INÍCIO

16 julho 2026

A IMPOSSIBILIDADE DA EXISTÊNCIA DE DEUS

A IMPOSSIBILIDADE DA EXISTÊNCIA DE DEUS

(Fonte 1)

(…) PODERIA FAZER ALGO MAS NÃO FAZ, É “PREGUIÇOSO”, ASSIM COMO O HONEM QUE O CRIOU. SE ELE NÃO PODE SER FORA DO UNIVERSO DAS CARACTERÍSTICAS CONFERIDAS SUPERLATIVAMENTE PELO HOMEM, ELE ESTÁ LIMITADO, E QUALQUER IDEIA QUE CONTENHA LIMITES NÃO PODE SER O QUE DESEJA SER, OU O QUE QUEREM QUE SEJA.


Há muitos tempo venho elaborando argumentos que me livre, ou me aproxime do fim da ideia de dependência, ou da superação da ideia de que a mente humana necessita de uma “escora”, um pensamento que o justifique ou pelo menos lhe de esperança. A minha tese é de que não necessitamos disso.

A justificação está em mim mesmo, a legitimação está em mim, e não fora, em algum lugar do universo… E hoje escrevi mais esse argumento, que deixo aqui para reflexão. Quem quiser comentar, fique a vontade. 

Eu parti do argumento que ilustra o conceito de antropomorfismo, discutido pelo filósofo pré-socrático Xenófanes. Ele argumentava que as representações divinas são projeções da mente humana. Assim, leões imaginariam um Deus com forma de leão e vacas, um Deus com forma de vaca. 

O antropomorfismo (atribuição de características humanas a seres não-humanos) está inserido, de forma mais ampla, no Antropocentrismo Filosófico. Esse argumento maior parte do princípio de que o ser humano utiliza a si mesmo, suas percepções e sua própria natureza como padrão e medida para compreender e explicar toda a realidade à sua volta.

Na Filosofia da Religião, esse conceito é frequentemente discutido na crítica à formação das divindades. Grandes pensadores argumentavam que o homem cria deuses ou forças supremas à sua própria imagem.

Essa analogia está presente em quase tudo. Até porque é mais fácil comparar ou cotejar dois ou mais pensamentos ou conceitos, por como na Filosofia Antiga (a crítica de Xenófanes e o princípio de Protágoras); na Teologia (linguagem antropomórfica na Bíblia e o antropopatismo); e na Ciência do Comportamento (Etologia, como estudamos a mente animal).

Desde o alvorecer da civilização ocidental o homem se debruça nas características dadas aos deuses pelos poetas, i.e., características antropomórficas. Já no início do século V a.C., uma explicação surge, a de que nosso pensamento explica alegoricamente as entidades divinas.

Segundo Lopes (2010): (…) “Supôs-se frequentemente que a interpretação alegórica dos poemas homéricos teria sido introduzida por Teágenes de Régio ao final do século VI a. C. Tratar-se-ia, inicialmente, de responder às críticas da representação homérica dos deuses apresentadas por Xenófanes de Colofão e possivelmente também por outros.? Essa hipótese se baseia num escólio ao canto XX da Ilíada, cuja origem e data não são, entretanto, facilmente determináveis. Não podemos nem mesmo saber se Teágenes era um rapsodo ou um gramático. Porém, estudos recentes mostram que outros autores já haviam proposto uma interpretação alegórica antes dos primeiros críticos dos poemas homéricos, o que dissocia as duas abordagens ao menos em suas respectivas intenções iniciais. Sabe-se que contemporâneos de Xenófanes já interpretavam certas passagens dos poemas homéricos segundo um sentido subjacente' (hypónoia), mas isso não prova necessariamente a existência de uma interpretação alegórica remetendo a uma compreensão impessoal da physis? 

Outras fontes parecem indicar que Ferécides de Siros, cujas datas também são incertas, foi o primeiro autor a propor uma compreensão dos deuses como “forças cósmicas”. Metrodoro de Lâmpsaco se inscreveria na mesma tradição que Ferécides e teria estendido aos heróis da epopeia a interpretação alegórica originalmente aplicada aos deuses." Suas interpretações chegaram até nós pelos comentários críticos de Filodemo e de Taciano, os quais, no entanto, não são muito precisos. Como quer que seja, a referência irônica a Metrodoro feita por Platão no Ion, 530c, sua referência mais antiga a nos ter chegado, só tem sentido se tiver sido um autor conhecido em sua época. A interpretação dos poemas homéricos estava, portanto, no coração de um intenso debate na Atenas dos séculos V e IV a.C.

A menção a Anaxágoras como autor das teorias sobre as quais Metrodoro se teria baseado é, sem dúvida, significativa e dá testemunho da nova relação com o texto dos poemas homéricos que passa a caracterizar a época arcaica. Diógenes Laércio (Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, livro II, capítulo 11, 4-10), afirma que Anaxágoras foi o primeiro a sustentar que os poemas homéricos dizem respeito à virtude e à justiça, numa passagem que merece a nossa atenção:

“Segundo diz Favorino, na História variada, parece que foi [scil. Anaxágoras] o primeiro a declarar que a poesia de Homero é sobre a virtude e a justiça; e Metrodoro de Lâmpsaco, que era seu conhecido, estendeu ainda mais esse argumento, sendo também ele o primeiro a estudar o poeta no tocante à sua doutrina natural. E Anaxágoras foi ainda o primeiro a publicar um livro de prosa." (Διογένης Λαέρτιος, Diógenes Laërtius, sec.III d.C.) (Lopes, 2010).

Já o argumento de Protágoras de Abdera (Πρωταγόρας; c. 490 BC – c. 420 BC), revolucionou o pensamento crítico grego, fazendo uma afirmação decorrente do que vinha sendo pensado, dito e ensinado na Grécia naquela época. 
O argumento central de Protágoras é o relativismo, sintetizado na máxima: "O homem é a medida de todas as coisas" (“O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são, medidas de seu ser, é daquelas que não são, medida de seu não ser”). Isso significa que não existem verdades universais ou absolutas; a realidade, a virtude e a justiça dependem da percepção de cada indivíduo e das convenções sociais. Podemos identificar no pensamento de Protágoras, os seguintes pilares:

O Homem-medida
A frase estabelece que cada pessoa possui sua própria verdade baseada em sua experiência sensível e ponto de vista. O que é bom ou verdadeiro para você, é a sua realidade, e o que é para mim, é a minha. Todavia, esse pensamento abre a possibilidade da educação, que, fornecida pelo Estado, formará indivíduos que possuam um cerne cultural comum, do qual emergiria “essa medida”.

Antilogias
Ele defendia que todo argumento possui dois lados opostos e que ambos podem ser igualmente válidos dependendo da perspectiva. Sua habilidade retórica consistia em ensinar como tornar o argumento mais fraco no mais forte através da persuasão. Era contra isso que Sócrates e Platão se levantam contra, e por isso ele o chama de sofista. Pois para ambos (Sócrates e Platão) só existiria uma verdade e esta estava no mundo das ideias.

Convencionalismo ético
Diferente das leis da natureza, a justiça e as leis humanas (momos) são criações humanas estabelecidas por consenso, variando de acordo com cada sociedade ou cidade estado.

Em certa medida essa formulação de Protágoras é um argumento que coloca a ideia de uma divindade, como um “Deus ex machina”, que no fim, salva toda a história num passe de mágica. 

