogro da universalização da fraternidade e malogro da igualdade entre todos os seres humanos. A tecnociencia não nos trouxe a felicidade mas melhores formas de infligir dor e violência, e claro maneiras mais rápidas de cura para a violência e estresse produzido por esse conhecimento posto a serviço do ódio e da dor. 

A violência contra o corpo feminino está profundamente banalizada nas estruturas patriarcais da própria modernidade, como bem explica Cunha (2014), quando afirma que: 

“A violência contra a mulher é um fenômeno histórico, fruto das relações de desigualdade de gênero, as quais, conjuntamente com as desigualdades de classe, raça e sexualidade, estão imbricadas aos interesses do modo de produção capitalista. 
Não é possível analisar as relações de gênero sem compreendê-las em seu contexto histórico, econômico e social. Quando analisadas na ordem patriarcal, é preciso percebê-las dentro e a partir das desigualdades de classe, raça e sexualidade, sem hierarquizá-las, já que estas são também eixos estruturantes da sociedade e encontram-se amarradas umas às outras. 
No nó que formaram ao longo da história, estas contradições manifestam características distintas se tomadas isoladamente do todo (…).

Os corpos femininos são tão coisificados que os direitos humanos não sei se não os o penetram ou se seus corpos são tão diáfanos que não percebem a mulher como um ser igual ao homem, mas uma coisa. Uma coisa para atravessar. Atravessar com o falo (no estupro), com uma faca, punhal, projétil, bala de revólver…  Esse é o legado do patriarcado, a violência e o apagamento, o silenciamento e a segregação do diferente. 

O patriarcado tem o peso de um termo meio rebuscado, mas seu significado pode ser simplesmente resumido em uma palavra: apagamento. O conceito se refere à desigualdade de poder entre homens e mulheres, o que basicamente submete esse segundo grupo ao lugar de submissão e invisibilidade. Basta prestar atenção na história (purebreak).

Ao contrário das reportagem que vinculam a diminuição da violência à uma educação melhor, não é a educação anti-machista que formará nova masculinidade. 

É a violência de uma revolução moderna sobre as estruturas patriarcais que produzirá a masculinidade e a feminilidade fraterna e igualitária. E não se pode esperar, é necessário iniciarmos agora a luta para que o último dia da violência e do apartaide sexista termine. 

Paulo Freire sabia bem que por conta própria a educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas. As pessoas mudam o mundo (Brandão, 2008). Para isso Freire não legou à educação libertadora e promotora da felicidade. 



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