INÍCIO

11 junho 2022

CÉU DE GELO

 



Céu de gelo


Sinto-me como se amanhã minha vida chegasse ao fim 
Eu cheguei na margem de um abismo 
Do abismo insondável para a mente humana

Sozinho 
Como vim ao mundo
Ouço apenas o som do tambor 
Batidas compassadas graves e calmas 
As notas do vento, metálicas, frias

É um paradoxo
Estar vivo e estar ali
Frente ao inexpugnável 
Inefável 
Solitário 
Em silêncio 

O vento frio 

(Foto Paim, 10/VI/2022)



Pelas praias, além, pelas montanhas, 
Triste como um gemido, ecoa um grito. 
Por vales verdejantes, entre as folhas,
O gênio antigo suspirando foge,
Choram as ninfas nos bosques desoladas.
(Milton, Hino à Natividade)














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