Como podemos ver acima, apenas nesse breve trecho da literatura especializada, já havia dúvidas a respeito tanto da interpretação das características da divindade, quando até mesmo de sua existência, argumentos históricos que trarei em outro momento. 

Desta forma, após esse breve excerto, que apresentei para aclarar e para dar a conhecer que esse assunto ocupa o homem desde o início, vamos ao que pensei, tentando contribuir um pouco sobre esse assunto. 

Divido o argumento em três premissas (1,2,3) e uma conclusão lógica decorrente dessas premissas citadas a seguir. 

Premissa 1 (Ato e potência)
Se um ser possui a potência (capacidade) de agir e, deliberadamente, não a atualiza quando poderia fazê-lo, isso configura uma defecção da vontade. No ser humano, chamamos essa defecção de preguiça ou inércia moral. Se esse mesmo traço é atribuído a um criador, que poderia intervir, aliviar o sofrimento ou revelar-se com clareza, mas não o faz, então esse criador partilha da mesma falha de caráter que condenamos em nós. A imagem do criador preguiçoso é, portanto, um espelho que o homem ergue diante de si mesmo.

Premissa 2 (A fonte das perfeições)
Mas o que significa “poder fazer algo”? Se examinarmos a origem dessa ideia, vemos que o criador foi concebido como um ente que reúne, em grau superlativo, todas as características que o homem valoriza: bondade, inteligência, poder, justiça. Ocorre que essas características são projetadas a partir da experiência humana intramundana. Elas nascem dentro do universo da linguagem e da finitude.

Premissa 3 (A prisão dos atributos)
Se o criador não pode ser ou não pode agir fora do universo, do quadro dessas características superlativas conferidas pelo homem, então ele está confinado ao catálogo humano de perfeições. Ele é, por definição, aquilo que a mente humana consegue conceber como máximo. Mas o máximo do concebível ainda é concebível, e o concebível tem fronteiras, as fronteiras da nossa linguagem, da nossa lógica, da nossa imaginação moral.

Conclusão (A contradição do ilimitado limitado)
Qualquer ideia que contenha limites, por definição, não é infinita. Se o criador está limitado a um conjunto de atributos, que em última análise, derivam ou são derivados do homem, mesmo que levados ao superlativo, ele é, estruturalmente, um ser limitado. Um ser limitado que carrega o título de “ilimitado” é uma contradição em ato. A consequência é um dilema:

Ou o criador é verdadeiramente ilimitado, e nesse caso ele escapa a toda definição humana, inclusive às noções de bondade, poder, justica e “preguiça”, tornando-se um silêncio absoluto sobre o qual nada se pode afirmar.

Ou o criador é definível por atributos superlativos, e nesse caso ele está preso à teia das categorias humanas, sendo, portanto, finito, antropomórfico e, no limite, tão falível quanto o homem que o inventou.

Em ambos os casos, o conceito de um Deus pessoal, moralmente perfeito e ao mesmo tempo infinito, dissolve-se sob o peso de sua própria arquitetura lógica. O que resta é a suspeita de que o criador não passou de uma hipóstase do homem, um homem ampliado, com suas virtudes e vícios dilatados ao infinito, mas que, como um desenho ou uma pintura, não consegue ultrapassar a moldura de onde foi desenhado, pintado.


Glossário 


Antropopatismo e antropomorfismo

O antropopatismo é um termo usado mais propriamente na teologia para se referir ao ato de colocar no Deus cristão sentimentos propriamente humanos. Assim, o amor, a tristeza ou a saudade são propriedades humanas, e não necessariamente de Deus, que é espírito.
Nesse sentido, o antropomorfismo descreve uma ação mais geral de atribuição de formas humanas a qualquer fenômeno ou seres que existem no mundo. Ele se aplica desde a teologia até a discursos presentes no senso comum. (Oka, 2020)

Deus ex machina 
Deus ex machina é uma expressão em latim que significa literalmente "deus surgido da máquina". Refere-se a um recurso de roteiro ou literatura em que uma situação aparentemente insolúvel é subitamente resolvida por uma intervenção improvável, externa ou mágica, quebrando a lógica interna da história. A origem do termo está no teatro grego. O termo surgiu na Grécia Antiga, onde dramaturgos como Eurípides costumavam colocar os protagonistas em apuros sem saída. Para concluir o enredo, utilizavam guindastes e polias (a máquina) para descer um ator vestido como um deus no palco. Essa divindade resolvia todos os conflitos com um passe de mágica e encerrava a peça.




Fonte







(Escrito em 11/VII/2026)
(Continuará…)



O DEUS QUE NÃO EXISTE

PARADOXO DE EPICURO
O DEUS DE EPICURO


O arco-íris, símbolo da ligação ou da re-ligação 
do homem com a divindade. (1)


Epicuro de Samos


Para Epicuro (341 a.C.–270 a.C.), os deuses existem, são perfeitos, imortais e vivem em completa beatitude. Ele argumentava que as divindades são completamente indiferentes aos assuntos humanos, não interferem no universo, não punem e não se importam com orações ou sacrifícios. Uma visão que lembra a visão budista dos deuses. 




Sua visão é mais lembrada pelo famoso trilema (ou paradoxo) sobre a natureza divina e a existência do mal, que argumenta que a existência de um Deus simultaneamente onipotente, onisciente e onibenevolente é uma contradição lógica:

Se Deus quer eliminar o mal, mas não pode, não é onipotente.
Se pode eliminar o mal, mas não quer, não é benevolente.
Se não pode e não quer, não é nem onipotente nem benevolente.
Se pode e quer, então de onde vem o mal?

Por que discutir esse assunto?
O objetivo do filósofo não era promover o ateísmo, mas sim libertar a humanidade do “medo dos deuses” e da morte, que ele considerava as maiores fontes de ansiedade. Segundo a escola epicurista, entender que os deuses não se importam conosco permite viver uma vida serena focada na busca racional do prazer (ausência de dor) e na tranquilidade da alma.

Quem foi Epicuro e como seu pensamento chega até nós.

Epicuro de Samos Ἐπίκουρος, Epikouros, nasceu em 341 a.C., Samos — 271 ou 270 a.C., Atenas. 
Epicuro foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido em numerosos centros epicuristas que se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador.
Titus Lucretius Carus, Tito Lucrécio Caro; c. 94 a.C. – c. 50 a.C. foi um poeta e filósofo romano. Seu único trabalho conhecido é o poema filosófico “De rerum natura”, uma obra didática sobre os princípios e a filosofia do epicurismo e um uma das primeiras obras filosóficas onde se aborda lógica e filosoficamente o ateísmo.

Eis algunas das formulações do argumento de Epicuro:

“Se Deus é omnipotente, omnisciente e benevolente. Então o mal não poderia continuar existindo.
Se Deus ou os deuses forem omnipotente e omnisciente, então tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. 
Então Ele não é bom.
Se for omnipotente e benevolente, então tem poder para extingir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe quanto mal existe, e onde o mal está. Então Ele não é omnisciente.
Se for omnisciente e bom, então sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser omnipotente, pois se o fosse erradicava o mal.
E se Ele não for omnipotente, omnisciente e bom, então porquê chama-lo de Deus? (Epicuro de Samos)

Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. 
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus. 
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males? 
Por que razão é que não os impede?

Deus é onisciente, onipotente e todo-bondoso. 
Se Deus não sabia que Adão e Eva iam desobedecê-lo, trazendo assim todo o mal e todo sofrimento para o mundo, então não era onisciente; se sabia, mas não pode evitar, não era onipotente; se sabia, podia evitar, e mesmo assim não o fez, então ele permitiu que o mal e o sofrimento viessem a existir, ele assim o quis, o que contradiz sua toda-bondade. 

O que diz o Paradoxo de Epicuro é que a existência de um Deus onisciente, onipotente e todo-bondoso é incompatível com a existência do mal. 
Se Deus existe, então não deveria existir nem o mal e nem o sofrimento. 
Mas o mal e o sofrimento existem de fato, portanto, Deus não existe ?


Mais uma citação do Paradoxo de Epicuro ou Trilema.  

O argumento mais famoso sobre a natureza divina é o Paradoxo de Epicuro ou "Trilema", que questiona a clássica ideia de um Deus que é ao mesmo tempo onipotente (todo-poderoso), onisciente (que sabe de tudo) e onibenevolente (absolutamente bom) frente à existência do mal. 
O dilema é estruturado da seguinte forma:

Se Deus quer prevenir o mal, mas não é capaz, então ele não é onipotente.
Se ele é capaz de prevenir o mal, mas não quer fazê-lo, então ele não é benevolente.
Se ele não é capaz nem quer, então não é Deus.
Se ele é capaz e quer, então de onde vem o mal? 

como podemos deduzir o objetivo deste raciocínio de Epicuro era libertar os seres humanos do medo da punição divina e do medo irracional da morte, temores comuns na sociedade grega antiga, assim com é para alguns setores da humanidade atualmente. 


(Escrito aqui em set/2025)
(Continuará)…












NECROPOLÍTICA

 NECROPOLÍTICA DIÁRIA











 

15 julho 2026

CARTA ABERTA AO MUNDO

CARTA ABERTA AO MUNDO

(Ykay Romay, Cuba, 2026)




"À humanidade inteira, às mães do mundo, aos médicos sem fronteiras, aos jornalistas com dignidade, aos governos que ainda acreditam na justiça:

Meu nome é milhões. Não tenho apelidos conhecidos nem acusações importantes. Eu sou uma cubana comum. Uma filha, uma irmã, uma patriota. E eu escrevo isto com a alma rasgada e as mãos tremendo, porque o que meu povo vive hoje não é uma crise. É um assassinato lento, calculado e friamente executado a partir de Washington.
E o mundo olha para o outro lado.

DENÚNCIA PELOS MEUS AVÓS:

Denuncio que em Cuba há idosos que morrem cedo porque o bloqueio impede que cheguem medicamentos para o coração, pressão, diabetes. Não é falta de recursos. É proibição deliberada. Empresas que querem vender a Cuba são multadas, perseguidas, ameaçadas. Seus governos estão calados. E enquanto isso, um avô cubano aperta o peito e espera. A morte não avisa. O bloqueio sim.

DENÚNCIA PELOS MEUS FILHOS:

Denuncio que há incubadoras em Cuba que devem ter sido desligadas por falta de combustível. Que há recém-nascidos lutando pela sua vida enquanto o governo dos EUA decide quais países podem nos vender petróleo e quais não podem. Que há mães cubanas que viram a vida dos seus filhos ameaçar porque uma ordem assinada em um escritório de Washington vale mais do que o choro de um bebê a 90 milhas da sua costa.

Onde está a comunidade internacional? Onde estão as organizações que tanto defendem a infância? Ou as crianças cubanas não merecem viver?

DENUNCIA POR FOME INTENCIONAL:

Eu denuncio que o bloqueio é fome programada. Não é que falte comida só porque sim. É que eles nos impedem de comprá-la. É que navios com comida são perseguidos. As transações bancárias são bloqueadas. É que as empresas que nos vendem grãos, frango, leite são sancionadas.

A fome em Cuba não é um acidente. É uma política de Estado do governo dos EUA, refinada por 60 anos, atualizada por cada administração, recrudescida por Donald Trump e executada com sanha por Marco Rubio.

Eles chamam a isto “pressão económica”. Eu chamo de terrorismo com fome.

DENÚNCIA PELOS MEUS MÉDICOS:

Denuncio que nossos médicos, os mesmos que salvaram vidas na pandemia enquanto o mundo inteiro desmoronou, hoje não tem seringas, nem anestesia, nem equipamento de raio-X. Não porque não saibamos produzi-los. Não porque não tenhamos talento. Mas porque o bloqueio nos impede de aceder a insumos, peças, tecnologia.

Nossos cientistas criaram cinco vacinas contra a COVID-19. Cinco. Sem ajuda de ninguém Contra vento e maré. Contra bloqueio e mentiras. E ainda assim, o império nos castiga por termos conseguido.

AO MUNDO EU DIGO:

Cuba não lhes pede esmola.

Cuba não lhes pede soldados.

Cuba não lhes pede que nos amem.

Cuba pede justiça. Nada mais. Nada menos.

Peço que parem de normalizar o sofrimento do meu povo.

Peço que chamem o bloqueio pelo nome: CRIME DE LESA HUMANIDADE.

Peço-lhes que não se deixem enganar pelo conto do “diálogo” e da “democracia” enquanto nos apertam o pescoço.

Não queremos caridade. Queremos que nos DEIXEM VIVER.

Aos governos cúmplices que se calam:

A história vai dar-lhes conta.

Para a mídia que mente:

A verdade sempre encontra fendas.

Aos carrascos que assinam sanções:

O povo cubano não esquece e não perdoa.

Aos que ainda tem humanidade no peito:

Olhem para Cuba. Vejam o que lhe estão a fazer. E pergunte a si mesmo: 
De que lado da história eu quero estar?

Desta pequena ilha, com uma cidade gigante,

Uma cubana a pé que se recusa a render.

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Não me importo se você tem 10 amigos ou 10 mil seguidores.

Não me importo se o seu muro é público ou privado.

Não me importo se você nunca compartilha nada.

Mas isto é diferente.

Isto não é uma foto de um pôr do sol.

Isto não é uma notícia de espectáculo.

Isto não é mais uma opinião.

Isso é um GRITO. 
E os gritos não se guardam. 
OUVINDO. Eles se REPLICAM. 
TORNAM-SE MULTIDÃO

Não estou pedindo um curtida hoje. Peço-te que uses os teus polegares para algo maior do que deslocar a tela.

COMPARTILHE.

Para que o mundo saiba que em Cuba não há crise.

Há um CRIME.

Para que as mães de outros países saibam que aqui tem bebês lutando em incubadoras apagadas pelo bloqueio.

Para que os avós de outras terras saibam que aqui há idosos que morrem esperando medicamentos que Washington não deixa entrar.

Para que os governos cúmplices sintam vergonha.

Para que a mídia mentirosa não tenha como fugir.

Para que os carrascos saibam que NÃO NOS CALAMOS.

Uma pessoa compartilhando isso não muda o mundo.

Milhares, milhões, SIM.

Não fique com este texto salvo.

Não seja cúmplice do silêncio.

FAÇA ESSA DENÚNCIA IR MAIS LONGE QUE O BLOQUEIO.

