INÍCIO

15 novembro 2021

UNS PROCURAM NO LIXO

Uns procuram no lixo 


Uns procuram 
No lixo solidariedade 
Inclusão 
Dignidade
O que encontram 
Indiferença 
Escárnio 

Na mesa do mundo neoliberal 
Sobra ódio, opressão, exploração 
Desprezo 

A comida 
Os restos 
O que sobrou
Para alimentar o corpo 
A alma ficou perdida 

Outros não veem 
Seu silêncio é o eco 
Do ódio, do racismo
Eco das engrenagens em que todos 
Foram tragados 
O ódio racista, alienante 
Naturalizante 

Se um tênue raio de luz 
Pousasse em seus espíritos 
Não mais do que uma fagulha 
Num braseiro extinto 
Forneceria claridade para que 
Percebessem em que escuridão 
Vivem 

Não pode haver vida 
Enquanto o outro sofre 
A carência do mais básico 

























Da minha janela

Da minha janela 
Sou a fome 
Sou o silêncio 
Sou o que falta 
Sou o que não vê 
Sou aquele que não sente 


Pela minha janela 
O mundo entra 
Entra com sua escuridão 
Seu mecanismo infernal sistêmico 

Seu particípio irregular 
Há fome
Há invisibilidade 
Há esquecimento
Sendo


















 

Nenhum comentário: