ROUND 6:
uma reflexão
CAPITALISMO SELVAGEM
=
NEOLIBERALISMO
=
ROUND 6
Round 6 e a ilusão da liberdade econômica no mundo capitalista. Os comentários em relação a série norte-coreana, “Round 6” feitos por norte coreanos, apareceram logo após o próprio criador de Round 6 (Squid Game) ter deixado claro que a série da Netflix é, de fato, uma crítica ao capitalismo.
Round 6 (Squid Game) faz as pessoas perceberem a triste realidade da bestial sociedade capitalista (sul-coreana e em todos os lugares do planeta), na qual os seres humanos são levados a uma competição extrema e sua humanidade é exterminada”.
A série “Round 6” levanta muitas questões:
Até onde nós permitiremos sermos comandados pelo capital em sua forma abstrata o fetiche e o dinheiro?
Quanto de nosso corpo, da nossa vida, é sugada para manter a elite se divertindo e vivendo enquanto todos os andares abaixo sobrevivem se explorando mutuamente?
Quanto de sangue e de vida permitiremos ser sugada de nossos corpos pela alta burguesia enquanto sobrevivemos de migalhas?
O que todos deveríamos fazer para termos vida ao invés de passarmos nossos melhores anos de nossa existência servindo de escravos para uma elite escravocrata, tacanha e ignorante?
Poderei eu acalentar algum sonho imaterial além do consumo?
Como poderei viver uma vida com a qual sempre sonhei?
Depois de começar, sendo servo-autômato-explorado eu poderia parar?
E no final, valerá a pena, ter vivido essa vida de proletário explorado a vida toda?
(…)
Mesmo os trabalhadores, soldados e gerentes em macacões vermelhos, que parecem estar no comando, estão no final das contas apenas no poder (e vivos) enquanto atenderem às necessidades do sistema. Como tantos gerentes de baixo nível, muitos exercem sua pequena quantidade de poder impiedosamente, atirando nos jogadores com impunidade ou comandando seu trabalho paralelo de colheita de órgãos. Logo fica claro que eles são tão dispensáveis quanto os jogadores, se não mais, e o Líder atira neles sem hesitar.
(…)
No capitalismo os empregados trabalham alienando-se. O empregador vê o empregado como uma coisa, um recurso e/ou despesa sem o aspecto humano.
O capitalismo, desperta e fomenta em todos nós características muito perversas de personalidade como:
alienação, competição, egoísmo, ganância, inveja, machismo, sexismo, misoginia e resignação.
Nos burgueses o capitalismo desenvolve especialmente naqueles mais ricos a sensação de isolamento, mania de grandeza, cinismo e paranóia.
Desenvolve a obsessão pelo crescimento contínuo do lucro, desconsiderando danos e danos ao meio ambiente (atual e futuras gerações). Vivemos esse tipo de obsessão pela implantação de uma mina de carvão à céu aberto na cidade de Guaíba, ao lado de Porto Alegre. Essa mineração afetará o lençol freático e mobilizará compostos nocivos à saúde humana e do meio-ambiente.
No capitalismo até o uso do agrotóxico para maior produtividade de alimentos é justificada em nome do lucro e da acumulação de capital, desconsiderando a saúde humana e de toda a teia alimentar e a perpetuação do ambiente.
O lucro econômico é um dos maiores inimigos dq natureza.
Esta estrutura capitalista funciona como um poderoso formador dos valores e da personalidade dos seres humanos e dos povos.
Assim as relações são todas mediadas pelo capital.
É uma máquina de “lavagem cerebral” forçando todos a aceitar adaptar-se à essa estrutura perversa sem questionamento.
O capitalismo desenvolve sentimentos negativos a respeito do próprio sistema e ao mesmo tempo os torna proibitivos, i.e., impede que percebamos a origem real desse sentimento: o sistema injusto e perverso que é.
Esta contradição interna, de não poder sentir o que está sentindo, impede todos de reagir contra. Acaba com a criatividade, a coragem, a força e a iniciativa para que tenhamos qualquer reação de união e organização para lutar contra injustiças do sistema. As injustiças são percebidas como culpa de cada um por não ter se esforçado insuficiente.
Desenvolve e alimenta em todos, sentimentos crônicos de inferioridade, insegurança, medo, humilhação, indignação, revolta, raiva, culpa, impotência.
Tudo isso impede que desenvolvamos uma sociedade mais justa, igualitária e solidária.
Esta estrutura fomenta em nós exatamente o que há de mais perverso resultando em doenças psíquicas e físicas, machismo, dependência de drogas entre outros, exclusão social, criminalidade, extremismo religioso, terrorismo e guerras.
Dos séculos XV a XVII os países europeus de capitalismo inicial colonizaram e escravizaram praticamente todos os outros continentes com armas, crueldade e genocídios. Hoje a colonização é mais sutil através das empresas multinacionais.
Os problemas sistêmicos, estruturais e o sofrimento dos povos causados pelo capitalismo no mundo tem se acentuado fortemente nas últimas três décadas.
Todas as conquistas na área da segurança social, como Previdência, segurança trabalhista, serviços públicos, têm sido sistematicamente desmontadas.
Os postos de trabalho estão sendo precarizados. O jovem tem uma perspectiva sombria para seu futuro, com tédio, com esforços em vão, entretenimento vazio, desilusão e falta de finalidade e objetivo na vida.
No capitalismo, como em qualquer sistema de concentração de poder, a repressão funciona “muito bem” para “benefício” de poucos.
As tentativas de construção coletiva de uma sociedade com princípios socialistas têm tido muita dificuldade de se propagar e serem bem sucedidas.
Um dos fatores que impedem essa construção conjunta de uma sociedade justa é que todos nós estamos viciados na repressão de modo que nós a aplicamos aos outros e nós mesmos. Este hábito de repressão é uma armadilha que o sistema de poder conseguiu implantar no nosso modo de sentir, impedindo até hoje a nossa libertação. São como correntes invisíveis que nos amarram impedindo ações positivas em direção à justiça e a igualdade entre os seres humanos.
Os poderes estabelecidos não querem que o povo possa sentir conscientemente a indignação, a injustiça, revolta, coragem, sentir amor e experimentar a união. Esses poderes impedem a reflexão legítima sobre a doença do poder.
Querer usar todos os seus meios para fazer bem para os outros é um ato de amor. Já, querer ter poder para si, é um sintoma de desequilíbrio mental, que tem muitas vezes sua origem no sentimento, numa infância de falta de amor, onde não se experimentou o verdadeiro amor devido a ausência dos pais em prol do trabalho e para sustentar a família, gerando portanto, um sentimento de falta de existência, de apagamento de si mesmo.
O poder dá uma sensação de que agora eu existo. O poder é como uma droga alienante, quanto mais poder se consegue, mais aumenta a necessidade de alcançá-lo ainda em doses maiores causando um círculo vicioso, uma dependência.
Por isso a sede de poder aumenta sem limites à medida que obtemos algum poder.
Ganhando poder o ser humano pode exigir dos outros. Exigir dos outros é um ato de repressão, limitação da liberdade do outro, é em ultima instância uma tentativa de limitar a consciência do outro.
O indivíduo poderoso acaba inevitavelmente se reprimindo, como disse Sócrates em 450 a.C.: tudo que fazemos com o outro, fazemos dentro de nós mesmos no nosso modo de sentir e pensar.
No afã de obter poder, o capitalismo e o capitalista se constituem na fonte originária de tudo o quê é, e portanto justificável e legítima. Assim, é fonte de poder pelo capital, fonte de repressão, fonte da competição, de acumulação; é essa a causa da desigualdade que vemos no mundo.
Round6 mostra tudo isso, é a única face que o neoliberalismo (capitalismo selvagem) pode mostrar: perversidade e concentração de riqueza gerando um enorme fosso que separa a classe burguesa dos trabalhadores explorados e destituídos de toda vida que é sistematicamente transformada em mais valia, e em riqueza material concentrada nas mãos de poucos.
Precisamos urgentemente escapar das garras do neoliberalismo no seu estágio avançado atual, o ciberfascismo.
Primeiro, o fascismo está na nossa cabeça. A luta começa contra o eu. Contra nossa tendência autoritária.