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#CubaDenunciaAlMundo #Cuba #OBloqueioMata

#ElBloqueoMata




















ODISSEIA

 ODISSEIA: UMA HISTÓRIA COM 3200 ANOS 

Odisseu de Christopher Nolan

Um estudo publicado na PLOS ONE demonstrou que a armadura de Dendra, datada de 1400 a.C., era funcional e eficaz para combates prolongados na Grécia Micênica, não sendo apenas cerimonial. Simulações de 11 horas com soldados vestindo réplicas de bronze mostraram que a armadura permitia mobilidade e proteção, suportando cenários de combate intenso. Leia o estudo na íntegra em PLOS ONE. Devemos lembrar que a guerra de Tróia, segundo dados arqueológicos, deve ter ocorrido por volta do século XII a.C. e Homero viveu no século VIII a.C., portanto 400 anos depois dessa guerra. 

Armaduras da era do bronze tardia grega, datada de 1500 a.C. encontrada em uma escavação na cidade de Dendra, década de 1960.


Réplica de uma armadura de um guerreiro micênico do século XIV a.C.
Uma das mais antigas armaduras europeias completas foi descoberta em 1960, perto da vila de Dendra, no sul da Grécia; no entanto, não se sabia se ela era adequada para uso prolongado em batalha ou se tinha caráter puramente cerimonial. Essa incerteza limitava nossa compreensão da guerra na Grécia antiga, especificamente no final da Idade do Bronze, e de suas consequências, fatores que fundamentaram as transformações sociais na Europa pré-histórica e no Mediterrâneo Oriental. Por meio de uma série de estudos arqueofisiológicos que combinaram conhecimentos de arqueologia, história, fisiologia humana e simulação numérica (temperatura, tipo de alimentação relatada na época, horas de exercícios, horas de batalha), apresentamos evidências de que a armadura micênica encontrada em Dendra era plenamente compatível com o uso em combates prolongados; além disso, disponibilizamos um software gratuito que permite simular o combate típico do final da Idade do Bronze. Um grupo de militares de forças especiais gregas, utilizando uma réplica da armadura de Dendra, conseguiu completar um protocolo de combate simulado com duração de 11 horas, elaborado por nós com base em estudos prévios e nas evidências disponíveis (Homero entre outros). Simulações numéricas das trocas térmicas durante combates daquela época estenderam essa conclusão a diferentes condições ambientais e intensidades de luta. Nossos resultados corroboram a ideia de que o poderoso impacto exercido pelos micênicos no Mediterrâneo Oriental deveu-se, pelo menos em parte, à tecnologia de suas armaduras. (PLOS ONE). 


Essa interpretação da história narra de forma muito humana todos os acontecimentos, contando as peripécias fantásticas vividas pelo herói Odisseu.  Entretanto, interpreta essa narrativa fantástica de forma natural e a situa no horizonte da possibilidade, o que a dimensiona num universo da precariedade da existência humana e dos efeitos que uma guerra prolongada produz sobre as pessoas.


Meu livro bilíngue, grego-português da odisseia.

A jornada de retorno de Odisseu a Ítaca, narrada na Odisseia de Homero, durou dez anos e foi repleta de desafios mortais, auxílio de estranhos, cativeiro e eventos miraculosos. Devemos lembrar que a Odisseia, aconteceu depois do fim da guerra de Tróia. A ordem cronológica dos principais perigos enfrentados pelo herói e sua tripulação são resumidos a seguir.


1. Cícones (Ísmaros): A frota de Odisseu voltando da guerra de Tróia, chegou à cidade de Ismara, na costa sul da Tracia, e saqueou-a. Os cícones (ou cicônios) eram guerreiros trácios aliados de Troia. No Canto IX da Odisséia, Odisseu e seus homens saqueiam a cidade. Os homens de Odisseu agiram como conquistadores, atacando os cícones, saqueando tudo o que tinha valor, gado, vinho, ouro e outros tesouros, e capturando as mulheres locais. Odisseu, na qualidade de líder, iniciou essa incursão, provavelmente encarando-a como um ato de guerra legítimo e derradeiro, bem como uma forma de garantir riquezas após a longa campanha de Troia. Esse contexto pode explicar por que Odisseu, mais tarde, relata a incursão em si sem demonstrar vergonha aparente, concentrando-se, em vez disso, na falha de disciplina de sua tripulação ocorrida na sequência. O episódio evidencia a linha tênue que separava a guerra, o saque e a pirataria no antigo Egeu.
Em meio ao caos do ataque a cidade de Ismaro, Odisseu tomou uma decisão calculada que destoava da violência e da pilhagem generalizadas. Ele optou por proteger Maron, o sacerdote que servia ao deus Apolo na cidade. Maron, identificado como filho de Evantes, ocupava uma posição sagrada que Odisseu respeitava. Os cicônios que fugiram se reagruparam e pediram socorro, o que provocou um contra-ataque feroz que dizimou parte da frota grega.

O preço dessa imprudência foi tragicamente alto. Homero conta que, No combate contra os cícones, Odisseu perdeu seis homens de cada um de seus doze navios. Isso significa que setenta e dois dos companheiros de Odisseu foram mortos em uma única batalha matinal, uma parcela significativa de sua tripulação (de 600 a 700 homens). As consequências não se limitaram às vidas perdidas; o episódio representou também um duro golpe para o moral e a força da expedição de Odisseu.

O que começara como uma incursão pós-guerra aparentemente justificada terminou em pesadas baixas e pesar, devido à indisciplina da tripulação. A Odisseu e aos sobreviventes restou apenas lamentar a perda de seus companheiros caídos a partir do convés de seus navios. Homero relata que, após levantarem âncora, Odisseu ordenou uma parada ao largo da costa para que os nomes dos mortos fossem bradados três vezes em sinal de homenagem, uma despedida habitual para heróis tombados em combate.


Guerreiros sicônio repelindo o saque de Odisseu.

2. Lotófagos: Da região dos Cícones, eles foram parar nas costas de uma terra onde os habitantes locais viviam em paz e grande tranquilidade. Ofereceram aos tripulantes um fruto desconhecido; o fruto de lótus. Os guerreiros de Odisseu comeram a flor de lótus. Essa planta causava a perda de memória e o desejo de abandonar a viagem. Odisseu teve de arrastá-los à força de volta aos navios para que pudessem partir. C. Nolan opta por não colocar essa passagem e quem oferece a flor para Odisseu é Calipso. (A forma correta e registrada no vocabulário é lotófagos (com acento agudo no “ó”). A palavra tem origem no grego lotophágos, que significa “comedores de lótus”, e refere-se a um povo mítico da Odisseia de Homero que consumia uma planta narcótica que lhes causava amnésia e letargia.)

W.E.F. Britten. (1901). Os lotófagos.

Odisseu arrastando seus homens para o barco, impedindo-os de comer mais do fruto do loto.

3. Ciclopes: Na ilha dos gigantes, Ilha das cabras e dos cíclopes, Odisseu e seus homens foram aprisionados pelo ciclope Polifemo. Poliremos, de início não os viu dentro da caverna, mas depois de fazer fogo, descobriu esses pequenos homens. O herói lembrou ao ciclope das regras de hospitalidade dadas por Zeus, mas o gigante disse que Zeus não era nada para eles, e agarrou dois guerreiros jogou-os no char esmagando suas cabeças e devorou-os crus ali mesmo. Odisseu então ofereceu vinho que ele havia trazido para trocar por mantimentos, dopando o gigante. Encontrou uma grande vara de madeira e afiou-a no fogo e quando o ciclope poliremos dormiu, Odisseu cegou a criatura para fugir, o que atraiu a fúria do deus Poseidon. No filme de Nolan, só um ciclope, e a passagem do vinho e Odisseu dizendo que seu nome era “ninguém” desaparece. 

