INÍCIO

29 outubro 2023

HOMENAGEM A ANTINOUS

ÉPOCA DA PASSAGEM DE ANTINOUS 
AO MUNDO DOS DEUSES

Antínoo ou Antinous (110 - 30/X/130 d.C.). Historicamente, por diversas razões, incluído, machismo, preconceito entre elas, não se tem muitos registros do jovem Antínoo. Mas sabe-se que ele nasceu na Bitínia, na atual Turkye, por volta de 110 d.C. Ainda na adolescência, ele se tornou amante e companheiro do imperador romano Hadriano (24/I/76 - 10/VII/138 d.C) (Públio Élio Adriano; Publius Aelius Hadrianus).

Não se sabe ao certo, exatamente quando o jovem Antinous, com idade entre 19 e 20 anos, caiu no rio Nilo morrendo afogado. Ao entregar sua vida ao Rio Nilo, foi transformado em um Deus imediatamente, segundo uma crença egípcia antiga.
 
Vinte dias após a morte de seu grande amor, Hadriano deificou Antínoo e fundou um culto organizado dedicado à sua adoração que se espalhou por todo o Império romano. Além disso, Hadriano fundou uma cidade, Antinoópolis ou Antinoé perto do local da trágica morte de Antínoo, que se tornou um centro de culto para a adoração de Osíris-Antínoo. 

Hadriano também fundou jogos em sua comemoração para acontecer tanto em Antinoópolis quanto em Atenas, com Antínoo tornando-se um símbolo dos sonhos do pan-helenismo de Hadriano. 

Acredita-se que essas festas tinham como objetivo lembrar da pessoa do jovem Antinous, agradá-lo, para que ela protegesse os rapazes de todo o império e o próprio império na figura do imperador. Durante a cerimônia de abertura dos jogos como nas panateneias, jogos que eram realizados em honra a deusa Athená, passava no Nilo um navio ornado com flores e instrumentos de caça, um busto do jovem Antinous. As mulheres carregavam cestos com seus utensílios para serem abençoados; os rapazes, carregavam vasos com óleo e vinho; e os velhos, ramos de oliveira. Reverenciavam ao homem tornado Deus, Antinous, símbolo da humanidade e do humanismo, símbolo da perseverança, inteligência, jovialidade e busca pela felicidade. 

A adoração a Antínoo provou ser um dos cultos mais duradouros e populares de humanos divinizados no império romano em toda sua história e os rituais continuaram a ser realizados em sua homenagem, muito depois da morte de Hadriano, extinguindo-se com o advento de outra religião que cultuava um outro homem-deus. Com o imperador Constantino, em 313, concedendo liberdade de culto aos cristãos e, em 380, com o Edito Tessalônico, do Imperador Teodósio, proclamando o cristianismo religião oficial do Estado, diminuiu muito o culto a Antinous. A extinção total ocorreu em 391, com o Edito de Milão, de Teodósio, que colocou todo culto pagão fora da lei.

O culto do Deus Antinous-Osíris ou Osíris-Antinous foi o último culto pagão da antiguidade clássica que alcançou todo o império romano. 

Tratava-se de um culto humanista, baseado nos mistérios órficos e nos mistérios de Eleusis, que se preocupavam em tranquilizar o homem em relação a morte e o bom cumprimento do propósito do homem na Terra, i.e., ser feliz, viver com justica, igualdade, liberdade, fraternidade e sabedoria.

Antínoo ou Antinous, se tornou símbolo do amor homoafetivo masculino na cultura ocidental, aparecendo em obras de diversos artistas, tais como Oscar Wilde e Fernando Pessoa. Apesar de ter sido extinto o culto, existe até hoje. 



Salve! Óh Antinous Homem-Deus de beleza incomparável, força e suavidade jovial! 
Salve! Óh Antinous Homem-Deus, herói, vitalidade plena, cheio de desejos, e de amor.
Salve! Óh Antinous Homem tornado Deus, protetor dos jovens LGBTQIAP+ e dispensador de todo tipo de amor, pleno de alegria, bondade, fraternidade e igualdade.
Salve! Ó Antinous o Deus-homem que veio para nos mostrar o caminho para os campos Elíseos.

































Notas do “Pensar na História” 

O Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro conserva uma das mais importantes obras da Antiguidade Clássica existentes no país. Trata-se do busto de Antínoo — o amante do imperador Adriano, que foi elevado ao status de deus do Império Romano após sua morte trágica.

Antínoo nasceu por volta do ano 110 d.C. em Claudiópolis, na província romana da Bitínia, norte do atual território da Turquia. Descendia de uma família de origem grega, provavelmente dedicada à lavoura ou ao comércio.

Antínoo conheceu Adriano durante uma viagem do imperador à Ásia Menor em meados da década de 120. Por determinação de Adriano, Antínoo foi enviado para a Itália, a fim de estudar no Pedagógio Imperial da Colina Célio.

Não se sabe que idade Antínoo tinha quando se tornou o favorito de Adriano, mas é provável que o relacionamento tenha se iniciado por volta do ano 126 ou 127, depois que o imperador retornou a Roma e se fixou na Vila Adriana em Tibur.

