WISLAWA SZYMBORSKA
(1923- 2012)
Wisława Szymborska, nascida Maria Wisława Anna Szymborska; Kórnik, 2 de julho de 1923 em Cracóvia, e faleceu em 1 de fevereiro de 2012.
Sua família mudou-se para Cracóvia em 1931, onde ela viveu a maior parte de sua vida.
Quando criança, passava as férias com sua irmã, Maria Nawoja nas montanhas da cidade de Zakopane, ao sul da Polônia, onde seu pai, Vincent Szymborska, havia sido administrador de uma propriedade do conde Zamoyski (hoje um parque nacional).
Ela cursou clandestinamente o segundo grau durante a ocupação nazista e em 1945 começou a estudar literatura e sociologia na Universidade Jagiellônica de Cracóvia, mas devido a dificuldades financeiras não terminou os estudos. Enquanto frequentava a universidade, ela conheceu Czeslaw Milosz (um poeta polonês muito famoso, ganhador do Nobel em 1980) que certamente foi uma grande influência no campo da literatura.
Wislawa se casou em 1948 com um colega poeta, Adam Wlodek, mas depois de cinco anos se divorciou. Aos 44 anos conheceu Kornel Filipowicz, também escritor polonês, e viveram 23 anos juntos. Wislawa não se casou com ele, mas eram amantes e ótimos companheiros de vida. Quando o escritor faleceu, descreveu seu relacionamento com ele com a frase: “éramos cavalos que galopam lado a lado”.
Wisława Szymborska (Maria Wisława Anna Szymborska), 1923 - 2012.
Deixo aqui estes dois belos poemas da polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996, que faleceu em 2012 aos 88 anos. Ambos de uma grande profundidade e de um amplo horizonte que nos faz pensar no homem e na filosofia.
I
Somos filhos da época
e a época é política.
Todas as tuas, nossas, vossas coisas
diurnas e noturnas,
são coisas políticas.
Querendo ou não querendo,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.
O que você diz tem ressonância,
o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro político.
Até caminhando e cantando a canção
você dá passos políticos
sobre um solo político.
Versos apolíticos também são políticos,
e no alto a lua ilumina
com um brilho já pouco lunar.
Ser ou não ser, eis a questão.
Qual questão, me dirão.
Uma questão política.
Não precisa nem mesmo ser gente
para ter significado político.
Basta ser petróleo bruto,
ração concentrada ou matéria reciclável.
Ou mesa de conferência cuja forma
se discutia por meses a fio:
deve-se arbitrar sobre a vida e a morte
numa mesa redonda ou quadrada.
Enquanto isso matavam-se os homens,
morriam os animais,
ardiam as casas,
ficavam ermos os campos,
como em épocas passadas
e menos políticas.
“Filhos da época” In: Wislawa Szymborska. Poemas. Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
II
A Mulher de Lot (Żona Lota 1976)
Dizem que olhei para trás de curiosa.
Mas quem sabe eu também tinha outras razões.
Olhei para trás de pena pela tigela de prata.
Por distração – amarrando a tira da sandália.
Para não olhar mais para a nuca virtuosa
do meu marido Lot.
Pela súbita certeza de que se eu morresse
ele nem diminuiria o passo.
Pela desobediência dos mansos.
Alerta à perseguição.
Afetada pelo silêncio, na esperança de Deus ter mudado de ideia.
[...]
A casa onde nasceu Wisława Szymborska, em Prowent, hoje parte de Kórnik, Polônia.
Fonte




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