Odisseu cega o ciclope Polifemo, filho de Possêidon.

4. Na ilha Eólia, o Rei Aeolus: O rei Eolus, tinha seis filhos e filhas, e era guardião dos ventos.  Entregou como presente a Odisseu uma bolsa (odre) com todas as ventanias e tempestades desfavoráveis, deixando de fora somente o vento Zephyro, o vento do oeste para garantir a volta a Ítaca. Porém, a tripulação abriu a bolsa perto de casa, com Ítaca já a vista, criando uma tempestade que os arrastou para longe, de volta a ilha de Éolo. O rei dos ventos os expulsou vendo que tais criaturas não eram bem vistas pelos deuses. (Um odre é um recipiente antigo feito de pele de animal, geralmente cabra ou ovelha, usado para armazenar e transportar líquidos como água, azeite, leite ou vinho.)


O rei Éolo entrega a Odisseu a bolsa com os ventos.


O rei Éolo entrega a Odisseu um odre (bolsa) com os ventos.

O rei Éolo entrega a Odisseu a bolsa com os ventos.

5. Lestrigões: Na mitologia grega, a cidade dos Lestrigões é chamada de Telepilos (também grafada como Telepylos), cuja fortaleza rochosa é associada ao rei Lamos. Na Odisseia de Homero, essa terra misteriosa de canibais gigantes também é chamada de Lestrigônia. Ao aportar nessa terra desses gigantes primitivos e canibais, também descendentes de Possêidon, quase todos os navios da frota de Odisseu foram destruídos. Dos doze navios, onze foram destruídos a pedradas e as tripulações foram caçadas e devoradas. Como Odisseu fundeou seu navio fora da bahia ele conseguiu chegar ao barco e fugir. Apenas o navio do herói escapou. De comandante de uma tropa, Odisseu, passou a líder de um navio com poucos homens.

Os lestrigões (WP)

6. Ilha Aeaea (Ea), a ilha de CirceAo chegarem na ilha boscosa de Ea, 23 homens saem a explora-la, e encontram um palácio cercado por feras dóceis, leões e lobos. Uma deusa feiticeira chamada Circe, os convida a um banquete. Circe era filha do titã Hélio (o deus do Sol) e da oceânide Perse (também conhecida como Perseis). Algumas versões alternativas da tradição também apontam Hécate, a deusa da feitiçaria, como sua mãe. Quando entram, consomem a comida e bebem vinho, a feiticeira, usando uma vara os transforma quase todos em porcos. Euríloco, desconfiado das intenções dessa mulher, não entra no palácio mas observa, escondido, o que acontece. Tão logo vê, foge dali chorando e conta a Odisseu o que aconteceu com seus companheiros. Odisseu com a ajuda do deus Hermes (seu avô materno), que lhe dá uma planta que funciona como antídoto, resistiu à magia e salvou seus homens. Circe se apaixona por Odisseu e pede que fiquem na ilha como seus convidados. Ali, eles permanecem por um ano. Odisseu não sabe mas Circe engravidou dele, e teve um filho Telegono depois que eles saem da ilha. Antes de iniciarem a jornada, Circe instruiu Odisseu como chegar no submundo, as moradas de Hades e falar com Tiresias de Thebas, o único mortal que mantém a lembrança intacta no Hades. Ela o instrui na Nékia, a invocação dos mortos, cavando uma cova e colocar nela farinha branca, mel, água e sangue de cordeiros sacrificados para atrair os espectros, e o espírito de Tiresias que dirá então, quais perigos Odisseu enfrentará. (C. Nolan, opta por suprimir muito dessa passagem, nem o romance do herói com Circe aparece).

Circe transforma os marinheiros em porcos.

(WP)


Antonio Tempesta. (1606). Circe transforma os companheiros de Odisseu em porcos. Gravura em metal. 

7. Reino dos Mortos (Submundo), (nos Campos Flegreos, ou a planície do Aqueronte no Necromentío de Aqueronte  (?): Odisseu viajou até a entrada do Hades, onde fez um sacrifício, cavando uma cova no solo e derramando mel, água, vinho e farinha por último o sangue de cordeiros sacrificados para o ritual. Fez isso instruído por Circe, para conseguir consultar o profeta Tirésias, que revelou seu futuro e o alertou sobre os perigos iminentes. Nesse local ele vê todos os seus homens que haviam morrido, o marinheiro Elpenor, vê Aquiles, e fica sabendo que sua mãe morreu de saudades e desgosto. Depois disso ele regressa a ilha de Circe para enterrar Elpenor um de seus marinheiros, que havia caído do terraço, antes da partida para o Hades. (No filme de Nolan, a mãe de Odisseu é suprimida).

Odisseu falando com Tiresias no submundo.

8. Sereias: As sereias eram criaturas metade ave com asas e garras nos pés e torso e cabeça de lindas mulheres, eram donzelas demoníacas que contavam um conto que falava de todos os segredos de sua vida e todas as histórias pelas quais vc passou com espantoso detalhamento, e todos os segredos do universo. Odisseu tapou os ouvidos de sua tripulação com cera de abelha e pediu para ser amarrado ao mastro do navio, conseguindo ouvir o canto mortal sem se jogar ao mar. Assim, tornou-se, dessa forma, o único homem na história a ouvir tal canto demoníaco e sobreviver. No filme de Nolan as sereias eram mulheres, que cantavam apenas que tudo o que acontece é culpa de Odisseu. (No filme Nolan colocou as sereias como mulheres normais, e o canto era um tipo de acusação que dizia que todo sofrimento é culpa somente de Odisseu). 


John’s William Waterhouse. (1891). Odisseu e as sereias. Óleo sobre tela.

9. Cila e CaribdisDepois de sobreviver ao canto das sereias, o navio foi forçado a passar pelo estreito habitado de um lado por Cila (um monstro de seis cabeças) que na versão clássica era filho de Fórcis (deus marinho primordial) e Ceto (a deusa dos monstros marinhos), tornando Cila parte de uma família de criaturas monstruosas. Para Homero e Ovídio Cila era filha de Crataie (uma deusa ou ninfa associada aos mares perigosos); e do outro lado, Caribdes, filho de Possêidon e Gaia, um redemoinho abissal de tamanho colossal que seguramente sugaria o barco inteiro para as profundezas do mar. Odisseu, seguindo as ordens de Tiresias passa mais próximo a Cila que devorou seis de seus marinheiros, um para cada cabeça. Odisseu sabia que isso aconteceria mas decidiu não contar para a tripulação, temendo que os homens o abandonassem. Ele ouviu o clamor dos homens que chamavam seu nome para que os salvassem, mas ele nada podia fazer. 

Cila o monstro de seis cabeças e Caribde, o redemoinho.

Cila o monstro de seis cabeças e Caribde, o redemoinho.

Em sua volta do Hades, Odisseu agora sozinho enfrenta cila e caribdis e se salva ao se agarrar numa figueira que crescia no rochedo, e ficou ali até o redemoinho cuspir todos os destroços de volta. Ele então se agarra no mastro e fica a deriva no mar. 