Adriano era casado com Víbia Sabina, sobrinha-neta de Trajano, mas o casamento era infeliz e não resultou em filhos. Antínoo se tornaria o verdadeiro companheiro amoroso do imperador, estando mais presente em seu cotidiano do que a imperatriz.

Conforme relatado por Royston Lambert, Antínoo foi "a única pessoa com quem Adriano se conectou mais profundamente ao longo de toda a sua vida". O imperador chegou a escrever textos exaltando a beleza e as habilidades atléticas e intelectuais de Antínoo.

O jovem acompanhou Adriano em inúmeras viagens, cerimônias, festas e eventos. Excursionaram pelo norte da África e participaram das celebrações dos Grandes Mistérios de Elêusis em Atenas. Em seguida, viajaram pela Ásia Menor e visitaram o sarcófago de Alexandre no Egito.

Na Líbia, Alexandre e Antínoo caçaram um leão que estaria afligindo a população local. Durante a caçada, o imperador alegadamente salvou a vida de Antínoo. Para celebrar o feito, mandou esculpir um tondo reproduzindo a cena e o colocou no Arco de Constantino em Roma.

Antínoo faleceu em outubro do ano 130, quando acompanhava Adriano e sua comitiva em uma viagem ao Egito. O jovem tinha por volta de 20 anos de idade. As circunstâncias de sua morte são obscuras, envolvendo diversas hipóteses.

O relato mais difundido é o de que Antínoo teria se afogado após cair de uma embarcação que navegava no Rio Nilo. Boatos da época diziam que Antínoo teria sido assassinado por uma conspiração de burocratas incomodados com o relacionamento entre o rapaz e o imperador.

Outra hipótese aventada é a de que Antínoo teria se suicidado por preocupação com a saúde de Adriano, que há anos estava doente. Havia uma crença generalizada no Império Romano de que a morte de uma pessoa poderia ajudar a revitalizar a saúde de outra.

Seja qual for a causa, a morte de Antínoo abalou profundamente Adriano. O imperador ficou devastado com a perda e buscou homenagear a memória de seu favorito de todas as maneiras possíveis. Adriano mandou esculpir estátuas e cunhar moedas com a efígie de Antínoo.

Batizou uma estrela com o nome de seu amante e renomeou uma espécie de lótus que crescia às margens do Nilo como "flor de Antínoo". Ainda em outubro de 130, Adriano emitiu um decreto elevando Antínoo ao status de deus e ordenou a criação de um culto em sua honra.

O imperador também ordenou a construção de uma cidade no local onde Antínoo havia falecido. Intitulada Antinoópolis, a cidade seguia o modelo urbano helênico de planta ortogonal. Era embelezada com colunas e inúmeras estátuas de Antínoo.

Para facilitar a assimilação do culto pelos egípcios, forjou-se a divindade de Osíris-Antínoo, adorada no templo da cidade. O culto a Antínoo se espalhou por todo o Império Romano, do Egito ao Noroeste da Europa, passando por Grécia e Ásia Menor.

Antínoo era frequentemente sincretizado com as figuras de Mercúrio e Baco. Vestígios de adoração a Antínoo foram encontrados em mais de 70 cidades da Antiguidade e ao menos 28 templos foram erguidos em sua homenagem.

Especula-se que a popularidade do culto de Antínoo devia-se ao fato de ser uma divindade que era originalmente um ser humano comum, o que o tornava mais relacionável, mais fácil de se identificar.

Os paralelos com os personagens jovens e belos da mitologia greco-romana, presentes no imaginário erótico da Antiguidade Clássica, também fomentaram o interesse pela nova divindade entre os mais jovens. Antínoo inspirou artistas e escritores por séculos. 

Também se tornou um dos personagens mais representados da Antiguidade Clássica. Mais de uma centena de estátuas antigas retratando-o chegaram aos nossos dias, o que o torna a terceira figura mais retratada do Império Romano, atrás apenas dos imperadores Augusto e Adriano.

O culto a Antínoo entrou em declínio a partir do século IV d.C., em meio à consolidação do cristianismo no Império Romano. O influente poeta cristão Prudêncio denunciou sua adoração como blasfêmia em 384.

Outros ideólogos cristãos passaram a atacá-lo, criticando as origens mundanas de seu culto e condenando-o como uma divindade ligada a comportamentos alegadamente imorais. Ao longo da Idade Média, parte substancial das estátuas de Antínoo foram destruídas pelos cristãos.

A obra é um dos raros bustos de Antínoo apresentando características do helenismo fictício da época de Adriano. No busto, Antínoo é retratado com atributos do deus Baco, ostentando uma coroa de folhas de parreiras e uvas.

O busto pertence a um conjunto de artefatos que foram encontrados em um sítio arqueológico em Veios, em uma escavação patrocinada pela imperatriz Teresa Cristina. Parte substancial desse conjunto foi remetido para o Brasil em meados do século XIX, incluindo-se o busto.

Em 1880, Teresa Cristina doou o busto para a Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1937, a peça foi transferida para o acervo do Museu Nacional de Belas Artes, onde permanece até hoje.






































































Fonte 















































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