Segundo, é um movimento político sem trégua. É necessário nomear a coisa, em todos os espaços onde ela se manifesta. No local de trabalho, na escola, universidades, instituições.
Por exemplo, hoje dia 20/X/2021, fascistas tomaram a Câmara de vereadores de Porto Alegre, provocando tumulto na votação pra adoção do passaporte sanitário, para grandes eventos. Pessoas responsáveis, que sabem que a saúde é a base de todo bem-estar, defendem a exigência do passaporte sanitário. Todavia, os fascistas iniciaram um tumulto, apelando para a violência. Onde estava a resistência? Não havia.
Como fazer para não se tornar fascista mesmo (e sobretudo) quando se acredita ser um militante revolucionário? Como livrar do fascismo nosso discurso e nossos atos, nossos corações e nossos prazeres? Como desentranhar o fascismo que se incrustou em nosso comportamento? Os moralistas cristãos buscavam os traços da carne que se tinham alojado nas dobras da alma. (Michael Foucault)
Deleuze e Guattari, por sua vez, espreitam os traços mais íntimos do fascismo no corpo.Prestando uma modesta homenagem a São Francisco de Sales, poderíamos dizer que O Anti-Édipo é uma introdução à vida não fascista.Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, estejam elas já instaladas ou próximas de sê-lo, é acompanhada de certo número de princípios essenciais, que resumirei como segue, se eu devesse fazer desse grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana. (Michael Foucault)
Texto de introdução ao Anti-Edipo;
Introdução à vida não fascista
(Michel Foucault)
Liberem a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante.
Façam crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, e não por subdivisão e hierarquização piramidal.
Livrem-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas. Considerem que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.
Não imaginem que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo se o que se combate é abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.
Não utilizem o pensamento para dar a uma prática política um valor de Verdade; nem a ação política para desacreditar um pensamento, como se ele não passasse de pura especulação. Utilizem a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política.
Não exijam da política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação e o deslocamento, o agenciamento de combinações diferentes. O grupo não deve ser o liame orgânico que une indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”.
Michael Foucault tem uma boa proposta de resistência ao fascismo. Resistência está que deve iniciar em cada um de nós.
Lembre-se: o combate ao fascismo é antes uma luta contra si do que contra o outro.
O fascismo triunfa sobre o colapso dos partidos políticos. É preciso fortalecer as instituições políticas. Nesse momento somos todos PT, todos os demais são fascistas.
Estamos vendo uma clara inflexão a um estado mais próximo do que foi o “Estado de bem estar social” em algumas nações importante. É uma inflexão política, que indicia o colapso ideológico do neoliberalismo.
Contudo, deve se referir como um colapso ideológico, que não significa a morte política do neoliberalismo.
Os EUA impõe o neoliberalismo para a América Latina desde muitas décadas. Essa imposição como temos visto transfere riquezas para o “império” deixando poucos (a elite local) ricos, é uma massa empobrecida e explorada.
Temos que travar nossas próprias lutas anti-neoliberais...que significa lutar contra o império norte-americano.
Assim, o neoliberalismo emerge como projeto de poder ditatorial no Chile de A. Pinochet nós anos 1970 e a partir dos anos 1980/1990 toma a forma dominante com Margareth Thatcher, primeira ministra do Reino Unido e Ronald Reagan presidente dos EUA.
O neoliberalismo é o enfraquecimento do Estado de Bem-estar social, a fim de transferir toda riqueza do Estado e das Empresas para o capital. Apesar de os governos militares no Brasil terem sido de frutos de golpes apoiados e financiados pelos EUA, esses governos não foram neoliberais.
Fonte
https://mst.org.br/2016/02/15/a-perversidade-do-sistema-capitalista-o-que-fazer/
https://www.google.com.br/amp/s/trecobox.com.br/round-6-e-a-sua-critica-ao-capitalismo/amp/
http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/574360-o-neoliberalismo-e-sua-falha-fatal
https://www.google.com.br/amp/s/trecobox.com.br/round-6-e-a-sua-critica-ao-capitalismo/amp/
http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/574360-o-neoliberalismo-e-sua-falha-fatal
https://technewsbrasil.com.br/round-6-origem-da-boneca/
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