10. Na Ilha de Hélio e seu gado sagrado, a ilha de Trinacria: Ao escaparem de Cila e Caribdes, navegaram direto a um paraíso terrestre, que Tiresias havia profetizado. Odisseu lembrou das palavras do velho que dizia para não tocar no gado do Deus Sol sob hipótese alguma. Ao chegarem na ilha, ficaram presos nela por um mês inteiro, por ventos contrários que os impedia de zarpar. Isso  fez com que acabassem as provisões que haviam levado e deixou os homens famintos. Odisseu havia subido num monte para fazer uma prece aos deuses pedindo por ventos favoraveis. Os homens de Odisseu, famintos, abateram rezes do gado sagrado do deus Sol, Hélios. Hélios sedento por vinganca pediu a Zeus que os castigassem, o que resultou na destruição do navio por um raio devastador, tão logo eles se fizeram ao mar. Todos os marinheiros morreram afogados, menos Odisseu, que não comeu do gado sagrado, e se agarrou aos destroços do mastro do navio. Nesse momento Odisseu se vê totalmente sozinho. 

11. Na ilha de Ogigia, o umbigo do mar, a ninfa Calipso: Odisseu sobreviveu agarrado aos destroços de seu navio, sendo o único sobrevivente dessa tragédia. Assim, ele foi parar na ilha de Ogígia (Ὠγυγίη, Ōgygíē ou Ὠγυγία, Ōgygíā). Lá é ele ficou preso por sete anos como prisioneiro do amor de Calipso, (grego antigo, Καλυψώ, Kalypsṓ, literalmente "ela que esconde", ou aquela que oculta. O nome Calipso deriva do grego καλύπτω, kalyptō, que significa "cobrir", "ocultar" ou "esconder"; assim, seu nome se traduz como "aquela que oculta". De acordo com o dicionário medieval Etymologicum Magnum, seu nome significa "aquela que oculta o conhecimento" (do grego: καλύπτουσα το διανοούμενον, kalýptousa to dianooúmenon). Na versão tradicional e mais popular, Calipso é filha do titã Atlas, na versão de Hesíodo ela é filha de Oceano e Tétis. Na versão de C. Nolan nada é dito sobre ela.
Nessa ilha Odisseu ficou sete anos prisioneiro da ninfa, sendo libertado apenas por intervenção dos deuses. Todos os dias ele ia a praia desejando voltar, e com lágrimas nos olhos pelo destino cruel que havia tido. Seu desejo era envelhecer e morrer ao lado de sua amada Penélope e de seu filho Telêmaco, que havia deixado ainda bebê. Athena apiedando-se dele clamou a seu pai, Zeus, e este mandou Hermes com uma ordem expressa do rei dos deuses, para que a ninfa soltasse Odisseu. Ele fez uma balsa ou jangada com grossos troncos atados e se lançou novamente ao mar por três semanas usando a estrela polar e as Plêiades. Logo avista uma ilha grandiosa, uma terra montanhosa. Mas Possêidon não esquece, e o castiga mais uma vez com uma colossal tormenta que destrói completamente a jangada de Odisseu. Mas Odisseu não se rende, mesmo parecendo que esse seria seu fim, aparece uma deusa marinha, Ino, que lhe entrega seu lenço que o ajudará a nadar até a costa. 








Innes Tripp. Odysseus e Calypso. Ilustração para Contos de Deuses e Heróis por G. W. Cox (Thomas Nelson, c 1910). O Deus Hermes traz a ordem expressa de Zeus para Calipso.

12. Na ilha de Esquéria com os Feácios: Após ter sua jangada destroçada por Possêidon, ele nada até a praia e cai exausto. Essa é Esquéria (Scheria, Σχερία ou Σχερίη), também conhecida como Feácia ou Phaeakia). A ilha era o lar lendário dos feácios, exímios navegantes e construtores navais, o paraíso na terra. Na praia, pela manhã, Odisseu foi despertado por vozes de meninas, o séquito de uma princesa. Com sua inteligência ele ganga confiança e é acolhido pela princesa Nausícaa e pelo poderoso e sábio Rei Alcínoo, antes de finalmente conseguir retornar para sua verdadeira terra natal, a ilha de Ítaca. 
Os feaceos eram exímios navegadores. Eles o trataram bem, são-lhe muitos presentes, e se dispõe a levá-lo até sua amada Ítaca. E, assim, finalmente o transportaram de navio até a costa de Ítaca, ele dormia quando chegou, e os feáceos o carregaram dormindo e o colocaram na praia em um porto escondido em Ítaca. Possêidon irado com os feáceos transformou todos, tanto os marinheiros como o barco que levou Odisseu em um rochedo.

Odisseu na corte dos feáceos.

Os feáceos levam Odisseu até Íthaca.

13. Chegada a Ítaca e os Pretendentes: Ao chegar ao seu palácio, a deusa Atena o intera da situação sociopolítica de seu amado lar. Assim ela o transforma num mendigo, mas ele reconhece e é reconhecido pelo cuidador dos porcos de Odisseu e pelo seu cachorro Argos, que estava infestado de carrapato e com fome. O cachorro baixou as orelhas e abanou a cauda e ali mesmo morreu. Entretanto Odisseu não fez nada embora uma lágrima caiu de seus olhos. Logo depois de Odisseu se encontrar com seu filho Telêmaco, teve de enfrentar seu último perigo: livrar-se dos pretendentes que saqueavam sua casa, dilapidavam seu patrimônio e disputavam a mão de sua esposa, Penélope. Junto com Telêmaco, Odisseu traçou um plano para derrotar esses abusadores e aproveitadores, que infringiam as leis dos deuses. 

Toda a odisseia de Odisseu. Quando eles chegam pela primeira vez na corte do rei Éolo, este lá presenteia com o odre de ventos desfavoráveis (rota 1). Quando avista Ítaca, os companheiros abrem o odre e toda sorte de ventos furiosos e tempestades são libertados e eles voltam pelo mesmo caminho e são expulsos por Éolo. E todas as peripécias se iniciam.

Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa 
Simeon Netchev (worldhistory)

FIM? 
A Odisséia acaba aqui com a reunião de Odisseu com sua família. 
Entretanto, há uma história do que acontece depois que tudo aparentemente volta ao normal.

Temos um poema perdido chamado de Telegonia, que nos chegou apenas sumarizada ou citada em poucos versos por poetas que viveram centenas de anos depois de Homero.

TELEGONIA
Veja a seguir, o fim do ciclo épico grego, com o poema TELEGONIA.
Entretanto segundo Hesíodo, no final da Teogonia, afirma que o amor entre Circe e Odisseu, produziu três filhos:

“Circe, a filha de Hélio Hiperiônida, em amor com o prudente Odisseu gerou Ágrio e Latino, irrepreensivel e poderoso. Por obra da dourada Afrodite, também deu à luz Telegono. E bem distante, no interior das ilhas sagrados, eles reinaram sobre os muito ilustres tirrenos”. (Hesíodo, Theogonia).

Todavia, não se tem notícias se esses dois filhos: Ágrio e Latino, tiverem suas histórias cantadas pelos aedos, ou se existiram se perderam para sempre. 

Telégono, filho de Odisseu e Circe.

Atores e atrizes do filme de Christopher Nolan.


Busto de Homero

Odisseu pelas lentes de Nolan.

