INÍCIO

29 maio 2020

VERBUM CARO

Verbum caro factum est (1)

Nasci de um sol alaranjado, gigante e terrível,
um pequeno ponto de luz perdido na solidão cósmica dos átomos.
Tornei-me carne,
Então aprendi o quão dolorido é ser um-muitos,
Verbum-caro,
Logos-Hyle,
Nous-Soma,
quente-frio,
alto-baixo,
parado-movente,
real-virtual...
Um volátil transmutador da forma,
Mercúrio, divino-humano.
Aprendi o significado de ser ideia, ser livre...
O impulso da busca é como um espinho entrando na pele, queimando .
A angustia da dor que não passa.
A inquietação essencial na procura dos porques do visível.
Sendo humano, material e pesado, pesam em mim os sentimentos e materializam-se no espaço as idéias.
Do espaço, tornei-me uma imagem sem propósito, sem objetivo ou fim. Fótons aprisionados na bidimensionalidade do plano branco do papel, pixeis num monitor, fáos, fantasia, luz...
Tendo sido uma imagem aprendi o destino dos ícones, toda imagem esta condenada a vagar sem destino no emaranhado dos cabos de fibras óticas e atravessar céleres, como ondas invisíveis o espaço infinito...
onde num clic transforma-se em luz para mostrar-se efemeramente num ecrã obscuro e noutro clic, desfaz-se no nada, como se nunca tivera existido.


1. Verbum caro factum est: O verbo se fez carne, do Livro de João que narra o nascimento de Cristo como sendo a materialização da ideia de Deus, o verbo, que se fez carna para viver entre os homens.



Antiphonae O

O Oriens,
splendor lucis aeternae, et sol justitiae:
veni, et illumina sedentes in tenebris, et umbra mortis.





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