Céu de gelo
Sinto-me como se amanhã minha vida chegasse ao fim
Eu cheguei na margem de um abismo
Do abismo insondável para a mente humana
Sozinho
Como vim ao mundo
Ouço apenas o som do tambor
Batidas compassadas graves e calmas
As notas do vento, metálicas, frias
É um paradoxo
Estar vivo e estar ali
Frente ao inexpugnável
Inefável
Solitário
Em silêncio
O vento frio
(Foto Paim, 10/VI/2022)
Pelas praias, além, pelas montanhas,
Triste como um gemido, ecoa um grito.
Por vales verdejantes, entre as folhas,
O gênio antigo suspirando foge,
Choram as ninfas nos bosques desoladas.
(Milton, Hino à Natividade)


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