Odisseu  em quadrinhos HQ. Hit Comics, 43. (worldhistory)



O que poucos sabem é que existe uma continuação da história de Odisseu, depois que ele chegou em Ítaca, livrou-se dos pretendentes e segundo a profecia de Tiresias, viveria uma vida longa, feliz e morreria de velhice por uma morte q vinha do mar. Essa parte da história é contada na Telegonia, poema do século VI a.C.

A Telegonia foi escrita no século VI a.C e leva o nome do filho que Odisseu não sabe que tem, Telégono. Esse poema épico, narra as aventuras finais e a morte de Odisseu. Esse poema que encerra o Ciclo Épico da guerra de Tróia, é frequentemente atribuído ao poeta grego Eugâmon de Cirene.

A Telegonia, em grego clássico, Τηλεγόνεια ou Τηλεγονία é um poema épico perdido da Literatura da Grécia Antiga. É nomeado após Telégono, filho de Odisseu com Circe, cujo nome significa “nascido longe”, “gerado longe”. O poema conta o seu nascimento em Eéia, longe de Ítaca, terra natal de Odisseu. Era parte do Ciclo Épico de poemas que contavam os mitos da Guerra de Troia, assim como os eventos que a precederam e a sucederam no tempo. 
A história da Telegonia vem cronologicamente após a Odisseia e é seu episódio final. O poema foi por vezes atribuído na antiguidade clássica a Cinaetón de Esparta (século VIII a.C.), mas em uma fonte é dito ter sido roubado do Museu por Eugâmon de Cirene (século VI a.C.). Seu conteúdo é conhecido a partir de resumos sobreviventes de autores posteriores, mais notavelmente Eutíquio Proclo.

Então, vamos a história de Telégono e Odisseu que é narrada no poema épico perdido Telegonia e faz parte do Ciclo Épico da Guerra de Troia. Ela relata o trágico desfecho da vida de Odisseu (Ulisses).

1. A Origem de Telégono
Durante suas longas viagens de volta de Troia, Odisseu passou um ano na ilha de Eéia com a feiticeira Circe. Após a partida de Odisseu, Circe deu à luz um filho dele, chamado Telégono (cujo nome significa "nascido longe"). 

2. A Busca pelo Pai
Ao atingir a maioridade, Telégono quis conhecer seu pai. Circe o enviou em uma viagem para encontrar Odisseu, dando-lhe uma lança especial forjada pelo deus Hefesto, cuja ponta era feita com o espinho venenoso de uma arraia gigante.

3. O Mal-entendido em Ítaca
Uma tempestade levou o navio de Telégono até a ilha de Ítaca. Com fome e sem saber onde estava, Telégono começou a saquear os campos para alimentar sua tripulação. Odisseu e seu filho mais velho, Telêmaco, saíram armados para defender as terras contra os supostos piratas estrangeiros.

4. O Parricídio Trágico
Pai e filho se enfrentaram no campo de batalha sem reconhecer um ao outro. Telégono, usando sua lança envenenada, feriu Odisseu mortalmente.
Enquanto Odisseu agonizava, os dois finalmente conversaram e perceberam a terrível verdade: uma antiga profecia que dizia que Odisseu morreria "vindo do mar" havia se cumprido através de seu próprio filho. Telégono ficou devastado pelo remorso.

5. O Desfecho Incomum
Após a morte de Odisseu, Telégono levou o corpo de seu pai, junto com Telêmaco e Penélope (a viúva de Odisseu), de volta para a ilha de Circe. Lá, Circe tornou todos eles imortais.

TELEGONIA



Resuminho 

Aventuras de Odisseu em Ordem Cronológica

1. O Fim da Guerra de Troia
A Guerra de Troia termina após uma década de cerco, graças sobretudo ao astuto estratagema do Cavalo de Troia, ideia atribuída a Odisseu. Acredita-se que Ílion ou Tróia tenha existido na costa noroeste da atual Turquia. Lá arqueólogos descobriram uma cidade do século XII a.C. arrasada por um grande incêndio. Essa vitória marca o início da longa e perigosa jornada de Odisseu de volta para casa, em Ítaca.
2. Partida de Troia
Odisseu e sua frota de doze navios zarpam de Troia, ansiosos para retornar à sua terra natal. Essa partida assinala o começo dos inúmeros desafios que os aguardam.
3. Os Cicones (Ísmaro)
Pouco depois de deixar Troia, Odisseu e seus homens saqueiam a terra dos Cicones, em Ísmaro. Embora bem-sucedidos no início, sua ganância os leva a se descuidar, e a chegada de reforços resulta em perdas significativas para a tripulação de Odisseu.
4. A Terra dos Lotófagos
A tripulação desembarca numa ilha habitada pelos Lotófagos, que oferecem o inebriante fruto de lótus. O consumo do fruto induz um estado de esquecimento e o desejo de abandonar a jornada de volta. Odisseu combate essa letargia resgatando seus homens à força, amarrando-os aos barcos, e obrigando-os a retomar a viagem.
5. Encontro com Polifemo (Ciclope)
Odisseu e seus homens encontram o ciclope Polifemo, um formidável gigante de um olho só. Polifemo os aprisiona em sua caverna e começa a devorar os homens. Por meio de astúcia, vinho forte oferecido a Polifemo, Odisseu cega Polifemo, o que permite sua fuga. Ao se sentir a salvo ele berra voltado para ilha  que quem o cegou foi Odisseu, filho de Laerte, e rei de Íthaca. Polifemo ora a Possêidon. Esse ato de arrogância enfurece Poseidon, pai de Polifemo, que amaldiçoa Odisseu, garantindo sofrimento e adversidades prolongados em toda sua jornada.
6. A Ilha de Éolo
Odisseu visita Éolo, o senhor dos ventos, que lhe presenteia com um odre (recipiente antigo feito de pele ou couro de animal, geralmente cabra) contendo todos os ventos desfavoráveis, deixando livre somente o vento do oeste, Zephyro, para facilitar sua viagem. Infelizmente, quando já avistavam Íthaca, no horizonte, a tripulação de Odisseu, movida por desconfiança, ganância e desespero, abre o odre enquanto ele dorme, libertando inadvertidamente os ventos desfavoráveis e tempestades e desviando os navios do curso, frustrando seu progresso. Os navios vão parar novamente na ilha de Éolo. Odisseu vai novamente falar com o senhor dos ventos, que o expulsa, dizendo que eles deviam ter feito coisas horríveis pois até os deuses não querem nada com eles. 
7. A Terra dos Lestrigões
A frota chega à terra dos Lestrigões, uma raça de gigantes canibais. Esses seres monstruosos atacam os navios, destruindo todos, exceto um. Odisseu e os tripulantes sobreviventes escapam por pouco, sofrendo perdas devastadoras.
8. A Ilha de Circe (Eeia)
Odisseu e seus homens restantes chegam à ilha da feiticeira Circe. Usando sua magia, Circe transforma vários dos homens de Odisseu em porcos. Com a ajuda divina de Hermes, Odisseu resiste a seus encantamentos e obriga Circe a devolver a forma humana a seus homens. A tripulação permanece na ilha de Circe por um longo período, durante o qual ela transmite conhecimentos cruciais para enfrentar os perigos futuros.
9. Descida ao Submundo
Seguindo o conselho de Circe, Odisseu viaja ao Submundo, também conhecido como a Terra dos Mortos, para consultar o profeta Tirésias. Lá, encontra os espíritos dos falecidos, incluindo sua própria mãe e companheiros tombados em Troia. Tirésias lhe dá orientações sobre como aplacar Poseidon e delineia os desafios restantes que Odisseu deve superar para voltar para casa.
10. As Sereias
Enquanto navega em seu curso, Odisseu se depara com as Sereias, criaturas míticas cujos cantos encantadores atraem os marinheiros para a destruição. Para proteger sua tripulação, Odisseu ordena que seus homens tapem os ouvidos com cera de abelha, enquanto ele próprio é amarrado ao mastro, permitindo-lhe experimentar o canto sem sucumbir ao seu fascínio mortal. Odisseu será o primeiro e único homem a ouvir o canto das sereias, pois havia uma profecia que afirma que se um homem ouvir seu canto e não se atirar ao mar em direção a elas, elas todas morrerão. 
11. Cila e Caríbdis
Odisseu enfrenta uma passagem perigosa entre Cila, um monstro marinho de seis cabeças, e Caríbdis, um traiçoeiro redemoinho. Apesar dos esforços para manobrar em segurança, Cila ataca, arrebatando seis homens de Odisseu. O encontro com Cila e Caríbdis revela os desafios impiedosos que Odisseu precisa superar.
Odisseu passa pelo estreito entre Cila e Caríbdis duas vezes na Odisseia: na primeira passagem, ele navega pelo estreito após o encontro com as Sereias. Aconselhado pela feiticeira Circe, ele decide passar próximo a Cila, o que custa a vida de seis de seus marinheiros, mas salva o restante da tripulação e o navio de serem engolidos pelo redemoinho de Caríbdis. Na segunda passagem, após seus homens comerem os bois sagrados do deus Hélio, Zeus destrói o navio com um raio. Odisseu é o único sobrevivente e passa novamente pelo estreito, desta vez agarrado aos destroços de seu navio. Ele flutua diretamente sobre Caríbdis, conseguindo se segurar nos galhos de uma figueira até que o monstro devolva o mastro e a quilha para que ele possa escapar. (No filme, Nolan suprimiu a segunda passagem).
12. A Ilha de Hélios (Tinácia ou Trinacria)
A tripulação aporta na ilha sagrada de Hélios, lar do gado do deus Sol. Apesar das ordens explícitas de Odisseu para se absterem e de Circe que enfatiza q não toquem no gado do Sol, seus homens famintos abatem o gado divino. Como represália, Zeus desencadeia uma tempestade catastrófica que destrói o navio, resultando na morte de todos os tripulantes, exceto Odisseu, que não comeu da carne das rezes sagradas, e fica à deriva no mar, agarrado aos destroços.
13. A Ilha de Calipso (Ogígia)
Odisseu dá à costa na ilha de Ogígia, onde a ninfa Calipso o detém por sete anos, oferecendo-lhe imortalidade e juventude eterna em troca de sua companhia. Entretanto Odisseu não aceita a imortalidade, pois para ele é errado o homem desejar a imortalidade. Por fim, os deuses em assembleia decretam sua libertação, e Calipso, relutantemente, consente, restituindo-o à sua busca pelo lar.
14. Os Feácios (Esquéria)
Odisseu faz uma jangada com restos do seu antigo navio e troncos para sair da ilha de Calipso, Ogígia, mas Possêidon a destrói com uma onda furiosa, e ele naufraga perto da terra dos Feácios, que o acolhem hospitaleiramente. A princesa Nausícaa o descobre e facilita o encontro do herói com seu pai, o rei Alcínoo, regente da ilha. Cativados por seu relato de aventuras, os Feácios fornecem a Odisseu um navio e tripulação para finalmente viajar de volta a Ítaca.
15. Retorno a Íthaca
Odisseu chega à sua terra natal, Íthaca, mas não é reconhecido de imediato. Disfarçado como mendigo pela intervenção de Atena, ele avalia a situação em seu palácio, que foi tomado por pretendentes que disputam a mão de sua esposa Penélope. Reunindo-se secretamente com seu filho, Telêmaco, tramam a retomada do trono.
16. O Massacre dos Pretendentes
Num desfecho dramático, Odisseu revela sua verdadeira identidade e, com Telêmaco e alguns servos leais, orquestra o massacre dos pretendentes. Esse ato restaura a ordem e restabelece seu lugar de direito como governante de Íthaca.
17. Reencontro com Penélope
Após provar sua identidade por meio de um segredo conhecido apenas pelo casal, um teste envolvendo o leito conjugal, Odisseu e Penélope são reunidos com imensa alegria. O laço entre eles, testado pelo tempo e pelas tribulações, é reafirmado, o que leva a saga épica à sua comovente conclusão.

Telegonia
A Telegonia foi um antigo poema épico grego, agora perdido, que serviu como sequência e final para a Odisséia. A autoria da obra é atribuída por fontes antigas a Eugâmon de Cirene (século VI a.C.). A história narra como Odisseu é morto acidentalmente por Telégono, o filho que teve com a deusa Circe, cumprindo uma antiga profecia. Os principais registros, resumos e discussões sobre o enredo da Telegonia vêm de: Eugâmon de Cirene: Citado como o autor ou compilador final do poema no século VI a.C. Eutíquio Proclo: Gramático cuja obra preservou o resumo (crestomatia) que nos conta a história da obra hoje. Outros autores clássicos: O fabulista romano Higino e o geógrafo Pausânias registraram variações e referências à história. Na Telegonia quando Telégono chega a maioridade é instruído, dizem, pela deusa Atenas a buscar por seu pai. Segundo alguns ela lhe dá uma arma para defesa, o que causa a morte do pai, ao encontrá-lo.  


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ÍTACA 

Konstantinos Kaváfis (1863-1933) 


Quando partires em viagem para Ítaca 

faz votos para que seja longo o caminho, 

pleno de aventuras, pleno de conhecimentos. 

Os Lestrigões e os Ciclopes, 

o feroz Poseidon, não os temas,

tais seres em teu caminho jamais encontrarás,

se teu pensamento é elevado, se rara 

emoção aflora teu espírito e teu corpo.

Os Lestrigões e os Ciclopes, 

o irascível Poseidon, não os encontrarás,

se não os levas em tua alma, 

se tua alma não os ergue diante de ti. 



Faz votos de que seja longo o caminho. 

Que numerosas sejam as manhãs estivais,

nas quais, com que prazer, com que alegria, 

entrarás em portos vistos pela primeira vez; 

para em mercados fenícios 

e adquire as belas mercadorias,

nácares e corais, âmbares e ébanos

e perfumes voluptuosos de toda espécie, 

e a maior quantidade possível de voluptuosos perfumes; 

vai a numerosas cidades egípcias, 

aprende, aprende sem cessar dos instruídos. 



Guarda sempre Ítaca em teu pensamento. 

É teu destino aí chegar. 

Mas não apresses absolutamente tua viagem. 

É melhor que dure muitos anos 

e que, já velho, ancores na ilha,

rico com tudo que ganhaste no caminho,

sem esperar que Ítaca te dê riqueza.



Ítaca deu-te a bela viagem.

Sem ela não te porias a caminho. 

Nada mais tem a dar-te.

Embora a encontres pobre, Ítaca não te enganou.

Sábio assim como te tornaste, com tanta experiência,

já deves ter compreendido o que significam as Ítacas



(Tradução do poema: Isis Borges B. da Fonseca: Poemas de Konstantinos Kaváfis, São Paulo, Odysseus, 2006, p. 100-3)